quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sós ou (Mal) Acompanhados?

Na capa de um dos recentes números da conceituada revista National Geographic (edição em Inglês), perguntava-se “Estaremos sós?”. O seu interior, era complementado por extraordinárias montagens e fotos. Porém, agora, graças à avançada tecnologia, aos inúmeros satélites, mas principalmente à sofisticadíssima aparelhagem óptica, lançada a milhares de quilómetros no espaço, da possível ficção passou-se à realidade, como muito bem se aponta na referida reportagem. Nela se refere, por exemplo, que até agora os astrónomos conseguiram identificar mais de 370 classificados “exoplanetas”, ou seja, planetas fora do Sistema Solar. Em relação a Saturno, verifica-se agora que, estando à distância de 260 anos-luz da Terra, (*) encontra-se acompanhado por outro satélite quente, afastado, e rodopiando a cerca de 150 anos-luz daquele, que numa rotação nos nossos termos, de um ano, lá, dura menos de três dias! O objectivo dos cientistas, que na Lua já descobriram a existência de algo semelhante à água, é encontrar planetas idênticos à Terra. Caso concreto, é a descoberta no satélite Europa, a lua do Planeta Júpiter, quase idêntico à Terra, em termos de tamanho, conta com um vasto oceano de água, com a profundidade aproximada de 100km. A questão, a grande questão, é saber se contem suficiente oxigénio indispensável à vida. Outro enorme planeta, o já menciondo Saturno, aquele de vastos aneis, igualmente se sabe conter àgua, mas esta é gelada e que não permite qualquer qualidade de vida. A procura continua e graças aos enormes avanços da Cosmografia, muito há a percorrer, quando, apenas 11 dos 370 distantes planetas, enormes e luminosos, foram detectados pela técnica espectoscrópica Doppler.
Vejamos, portanto, a tecnologia reveladora de tais maravilhas. Ao satélite francês, COROT, por exemplo, agora na fase final de vida de três anos, deve-se a descoberta de sete exoplanetas em trânsito, um dos quais é 70% maior que a Terra. Porém, o satélite americano, Kepler, lançado a partir da base do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos da América (EUA), em 12 de Março do ano passado, é, nada mais nada menos que uma potente câmara digital de .95 de abertura e com um detector de 95 megapixeis. Obtém fotos de uma largura vastíssima, de trinta em trinta minutos, captando a luz de 100.000 estrelas, num simples trecho do firmamento, entre as brilhantes estrelas Deneb e Vega. A ele, se deve, segundo a notícia divulgada pela Sociedade Americana de Astronomia, em Washington, em 4 de Janeiro´passado, a detecção dos seus cinco primeiros planetas fora do sistema solar, com tamanhos que variam entre uma dimensão semelhante a Neptuno e uma maior que Júpiter. Chamados Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b, a sua descoberta resulta de cerca de seis semanas de recolha de dados desde que as operações científicas começaram, a 12 de Maio de 2009. No entanto, são todos demasiado quentes para conter vida, salientam os responsáveis pela missão. As temperaturas estimadas nos exo-planetas variam entre os 1200 e os 1648 graus Célsius.A estes, juntam-se aos 415 exo-planetas já detectados desde 1995, graças a outros telescópios. Aos computadores, em Terra, compete decifrar o brilho de todas as estrelas, alertando os cientistas, ao detectarem a menor cintilação que possa assinalar o trânsito de um planeta. Outro passo tecnológico, assás igualmente importante, foi a actualização, em Maio do ano passado, do Telescópio Espacial Hubble, pelos astronautas. Graças a novos e mais sofisticados mecanismos, como lentes mais potentes, além de prolongar a vida deste excepcional equipamento espacial, obtêm-se imagens mais nítidas e novas galácias. Porém, com o anunciado telescópico gigantesco, E-ELTE, de 42 metros de diâmetro de abertura, a instalar nas montanhas chilenas, aumenta a expectativa dos astrónomos. Possivelmente em saber mais sobre a Nebulosa Carina, a 7500 anos-luz da Terra e a multidão massiça de estrelas da constelação Omega Centauro, que pela primeira vez revela galácias, representadas por simples pontos de há 13.1 biliões de anos atrás, como aponta
o cientista Garth Illingworth da Universidade de Santa Cruz da Califórnia.
(*) Medida de distância astronómica igual à distância que a luz atravessa no período de um ano, ou
12km
seja, 9.463x10 , (1 pc = 3.26161.y ). A distância entre a Terra e a Lua é de 148.8 milhões de km

quinta-feira, 27 de maio de 2010

“ARQUITECTO-MÓR”

