sexta-feira, 18 de junho de 2010

OS INESCRUTÁVEIS MISTÉRIOS DA MENTE HUMANA

O condado de Cumbria (noroeste da Inglaterra), bela zona rural, igualmente famosa pelos seus lagos, com cenários que inspiraram pintores, e onde residiu, como também inspiraram, o célebre poeta britânico William Wordsworth (1770-1850), foi cenário manchado pelo taxista de 52 anos de idade, Derrick Bird. Munido de uma pistola e espingarda, da janela do seu carro, chacinou 12 pessoas na fatídica manhã de quarta-feira 2, deste mês. Em apenas uma hora matou 10, e feriu 25, 11 das quais hospitalizadas, algumas em estado grave, em trinta localidades, pondo, três horas e meia depois, finalmente, termo à vida, no mais ermo dos locais. Este acontecimento, numa região normalmente bucólica, compreensivelmente abalou não apenas uma comunidade, mas todo o país e prontificou as mais recônditas questões. De novo, crimes e criminosos em massa como este, prontificam a questão do nosso título! Porém, e por muito que o tentemos jamais obteremos a resposta adequada!

Mal o primeiro assasinato, o irmão gémeo, David, que ocorreu pouco depois das 0830, em Frizington, cinco outras premeditadas vítimas se seguiram, incluindo o advogado da família, Kevin Commons, e colegas taxistas, que atingiu no local habitual de Duke Street, na cidade de Whitehaven. Embora alvejando três, apenas matou dois, Darren Rewcastle e Darren Pears. Dali, desvairado, percorreu as estreitas estradas rurais do condado, num perímetro de 100km, matando, durante três horas, quem encontrava ou quem lhe dava na real gana, inclusive, um pobre ciclista reformado, nos seus exercícios diários, ou a infeliz senhora que, no passeio, se dirigia para visitar a irmã ou ainda o lavrador jogador-amador de râguebi que se encontrava no seu terreno. Embora a polícia procure as respostas para tão hediondo acto, particularmente quando Bird era tido como uma pessoa absolutamente normal e sossegada, e haja indícios tanto de disputas familiares de heranças, como acossado, e em vias de ser detido, por evasão fiscal, nada mais resta que o lamentável e negro registo de tresloucados na história britânica. Desde Jack - o Estripador, devido à forma bárbara, mas profissional, em como se desfazia das suas vítimas, pelo menos seis, e todas prostitutas, no bairro de Whitechapel (leste de Londres), entre Agosto e Novembro de 1888, e crime idêntico por parte de Peter Sutcliffe, ao matar 13 prostitutas, pelo que lhe valeu o nome de “Ripper de Yorkshire”, e a pena de prisão perpétua no Tribunal Central de Old Bailey, em Londres, em 1981; em Maio de 2010, a mesma cidade seria cenário de nova reincidência, desta vez, com a morte de três mulheres da mesma profissão, cujos corpos de duas ainda não foram encontrados, em que Stephen Griffiths, que se doutorava em Criminologia na Universidade de Sheffield, foi descoberto e acusado. Estas serializações de crimes, embora raras, sucederam-se às chacinas de Hungerford (Oxfordshire), em 1987, em que Michael Ryan matou 16 pessoas ao acaso nas ruas da vila, bem como em Dunblane (Escócia), numa escola da cidade, onde o que fora chefe dos escuteiros, Thomas Hamilton, em 13 de Março de 1996, matou 16 crianças e uma professora. Qualquer destes assassinos em massa evadiu-se à justiça matando-se a si próprios. Semelhante sorte teve o chamado “Dr. Morte”, o médico Harold Shipman, que, na prisão, e em vésperas do início do julgamento, apareceu enforcado na manhã de 13 de Janeiro de 2004, também um dia antes de fazer 58 anos e se encontrava detido no que poderia dar em pena de prisão perpétua, pela morte de 15 pacientes seus, todas senhoras, com injecções de diamorfina. Mas, segundo peritos em lentos e longos estudos, teria na realidade morto, pelo menos 215 pessoas, durante os 30 anos, em que exerceu clínica geral, principalmente em Hyde, na zona da Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra. Antes, porém, há a assinalar o criminoso John Haigh, a quem foi atribuída a morte de nove mulheres ricas. Depois de beber o seu sangue cortou os corpos aos bocados decompondo-os em ácido. Foi enforcado em 1949. Seguiu-se-lhe o antigo polícia, John Reginald Christie a quem foi atribuída a morte de seis mulheres, em Londres, que depois de violar e estrangular escondeu os corpos debaixo do sobrado da sua residência, sendo enforcado em 1953. Aos namorados Ian Brady e Myra Hindley, deve-se a morte de, pelo menos, cinco crianças, em Oldham (Lancashire), entre 1963 e 1965, ao casal Fred e Rosemary West, o assassinato de 12 jovens, incluindo a filha, em Gloucester (oeste da Inglaterra) entre 1971 3 início de 1990. Ao funcionário público Dennis Nielsen, embora condenado em 1983 pela morte de seis homens homosexuais, suspeita-se que tenha degolado pelo menos 15 nas suas residências de Muswell Hill e Cricklewood (norte de Londres), durante a década de 70, de cujos corpos se desfez, quer guardando-os debaixo do sobrado quer cortando-os. Tanto este como o casal West foram condenados a prisão perpétua, embora Fred West se tenha suicidado na prisão.

Toda esta negra lista prontifica as habituais questões, “porquê, porquê?” Questões que os psicólogos não se cansam de esmiuçar, embora, cientifíca e historicamente todos saibamos que o Homem, do Reino Animal, é o que mais mata o seu semelhante, quer a nível individual quer colectivamente em guerras. Inescrutáveis mistérios da mente humana!

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