AS SANGRENTAS CHAGAS DA IRLANDA DO NORTE
Nos 45 anos de vivência no Reino Unido, a maioria dos quais intensamente absorvidos na observação, mas acima de tudo, na interpretação e transmissão dos factos, quer por via radiofónica quer escrita, ou até através da imagem, a Irlanda do Norte e as suas, mui britânica e eufemisticamente cognominadas “troubles” (agitações ou preturbações), ocuparam e impressionaram não o jornalista, mas o preocupado ser humano durante ltrês décadas. As notícias, corroboradas pelas várias visitas aos pontos fulcrais das lutas intestinas e das múltiplas conversas tanto com militares como, e principalmente habitantes, dominaram o nosso intenso trabalho jornalístico. Na nossa retina e mente, porém, a imagem de um audacioso homem, um ousado pacificador pároco, então Dr- Edward Daly e actualmente bispo de Derry, de lenço branco na mão, seguido de um grupo de homens que transportava um jovem ensanguentado e exchangue no frio e fatídico domingo, 30 de Janeiro de 1972, na segunda principal cidade norte-irlandesa, a noroeste de Belfast, Londonderry (para os britânicos, mas que os norte-irlandeses insistem chamar apenas Derry), por ser prelúdio do sangrento episódio que ficaria conhecido por “Bloody Sunday” (Domingo Sangrento), jamais se esvaírá. Embora a chacina, em que pereceram 13 pessoas, sete das quais jovens de 17 anos, morrendo outro, dos ferimentos, poucos dias depois, e 27 feridos, provocada pelos tiros dos comandos britânicos ali estacionados, não fosse a maior dos sangrentos 30 anos de história daquele belo território, ela deu lugar ao virar de uma negra página e à abertura do trágico e sangrento capítulo que se seguiria, desmembrando por completo duas comunidades. Se prelúdio do maior e longo sangrento historial, “Blood Sunday” daria lugar ao maior e mais intenso recrutamento do até ali praticamente adormecido IRA, ou PIRA (Exército Provisional Republicano Irlandês), como preferem chamar na Irlanda do Norte. Da que fora a apenas, e até ao bairro de Bogside, pacífica manifestação organizada pelo Gupo de Direitos Civis, composta por entre 5,000 e 20,000 pessoas, a pretexto de que tiros teriam sido disparados pelos manifestantes, as três dezenas de militares, por ordem do imediato comandante, coronel Derek Wilford, mas contrariando ordens superiores anteriores, decidiu atirar sobre os desarmados manifestantes, dando lugar a um dos piores capítulos da história militar britânica.
A chacina teria repecursões imediatas, provocando o que seria o primeiro processo investigativo judicial liderado pelo Juiz Supremo, Lorde Widgery. Porém, ao ser divulgado, em 1972, defendeu os comandos e culpou os manifestantes, que afirmou serem “terroristas armados” provocando enorme clamor e revolta em toda a população católica, principal e compreensivelmente entre as famílias das vítimas que o classificaram de “enorme afronta”. Perante os enormes protestos, e contrariamente à oposição, principalmente dos militares, o então primeiro-ministro, Tony Blair, um dos principais mentores do Processo de Paz, foi corajoso ao decretar novo e mais completo inquérito judicial que teve início em 1988 sob a tutela de Lorde Saville. E inicialmente orçamentado em 15 milhões de euros, para ser apresentado dois anos depois, porém, volvidos mais dez, as tão detalhadas conclusões, em que foram ouvidas cerca de 2,500 testemunhas, incluindo 245 militares,505 civis, 33 chefes da polícia, figuras políticas, peritos forenses, jornalistas, sacerdotes, membros do IRA, incluino o actual vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e na altura segundo comandante do IRA em Derry, também participante na manifestação, Martin McGuinness, resultando em 160 volumes de minuciosa evidência, 30 milhões de palavras, 13 volumes de fotografias, 121 gravações sonoras e 10 de vídeo, pelo astronómico custo total de aproximadamente 300 milhões de euros, Porém o relatório final principal foi sintetizado em 5,000 palavras, compreendendo 10 volumes de sólida evidência exonerando as vítimas do que classificou “injustificado” e “injustificável disparo”, fazendo questão de esclarecer que foram alvejadas pelas costas, acusando os militares por tão inaceitável chacina.
Como seria de esperar, as famílias das vítimas exultaram ao terem conhecimento do resumo final de tão longa espera, particularmente pela evidência da inocência dos seus ente-queridos, uma das suas longas reivindicações. Mas não só, ao ouvirem e verem, no vasto écran, junto ao local em que milhares se concentraram, precisamente na Praça do Guildhall, onde a fatídica manifestação deveria terminar, para celebrar tão memorável evento, o primeiro-ministro, David Cameron, na Câmara dos Comuns, solenemente, admitir a culpabilidade dos militares, pedir desculpa e concluír que o “que aconteceu no Domingo Sangreto foi injustificável e errado”, irromperam em aplauso com lágrimas à mistura! Resta saber se, como Tony Blair anunciou, ao determinar novo inquérito em 1988, com a Irlanda do Norte e gozar desde 1998, tão almejada e necessária paz, depois de morte de mais de 10,000 pessoas, em sua maioria civis, incluindo militares e polícias, se “o doloroso capítulo está para sempre encerrado”. Só o futuro, possivelmente próximo, o dirá. Enquanto há famílias que clamam pelo julgamento e condenação dos militares, principalmente o soldado, cuja identidade permanece oculta e apenas classificado por “F”, a quem é atribuído o assassinato de seis manifestantes, para os políticos, a decisão compete exclusivamente ao Promotor Público, que, aliás, afirma estar a considerar o assunto. Por enquanto, um dado promissor: a comunidade protestante, também uma das grandes vítimas, na pessoa do influente deputado, Gregory Campbell, aponta “esqueça-se o passado e olhemos para o futuro”!
quinta-feira, 24 de junho de 2010
sexta-feira, 18 de junho de 2010
OS INESCRUTÁVEIS MISTÉRIOS DA MENTE HUMANA
O condado de Cumbria (noroeste da Inglaterra), bela zona rural, igualmente famosa pelos seus lagos, com cenários que inspiraram pintores, e onde residiu, como também inspiraram, o célebre poeta britânico William Wordsworth (1770-1850), foi cenário manchado pelo taxista de 52 anos de idade, Derrick Bird. Munido de uma pistola e espingarda, da janela do seu carro, chacinou 12 pessoas na fatídica manhã de quarta-feira 2, deste mês. Em apenas uma hora matou 10, e feriu 25, 11 das quais hospitalizadas, algumas em estado grave, em trinta localidades, pondo, três horas e meia depois, finalmente, termo à vida, no mais ermo dos locais. Este acontecimento, numa região normalmente bucólica, compreensivelmente abalou não apenas uma comunidade, mas todo o país e prontificou as mais recônditas questões. De novo, crimes e criminosos em massa como este, prontificam a questão do nosso título! Porém, e por muito que o tentemos jamais obteremos a resposta adequada!