Um Povo, num País, que até há apenas 30 anos, tinha que formar fila, longas e constantes filas e esperar, pelo menos quatro horas, para um simples e necessário corte de cabelo; que para fazer um fato de homem, verdadeiro luxo, adquirido por coupons de racionamento, do único tecido, espécie de cotim verde, cinzento ou preto; aguardar pelo menos doze meses, sem qualquer garantia, nem possibilidade de recurso, tanto em termos de qualidade ou de defeitos de confecção, caso contrário teria de depender da juta de sacos de farinha ou de plástico; que depois de cosidos envergava. E, se um fato era obra de um ano, uma simples camisa, embora confeccionada em mais curto espaço de tempo, só era possível, nas medidas consideradas normais, porque, caso o interessado tivesse a infelicidade de ser ou mais alto ou mais gordo, a complicação e a incerteza de que viria a servir, seria mais do que certa! Isto em termos de necessidades consideradas mais de luxo! Quanto a habitação, devido à escassês, as divisões eram reduzidas, obrigando os casais diferentes a dormir em dependências separadas. Isto, para o cidadão comum, porque para os altos funcionários que ao serviço do país se tinham de deslocar ao estrangeiro, não havia outra solução que pedir roupa adequada emprestada ao departamento respectivo! O povo, o país, é a China! Não, não estou e inventar histórias! A lista, poderia ser longa! Encurto-a, por exigências de espaço. Não posso, porém, deixar de assinalar que no ano passado, ao ultrapassar a Alemanha como o principal país exportador de todo o mundo, este país-dragão arrecadou mais de 1,5 triliões de euros!
Estes episódios verdadeiros, da vida diária, são pungente e detalhadamente descritos por uma testemunha ocular, e, mais tarde, influente personalidade dos mais altos quadros políticos do país,, recentemente vertidas para a Língua Inglesa numa obra memorável (*). Reportamo-nos a 1 de Outubro de 1979. E a personalidade que as relata é Li Lanquing, vice-Presidente da China, braço direito, (mas, devido à modéstia, por ele não admitido), do que por isso foi justamento cognominado, “Arquitecto-Mór”, aliás, Deng Xianping. Este reformador máximo, que havia sido degredado pelo infame “Gangue dos Quatro”, verdadeiro Pai da Poderosa China de hoje, milagrosamente reabilitado por Mao Zedong, em 1973, com o seu grito, semelhante ao do Ipiranga, “Reforma ou Morte”, transformou o seu país na potência económica que é hoje e, em breve, a ultrapassar a do vizinho e rival Japão, assumindo o segundo lugar das economias mundiais. Não surpreende que é a ele, bem como ao estoicismo do povo chinês e à sua obra, que o recente livro é dedicado. Revelando pormenores até aqui desconhecidos, com maior significado por partirem da pena de uma das mais chegadas testemunhas ao processo da reforma, Li Lanquing retrata, com indescritível pormenor, episódios reveladores e chocantes. Embora não descurando o crédito para a devida abertura da China ao exterior, com base na experiência do Japão, por parte de Mao Zedong, ao proclamar o início da que chamou Nova China, em 1 de Outubro de 1949, no seu, e que se tornaria influente discurso, intitulado “Relacionamento da China com os países estrangeiros”, o autor, revela, passo a passo, os pormenores do que agora é considerado como o “Milagre Chinês”. Apontando que face ao boicote imposto pelos Estados Unidos da América (EUA), com o intuito de isolar a China, esta não teve outra alternativa que recorrer à então União Soviética (US), com quem estabeleceu um acordo, em Dezembro de 1949, garantindo 156 importantes projectos industriais. Porém, e sem capacidade laboral ou técnica para desenvolvê-los, entre 1949 e 1960 a China importou mais de 20.000 técnicos tanto da US como dos países satélites e para lá enviou mais de 10.000 estudantes. Resultando no desafio em que “aprender novas coisas, tornou-se no apelo nacional”, o país deu início ao seu primeiro Plano de Cinco Anos (1953-1957). Porém, e com a brusca decisão da US, em renunciar o Acordo, resultando no abandono do importante apoio laboral e tecnológico, recorreu ao seu mais directo vizinho, o Japão, de quem recebeu preciosa assistência tanto financeira como de “know-how”.

