sexta-feira, 23 de abril de 2010

AS FALKLANDS / MALVINAS DE NOVO EM FOCO

Com a descoberta de petróleo, o arquipélago das Falklands, para os britânicos e, Malvinas para os sul-americanos, volta às parangonas da comunicação social internacional. Para a Argentina, humilhada no recontro militar, em Abril de 1982, ao ser-lhe negada a ambição de reter o vizinho arquipélago, que tem insistido ser seu, a questão chamada Malvinas está de novo no topo da Agenda. Embora, segundo a companhia exploradora britânica, Desire Petroleum, a qualidade como a quantidade do produto não sejam economicamente viáveis, possa ter arrefecido os ânimos iniciais, isso não impediu que a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tivesse imediatamente mobilizado tanto os seus homólogos do Continente Latino-Americano a favor do reconhecimnto do seu país ao direito da soberania das ilhas, procurando, ao mesmo tempo, impedir a circulação marítima internacional entre a Argentina e as Falklands/Malvinas, como ter feito questão de ressuscitar o caso da soberania do arquipélago no Conselho de Segurança das Nações Unidas bem como tentar impedir as prospecções em curso, alegando violarem as recomendações da ONU no tocante a acções que possam agravar a disputa entre a Argentina e o Reino Unido. O governo britânico, porém, insiste que as explorações petrolíferas em curso não violam as leis internacionais.

As prospecções tiveram início em 1998, mas com os preços do crude em descida vertiginosa nesse ano, quaisquer tentativas sérias de exploração foram consideradas infrutíferas. As expectativas de então da companhia Desire eram de 400 milhões de barris, resultando em mais de nove biliões de dólares de receita, com a possibilidade de outras explorações vizinhas contribuírem com mais outros biliões de barris. Segundo peritos como Daniel Litvin, director de Critical Resource, empresa especializada nas indústria de recursos naturais, as Falklands, entre a opinião pública britânica têm estado praticamente ignoradas desde o conflito de 1982, mas na expectativa de explorações viáveis, as tensões diplomáticas entre a Argentina e a Grã-Bretanha, inevitavelmente recrudescerão, pelo que o melhor será encontrar-se “um compromisso de partilha de recursos entre os dois países”. Esta, aliás, a posição do principal diário argentino. Segundo o Clarin, de 30 de Março passado, enquanto apontava a abundância de minas de guerra na vasta região marítima e a sua necessária limpeza, advogava um entendimento sobre a partilha dos recursos das ilhas entre os dois países. Além da Desire, outras duas companhias britânicas de exploração petrolífera – Rockhopper e Falkland Oil and Gas - estão, igualmene, a actuar ao largo do arquipélago. Mas depois da notícia difundida por Desire sobre a qualidade e a quantidade do produto as acções particularmene desta empresa afundaram-se, em cerca de metade, na Bolsa de Londres. E embora, mais estudos e prospecções tenham de ser feitas a fim de ser tomada uma decisão final, a tensão mantem-se entre os dois países. Se por um lado a Argentina insiste em tomar, as que afirma, “medidas adequadas”, contra a exploração petrolífera nas àguas que rodeiam o arquipélago, o Secretário Britânico de Defesa, Bill Rammell, reafirma o “direito legítimo” da Grã-Bretanha em continuar com as prospecções.


O CONTEXTO HISTÓRICO DO DISPUTADO TERRITÓRIO

Recorde-se que embora ao navegador Inglês, John Davies, se atribua a primeira descoberta das Falklands/Malvinas, em 1592, o homólogo holandês, Sebald de Weerdt, detem a primazia da indisputável descoberta, em 1600. Porém, o primeiro navegador a abordar às duas ilhas principais foi o Inglês John Strong, em 1690, baptizando-as com o nome do oficial da Marinha Britânica, Visconde Falkland, nome que abraçaria, mais tarde, todo o arquipélago. Ao navegador francês, Louis-Antoine de Bougainville, porém, seria dado o crédito de fundar o primeiro acampamento no lado Ocidental das ilhas, em 1764, apelidando-as de Malovines. E embora o mérito da instalação de um acampamento, no lado oriental, tivese pertencido aos ingleses, em 1765, foram os Espanhóis que depois de expulsar os britânicos e adquirirem o território aos Franceses, se instalaram no Arquipélago a partir de 1767. Reconquistado pelos britânicos em 1771, decidiram, porém, em 1774, abandonar a região, por razões económicas, sem, no entanto, renunciarem a soberania das ilhas. Entretanto a Espanha, manteve um acampamento no lado ocidental, chamado Ilha Soledade (Ilha da Saúdade) até 1811. Com a independência da Argentina da Espanha em 1816, o governo de Buenos Aires proclamou a soberania das Falklands/Malvinas em 1820. Porém, em 1831, o navio de guerra americano, Lexington, em retaliação à detenção anterior de três navios americanos da caça às baleias na região, destruíu o acampamento, na parte ocidental do Arquipélago, competindo, aos ingleses, dois anos depois, forçar os sobreviventes argentinos a abandonar a área, sem o disparo de um só tiro. Em 1841 foi nomeado um governador civil para todo o arquipélago das Falklands e até 1885 prevalecia uma comunidade auto-suficiente de 1800 pessoas, embora a Argentina não deixasse de renunciar o seu direito à soberania das ilhas. Porém, depois da II Grande Guerra, o assunto voltou a ser debatido, em 1964, no Comité da Descolonização das Nações Unidas com a Argentina a invocar a Bula Papal de 1493, modificada pelo Tratado de Tordesilhas, do ano seguinte, em que atribuía à Espanha o direito dos territórios ou ilhas adjacentes ao continente sul-americano e, assim, o termo à colonização britânica. Porém, a Grã-Bretanha contrapondo o argumento de que a “aberta, contínua e efectiva posse, ocupação e administração” das ilhas por parte dos habitantes britânicos, desde 1833, outorgava-lhes o direito ao princípio da auto-determinação, em obediência à Carta das Nações Unidas. E adiantou que, em vez de se pôr termo à colonização, o pretendido controlo e soberania por parte da Argentina, face à recusa dos habitantes, criava, na realidade, uma colónia. Como resultado, em 1965, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma Resolução em que convidava ambas as partes a encontrar uma solução pacífica para a disputa. Com as conversações consecutivamene adiadas até Fevereiro de 1982, as forças argentinas invadiram as Falklands, a 2 de Abril seguinte, resultando na Guerra das Falklands em que o país aul-americano foi derrotado, com enormes baixas, especialmente o afundamento do submarino Beltrano, e a humilhante retirada e regresso das forças invasoras ao seu país. Embora a Argentina e o Reino Unido reatassem as relações diplomáticas em 1990, a disputa da soberania continuou com a presença de 2000 tropas britânicas no arquipélago e a forte modernização, e enormes investimentos, nas infra-estruturas do território, por parte do Reino Unido.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crise no futebol Inglês...e mistério do relvado de Wembley!