Mal o primeiro assasinato, o irmão gémeo, David, que ocorreu pouco depois das 0830, em Frizington, cinco outras premeditadas vítimas se seguiram, incluindo o advogado da família, Kevin Commons, e colegas taxistas, que atingiu no local habitual de Duke Street, na cidade de Whitehaven. Embora alvejando três, apenas matou dois, Darren Rewcastle e Darren Pears. Dali, desvairado, percorreu as estreitas estradas rurais do condado, num perímetro de 100km, matando, durante três horas, quem encontrava ou quem lhe dava na real gana, inclusive, um pobre ciclista reformado, nos seus exercícios diários, ou a infeliz senhora que, no passeio, se dirigia para visitar a irmã ou ainda o lavrador jogador-amador de râguebi que se encontrava no seu terreno. Embora a polícia procure as respostas para tão hediondo acto, particularmente quando Bird era tido como uma pessoa absolutamente normal e sossegada, e haja indícios tanto de disputas familiares de heranças, como acossado, e em vias de ser detido, por evasão fiscal, nada mais resta que o lamentável e negro registo de tresloucados na história britânica. Desde Jack - o Estripador, devido à forma bárbara, mas profissional, em como se desfazia das suas vítimas, pelo menos seis, e todas prostitutas, no bairro de Whitechapel (leste de Londres), entre Agosto e Novembro de 1888, e crime idêntico por parte de Peter Sutcliffe, ao matar 13 prostitutas, pelo que lhe valeu o nome de “Ripper de Yorkshire”, e a pena de prisão perpétua no Tribunal Central de Old Bailey, em Londres, em 1981; em Maio de 2010, a mesma cidade seria cenário de nova reincidência, desta vez, com a morte de três mulheres da mesma profissão, cujos corpos de duas ainda não foram encontrados, em que Stephen Griffiths, que se doutorava em Criminologia na Universidade de Sheffield, foi descoberto e acusado. Estas serializações de crimes, embora raras, sucederam-se às chacinas de Hungerford (Oxfordshire), em 1987, em que Michael Ryan matou 16 pessoas ao acaso nas ruas da vila, bem como em Dunblane (Escócia), numa escola da cidade, onde o que fora chefe dos escuteiros, Thomas Hamilton, em 13 de Março de 1996, matou 16 crianças e uma professora. Qualquer destes assassinos em massa evadiu-se à justiça matando-se a si próprios. Semelhante sorte teve o chamado “Dr. Morte”, o médico Harold Shipman, que, na prisão, e em vésperas do início do julgamento, apareceu enforcado na manhã de 13 de Janeiro de 2004, também um dia antes de fazer 58 anos e se encontrava detido no que poderia dar em pena de prisão perpétua, pela morte de 15 pacientes seus, todas senhoras, com injecções de diamorfina. Mas, segundo peritos em lentos e longos estudos, teria na realidade morto, pelo menos 215 pessoas, durante os 30 anos, em que exerceu clínica geral, principalmente em Hyde, na zona da Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra. Antes, porém, há a assinalar o criminoso John Haigh, a quem foi atribuída a morte de nove mulheres ricas. Depois de beber o seu sangue cortou os corpos aos bocados decompondo-os em ácido. Foi enforcado em 1949. Seguiu-se-lhe o antigo polícia, John Reginald Christie a quem foi atribuída a morte de seis mulheres, em Londres, que depois de violar e estrangular escondeu os corpos debaixo do sobrado da sua residência, sendo enforcado em 1953. Aos namorados Ian Brady e Myra Hindley, deve-se a morte de, pelo menos, cinco crianças, em Oldham (Lancashire), entre 1963 e 1965, ao casal Fred e Rosemary West, o assassinato de 12 jovens, incluindo a filha, em Gloucester (oeste da Inglaterra) entre 1971 3 início de 1990. Ao funcionário público Dennis Nielsen, embora condenado em 1983 pela morte de seis homens homosexuais, suspeita-se que tenha degolado pelo menos 15 nas suas residências de Muswell Hill e Cricklewood (norte de Londres), durante a década de 70, de cujos corpos se desfez, quer guardando-os debaixo do sobrado quer cortando-os. Tanto este como o casal West foram condenados a prisão perpétua, embora Fred West se tenha suicidado na prisão.
Toda esta negra lista prontifica as habituais questões, “porquê, porquê?” Questões que os psicólogos não se cansam de esmiuçar, embora, cientifíca e historicamente todos saibamos que o Homem, do Reino Animal, é o que mais mata o seu semelhante, quer a nível individual quer colectivamente em guerras. Inescrutáveis mistérios da mente humana!