(*) Breaking Through, The Birth of China's Opening-Up Policy (Ruptura, Origem da Política de Abertura da China) Edição da Oxford University Press, Janeiro 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Reino Unido - Que Fururo?

Pela primeira vez desde o fim da II Grande Guerra, 1945, o Reino Unido é governado por uma coligação, desta vez entre Conservadores e Liberal Democratas (Lib Dems). E, igualmente pela primeira vez, desde há 200 anos, é chefiado pelo mais jovem (43 anos) primeiro-ministro, David Cameron, o 12º do reinado de Isabel II. Após uma maratona negocial de cinco dias, que oscilou entre Labour e Conservadores, em intenso namoro com os Lib Dems, chefiados pelo inovador Nick Clegg, os perdedores foram tanto o Labour como os Conservadores. Se os anteriores, propunham uma Aliança Progressista, incluindo a há muito desejada Reforma Eleitoral por parte dos Lib Dems, que foram os primeiros a apresentar semelhante proposta, como admitiu o próprio Gordon Brown e que por isso assumiu toda a responsabilidade, demitindo-se dos cargos tanto de primeiro-ministro como de dirigente partidário, mesmo antes da conclusão de qualquer acordo entre “Tories” e Lib Dems. O próprio Partido Conservador, que para formar governo e ao necessitar do apoio de outro partido, teve de renunciar, ou minimizar, importantes parâmetros do seu ideológico programa eleitoral, nomeadamente na educação (com maiores apoios às populações urbanas desfavorecidas), impostos (isenção de IRS nos primeiros 15 mil euros de rendimentos), ataque à dívida (maid moderad do que o imediatamente proposto), mas, especialmente, a partilha de postos com os Lib Dems no Gabinete. Para estes últimos, de regresso ao governo após um século, segundo fontes destacadas, conseguiram mais do que esperavam, por isso foram os grandes vencedores, nomeadamente a ascensão do seu dirigente máximo ao posto de Vice-primeiro-ministro e um seu destacado membro, Vince Cable, para ministro da influente pasta financeira de reforma bancária.

Três incógnitas: a primeira, com um partido euro-fagista como é o Conservador, cujo dirigente máximo tinha afastado o seu partido do principal Partido Conservador no Parlamento Europeu, preferindo associar-se aos xenófobos da extrema direita, garantiu não mais cedências à UE bem como NUNCA ao euro, e com um eurófobo ministro dos negócios estrangeiros, William Hague, que em 2002, então à frente do partido, perdeu as eleições gerais pelo desabrido combate à UE, resta saber se irão continuar com o seu divórcio com a Europa, face à posição antagónica dos seus coligados, os Lib Dems; segunda: quais as consequências imediatas e quais os necessários e prometidos cortes, certamente drásticos na economia e o montante da subida dos impostos?, terceira: quais as consequências desta anatural união para os hordes liberal democratas que normal e ideologicamente se situam mais próximo do labour?

Estas questões, obviamente, não foram respondidas na breve conferência de imprensa dada na Quarta-feira de tarde no soalheiro, aprazível, mas ventoso belo Jardim Rose, nas traserias de Downing Street. Descontraídos. lado a lado, a desmonstrar a exuberante juventude de ambos, os dois, primeiro-miniatro e vice asseguraram que a coligação era o melhor para o futuro do país, pelo que estava para durar os propostos cinco anos, especialmente quando há enormes dificuldades a enfrentar. Numa posição de pujança, ambos estão determinados a garantir a liberdade, justiça, responsabilidade de um governo firme e justo para com as expectativas e ambições do povo. Mas enquanto em governo estão unidos, quando em eleições, como as parciais que se avizinham, os dois partidos lutam entre si. Além disso, deste encontro resultou a novidade de que Nick Clegg, como vice, terá a pesada responsabilidade da Reforma Constitucional, que, como sabemos envolve o Referendo para a Reforma Eleitoral, a redução do número de deputados e a reforma da Câmara dos Lordes, provando, assim que não setrata de um posto nominal.