Não bastando as crises financeiras que assolam os principais clubes ingleses da “Premiership”, surge agora o mistério da relva do novo Estádio de Wembley. Acontece que desde a sua conclusão, em 1997, depois de inúmeras incertezas e adiamentos da inauguração, devido à falência da companhia construtora auatraliana, a relva do novo, belo, e imponente Estádio de Wembley, está a provocar insondável mistério … e despesa! Depois da verdejante relva inicial, iniciou-se esta semana, nova replantação – a 11ª !!! - pelo custo de 100 mil euros, totalizando s várias operações em mais de 1,5 milhões de euros! Uma relutante Federação (Football Association proprietária do dispendioso estádio e que para ali recentemente decidiu transferir a sua sede), viu-se forçada a encetar a nova operação depois do treinador do Tottenham Hotspurs, Harry Rednapp, talvez a justificar a derrota da sua equipa por 2-0, no anterior relvado, frente ao Portsmouth, a 11 deste mês, na meia-final da Taça da Inglaterra, ter afirmado que “não poria cavalos a correr neste relvado”! Não se sabem ainda as razões dos consecutivos relvados. Segundo a FA, com base na opinião da empresa responsável pela manutenção do relvado, Sports Turf Research Institute (STRI). “vamos continuar a cooperar com STRI tanto na instalação de uma nova camada de relva como com a sua manutenção”, pelo que vai continuar a ser do mesmo tipo. Porém, as opiniões variam, coincidindo na mais comum que é a falta de luz suficiente e o pouco uso do campo. Talvez, com base na longa experiência da All England Tennis and Crocquet Association, detentora dos magnificos e bem mantidos relvados de Wimbledon, o mais indicado é o devido aconselhamento com esta sua congénere desportiva!

Enquanto isso, parece que o não resolvido mistério do relvado de Wembley simboliza a crise financeira do futebol inglês. Com a falência do adversário do Tottenham, o Portsmouth Football Club, que há duas épocas foi vencedor da Taça da Inglaterra e ironicamente é finalista, este ano, frente ao Chelsea (a disputar a final no próximo dia 15 de Maio), o primeiro clube da Premiership dos últimos anos a falir, surge o poderoso Liverpool Footbal Club, que recentemente arrasou o Benfica na Taça Europeia, a contas com pesadas dívidas, os seus dois presidentes americanos, M. Broughton e G.N. Gillett Jr., decidiram pôr o clube à venda. E, como não há um mal sem dois, o seu melhor jogador, Fernando Torres, depois de ter sido submetido a uma cirurgia, e quando era imprescindível para o resto da campanha europeia, que o treinador Rafael Benitez, afastado da Champions, pretende ganhar, estar ausente durante resto da temporada. A crise financeira ensombra, igualmente o poderosíssimo Manchester United, que, este ano, espera revalidar o título e, igualmente, fincar pé na Champions. Desde que o clube foi adquirido pelo financeiro-milionário americano Malcolm Glazer, em 22 de Junho de 2005, por um bilião e 264 milhões de euros, pondo assim termo a 14 anos de actividade como sociedade anónima cotada na Bolsa de Londres. Mas, como para financiar a aquisição contraíu o empréstimo de 800 milhões de euros, o novo proprietário foi acusado pelos adeptos do clube de hipotecar o Manchester United, um clube que nunca conhecera semelhante posição, a impopularidade do novo dono não tem cessado, ao ponto de se estar a preparar uma OPA, iniciativa de poderosos adeptos do mundo financeiro. Para isso, foi montada uma campanha, independentemente dos múltiplos cartazes quando a equipa joga, com os dizeres, “Love Manchester United; Hate Glazer” (Amamos o Manchester United, mas detestamos Glazer), é caracterizada por caxecóis verdes e amarelos, orgulhosamente ostentados pela maioria dos adeptos, que viram no seu herói, David Beckham, aquando no jogo em que a sua equipa, AC Milan, foi eliminada, há duas semanas no estádio de Old Trafford, também ostentar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

DEBATES TELEVISIVOS - A GRANDE NOVIDADE DAS ELEIÇÕES GERAIS DESTE ANO!