Mal o primeiro assasinato, o irmão gémeo, David, que ocorreu pouco depois das 0830, em Frizington, cinco outras premeditadas vítimas se seguiram, incluindo o advogado da família, Kevin Commons, e colegas taxistas, que atingiu no local habitual de Duke Street, na cidade de Whitehaven. Embora alvejando três, apenas matou dois, Darren Rewcastle e Darren Pears. Dali, desvairado, percorreu as estreitas estradas rurais do condado, num perímetro de 100km, matando, durante três horas, quem encontrava ou quem lhe dava na real gana, inclusive, um pobre ciclista reformado, nos seus exercícios diários, ou a infeliz senhora que, no passeio, se dirigia para visitar a irmã ou ainda o lavrador jogador-amador de râguebi que se encontrava no seu terreno. Embora a polícia procure as respostas para tão hediondo acto, particularmente quando Bird era tido como uma pessoa absolutamente normal e sossegada, e haja indícios tanto de disputas familiares de heranças, como acossado, e em vias de ser detido, por evasão fiscal, nada mais resta que o lamentável e negro registo de tresloucados na história britânica. Desde Jack - o Estripador, devido à forma bárbara, mas profissional, em como se desfazia das suas vítimas, pelo menos seis, e todas prostitutas, no bairro de Whitechapel (leste de Londres), entre Agosto e Novembro de 1888, e crime idêntico por parte de Peter Sutcliffe, ao matar 13 prostitutas, pelo que lhe valeu o nome de “Ripper de Yorkshire”, e a pena de prisão perpétua no Tribunal Central de Old Bailey, em Londres, em 1981; em Maio de 2010, a mesma cidade seria cenário de nova reincidência, desta vez, com a morte de três mulheres da mesma profissão, cujos corpos de duas ainda não foram encontrados, em que Stephen Griffiths, que se doutorava em Criminologia na Universidade de Sheffield, foi descoberto e acusado. Estas serializações de crimes, embora raras, sucederam-se às chacinas de Hungerford (Oxfordshire), em 1987, em que Michael Ryan matou 16 pessoas ao acaso nas ruas da vila, bem como em Dunblane (Escócia), numa escola da cidade, onde o que fora chefe dos escuteiros, Thomas Hamilton, em 13 de Março de 1996, matou 16 crianças e uma professora. Qualquer destes assassinos em massa evadiu-se à justiça matando-se a si próprios. Semelhante sorte teve o chamado “Dr. Morte”, o médico Harold Shipman, que, na prisão, e em vésperas do início do julgamento, apareceu enforcado na manhã de 13 de Janeiro de 2004, também um dia antes de fazer 58 anos e se encontrava detido no que poderia dar em pena de prisão perpétua, pela morte de 15 pacientes seus, todas senhoras, com injecções de diamorfina. Mas, segundo peritos em lentos e longos estudos, teria na realidade morto, pelo menos 215 pessoas, durante os 30 anos, em que exerceu clínica geral, principalmente em Hyde, na zona da Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra. Antes, porém, há a assinalar o criminoso John Haigh, a quem foi atribuída a morte de nove mulheres ricas. Depois de beber o seu sangue cortou os corpos aos bocados decompondo-os em ácido. Foi enforcado em 1949. Seguiu-se-lhe o antigo polícia, John Reginald Christie a quem foi atribuída a morte de seis mulheres, em Londres, que depois de violar e estrangular escondeu os corpos debaixo do sobrado da sua residência, sendo enforcado em 1953. Aos namorados Ian Brady e Myra Hindley, deve-se a morte de, pelo menos, cinco crianças, em Oldham (Lancashire), entre 1963 e 1965, ao casal Fred e Rosemary West, o assassinato de 12 jovens, incluindo a filha, em Gloucester (oeste da Inglaterra) entre 1971 3 início de 1990. Ao funcionário público Dennis Nielsen, embora condenado em 1983 pela morte de seis homens homosexuais, suspeita-se que tenha degolado pelo menos 15 nas suas residências de Muswell Hill e Cricklewood (norte de Londres), durante a década de 70, de cujos corpos se desfez, quer guardando-os debaixo do sobrado quer cortando-os. Tanto este como o casal West foram condenados a prisão perpétua, embora Fred West se tenha suicidado na prisão.
Toda esta negra lista prontifica as habituais questões, “porquê, porquê?” Questões que os psicólogos não se cansam de esmiuçar, embora, cientifíca e historicamente todos saibamos que o Homem, do Reino Animal, é o que mais mata o seu semelhante, quer a nível individual quer colectivamente em guerras. Inescrutáveis mistérios da mente humana!
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OS INESCRUTÁVEIS MISTÉRIOS DA MENTE HUMANA
sexta-feira, 11 de junho de 2010
O DESPERTAR DA SONOLENTA E HISTÓRICA WOOTON BASSETT
Wooton Bassett, até há poucos anos pacata e adormecida vila saxónica, originalmente chamada Wodeton, do belo Condado de Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), remonta a 681, mas que em 1200 foi doada ao Lorde Alan Bassett, e daí o nome, tem outro predicado histórico – o de estar ligada a uma das oito mulheres de Henrique VIII, Catherine Parr, que residiu na vizinha Mansão Vastern. Actualmente com 11.043 habitantes, Wooton Bassett conhece novo e importante predicado – a Hospitalidade e Honras Fúnebres aos Herois das Batalhas Britânicas.
Devido à sua vizinhança da Base Militar da RAF de Lyneham, também conhecida pelo aeroporto de destino e de regresso dos soldados mortos nas operações militares, primeiro no Iraque e actualmente, quase diariamente, no Afegasnistão, Wooden Bassett, assumiu nova e importante prominência e notoreidade pelas cada vez mais frequentes imagens na televisão, com a chegada dos caixões dos soldados mortos. A rua principal deste vilazinha, e os seus habitantes, fazem questão de receber e homenagear os féretros dos herois, em sua maioria jovens, caídos em combate, particularmente na região de Sangin, na província de Helmand, no sul do Afeganistão.
Tradicionalmente, a fila de carros negros, em passagem lenta, liderada por austero mestre de cerimónias, trajando negro e de alta cartola, não faltando bengala ou chapéu de chuva, pára no meio da rua da vila para receber a primeira homenagem da população civil, bem como militar, geralmente colegas, que formando ala, reconhecida e agradecida, coloca, no meio de lágrimas, uma a uma, rosas e outras flores, cobrindo totalmente os veículos. Entretanto, como cenário habitual, os transportadores de bandeiras, geralmente dos principais regimentos a que os homenageados pertenciam, baixam-nas como prova de homenagem e respeito. Wooden Bassett, faz, assim, questão de ser actualmente a primeira a homenagear os herois que regressam, sem vida, e que dali partem para os locais onde residiram com os seus ente-queridos, pais, mães, irmãos, mas especialmente esposas, agora viúvas, e seus filhos, muitos deles que nasceram sem os pais os terem conhecido em vida. Em reconhecimento a este elevado espírito de solidariedade, a 12 de Outubro de 2008 as Forças Armadas fizeram questão de desfilar pela vila a fim de agradecer aos seus habitantes tão prestimosos apoio. E, em Maio de 2009, a Royal British Legion, organização civil de beneficência a favor dos militares reformados ou mortos e suas famílias, homenagearam a vila com sentida Condecoração. Popular homenagem foi-lhe igualmente tributada em Março de 2010, por milhares de motards num desfile em que grangearam 15 mil euros para a Royal British Legion. Mas o maior tributo, partiu de Isabel II, que, embora raro, mas à semelhança de outras vilas ou cidades lhe foi outorgado o título de Real Wooton Bassett. Porém, em 2009, o grupo islâmico Islam4UK, num país democrático como aqueles que não o eram dos países de que foram oriundos, provocaram compreensível revolta do país inteiro ao insistirem numa manifestação na vila, intenção resistida pelos seus habitantes que ameaçaram desertá-la e, como sinal de protesto, levantar vedações nas ruas principais. Depois do Iraque, o Afeganistão, e principalmente Sangin, na província de Helmand, é actualmente cemitério da juventude militar britânica. Até agora, ali morreram ou mais tarde pereceram nos hospitais do país, quase 300 militares, descontando, claro, os inúmeros feridos, muitos deles graves, em sua maioria desfigurados ou sem membros - pernas e/ou braços. e que, a demonstrar contínua bravura, procuram adaptar-se à nova, mas trágica situação.
Devido à sua vizinhança da Base Militar da RAF de Lyneham, também conhecida pelo aeroporto de destino e de regresso dos soldados mortos nas operações militares, primeiro no Iraque e actualmente, quase diariamente, no Afegasnistão, Wooden Bassett, assumiu nova e importante prominência e notoreidade pelas cada vez mais frequentes imagens na televisão, com a chegada dos caixões dos soldados mortos. A rua principal deste vilazinha, e os seus habitantes, fazem questão de receber e homenagear os féretros dos herois, em sua maioria jovens, caídos em combate, particularmente na região de Sangin, na província de Helmand, no sul do Afeganistão.