Entretanto, com Gordon Brown afastado do Poder, após 13 anos (10 como influente ministro das finanças e 3 à frente do Governo), a passar para a oposição, e no momento a gozar um bom e merecido descanso na sua terra, em Karcaldy, na Escócia, auto-afastado da escolha do seu sucessor, a este vai competir a condução do partido para uma nova e estranha fase. Com a até aqui vice, agora Dirigente Máxima Interina, Harriet Harman, que, em princípio diz não estar interessada na liderança, tudo aponta para o jovem e activo ex Ministro dos Negócios Estrangeiros, David Milliband, suceder a Gordon Brown.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A Odisseia do Regresso - ou as vagarias dos vulcões islandeses

Com o encerramento dos aeroportos, na maioria dos países euro-ocidentais praticamente até terça-feira 20, quando se tinha como valor garantido que o mundo era pequeno, que, segundo os Ingleses, é tão pequeno “como uma ostra”, com as dificuldades do almejado Regresso a Casa, subitamente, como se verificou a partir do passado dia 14, devido às vagarias do vulcão islandês de nome impronunciávl, Eyjafjallajökull frá Valahnúk, de começo, seguido do vizinho Eyjafjallajökull frá Hvolsvelli, que além de gelo, vomitavam espessas cinzas, o espaço aéreo europeu, pela primeira vez de que há memória, foi encerrado! Na minha residência, em Londres, situada na faixa aérea do aeroporto de Heathrow, habituada ao constante ruído dos aviões que sobre ela passam, durante o dia, praticamente de dois em dois minutos, subitamente, só se ouvia o sempre agradável e cada vez mais distinto chilrear das aves! Entretanto, e nos mais variados cantos do mundo, centenas de milhar de pobres britânicos, uns, em sua maioria, retidos nos aeroportos, outros nos hoteis, subitamente depararam com a dura realidade da DISTÃNCIA, aliada à INCERTEZA do desejado REGRESSO, transformando-se num ENORME PESADELO!

Na totalidade, 150.000 turistas britânicos, em sua maioria mães e pais acompanhados dos filhos, que aproveitando as férias da Páscoa, normalmente de duas semanas, ficaram retidos em vários pontos do Globo. Depois de uma merecida pausa e diversão enfrentaram a inesperada... adiada e cada vez mais incerta partida. A ânsia, ou a urgência de compromissos, retidos, uns em Pequim, outros na Tailândia, deambulando durante cinco dias nos mais variados meios de caríssimos transportes, conseguiram regressar depois de desembolsarem mais de 20 mil euros. Outros, embora mais perto, mas no cada vez mais distante e lento Continente, quer na Polónia, quer em Milão ou ainda em Portugal, conseguiram, depois de quatro dias, exaustos e com os bolsos vazios, depois de dispenderem, uns dois mil euros, outros cinco e oito mil, conseguiram, finalmente, chegar a Calais, ponto de ligação da tão ansiada Dover. A ausência obrigatória de professores e alunos forçaram o fecho de várias escolas, levando um director de Liverpool a alugar um autocarro especial para ir buscar alunos e professores retidos na Roménia! Outros serviços de emergência para o regresso de estudantes e professores estiveran a cargo da Halsbury Travel. Enquanto isso, o Eurostar, único meio de transporte ferroviário a ligar o Continente às Ilhas Britânicas, quando normalmente em passagens promocionais procuram clientela a cerca de oitenta euros, ida-e volta entre Paris e Londres, devido à subita avalanche de clientes, passou a cobrar quatro vezes mais! Entretanto, os potentes e belos ferries, particularmente a partir de terça-feira 20, não tendo mãos a medir, abarrotados, efectuavam cerca de 50 viagens por dia, despejando assim, as longas e densas filas de ansiosos, cansados e famintos pobres veraneantes. Com, finalmente, a abertura do aeroporto espanhol de Madrid, subitamente transformou-se num vazadouro europeu dos desgraçados britânicos! Para o efeito, o governo, comandado por Gordon Brown, em plena campanha eleitoral, reunia-se de emergência, nas chamadas reuniões COBRA, a fim de se prestar a desejada assistência aos seus infelizes concidadãos. A primeira decisão foi estabelecer duas linhas telefónicas para assistir os necessitados e suas preocupadas famílias. O segundo, mas importante passo foi envolver a Marinha Real, disponibilizando três dos principais vasos de guerra, nomeadamente o lendário Ark Royal, acompanhado de mais dois, o Ocean e o Albion, este último, acabado de chegar do Afeganistão, que zarpou para mim o familiar porto de Santander, no norte da Espanha, de onde trouxe 280 desesperados passageiros. E os outros, em caso de necessidade, a aguardar a ida a Calais. E, como complemento, com a chegada de milhares de exaustos viajantes a Madrid, outra importante medida adoptada foi o recrutamento inicial de 150 autocarros pullman para os transportar para Calais e, dali, finalmente para Dover. Embora com ténues esperanças do reatamento dos ansiados vôos, sob pressões intensas tanto sobre o Serviço Meteorológico Nacional, de quem partia a informação, mas cujas decisões finais competiam, tanto ao Serviço Nacional de Transpore Aéreo como à Entidade da Aviação Civil, organização homóloga da nossa ANA, finalmente abriu, na terça-feira 20, às 07 da manhã, o espaço aéreo britânico, limitado apenas à Escócia (Glásgua) e a uns poucos aeroportos do nordeste da Inglaterra (Newcastle, em particular). Finalmente, às 22 horas do mesmo dia foi aberto todo o espaço aéreo nacional, mas não a completa solução do tráfego aéreo, que segundo o Director, Willie Walsh, da British Airways, que sofreu prejuízos diários de 100 milhões de euros, iria levar pelo menos uma semana a regularizar. No meio de toda a expectativa e frustração surge o presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimson, em entrevista à BBC Televisão, a informar que embora a população do seu país esteja habituada a erupções dos seus muitos vulcões, como o Eyjafjallajökull frá Valahnúk, que durante a erupção anterior de há pouco mais de 100 anos, em que esteve activo durante vários anos, advertiu que quer no caso de vulcões do seu país ou de outros, é urgente pensar-se na adopção de medidas adequadas a fim de não se repetirem experiências como as de agora.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