Mantendo a tradição da marcação das eleições, segredo bem guardado e exclusivo dos primeiros-ministros, que, no caso de Gordon Brown, não poderia ser depois do próximo mês de Maio, como se previa, 6, do mês que vem, é o dia, que, como é tradicional no Reino Unido, eventos eleitorais, tradição tipicamente britânica, realizam-se às quintas-feiras. Nisso não é novidade! A novidade, desta vez, é a realização de três debates televisivos, em directo, (BBC1, ITV1 e SKY), com e entre os dirigentes dos três principais partidos – New Labour (partido do governo), com o primeiro-ministro, Gordon Brown; Conservadores – David Cameron e Liberal-Democratas – Nick Clegg, bem como a activa dependência da Internet. A democracia britânica, a provar o seu conservadorismo centenário, é alheia a alterações, inclusive referendos. Salvo raríssimas excepções – como foi a contínua adesão à então CEE, em 1975, e a formação de parlamentos autónomos tanto no País de Gales como na Escócia, nos meados da década de 90 – é alheia a referendos. E, quanto à intromissora televisão, tão longamente debatida e resistida na transmissão (com excepção de um canal exclusivo – Parlamento - a cargo da BBC), mas nos canais principais, em deferido e sempre em breves montagens, salvo casos excepcionais como nas sessões semanais de Interpelação ao Primeiro Ministro, sessões de Abertura, em que a Raínha apresenta o programa de Legislatura do Governo, apenas presente – e bem presente! - nas campanhas eleitorais com a cobertura, geralmente também em deferido, de importantes intervenções dos principais dirigentes partidários. Além destes, há, claro, também, os tempos de antena. Nunca, porém, no Reino Unido se realizaram debates entre, e com os principais dirigentes políticos, o que, à semelhança da longa tradição americana, o debate entre Nixon e Kennedy, em 1960, acontece este ano pela primeira vez.
Não surpreende a cuidadosa preparação, mas especialmente a complicada regulamentação, subordinada a 76 subparágrafos, das intervenções! Com apenas um minuto para apresentar a sua tese e outro para responder, os intervenientes não têm mãos a medir. Perante audiências compostas por 200 convidados seleccionados por empresas de sondagens independentes, só lhes é permitido aplaudir no princípio e no fim das sessões, os dirigentes participantes respondem a perguntas submetidas e seleccionadas previamente via e-mail, mas totalmente desconhecidas até ao momento da transmissão. Dos três debates, todos às quintas-feiras, na hora nobre das 20 às 2130, são distintos. Transmitidos pelas várias estações, cabe à ITV1 dar o pontapé de saída, com o conceituado e veterano moderador, Alastair Steward, hoje, 15. Este primeiro programa ocupar-se-à da política interna, inluindo o Serviço Nacional de Saúde, educação, imigração e confiança do eleitorado na política e nos políticos. O segundo programa, cabe à Sky, sob a responsabilidade do competente editor político daquela emissora, Adam Boulton, transmitido na semana seguinte, 22 e subordinado a negócios estrangeiros, incluindo União Europeia, Afeganistão e Iraque. O prograna final, a transmitir no dia 29, cabe à BBC, com o veterano, respeitado e mui competente moderador, David Dimbleby e subordinado a questões económicas, incluindo o enorme déficit público, impostos, serviços públicos e banca.
É difícil de prever a influência destes debates no resultado real eleitoral. Se, obviamente, o desempenho dos intervenientes é um factor importante, o carisma também o é. Neste domínio, se a “fotogenia” tanto de David Cameron como de Nick Clegg é uma vantagem, a notória sobriedade de Gordon Brown pode prejudicá-lo. Mas tem uma vantagem em relação aos seus adversários: experiência e autoridade governamental e, muito mais, provas cabais do desempenho da economia e finanças, perante a crise actual e Global. Aliás, é aqui que o eleitorado vai decidir. Segundo as múltiplas sondagens, enquanto os Conservadores, desde há um ano gozavam a vantagem média de 15 pontos de vantagem em relação ao partido do Governo, os últimos resultados apontam, na média, entre seis e 2 pontos de vantagem e os liberais democratas em terceiro, co 21%. A grande incógnita reside nos círculos em dúvida do partido vencedor, o que significa um indesejável resultado de vitória minoritária, possivelmente a favor dos Conservadores de David Cameron. Se assim for, quem vai ter a última palavra é Nick Clegg dos Liberais Democratas, que se poderá ligar ou associar a qualquer dos partidos, garantindo-lhe a almejada maioria. Esta situação só aconteceu em Fevereiro de 1974, com o governo Conservador de Edward Heath.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A Sangrenta História Britânica

A SANGRENTA HISTÓRIA BRITÂNICA

Notável pela tolerância e combate ao despotismo e regimes ditatoriais, bem como a abolição da Escravatura, em que, ironicamente, tanto se notabilizou pela proliferação e expansão, a Grã-Bretanha é detentora de enorme historial violento e sanguinolento. Tanto a nível interno, como, e mui particularmente, externo na sua expansão e consolidação imperial. A nível interno, regimes como o Tudor, nomeadamente Henrique VIII (1491-1547), mais conhecido pela morte de duas das seis esposas (Anne Boleyn e Catherine Howard) e da instauração da Igreja Anglicana, mandando para a fogueira centenas de católicos, juntamente ao saque, morte e destruição do património católico, seguido pela sua sucessora-filha, Isabel I. Durante o reinado de ambos, foi notória a crueldade contra os seus opositores, particularmente aqueles, muitos deles inocentes, vítimas de meras acusações inventadas pelos seus inimigos na luta pelo poder e prestígio pessoal.

A religião, neste caso o combate ao Catolicismo, foi tema de contínuas e indiscriminadas perseguições. Até a instauração do maior e mais intrincado sistema secreto da procura e denúncia de católicos, considerados inimigos fidagais do Reino, particularmente por ser religião tanto das inimigas França, Espanha como Escócia, instaurado e chefiado pelo então “chanceler” do tesouro, “Sir” Francis Walsingham, em que teve como principal participante o poeta-espião Christopher Marlowe, nos prestigiosos centros de ensino, como Oxford e Cambridge, em 1580, e em que neste último, daria lugar ao recrutamente de espiões no então incipiente, "Círculo dos 12 Apóstolos" mas, mais tarde, particularmente antes, durante e depois da II Grande Guerra, foi notável alfobre de espiões comunistas, como Kim Philby, Donald McLean, Guy Burgess, todos na década de 50, e Anthony Blunt, primo de Isabel II, denunciado em 1979.