Tradicionalmente, a fila de carros negros, em passagem lenta, liderada por austero mestre de cerimónias, trajando negro e de alta cartola, não faltando bengala ou chapéu de chuva, pára no meio da rua da vila para receber a primeira homenagem da população civil, bem como militar, geralmente colegas, que formando ala, reconhecida e agradecida, coloca, no meio de lágrimas, uma a uma, rosas e outras flores, cobrindo totalmente os veículos. Entretanto, como cenário habitual, os transportadores de bandeiras, geralmente dos principais regimentos a que os homenageados pertenciam, baixam-nas como prova de homenagem e respeito. Wooden Bassett, faz, assim, questão de ser actualmente a primeira a homenagear os herois que regressam, sem vida, e que dali partem para os locais onde residiram com os seus ente-queridos, pais, mães, irmãos, mas especialmente esposas, agora viúvas, e seus filhos, muitos deles que nasceram sem os pais os terem conhecido em vida. Em reconhecimento a este elevado espírito de solidariedade, a 12 de Outubro de 2008 as Forças Armadas fizeram questão de desfilar pela vila a fim de agradecer aos seus habitantes tão prestimosos apoio. E, em Maio de 2009, a Royal British Legion, organização civil de beneficência a favor dos militares reformados ou mortos e suas famílias, homenagearam a vila com sentida Condecoração. Popular homenagem foi-lhe igualmente tributada em Março de 2010, por milhares de motards num desfile em que grangearam 15 mil euros para a Royal British Legion. Mas o maior tributo, partiu de Isabel II, que, embora raro, mas à semelhança de outras vilas ou cidades lhe foi outorgado o título de Real Wooton Bassett. Porém, em 2009, o grupo islâmico Islam4UK, num país democrático como aqueles que não o eram dos países de que foram oriundos, provocaram compreensível revolta do país inteiro ao insistirem numa manifestação na vila, intenção resistida pelos seus habitantes que ameaçaram desertá-la e, como sinal de protesto, levantar vedações nas ruas principais. Depois do Iraque, o Afeganistão, e principalmente Sangin, na província de Helmand, é actualmente cemitério da juventude militar britânica. Até agora, ali morreram ou mais tarde pereceram nos hospitais do país, quase 300 militares, descontando, claro, os inúmeros feridos, muitos deles graves, em sua maioria desfigurados ou sem membros - pernas e/ou braços. e que, a demonstrar contínua bravura, procuram adaptar-se à nova, mas trágica situação.
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WOOTON BASSETT E A UERRA DO AFEGANISTÃO
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Sós ou (Mal) Acompanhados?
Na capa de um dos recentes números da conceituada revista National Geographic (edição em Inglês), perguntava-se “Estaremos sós?”. O seu interior, era complementado por extraordinárias montagens e fotos. Porém, agora, graças à avançada tecnologia, aos inúmeros satélites, mas principalmente à sofisticadíssima aparelhagem óptica, lançada a milhares de quilómetros no espaço, da possível ficção passou-se à realidade, como muito bem se aponta na referida reportagem. Nela se refere, por exemplo, que até agora os astrónomos conseguiram identificar mais de 370 classificados “exoplanetas”, ou seja, planetas fora do Sistema Solar. Em relação a Saturno, verifica-se agora que, estando à distância de 260 anos-luz da Terra, (*) encontra-se acompanhado por outro satélite quente, afastado, e rodopiando a cerca de 150 anos-luz daquele, que numa rotação nos nossos termos, de um ano, lá, dura menos de três dias! O objectivo dos cientistas, que na Lua já descobriram a existência de algo semelhante à água, é encontrar planetas idênticos à Terra. Caso concreto, é a descoberta no satélite Europa, a lua do Planeta Júpiter, quase idêntico à Terra, em termos de tamanho, conta com um vasto oceano de água, com a profundidade aproximada de 100km. A questão, a grande questão, é saber se contem suficiente oxigénio indispensável à vida. Outro enorme planeta, o já menciondo Saturno, aquele de vastos aneis, igualmente se sabe conter àgua, mas esta é gelada e que não permite qualquer qualidade de vida. A procura continua e graças aos enormes avanços da Cosmografia, muito há a percorrer, quando, apenas 11 dos 370 distantes planetas, enormes e luminosos, foram detectados pela técnica espectoscrópica Doppler.
Vejamos, portanto, a tecnologia reveladora de tais maravilhas. Ao satélite francês, COROT, por exemplo, agora na fase final de vida de três anos, deve-se a descoberta de sete exoplanetas em trânsito, um dos quais é 70% maior que a Terra. Porém, o satélite americano, Kepler, lançado a partir da base do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos da América (EUA), em 12 de Março do ano passado, é, nada mais nada menos que uma potente câmara digital de .95 de abertura e com um detector de 95 megapixeis. Obtém fotos de uma largura vastíssima, de trinta em trinta minutos, captando a luz de 100.000 estrelas, num simples trecho do firmamento, entre as brilhantes estrelas Deneb e Vega. A ele, se deve, segundo a notícia divulgada pela Sociedade Americana de Astronomia, em Washington, em 4 de Janeiro´passado, a detecção dos seus cinco primeiros planetas fora do sistema solar, com tamanhos que variam entre uma dimensão semelhante a Neptuno e uma maior que Júpiter. Chamados Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b, a sua descoberta resulta de cerca de seis semanas de recolha de dados desde que as operações científicas começaram, a 12 de Maio de 2009. No entanto, são todos demasiado quentes para conter vida, salientam os responsáveis pela missão. As temperaturas estimadas nos exo-planetas variam entre os 1200 e os 1648 graus Célsius.A estes, juntam-se aos 415 exo-planetas já detectados desde 1995, graças a outros telescópios. Aos computadores, em Terra, compete decifrar o brilho de todas as estrelas, alertando os cientistas, ao detectarem a menor cintilação que possa assinalar o trânsito de um planeta. Outro passo tecnológico, assás igualmente importante, foi a actualização, em Maio do ano passado, do Telescópio Espacial Hubble, pelos astronautas. Graças a novos e mais sofisticados mecanismos, como lentes mais potentes, além de prolongar a vida deste excepcional equipamento espacial, obtêm-se imagens mais nítidas e novas galácias. Porém, com o anunciado telescópico gigantesco, E-ELTE, de 42 metros de diâmetro de abertura, a instalar nas montanhas chilenas, aumenta a expectativa dos astrónomos. Possivelmente em saber mais sobre a Nebulosa Carina, a 7500 anos-luz da Terra e a multidão massiça de estrelas da constelação Omega Centauro, que pela primeira vez revela galácias, representadas por simples pontos de há 13.1 biliões de anos atrás, como aponta
o cientista Garth Illingworth da Universidade de Santa Cruz da Califórnia.