AS FALKLANDS / MALVINAS DE NOVO EM FOCO

Com a descoberta de petróleo, o arquipélago das Falklands, para os britânicos e, Malvinas para os sul-americanos, volta às parangonas da comunicação social internacional. Para a Argentina, humilhada no recontro militar, em Abril de 1982, ao ser-lhe negada a ambição de reter o vizinho arquipélago, que tem insistido ser seu, a questão chamada Malvinas está de novo no topo da Agenda. Embora, segundo a companhia exploradora britânica, Desire Petroleum, a qualidade como a quantidade do produto não sejam economicamente viáveis, possa ter arrefecido os ânimos iniciais, isso não impediu que a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, tivesse imediatamente mobilizado tanto os seus homólogos do Continente Latino-Americano a favor do reconhecimnto do seu país ao direito da soberania das ilhas, procurando, ao mesmo tempo, impedir a circulação marítima internacional entre a Argentina e as Falklands/Malvinas, como ter feito questão de ressuscitar o caso da soberania do arquipélago no Conselho de Segurança das Nações Unidas bem como tentar impedir as prospecções em curso, alegando violarem as recomendações da ONU no tocante a acções que possam agravar a disputa entre a Argentina e o Reino Unido. O governo britânico, porém, insiste que as explorações petrolíferas em curso não violam as leis internacionais.

As prospecções tiveram início em 1998, mas com os preços do crude em descida vertiginosa nesse ano, quaisquer tentativas sérias de exploração foram consideradas infrutíferas. As expectativas de então da companhia Desire eram de 400 milhões de barris, resultando em mais de nove biliões de dólares de receita, com a possibilidade de outras explorações vizinhas contribuírem com mais outros biliões de barris. Segundo peritos como Daniel Litvin, director de Critical Resource, empresa especializada nas indústria de recursos naturais, as Falklands, entre a opinião pública britânica têm estado praticamente ignoradas desde o conflito de 1982, mas na expectativa de explorações viáveis, as tensões diplomáticas entre a Argentina e a Grã-Bretanha, inevitavelmente recrudescerão, pelo que o melhor será encontrar-se “um compromisso de partilha de recursos entre os dois países”. Esta, aliás, a posição do principal diário argentino. Segundo o Clarin, de 30 de Março passado, enquanto apontava a abundância de minas de guerra na vasta região marítima e a sua necessária limpeza, advogava um entendimento sobre a partilha dos recursos das ilhas entre os dois países. Além da Desire, outras duas companhias britânicas de exploração petrolífera – Rockhopper e Falkland Oil and Gas - estão, igualmene, a actuar ao largo do arquipélago. Mas depois da notícia difundida por Desire sobre a qualidade e a quantidade do produto as acções particularmene desta empresa afundaram-se, em cerca de metade, na Bolsa de Londres. E embora, mais estudos e prospecções tenham de ser feitas a fim de ser tomada uma decisão final, a tensão mantem-se entre os dois países. Se por um lado a Argentina insiste em tomar, as que afirma, “medidas adequadas”, contra a exploração petrolífera nas àguas que rodeiam o arquipélago, o Secretário Britânico de Defesa, Bill Rammell, reafirma o “direito legítimo” da Grã-Bretanha em continuar com as prospecções.