Quem se interessaria e viria a notabilizar este sórdido período seria o pintor francês, Hipólito, mas mais conhecido por Paul Delaroche (1797-1856), com pinturas magistrais, nomeadamente a clássica e imponente obra, Execução de Lady Jane Grey (1833), foco de uma importante e recente exposição na Galeria Nacional, em Londres. Aliás, a este artista, devem-se, igualmente, outros magníficos trabalhos sobre eventos sangrentos, também expostos na citada mostra, como a prisão e morte dos Dois Príncipes, na Torres de Londres. Filhos de Eduardo IV, que para ali foram mandados logo depois da morte do pai, em 1483, por imposição do tio, Ricardo, Duque de Gloucester, que quando o sobrinho Eduardo, estava prestes a ser coroado, usurpou-lhe o Trono, ficando o que seria rei, juntamente ao irmão mais novo, encerrados num exíguo calabouço, para nunca serem mais vistos. Muito se tem escrito sobre estes desventurados jovens, especialmente para provar ou ilibar Ricardo de culpa. Para adensar ainda mais o mistério, os restos mortais dos dois desditosos jovens, embora encontrados em 1674 e oficialmente trasladados para a Abadia de Westminster, nunca foram positivamente identificados. Outra importante cena pelo pintor retratatada foi tanto o tratamento desordeiro por soldados de Cromwell, ao Rei Carlos I, como a execução por parte daquele, cujo corpo é por ele observado num modesto caixão. A execução da jovem Jane Grey (1537-1554), porém, foi a todos os títulos um dos mais chocantes episódios da História Inglesa, aliás semelhante à de outra jovem-raínha, Catherine Howard (1542), que foi mandada executar por Henrique VIII a pretexto de que teria cometido adultério. A jovem, de apenas 18 anos de idade, suplicou ao marido para não a matar, pois as acusações de adultério, atribuídas ao Cardeal de Cantuária, Thomas Cramer, não tinham fundamento, mas o rei decidiu não acatar. Embora música exímia, dificilmente sabia escrever o nome.Isso não impediu que fosse acusada de escrever cartas de amor a um apaixonado, que facilmente foi identificado como amante. No caso de Jane Grey, com apenas 17 anos de idade e raínha da Inglaterra apenas por sete dias, foi vítima da vingativa prima católica, raínha Mary da Escócia que temia que viesse a ser igualmente raínha da Escócia. Esta, porém, viria, mais tarde. a conhecer semelhante fado nas mãos da prima, a Raínha Isabel I. Outras chacinas, estas de carácter imperial, foram, primeiro as guerras de Mysore, na Índia, entre 1767 e 1779, a Guerra dos Zulus, no actual estado de Natal, África do Sul, em 1879, e a Guerra dos Boers, na mesma então colónia contra os afrikanders, entre 1899 e 1902.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

O INTOLERÁVEL ABUSO E ARROGÂNCIA DE ISRAEL

NOTA: OS NOVOS ATAQUES AÉREOS A GAZA EFECTUADOS, EM 2 DO CORRENTE, REFORÇAM O ARGUMENTO DESTA CRÓNICA ESCRITA ANTES DO ACONTECIMENTO!

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, ao condenar, nos mais enérgicos termos, na semana passada, 23, na Câmara dos Comuns, a acção de Israel na falsificação de 12 passaportes, em que os utentes eram cidadãos britânicos, actualmente residentes em Israel, e ao anunciar a expulsão do representante diplomático dos serviços secretos israelitas, Mossad, em Londres, é mais outra prova da inaceitável arrogância, mas pior, do abuso por parte de um Estado, considerado democrático, em violar e desrespeitar a soberania de outro Estado, neste caso mais outros quatro – Alemanha, Austrália, França e Irlanda - pela emissão de passaportes falsos daqueles países, a fim de ocultar a identidade de perpertradores de crimes. Este, o caso da falsificação da identidade dos 27 agentes envolvidos, que segundo as autoridades do Dubai “estão 99% certas” de pertencerem aos Serviços Secretos Israelitas, Mossad, mas que Israel insiste não haver provas, assassinaram, por sufocação e choques eléctricos, em 20 de Janeiro passado, num hotel daquele Estado dos Emirados Árabes, o comandante-fundador da ala militar do Hamas, Mahmoud al-Mabhouh, o grupo palestiniano que actualmente governa a dizimada Faixa de Gaza, por Israel, no ano passado. O chefe da diplomacia britânica, embora esclarecendo que juntamente aos outros quatro países, igualmente vítimas do abusivo falsificar dos passaportes, as averiguações continuam, confirmou, no entanto, que em relação ao Reino Unido, as “razões eram mais que concludentes” na “implicação e responsabilidade de Israel” no que classificou de “intolerável abuso de pôr em perigo a segurança de cidadãos britânicos”, por parte de um Estado aliado. Esta decisão do ministro britânico foi tomada em sequência às intensas averiguações por parte da polícia britânica (Agência de Sério Crime Organizado - SOCA), que para efeito, se deslocou a Israel. Porém, este elevado membro do Governo esquivou-se a quaisquer acusações formais sobre o eventual envolvimento dos Serviços Secretos Israelitas no assassinato do dirigente palestiniano, limitando-se a afirmar que as averiguações continuam em curso. Além disso, a partir de agora, Israel está na lista negra, sobre o risco da clonagem de passaportes, dos serviços de informação sobre segurança nas viagens ao estrangeiro do Ministério Brtitânico dos Negócios Estrangeiros. O MNE avisa que face ao praticado, evite-se, o mais possível, passar os passaportes às mãos dos agentes israelitas. Actualmente, pelo menos 150 mil britânicos viajam todos os anos a Israel.