(*) Medida de distância astronómica igual à distância que a luz atravessa no período de um ano, ou
12km
seja, 9.463x10 , (1 pc = 3.26161.y ). A distância entre a Terra e a Lua é de 148.8 milhões de km
Vejamos, portanto, a tecnologia reveladora de tais maravilhas. Ao satélite francês, COROT, por exemplo, agora na fase final de vida de três anos, deve-se a descoberta de sete exoplanetas em trânsito, um dos quais é 70% maior que a Terra. Porém, o satélite americano, Kepler, lançado a partir da base do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos da América (EUA), em 12 de Março do ano passado, é, nada mais nada menos que uma potente câmara digital de .95 de abertura e com um detector de 95 megapixeis. Obtém fotos de uma largura vastíssima, de trinta em trinta minutos, captando a luz de 100.000 estrelas, num simples trecho do firmamento, entre as brilhantes estrelas Deneb e Vega. A ele, se deve, segundo a notícia divulgada pela Sociedade Americana de Astronomia, em Washington, em 4 de Janeiro´passado, a detecção dos seus cinco primeiros planetas fora do sistema solar, com tamanhos que variam entre uma dimensão semelhante a Neptuno e uma maior que Júpiter. Chamados Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b, a sua descoberta resulta de cerca de seis semanas de recolha de dados desde que as operações científicas começaram, a 12 de Maio de 2009. No entanto, são todos demasiado quentes para conter vida, salientam os responsáveis pela missão. As temperaturas estimadas nos exo-planetas variam entre os 1200 e os 1648 graus Célsius.A estes, juntam-se aos 415 exo-planetas já detectados desde 1995, graças a outros telescópios. Aos computadores, em Terra, compete decifrar o brilho de todas as estrelas, alertando os cientistas, ao detectarem a menor cintilação que possa assinalar o trânsito de um planeta. Outro passo tecnológico, assás igualmente importante, foi a actualização, em Maio do ano passado, do Telescópio Espacial Hubble, pelos astronautas. Graças a novos e mais sofisticados mecanismos, como lentes mais potentes, além de prolongar a vida deste excepcional equipamento espacial, obtêm-se imagens mais nítidas e novas galácias. Porém, com o anunciado telescópico gigantesco, E-ELTE, de 42 metros de diâmetro de abertura, a instalar nas montanhas chilenas, aumenta a expectativa dos astrónomos. Possivelmente em saber mais sobre a Nebulosa Carina, a 7500 anos-luz da Terra e a multidão massiça de estrelas da constelação Omega Centauro, que pela primeira vez revela galácias, representadas por simples pontos de há 13.1 biliões de anos atrás, como aponta
o cientista Garth Illingworth da Universidade de Santa Cruz da Califórnia.
(*) Medida de distância astronómica igual à distância que a luz atravessa no período de um ano, ou
12km
seja, 9.463x10 , (1 pc = 3.26161.y ). A distância entre a Terra e a Lua é de 148.8 milhões de km
quinta-feira, 27 de maio de 2010
“ARQUITECTO-MÓR”
Um Povo, num País, que até há apenas 30 anos, tinha que formar fila, longas e constantes filas e esperar, pelo menos quatro horas, para um simples e necessário corte de cabelo; que para fazer um fato de homem, verdadeiro luxo, adquirido por coupons de racionamento, do único tecido, espécie de cotim verde, cinzento ou preto; aguardar pelo menos doze meses, sem qualquer garantia, nem possibilidade de recurso, tanto em termos de qualidade ou de defeitos de confecção, caso contrário teria de depender da juta de sacos de farinha ou de plástico; que depois de cosidos envergava. E, se um fato era obra de um ano, uma simples camisa, embora confeccionada em mais curto espaço de tempo, só era possível, nas medidas consideradas normais, porque, caso o interessado tivesse a infelicidade de ser ou mais alto ou mais gordo, a complicação e a incerteza de que viria a servir, seria mais do que certa! Isto em termos de necessidades consideradas mais de luxo! Quanto a habitação, devido à escassês, as divisões eram reduzidas, obrigando os casais diferentes a dormir em dependências separadas. Isto, para o cidadão comum, porque para os altos funcionários que ao serviço do país se tinham de deslocar ao estrangeiro, não havia outra solução que pedir roupa adequada emprestada ao departamento respectivo! O povo, o país, é a China! Não, não estou e inventar histórias! A lista, poderia ser longa! Encurto-a, por exigências de espaço. Não posso, porém, deixar de assinalar que no ano passado, ao ultrapassar a Alemanha como o principal país exportador de todo o mundo, este país-dragão arrecadou mais de 1,5 triliões de euros!
Estes episódios verdadeiros, da vida diária, são pungente e detalhadamente descritos por uma testemunha ocular, e, mais tarde, influente personalidade dos mais altos quadros políticos do país,, recentemente vertidas para a Língua Inglesa numa obra memorável (*). Reportamo-nos a 1 de Outubro de 1979. E a personalidade que as relata é Li Lanquing, vice-Presidente da China, braço direito, (mas, devido à modéstia, por ele não admitido), do que por isso foi justamento cognominado, “Arquitecto-Mór”, aliás, Deng Xianping. Este reformador máximo, que havia sido degredado pelo infame “Gangue dos Quatro”, verdadeiro Pai da Poderosa China de hoje, milagrosamente reabilitado por Mao Zedong, em 1973, com o seu grito, semelhante ao do Ipiranga, “Reforma ou Morte”, transformou o seu país na potência económica que é hoje e, em breve, a ultrapassar a do vizinho e rival Japão, assumindo o segundo lugar das economias mundiais. Não surpreende que é a ele, bem como ao estoicismo do povo chinês e à sua obra, que o recente livro é dedicado. Revelando pormenores até aqui desconhecidos, com maior significado por partirem da pena de uma das mais chegadas testemunhas ao processo da reforma, Li Lanquing retrata, com indescritível pormenor, episódios reveladores e chocantes. Embora não descurando o crédito para a devida abertura da China ao exterior, com base na experiência do Japão, por parte de Mao Zedong, ao proclamar o início da que chamou Nova China, em 1 de Outubro de 1949, no seu, e que se tornaria influente discurso, intitulado “Relacionamento da China com os países estrangeiros”, o autor, revela, passo a passo, os pormenores do que agora é considerado como o “Milagre Chinês”. Apontando que face ao boicote imposto pelos Estados Unidos da América (EUA), com o intuito de isolar a China, esta não teve outra alternativa que recorrer à então União Soviética (US), com quem estabeleceu um acordo, em Dezembro de 1949, garantindo 156 importantes projectos industriais. Porém, e sem capacidade laboral ou técnica para desenvolvê-los, entre 1949 e 1960 a China importou mais de 20.000 técnicos tanto da US como dos países satélites e para lá enviou mais de 10.000 estudantes. Resultando no desafio em que “aprender novas coisas, tornou-se no apelo nacional”, o país deu início ao seu primeiro Plano de Cinco Anos (1953-1957). Porém, e com a brusca decisão da US, em renunciar o Acordo, resultando no abandono do importante apoio laboral e tecnológico, recorreu ao seu mais directo vizinho, o Japão, de quem recebeu preciosa assistência tanto financeira como de “know-how”.