O CONTEXTO HISTÓRICO DO DISPUTADO TERRITÓRIO

Recorde-se que embora ao navegador Inglês, John Davies, se atribua a primeira descoberta das Falklands/Malvinas, em 1592, o homólogo holandês, Sebald de Weerdt, detem a primazia da indisputável descoberta, em 1600. Porém, o primeiro navegador a abordar às duas ilhas principais foi o Inglês John Strong, em 1690, baptizando-as com o nome do oficial da Marinha Britânica, Visconde Falkland, nome que abraçaria, mais tarde, todo o arquipélago. Ao navegador francês, Louis-Antoine de Bougainville, porém, seria dado o crédito de fundar o primeiro acampamento no lado Ocidental das ilhas, em 1764, apelidando-as de Malovines. E embora o mérito da instalação de um acampamento, no lado oriental, tivese pertencido aos ingleses, em 1765, foram os Espanhóis que depois de expulsar os britânicos e adquirirem o território aos Franceses, se instalaram no Arquipélago a partir de 1767. Reconquistado pelos britânicos em 1771, decidiram, porém, em 1774, abandonar a região, por razões económicas, sem, no entanto, renunciarem a soberania das ilhas. Entretanto a Espanha, manteve um acampamento no lado ocidental, chamado Ilha Soledade (Ilha da Saúdade) até 1811. Com a independência da Argentina da Espanha em 1816, o governo de Buenos Aires proclamou a soberania das Falklands/Malvinas em 1820. Porém, em 1831, o navio de guerra americano, Lexington, em retaliação à detenção anterior de três navios americanos da caça às baleias na região, destruíu o acampamento, na parte ocidental do Arquipélago, competindo, aos ingleses, dois anos depois, forçar os sobreviventes argentinos a abandonar a área, sem o disparo de um só tiro. Em 1841 foi nomeado um governador civil para todo o arquipélago das Falklands e até 1885 prevalecia uma comunidade auto-suficiente de 1800 pessoas, embora a Argentina não deixasse de renunciar o seu direito à soberania das ilhas. Porém, depois da II Grande Guerra, o assunto voltou a ser debatido, em 1964, no Comité da Descolonização das Nações Unidas com a Argentina a invocar a Bula Papal de 1493, modificada pelo Tratado de Tordesilhas, do ano seguinte, em que atribuía à Espanha o direito dos territórios ou ilhas adjacentes ao continente sul-americano e, assim, o termo à colonização britânica. Porém, a Grã-Bretanha contrapondo o argumento de que a “aberta, contínua e efectiva posse, ocupação e administração” das ilhas por parte dos habitantes britânicos, desde 1833, outorgava-lhes o direito ao princípio da auto-determinação, em obediência à Carta das Nações Unidas. E adiantou que, em vez de se pôr termo à colonização, o pretendido controlo e soberania por parte da Argentina, face à recusa dos habitantes, criava, na realidade, uma colónia. Como resultado, em 1965, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma Resolução em que convidava ambas as partes a encontrar uma solução pacífica para a disputa. Com as conversações consecutivamene adiadas até Fevereiro de 1982, as forças argentinas invadiram as Falklands, a 2 de Abril seguinte, resultando na Guerra das Falklands em que o país aul-americano foi derrotado, com enormes baixas, especialmente o afundamento do submarino Beltrano, e a humilhante retirada e regresso das forças invasoras ao seu país. Embora a Argentina e o Reino Unido reatassem as relações diplomáticas em 1990, a disputa da soberania continuou com a presença de 2000 tropas britânicas no arquipélago e a forte modernização, e enormes investimentos, nas infra-estruturas do território, por parte do Reino Unido.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Crise no futebol Inglês...e mistério do relvado de Wembley!