O abuso da emissão de passaportes britânicos falsos, por parte de Israel e dos seus serviços secretos, Mossad, não é novo. Situação idêntica, como foi lembrada na Câmara dos Comuns, pelo homólogo sombra, do Partido Conservador, William Hague, ocorreu em 1987, em que o então primeiro-ministro, hoje Presidente de Israel, Shimon Perez, prometeu não se repetir e que, igualmente, prontificou a expulsão, no ano seguinte, do agente superior da Mossad, Arie Rejev, junto da Embaixada Israelita em Londres. Por agora, segundo fontes diplomáticas, o governo britânico manifestou, “uma clara mensagem de desaprovação”. Mas a confirmar-se, como insistem as autoridades do Dubai, o envolvimento de Israel, no assassinato do dirigente palestiniano, não é mais do que outra das várias provas de desesrespeito e arrogância daquele país ao mundo democrático em que insiste inseririr-se. Desde as recusas em respeitar – e obedecer – as várias deliberações do Conselho de Segurança das Nações Unidas, à dizimação do sul do Líbano há dois anos, o arrasar da Faixa de Gaza, há outro ano, em que novas e inocentes vítimas, incluindo, segundo a ONU, centenas de crianças, foram chacinadas e a desejada reconstrução de infra-estruturas recusada, bem como a insistente ignorância aos múltiplos apelos tanto de importantes personalídades como dos mais variados governos, incluindo a União Europeia e o seu mais directo Aliado – e principal contribuinte financeiro com biliões de dólares anuais – os Estados Unidos da América, na reactivação do Processo de Paz Israelo-Palestiniano e na cessação da construção de aldeamentos em território palestiniano, à custa da destruição das habitações ali situadas há milénios, incluindo, o Leste de Jerusalem, quem é Israel, que dependendo e insistindo fazer parte do Mundo Democrático, continua a fazer Ouvidos de Mercador e desvirtuar a Democracia!

PS.

Os ataques aéreos a GAZA, efectuados na sexta-feira dia 2, reiteram a tónica desta crónica. Segundo fontes palestinianas contactadas pela BBC, os israelitas efectuaram 13 ataques, quatro das quais à vila de Khan Younis, onde dois soldados israelitas foram mortos em recontros, na semana passada. Segundo fontes israelitas, o objectivo foi quatro fábricas de armamento, o que é negado por fontes palestinianas do HAMAS. Segundo estas, além do ferimento de três crianças, o objectivo foi a destruição de oficinas de artigos metálicos, quintas, uma fábrica de produtos lácteos e pequenos locais ocupados pela ala militar do Hamas. Trata-se do maior ataque desde as operaçôes de Janeiro do ano passado que arrasaram a Faixa de Gaza. Segundo grupos de direitos humanos, mais de 1400 habitantes daquele território morreram no conflito, embora os israelitas insistam que o cômputo limita-se a 1166. Em contrapartida, 13 israelitas pereceram, três dos quais civis.

Segundo o The Guardian de 2 de Abril, baseado no matutino de Israel, Ha'aretz, a jornalista israelita, Anat Kam, de 23 anos, que se encontra em prisão domiciliária desde Dezembro, aguarda julgamento dentro de duas semanas por ser acusada de “traição e espionagem” por divulgar documentos militares altamente secretos referentes aos militares israelitas que ignoraram o parecer jurídico sobre os assassinatos efectuados na ocupada Transjordânia. A jornalista, aparentemente, teria obtido e copiado os documentos aquando efectuava serviço militar passando-os ao matutino Ha'retz. Mas a acusada desmente estar envolvida.




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quinta-feira, 25 de março de 2010

PEDOFILIA - A NEGRA MANCHA DA IGREJA CATÓLICA

O mais completo, actualizado e inaceitável rol de Pedofilia na Igreja Católico-Romana

A semana passada, foi o início de uma das mais negras fases da História da Igreja Católica, catalogada por teólogos britânicos como “a maior crise depois da Reforma Luterana”. Se a Igreja Católica Irlandesa reacendeu o negro e problemático caso da pedofilia, com clamorosos apelos para a renúncia do Primaz daquele país, Cardeal Dr. Seán Brady, foi apenas a centelha da fogueira que viria a alastar-se em todo o Mundo Católico, atingindo igualmente o Vaticano! E, não obstante uma inédita Carta Pastoral do Sumo Pontífice, especificamente dirigida aos fieis e episcado irlandês, em que manifestava “vergonha, remorso e deshonra”, as vítimas, principalmente, não ficaram satisfeitas. Se algumas insistem num pedido de desculpa pessoal e presencial por parte do Papa, outras, como Andrew Madden diz não estar satisfeito sem que o Papa renuncie ao posto.

No tocante àquele país, o Chefe da Igreja Irlandesa, embora pedindo desculpa por não ter actuado devidamente no passado, resiste, e insiste, só abandonar o seu posto a pedido do Sumo Pontífice. O caso remonta à denúncia e processo judicial que lhe foi instaurado por uma das vítimas de pedofilia aquando o arcebispo, exercia o sacerdócio na dicocese de Kilmore (Sul do país). O então sacerdote é acusado, de envolvimento, em 1975, na ocultação e obrigação a manutenção do segredo das vítimas, um rapaz de 10 anos e uma menina de 14, pela violação do Frade Brendan Smyth, acusado de 74 violações sexuais de menores entre 1958 e 1993, e condenado a sete anos de prisão, onde morreu, aos 70 anos, em 1997. Surge, agora outro caso. Segundo a imprensa irlandesa do dia 18 passado, foi apresentado um novo processo judicial contra o bispo de Londonderry (Irlanda do Norte), Seamous Hegarty, acusado de ter ocultado e obrigado a segredo permanente, uma jovem, vítima de actos pedófilos, durante 10 anos, a partir de 1997, quando tinha apenas 8 anos de idade, por um sacerdote não mencionado, pela qual foi paga em acordo fora do tribunal, no ano 2000.