(*) Breaking Through, The Birth of China's Opening-Up Policy (Ruptura, Origem da Política de Abertura da China) Edição da Oxford University Press, Janeiro 2010
Estes episódios verdadeiros, da vida diária, são pungente e detalhadamente descritos por uma testemunha ocular, e, mais tarde, influente personalidade dos mais altos quadros políticos do país,, recentemente vertidas para a Língua Inglesa numa obra memorável (*). Reportamo-nos a 1 de Outubro de 1979. E a personalidade que as relata é Li Lanquing, vice-Presidente da China, braço direito, (mas, devido à modéstia, por ele não admitido), do que por isso foi justamento cognominado, “Arquitecto-Mór”, aliás, Deng Xianping. Este reformador máximo, que havia sido degredado pelo infame “Gangue dos Quatro”, verdadeiro Pai da Poderosa China de hoje, milagrosamente reabilitado por Mao Zedong, em 1973, com o seu grito, semelhante ao do Ipiranga, “Reforma ou Morte”, transformou o seu país na potência económica que é hoje e, em breve, a ultrapassar a do vizinho e rival Japão, assumindo o segundo lugar das economias mundiais. Não surpreende que é a ele, bem como ao estoicismo do povo chinês e à sua obra, que o recente livro é dedicado. Revelando pormenores até aqui desconhecidos, com maior significado por partirem da pena de uma das mais chegadas testemunhas ao processo da reforma, Li Lanquing retrata, com indescritível pormenor, episódios reveladores e chocantes. Embora não descurando o crédito para a devida abertura da China ao exterior, com base na experiência do Japão, por parte de Mao Zedong, ao proclamar o início da que chamou Nova China, em 1 de Outubro de 1949, no seu, e que se tornaria influente discurso, intitulado “Relacionamento da China com os países estrangeiros”, o autor, revela, passo a passo, os pormenores do que agora é considerado como o “Milagre Chinês”. Apontando que face ao boicote imposto pelos Estados Unidos da América (EUA), com o intuito de isolar a China, esta não teve outra alternativa que recorrer à então União Soviética (US), com quem estabeleceu um acordo, em Dezembro de 1949, garantindo 156 importantes projectos industriais. Porém, e sem capacidade laboral ou técnica para desenvolvê-los, entre 1949 e 1960 a China importou mais de 20.000 técnicos tanto da US como dos países satélites e para lá enviou mais de 10.000 estudantes. Resultando no desafio em que “aprender novas coisas, tornou-se no apelo nacional”, o país deu início ao seu primeiro Plano de Cinco Anos (1953-1957). Porém, e com a brusca decisão da US, em renunciar o Acordo, resultando no abandono do importante apoio laboral e tecnológico, recorreu ao seu mais directo vizinho, o Japão, de quem recebeu preciosa assistência tanto financeira como de “know-how”.
(*) Breaking Through, The Birth of China's Opening-Up Policy (Ruptura, Origem da Política de Abertura da China) Edição da Oxford University Press, Janeiro 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Reino Unido - Que Fururo?
Pela primeira vez desde o fim da II Grande Guerra, 1945, o Reino Unido é governado por uma coligação, desta vez entre Conservadores e Liberal Democratas (Lib Dems). E, igualmente pela primeira vez, desde há 200 anos, é chefiado pelo mais jovem (43 anos) primeiro-ministro, David Cameron, o 12º do reinado de Isabel II. Após uma maratona negocial de cinco dias, que oscilou entre Labour e Conservadores, em intenso namoro com os Lib Dems, chefiados pelo inovador Nick Clegg, os perdedores foram tanto o Labour como os Conservadores. Se os anteriores, propunham uma Aliança Progressista, incluindo a há muito desejada Reforma Eleitoral por parte dos Lib Dems, que foram os primeiros a apresentar semelhante proposta, como admitiu o próprio Gordon Brown e que por isso assumiu toda a responsabilidade, demitindo-se dos cargos tanto de primeiro-ministro como de dirigente partidário, mesmo antes da conclusão de qualquer acordo entre “Tories” e Lib Dems. O próprio Partido Conservador, que para formar governo e ao necessitar do apoio de outro partido, teve de renunciar, ou minimizar, importantes parâmetros do seu ideológico programa eleitoral, nomeadamente na educação (com maiores apoios às populações urbanas desfavorecidas), impostos (isenção de IRS nos primeiros 15 mil euros de rendimentos), ataque à dívida (maid moderad do que o imediatamente proposto), mas, especialmente, a partilha de postos com os Lib Dems no Gabinete. Para estes últimos, de regresso ao governo após um século, segundo fontes destacadas, conseguiram mais do que esperavam, por isso foram os grandes vencedores, nomeadamente a ascensão do seu dirigente máximo ao posto de Vice-primeiro-ministro e um seu destacado membro, Vince Cable, para ministro da influente pasta financeira de reforma bancária.
Três incógnitas: a primeira, com um partido euro-fagista como é o Conservador, cujo dirigente máximo tinha afastado o seu partido do principal Partido Conservador no Parlamento Europeu, preferindo associar-se aos xenófobos da extrema direita, garantiu não mais cedências à UE bem como NUNCA ao euro, e com um eurófobo ministro dos negócios estrangeiros, William Hague, que em 2002, então à frente do partido, perdeu as eleições gerais pelo desabrido combate à UE, resta saber se irão continuar com o seu divórcio com a Europa, face à posição antagónica dos seus coligados, os Lib Dems; segunda: quais as consequências imediatas e quais os necessários e prometidos cortes, certamente drásticos na economia e o montante da subida dos impostos?, terceira: quais as consequências desta anatural união para os hordes liberal democratas que normal e ideologicamente se situam mais próximo do labour?