Não bastando as crises financeiras que assolam os principais clubes ingleses da “Premiership”, surge agora o mistério da relva do novo Estádio de Wembley. Acontece que desde a sua conclusão, em 1997, depois de inúmeras incertezas e adiamentos da inauguração, devido à falência da companhia construtora auatraliana, a relva do novo, belo, e imponente Estádio de Wembley, está a provocar insondável mistério … e despesa! Depois da verdejante relva inicial, iniciou-se esta semana, nova replantação – a 11ª !!! - pelo custo de 100 mil euros, totalizando s várias operações em mais de 1,5 milhões de euros! Uma relutante Federação (Football Association proprietária do dispendioso estádio e que para ali recentemente decidiu transferir a sua sede), viu-se forçada a encetar a nova operação depois do treinador do Tottenham Hotspurs, Harry Rednapp, talvez a justificar a derrota da sua equipa por 2-0, no anterior relvado, frente ao Portsmouth, a 11 deste mês, na meia-final da Taça da Inglaterra, ter afirmado que “não poria cavalos a correr neste relvado”! Não se sabem ainda as razões dos consecutivos relvados. Segundo a FA, com base na opinião da empresa responsável pela manutenção do relvado, Sports Turf Research Institute (STRI). “vamos continuar a cooperar com STRI tanto na instalação de uma nova camada de relva como com a sua manutenção”, pelo que vai continuar a ser do mesmo tipo. Porém, as opiniões variam, coincidindo na mais comum que é a falta de luz suficiente e o pouco uso do campo. Talvez, com base na longa experiência da All England Tennis and Crocquet Association, detentora dos magnificos e bem mantidos relvados de Wimbledon, o mais indicado é o devido aconselhamento com esta sua congénere desportiva!

Enquanto isso, parece que o não resolvido mistério do relvado de Wembley simboliza a crise financeira do futebol inglês. Com a falência do adversário do Tottenham, o Portsmouth Football Club, que há duas épocas foi vencedor da Taça da Inglaterra e ironicamente é finalista, este ano, frente ao Chelsea (a disputar a final no próximo dia 15 de Maio), o primeiro clube da Premiership dos últimos anos a falir, surge o poderoso Liverpool Footbal Club, que recentemente arrasou o Benfica na Taça Europeia, a contas com pesadas dívidas, os seus dois presidentes americanos, M. Broughton e G.N. Gillett Jr., decidiram pôr o clube à venda. E, como não há um mal sem dois, o seu melhor jogador, Fernando Torres, depois de ter sido submetido a uma cirurgia, e quando era imprescindível para o resto da campanha europeia, que o treinador Rafael Benitez, afastado da Champions, pretende ganhar, estar ausente durante resto da temporada. A crise financeira ensombra, igualmente o poderosíssimo Manchester United, que, este ano, espera revalidar o título e, igualmente, fincar pé na Champions. Desde que o clube foi adquirido pelo financeiro-milionário americano Malcolm Glazer, em 22 de Junho de 2005, por um bilião e 264 milhões de euros, pondo assim termo a 14 anos de actividade como sociedade anónima cotada na Bolsa de Londres. Mas, como para financiar a aquisição contraíu o empréstimo de 800 milhões de euros, o novo proprietário foi acusado pelos adeptos do clube de hipotecar o Manchester United, um clube que nunca conhecera semelhante posição, a impopularidade do novo dono não tem cessado, ao ponto de se estar a preparar uma OPA, iniciativa de poderosos adeptos do mundo financeiro. Para isso, foi montada uma campanha, independentemente dos múltiplos cartazes quando a equipa joga, com os dizeres, “Love Manchester United; Hate Glazer” (Amamos o Manchester United, mas detestamos Glazer), é caracterizada por caxecóis verdes e amarelos, orgulhosamente ostentados pela maioria dos adeptos, que viram no seu herói, David Beckham, aquando no jogo em que a sua equipa, AC Milan, foi eliminada, há duas semanas no estádio de Old Trafford, também ostentar.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

DEBATES TELEVISIVOS - A GRANDE NOVIDADE DAS ELEIÇÕES GERAIS DESTE ANO!