Os sensacionais Relatórios Ryan e Murphy

Estes novos episódios surgem depois da intensa controvérsia – e revolta – com a publicação de dois relatórios judiciais, no ano passado, o primeiro, Ryan, em Maio, sobre denúncias sexuais a menores, praticados por membros do clero, em escolas católicas do país, resultando em vastas compensações às vìtimas, surgiu outro, este muito pior, o Relatório Murphy, em 26 de Novembro. Este relatório, levado a cabo pela Comissão chefiada pelo Director do mesmo nome, composto por 700 páginas, foi baseado numa amostra de 46 dos 102 padres envolvidos que, segundo o jornal Irish Times, abrangiam 320 queixas, crianças de ambos os sexos, de várias idades, sendo a mais nova de 11 anos. Porém, a pior denúncia, foi feita ao conluio da Polícia Irlandesa, a Gardai, que insistiu ignorar os casos. Este inquérito suscitou do então Ministro da Justiça, Dermot Ahern, a reacção, por ele classificada de “perversão calculada e sistemática do poder e da confiança infligida em crianças indefesas e inocentes”, pelo que os seus perpretores seriam punidos. O processo envolveu o anterior cardeal, Desmond Connell, o bispo de Limerick, o promovido Dr Donald Murray, antigo auxiliar do bispo de Dublin e o arcebispo John Charles McQuaid, bem como Kevin McNamara, ambos já falecidos. Além destes, outros sacerdotes foram, igualmente, apontados, como o falecido James Kavanagh e o aposentado Dermot O'Mahony. Segundo o Jornal de Notícias (Sociedade) de 15 deste mês, citando o arcebispo Rino Fisichela, presidente da Academia Ponífício para a Vida, “o Papa está determinado a tomar novas medidas contra os padres pedófilos...”. E acrescenta a notícia, com base na mesma fonte, “Bento XVI não está, de forma alguma, paralisado ou fechado numa torre de marfim face à avalancha de casos de pedofilia que atinja a Igreja católica”.

A mancha alastra-se e cobre continentes

Se antes deste intolerável episódio o escândalo da mancha pedófila, na Igreja Católica, enegrecera já os Estados Unidos da América (vejam-se mais detalhes abaixo), que, segundo o The Economist (edição de 19/03/10), resultou no pagamento de 3 biliões de dólares de indemnizações às vítimas, é agora, também, a vez do Vaticano, passando por países como a própria Itália (número de casos ainda não concluído, mas, segundo o matutino Corriere della Sera, receia-se elevado). Porém, o semanário britânico, The Observer, de 13 do corrente noticia que segundo um rapaz, então de 15 anos, na década de 60, era forçado a recrutar crianças para serviços sexuais dos frades locais; Alemanha e Áustria (300 casos, mas vejam-se casos específicos abaixo), Países Baixos (350 vítimas) e a Suíça (vide o jornal O Público, de 15 do corrente, em que, segundo o abade Martin Werlen, em declarações ao diário Aargauer Zeitung, do cantão de Aargau,.”cerca de 60 pessoas comunicaram ter sido vítimas de abuso sexual por padres católicos na Suíça”). A estes países europeus, acrescente-se, o Brasil, em que este mês, três padres da cidade de Arapiraca, no estado de Alagoas, foram suspensos de funções por abusarem sexualmente de acólitos; no Canadá, em Outubro do ano passado o bispo Raymond Lahey, de Antigonish, na Nova Escócia, foi formalmente acusado pela posse e importação de pornografia infantil; no México , em Março de 2009, o Papa Bento XVI ordenou uma investigação à Legião de Cristo, fundada por um padre que se descobriu ser pedófilo. Em 2006, o então cardeal Ratzinger disse ao fundador, Marcial Maciel, para se retirar para uma vida de “oração e penitência”. Maciel morreu em 2008; na Austrália, em Julho de 2008, numa visita àquele país, o Papa pediu desculpas pelos crimes de abusos sexuais cometidos por padres, condenando-os e dizendo que deviam ser julgados. Nessa altura, sabia-se de 107 casos de abusos sexuais no seio da Igreja australiana e, no Reino Unido, em Julho de 2000, o cardeal de Westminster (Londres), Cormac Murphy-O'Connor, reconheceu ter cometido um erro, quando ocupava outro cargo, na década de 1980, por ter permitido a um padre pedófilo continuar a trabalhar. O padre foi preso em 1997, por ter abusado de nove rapazes durante cerca de 20 anos. Finalmente, e ainda em relação aos Estados Unidos, em Dezembro de 2002: o Cardeal de Boston, Bernard Law, demitiu-se depois de ser acusado de transferir padres pedófilos para outras paróquias, para encobrir escândalos. Junho de 2002: A Conferência Episcopal daquele país deu instruções às dioceses para que investigassem todos os crimes de abusos: Fevereiro de 2004: Investigadores independentes referiram que 10.667 pessoas acusaram os padres americanos de crimes de abusos sexuais cometidos entre 1950 e 2002. Mais de 17 por cento dos queixosos tinham irmãos alegadamente vítimas de abuso, e outros 47% admitiram ter sido violado várias vezes; Julho de 2007: A arquidiocese de Los Angeles aceitou pagar 660 milhões de dólares às vítimas de abusos sexuais desde os anos 1940, na maior indemnização de sempre deste tipo; Abril de 2008: O Papa Bento XVI encontrou-se, durante uma visita aos Estados Unidos, com as vítimas de abusos cometidos por padres. Como se referiu, a Igreja norte-americana pagou cerca de três biliões de dólares às vítimas desde que o escândalo rebentou em 1992. Entretanto, e para actualizar, é o New York Times, de 24 do corrente, a noticiar a acção do então cardeal Joseph Ratzinger e actual Papa Bento XVI que nada fez contra o sacerdote Lawrence Murphy, falecido em 1998, acusado de abusar de cerca de 200 jovens numa escola de incapacitados auriculares, entre 1950 e 1974. Segundo o mesmo jornal, em 1996, o então cardeal Ratzinger preferiu não responder a uma carta sobre tão importane assunto que lhe fora mandad pelo então arcebispo de Milwaukee, Rembert G. Weakland.