Estas questões, obviamente, não foram respondidas na breve conferência de imprensa dada na Quarta-feira de tarde no soalheiro, aprazível, mas ventoso belo Jardim Rose, nas traserias de Downing Street. Descontraídos. lado a lado, a desmonstrar a exuberante juventude de ambos, os dois, primeiro-miniatro e vice asseguraram que a coligação era o melhor para o futuro do país, pelo que estava para durar os propostos cinco anos, especialmente quando há enormes dificuldades a enfrentar. Numa posição de pujança, ambos estão determinados a garantir a liberdade, justiça, responsabilidade de um governo firme e justo para com as expectativas e ambições do povo. Mas enquanto em governo estão unidos, quando em eleições, como as parciais que se avizinham, os dois partidos lutam entre si. Além disso, deste encontro resultou a novidade de que Nick Clegg, como vice, terá a pesada responsabilidade da Reforma Constitucional, que, como sabemos envolve o Referendo para a Reforma Eleitoral, a redução do número de deputados e a reforma da Câmara dos Lordes, provando, assim que não setrata de um posto nominal.
Entretanto, com Gordon Brown afastado do Poder, após 13 anos (10 como influente ministro das finanças e 3 à frente do Governo), a passar para a oposição, e no momento a gozar um bom e merecido descanso na sua terra, em Karcaldy, na Escócia, auto-afastado da escolha do seu sucessor, a este vai competir a condução do partido para uma nova e estranha fase. Com a até aqui vice, agora Dirigente Máxima Interina, Harriet Harman, que, em princípio diz não estar interessada na liderança, tudo aponta para o jovem e activo ex Ministro dos Negócios Estrangeiros, David Milliband, suceder a Gordon Brown.
Três incógnitas: a primeira, com um partido euro-fagista como é o Conservador, cujo dirigente máximo tinha afastado o seu partido do principal Partido Conservador no Parlamento Europeu, preferindo associar-se aos xenófobos da extrema direita, garantiu não mais cedências à UE bem como NUNCA ao euro, e com um eurófobo ministro dos negócios estrangeiros, William Hague, que em 2002, então à frente do partido, perdeu as eleições gerais pelo desabrido combate à UE, resta saber se irão continuar com o seu divórcio com a Europa, face à posição antagónica dos seus coligados, os Lib Dems; segunda: quais as consequências imediatas e quais os necessários e prometidos cortes, certamente drásticos na economia e o montante da subida dos impostos?, terceira: quais as consequências desta anatural união para os hordes liberal democratas que normal e ideologicamente se situam mais próximo do labour?
Estas questões, obviamente, não foram respondidas na breve conferência de imprensa dada na Quarta-feira de tarde no soalheiro, aprazível, mas ventoso belo Jardim Rose, nas traserias de Downing Street. Descontraídos. lado a lado, a desmonstrar a exuberante juventude de ambos, os dois, primeiro-miniatro e vice asseguraram que a coligação era o melhor para o futuro do país, pelo que estava para durar os propostos cinco anos, especialmente quando há enormes dificuldades a enfrentar. Numa posição de pujança, ambos estão determinados a garantir a liberdade, justiça, responsabilidade de um governo firme e justo para com as expectativas e ambições do povo. Mas enquanto em governo estão unidos, quando em eleições, como as parciais que se avizinham, os dois partidos lutam entre si. Além disso, deste encontro resultou a novidade de que Nick Clegg, como vice, terá a pesada responsabilidade da Reforma Constitucional, que, como sabemos envolve o Referendo para a Reforma Eleitoral, a redução do número de deputados e a reforma da Câmara dos Lordes, provando, assim que não setrata de um posto nominal.
Entretanto, com Gordon Brown afastado do Poder, após 13 anos (10 como influente ministro das finanças e 3 à frente do Governo), a passar para a oposição, e no momento a gozar um bom e merecido descanso na sua terra, em Karcaldy, na Escócia, auto-afastado da escolha do seu sucessor, a este vai competir a condução do partido para uma nova e estranha fase. Com a até aqui vice, agora Dirigente Máxima Interina, Harriet Harman, que, em princípio diz não estar interessada na liderança, tudo aponta para o jovem e activo ex Ministro dos Negócios Estrangeiros, David Milliband, suceder a Gordon Brown.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A Odisseia do Regresso - ou as vagarias dos vulcões islandeses
Com o encerramento dos aeroportos, na maioria dos países euro-ocidentais praticamente até terça-feira 20, quando se tinha como valor garantido que o mundo era pequeno, que, segundo os Ingleses, é tão pequeno “como uma ostra”, com as dificuldades do almejado Regresso a Casa, subitamente, como se verificou a partir do passado dia 14, devido às vagarias do vulcão islandês de nome impronunciávl, Eyjafjallajökull frá Valahnúk, de começo, seguido do vizinho Eyjafjallajökull frá Hvolsvelli, que além de gelo, vomitavam espessas cinzas, o espaço aéreo europeu, pela primeira vez de que há memória, foi encerrado! Na minha residência, em Londres, situada na faixa aérea do aeroporto de Heathrow, habituada ao constante ruído dos aviões que sobre ela passam, durante o dia, praticamente de dois em dois minutos, subitamente, só se ouvia o sempre agradável e cada vez mais distinto chilrear das aves! Entretanto, e nos mais variados cantos do mundo, centenas de milhar de pobres britânicos, uns, em sua maioria, retidos nos aeroportos, outros nos hoteis, subitamente depararam com a dura realidade da DISTÃNCIA, aliada à INCERTEZA do desejado REGRESSO, transformando-se num ENORME PESADELO!