Mantendo a tradição da marcação das eleições, segredo bem guardado e exclusivo dos primeiros-ministros, que, no caso de Gordon Brown, não poderia ser depois do próximo mês de Maio, como se previa, 6, do mês que vem, é o dia, que, como é tradicional no Reino Unido, eventos eleitorais, tradição tipicamente britânica, realizam-se às quintas-feiras. Nisso não é novidade! A novidade, desta vez, é a realização de três debates televisivos, em directo, (BBC1, ITV1 e SKY), com e entre os dirigentes dos três principais partidos – New Labour (partido do governo), com o primeiro-ministro, Gordon Brown; Conservadores – David Cameron e Liberal-Democratas – Nick Clegg, bem como a activa dependência da Internet. A democracia britânica, a provar o seu conservadorismo centenário, é alheia a alterações, inclusive referendos. Salvo raríssimas excepções – como foi a contínua adesão à então CEE, em 1975, e a formação de parlamentos autónomos tanto no País de Gales como na Escócia, nos meados da década de 90 – é alheia a referendos. E, quanto à intromissora televisão, tão longamente debatida e resistida na transmissão (com excepção de um canal exclusivo – Parlamento - a cargo da BBC), mas nos canais principais, em deferido e sempre em breves montagens, salvo casos excepcionais como nas sessões semanais de Interpelação ao Primeiro Ministro, sessões de Abertura, em que a Raínha apresenta o programa de Legislatura do Governo, apenas presente – e bem presente! - nas campanhas eleitorais com a cobertura, geralmente também em deferido, de importantes intervenções dos principais dirigentes partidários. Além destes, há, claro, também, os tempos de antena. Nunca, porém, no Reino Unido se realizaram debates entre, e com os principais dirigentes políticos, o que, à semelhança da longa tradição americana, o debate entre Nixon e Kennedy, em 1960, acontece este ano pela primeira vez.
Não surpreende a cuidadosa preparação, mas especialmente a complicada regulamentação, subordinada a 76 subparágrafos, das intervenções! Com apenas um minuto para apresentar a sua tese e outro para responder, os intervenientes não têm mãos a medir. Perante audiências compostas por 200 convidados seleccionados por empresas de sondagens independentes, só lhes é permitido aplaudir no princípio e no fim das sessões, os dirigentes participantes respondem a perguntas submetidas e seleccionadas previamente via e-mail, mas totalmente desconhecidas até ao momento da transmissão. Dos três debates, todos às quintas-feiras, na hora nobre das 20 às 2130, são distintos. Transmitidos pelas várias estações, cabe à ITV1 dar o pontapé de saída, com o conceituado e veterano moderador, Alastair Steward, hoje, 15. Este primeiro programa ocupar-se-à da política interna, inluindo o Serviço Nacional de Saúde, educação, imigração e confiança do eleitorado na política e nos políticos. O segundo programa, cabe à Sky, sob a responsabilidade do competente editor político daquela emissora, Adam Boulton, transmitido na semana seguinte, 22 e subordinado a negócios estrangeiros, incluindo União Europeia, Afeganistão e Iraque. O prograna final, a transmitir no dia 29, cabe à BBC, com o veterano, respeitado e mui competente moderador, David Dimbleby e subordinado a questões económicas, incluindo o enorme déficit público, impostos, serviços públicos e banca.
É difícil de prever a influência destes debates no resultado real eleitoral. Se, obviamente, o desempenho dos intervenientes é um factor importante, o carisma também o é. Neste domínio, se a “fotogenia” tanto de David Cameron como de Nick Clegg é uma vantagem, a notória sobriedade de Gordon Brown pode prejudicá-lo. Mas tem uma vantagem em relação aos seus adversários: experiência e autoridade governamental e, muito mais, provas cabais do desempenho da economia e finanças, perante a crise actual e Global. Aliás, é aqui que o eleitorado vai decidir. Segundo as múltiplas sondagens, enquanto os Conservadores, desde há um ano gozavam a vantagem média de 15 pontos de vantagem em relação ao partido do Governo, os últimos resultados apontam, na média, entre seis e 2 pontos de vantagem e os liberais democratas em terceiro, co 21%. A grande incógnita reside nos círculos em dúvida do partido vencedor, o que significa um indesejável resultado de vitória minoritária, possivelmente a favor dos Conservadores de David Cameron. Se assim for, quem vai ter a última palavra é Nick Clegg dos Liberais Democratas, que se poderá ligar ou associar a qualquer dos partidos, garantindo-lhe a almejada maioria. Esta situação só aconteceu em Fevereiro de 1974, com o governo Conservador de Edward Heath.