Península Ibérica

E aqui mais perto, Tanto a Espanha como Portugal? Segundo o matutino daquele país, El Mundo, de 16 do corrente, o sacerdote espanhol, José Ángel Arregui, detido no Chile desde 14 de Agosto do ano passado, foi julgado no dia 23 último e condenado a mais dois anos e meio de prisão, por tendência de pornografía infantil ao filmar abusos sexuais que cometeu contra, pelo menos quinze menores, entre 2002 e 2005 em escolas de Madrid. Sustenta o mesmo jornal que segundo a polícia chilena, o sacerdote teria entregue às autoridades “grande quantidade de discos compactos com fotografias dos supostos abusos.” Em relação ao nosso país, segundo a imprensa Portuguesa (nomeadamente Diário de Notícias – Nacional e Jornal de Notícias - Sociedade) de 18 do corrente, em que segundo um estudo feito para uma tese de doutoramento em neuropsicologia clínica, de Pedro Pombo, da Universidade da Beira Interior (UBI), apresentado na Universidade de Salamanca, revela ter a Polícia Judiciária (PJ), indiciado 10 sacerdotes entre 2003 e 2007 por abusos sexuais a menores. Porém, Pedro Pombo não deu pormenores sobre os casos, recolhidos apenas de estatísticas gerais dos arquivos da PJ, nem tão-pouco fazem parte da sua tese. Como resultado, afirmam aqueles matutinos, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), em comunicado, garantiu o "reforço da prevenção" e o empenhamento em "colaborar com as autoridades" na denúncia de casos de abusos sexuais por parte dos membros do clero e os bispos irão aproveitar a assembleia plenária de Abril para reflectir sobre este assunto”.

Admissão, mas quantos casos reais?

Oficialmente, segundo o Monsenhor Charles Scicluna, da Congregação para a Doutrina da Fé, em entrevista dada ao jornal da Conferência Episcopal Italiana, Avvenire, embora o número de casos de pedofilia cometidos por sacerdotes ou religiosos, que tenha chegado ao conhecimento do Vaticano, entre 2001 e 2010, pedofilia, segundo ele, considerada autêntica, isto é “atracção sexual por rapazes impúberes” atinja “cerca de 300”, revelou, no entanto, que durante o mesmo período registaram-se “cerca de 3000 acusações” por crimes cometidos durante os últimos 50 anos. O facto do escândalo atingir agora o Vaticano, refere-se ao tempo em que o Sumo Pontífice era Arcebispo de Munique. Num dos casos, em 2001, segundo o já citado The Economist, é-lhe atribuída, a assinatura de um documento em que parece “ordenar que os casos de abuso a menores sejam tratados em segredo, mas que segundo prelados não exclui punições legais”. No segundo, entre 1977 e 1982, terá, alegadamente, protegido o sacerdote pedófilo, Peter Hullermann, sob pretexto de terapia, que não foi desmascarado às autoridades competentes. Reinstalado no sacerdócio, noutra paróquia diferente, praticou, pelo menos, mais outro assalto pedófilo. Segundo o matuttino espanhol El Mundo do passado dia 17, este sacerdote foi expulso, mas não sem as suas críticas pela forma tardia da decisão. Salienta o mesmo matutino, citando o vice-presidente do Parlamento alemão, Wolfgang Thierse, católico militante, que “a credibilidade da Igreja está a ser afectada de forma muito grave" e pediu ao Papa "mais honradês e severidade tanto para consigo mesmo como para com a Igreja".

Mas há mais!

Além do caso referido anteriormente, sobre os 200 meninos surdos que foram violados no Estado de Nova Iorque, segundo o matutino francês Le Figaro (edição de 13 deste mês), o irmão do então Arcebispo Ratzinger, Monsenhor Georg Ratzinger, aquando responsável pelo Coral alemão, Domspatzen (conhecida por Catedral dos Pardais), em Ragensburg, entre 1964 e 1994, alguns dos seus membros foram igualmente vítimas. Numa entreivsta dada à revista alemã, Der Spiegel, o antigo rapaz do coro, Thomas Mayer, afirmou ter sido várias vezes violado por rapazes mais velhos daquela instituição, aquando Georg Ratzinger era responsável. Mas segundo a Agence France Press (13 do corrente), Ratzinger, actualmente de 86 anos de idade, afirmou que os alegados abusos sexuais entre as décadas de 1950 e 1960 “nunca foram discutidos”. Continua o Le Figaro, citando, o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, o Papa desconhecia qualquer destes acontecimentos. Remetendo o caso para o vigário-geral da época, Gerhard Gruber, que assumiu “a inteira responsabilidade” do caso, que envolveu o sacerdote de uma paróquia vizinha de Munique que havia sido condenado em 1986, por abusos sexuais praticados a menores. A imprensa alemã, porém, sustenta o Le Figaro, baseando-se no jornal berlinense Tagesspiegel “o Papa sabia que este sacerdote retomara as suas funções” no seio do seu arcebispado.