Na totalidade, 150.000 turistas britânicos, em sua maioria mães e pais acompanhados dos filhos, que aproveitando as férias da Páscoa, normalmente de duas semanas, ficaram retidos em vários pontos do Globo. Depois de uma merecida pausa e diversão enfrentaram a inesperada... adiada e cada vez mais incerta partida. A ânsia, ou a urgência de compromissos, retidos, uns em Pequim, outros na Tailândia, deambulando durante cinco dias nos mais variados meios de caríssimos transportes, conseguiram regressar depois de desembolsarem mais de 20 mil euros. Outros, embora mais perto, mas no cada vez mais distante e lento Continente, quer na Polónia, quer em Milão ou ainda em Portugal, conseguiram, depois de quatro dias, exaustos e com os bolsos vazios, depois de dispenderem, uns dois mil euros, outros cinco e oito mil, conseguiram, finalmente, chegar a Calais, ponto de ligação da tão ansiada Dover. A ausência obrigatória de professores e alunos forçaram o fecho de várias escolas, levando um director de Liverpool a alugar um autocarro especial para ir buscar alunos e professores retidos na Roménia! Outros serviços de emergência para o regresso de estudantes e professores estiveran a cargo da Halsbury Travel. Enquanto isso, o Eurostar, único meio de transporte ferroviário a ligar o Continente às Ilhas Britânicas, quando normalmente em passagens promocionais procuram clientela a cerca de oitenta euros, ida-e volta entre Paris e Londres, devido à subita avalanche de clientes, passou a cobrar quatro vezes mais! Entretanto, os potentes e belos ferries, particularmente a partir de terça-feira 20, não tendo mãos a medir, abarrotados, efectuavam cerca de 50 viagens por dia, despejando assim, as longas e densas filas de ansiosos, cansados e famintos pobres veraneantes. Com, finalmente, a abertura do aeroporto espanhol de Madrid, subitamente transformou-se num vazadouro europeu dos desgraçados britânicos! Para o efeito, o governo, comandado por Gordon Brown, em plena campanha eleitoral, reunia-se de emergência, nas chamadas reuniões COBRA, a fim de se prestar a desejada assistência aos seus infelizes concidadãos. A primeira decisão foi estabelecer duas linhas telefónicas para assistir os necessitados e suas preocupadas famílias. O segundo, mas importante passo foi envolver a Marinha Real, disponibilizando três dos principais vasos de guerra, nomeadamente o lendário Ark Royal, acompanhado de mais dois, o Ocean e o Albion, este último, acabado de chegar do Afeganistão, que zarpou para mim o familiar porto de Santander, no norte da Espanha, de onde trouxe 280 desesperados passageiros. E os outros, em caso de necessidade, a aguardar a ida a Calais. E, como complemento, com a chegada de milhares de exaustos viajantes a Madrid, outra importante medida adoptada foi o recrutamento inicial de 150 autocarros pullman para os transportar para Calais e, dali, finalmente para Dover. Embora com ténues esperanças do reatamento dos ansiados vôos, sob pressões intensas tanto sobre o Serviço Meteorológico Nacional, de quem partia a informação, mas cujas decisões finais competiam, tanto ao Serviço Nacional de Transpore Aéreo como à Entidade da Aviação Civil, organização homóloga da nossa ANA, finalmente abriu, na terça-feira 20, às 07 da manhã, o espaço aéreo britânico, limitado apenas à Escócia (Glásgua) e a uns poucos aeroportos do nordeste da Inglaterra (Newcastle, em particular). Finalmente, às 22 horas do mesmo dia foi aberto todo o espaço aéreo nacional, mas não a completa solução do tráfego aéreo, que segundo o Director, Willie Walsh, da British Airways, que sofreu prejuízos diários de 100 milhões de euros, iria levar pelo menos uma semana a regularizar. No meio de toda a expectativa e frustração surge o presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimson, em entrevista à BBC Televisão, a informar que embora a população do seu país esteja habituada a erupções dos seus muitos vulcões, como o Eyjafjallajökull frá Valahnúk, que durante a erupção anterior de há pouco mais de 100 anos, em que esteve activo durante vários anos, advertiu que quer no caso de vulcões do seu país ou de outros, é urgente pensar-se na adopção de medidas adequadas a fim de não se repetirem experiências como as de agora.
Na totalidade, 150.000 turistas britânicos, em sua maioria mães e pais acompanhados dos filhos, que aproveitando as férias da Páscoa, normalmente de duas semanas, ficaram retidos em vários pontos do Globo. Depois de uma merecida pausa e diversão enfrentaram a inesperada... adiada e cada vez mais incerta partida. A ânsia, ou a urgência de compromissos, retidos, uns em Pequim, outros na Tailândia, deambulando durante cinco dias nos mais variados meios de caríssimos transportes, conseguiram regressar depois de desembolsarem mais de 20 mil euros. Outros, embora mais perto, mas no cada vez mais distante e lento Continente, quer na Polónia, quer em Milão ou ainda em Portugal, conseguiram, depois de quatro dias, exaustos e com os bolsos vazios, depois de dispenderem, uns dois mil euros, outros cinco e oito mil, conseguiram, finalmente, chegar a Calais, ponto de ligação da tão ansiada Dover. A ausência obrigatória de professores e alunos forçaram o fecho de várias escolas, levando um director de Liverpool a alugar um autocarro especial para ir buscar alunos e professores retidos na Roménia! Outros serviços de emergência para o regresso de estudantes e professores estiveran a cargo da Halsbury Travel. Enquanto isso, o Eurostar, único meio de transporte ferroviário a ligar o Continente às Ilhas Britânicas, quando normalmente em passagens promocionais procuram clientela a cerca de oitenta euros, ida-e volta entre Paris e Londres, devido à subita avalanche de clientes, passou a cobrar quatro vezes mais! Entretanto, os potentes e belos ferries, particularmente a partir de terça-feira 20, não tendo mãos a medir, abarrotados, efectuavam cerca de 50 viagens por dia, despejando assim, as longas e densas filas de ansiosos, cansados e famintos pobres veraneantes. Com, finalmente, a abertura do aeroporto espanhol de Madrid, subitamente transformou-se num vazadouro europeu dos desgraçados britânicos! Para o efeito, o governo, comandado por Gordon Brown, em plena campanha eleitoral, reunia-se de emergência, nas chamadas reuniões COBRA, a fim de se prestar a desejada assistência aos seus infelizes concidadãos. A primeira decisão foi estabelecer duas linhas telefónicas para assistir os necessitados e suas preocupadas famílias. O segundo, mas importante passo foi envolver a Marinha Real, disponibilizando três dos principais vasos de guerra, nomeadamente o lendário Ark Royal, acompanhado de mais dois, o Ocean e o Albion, este último, acabado de chegar do Afeganistão, que zarpou para mim o familiar porto de Santander, no norte da Espanha, de onde trouxe 280 desesperados passageiros. E os outros, em caso de necessidade, a aguardar a ida a Calais. E, como complemento, com a chegada de milhares de exaustos viajantes a Madrid, outra importante medida adoptada foi o recrutamento inicial de 150 autocarros pullman para os transportar para Calais e, dali, finalmente para Dover. Embora com ténues esperanças do reatamento dos ansiados vôos, sob pressões intensas tanto sobre o Serviço Meteorológico Nacional, de quem partia a informação, mas cujas decisões finais competiam, tanto ao Serviço Nacional de Transpore Aéreo como à Entidade da Aviação Civil, organização homóloga da nossa ANA, finalmente abriu, na terça-feira 20, às 07 da manhã, o espaço aéreo britânico, limitado apenas à Escócia (Glásgua) e a uns poucos aeroportos do nordeste da Inglaterra (Newcastle, em particular). Finalmente, às 22 horas do mesmo dia foi aberto todo o espaço aéreo nacional, mas não a completa solução do tráfego aéreo, que segundo o Director, Willie Walsh, da British Airways, que sofreu prejuízos diários de 100 milhões de euros, iria levar pelo menos uma semana a regularizar. No meio de toda a expectativa e frustração surge o presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimson, em entrevista à BBC Televisão, a informar que embora a população do seu país esteja habituada a erupções dos seus muitos vulcões, como o Eyjafjallajökull frá Valahnúk, que durante a erupção anterior de há pouco mais de 100 anos, em que esteve activo durante vários anos, advertiu que quer no caso de vulcões do seu país ou de outros, é urgente pensar-se na adopção de medidas adequadas a fim de não se repetirem experiências como as de agora.
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