Entretanto, surgem notícias de que Bento XVI aceitou, finalmente, a renúncia do bispo irlandés John Magee, de 73 anos, secretário particular do seu antecessor, João Paulo II. Obviamente o bode expiatório, pois tendo apresentado a sua renúncia há um ano, depois de ter sido interrogado pela Polícia Irlandesa Gardai, só agora foi aceite. Este episódio, segue-se à demissão do bispo de Limerick, Brendam Murray, em Dezembro passado.

Face a esta enorme tragédia, qual a resposta do Vaticano e do Chefe da Igreja Católica? Como afirmam particularmente as vítimas, tanto irlandesas como outras autoridades da Igreja Católica Alemã – a única forma de sanar tão nefasta prática é a demissão do próprio BENTO XVI. E porque? Primeiro, como foi mencionado anteriormente e citado pelo semanário The Economist, ao então Arcebispo Ratzinger se deve a assinatura do documento relativo ao secretismo da Igreja nos casos de pedofilia; segundo, pelo facto do actual Papa ter sido, durante 20 anos, responsável do departamento denominado Congregação para a Doutrina da Fé, pelo que deve assumir TODA A RESPONSABILIDADE, COM A MESMA SEVERIDADE E ENERGIA QUE DEMONSTROU CONTRA A IGREJA LATINO-AMERICANA e particularmente o sector Brasileiro liderado pelo então bispo Leonardo Boff.
Lamento afirmar QUE TENHO SÉRIAS DÚVIDAS QUE O VENHA A FAZER.

quinta-feira, 18 de março de 2010

ESTE NOSSO, MAS DESCONHECIDO E MARAVILHOSO MUNDO!

ESTE NOSSO, MAS DESCONHECIDO E MARAVILHOSO MUNDO!


Segundo a organização das Nações Unidas (ONU), 2010 é o ANO DA BIODIVERSIDADE. Embora nele já bem entrados, não é tarde para nos integrarmos numa Justificadíssima Homenagem! E porquê? Segundo esta vetusta Organização , trata-se de “celebrar a vida na Terra e o valor da biodiversidade nas nossas vidas”. Por isso, “o mundo é convidado a agir, em 2010, a fim de [avaliar e]salvaguardar a variedade dessa vida na Terra – a biodiversidade”. Honroso convite, ou melhor, urgente APELO ao DEVER de todos nós! Desde o final do mês passado nomeadamente a partir da Indonésia, da Europa, África, América do Norte e América Latina, Austrália, até ao Japão, vasto programa de conferências sobre tão importante tema têm estado, e estarão em curso.

Por que o ano, e o que é BIODIVERSIDADE? Trata-se de uma parte integral da natureza e da vida. Sem ela, não poderíamos existir pois a ela estamos ligados. Dela fazemos parte, devido à enorme variedade de outros animais e plantas, locais onde vivem e o seu meio ambiente. Dela dependemos, não só em termos de alimentação como de medicina e de outros predicados essenciais à vida. Pelo que, sem ela, não existiríamos. Não obstante essa realidade, a maior tragédia, porém, é que esse extraordinário tesouro está a desaparecer aceleradamente devido à... actividade humana! Além de nos empobrecer, incapacita, igualmnte, a habilidade dos sistemas vivos dos quais dependemos, particularmente à contínua ameaça, como é caso das alterações climáticas. Vejamos mais de perto, e mais concretamente, esse enorme e extraordinário MUNDO, em sua maioria invisível. Segundo o cientista galardoado, Edwatd O. Wilson, Director de Entomologia do Museu de Zoologia Comparativa da Universidade americana de Harvard, num artigo publicado em National Geographic - Edição em Inglês (Fevereiro de 2010, pág. 70), “quando se enterre uma enxada no solo ou se parta um bocado de coral, é-se como um deus, despedaçando um mundo inteiro”! Isto porque, num ou noutro caso, está-se a penetrar na MICROSCÓPICA BIODIVERSIDADE. No caso do solo, de um simples quintal, para não se falar dos imensos campos, ao enterrar-se a enxada ou a pá, desterra-se um MUNDO, um mundo maravilhoso de SERES VIVOS, muitos deles ainda por catalogar! Nesse, seja ele pequeno punhado, ou até um centímetro cúbico de terra, encontram-se milhares de seres, bactéria e micro-organismos, uns a tentar libertar-se, outros a procurar refúgio nos grãos desse solo que, afinal, são o CORAÇÃO da terra! Esse habitat, afinal, não é apenas o sujo húmus ou entulho, que quanto mais profundo mais diferente é! É, antes, UM HABITAT VIVO, como são os musgos ou outros fungos, dentre os quais, só nos últimos anos, novos e apenas 60 mil foram descobertos e catalogados de uma quantidade que os cientistas calculam em mais de milhão e meio actualmente existentes! Compreende-se o interesse particular dos cientistas em estudarem o solo, nomeamene a biologia, o que constitui uma das novas e importantes áreas científicas particularmente quando está a ser facilitada pela decodificação do ADN. Caso esta VIDA desaparecesse, todo o ambiente alterar-se-ia radicalmente! É nesse ciclo de vida, e nas suas reacções químicas, que tudo o que chamamos vida depende. Vida está também na seca folha que cai da vetusta árvore, que alimenta insectos, que por sua vez são alimento de outros. Tudo isto, como sabemos, é conhecido por fotosíntese, sem a qual, nesse ciclo harmonioso, a biosfera, essa fina membrana, exclusiva do nosso Planeta, de que, igualmente, dependemos, e sem a qual não existiríamos. Nela, tal como nós, proliferam milhões de insectos, nomeadamente as vulgares formigas, que embora tão conhecidas, 12 mil espécies diferentes, calcula-se que o número actual atinja o dobro ou o triplo! Como diz a notável canção do falecido famoso cançonetista-trompetista, Duque Wellington, WHAT A WONDERFUL WORLD! (Que Mundo Maravilhoso!)