Com, finalmente, a entrada em vigor do controverso e tão contestado Tratado de Lisboa que, segundo múltiplos comentadores, facilita e resolve muitos dos problemas funcionais da União Europeia (UE), particularmente em Política Externa, o novo Tratado vai ser posto à prova, com a Espanha, na Presidência Rotativa, como cobaia, entre Janeiro e Junho. Com uma Presidência Tricéfala, ou, mais precisamente, Quadricéfala - (Presidente Permanente do Conselho, Herman Van Rompuy, antigo primeiro-ministro belga, em exercício, durante dois anos e meio; José Manuel Barroso como Presidente da Comissão, neste caso, funções executivas, cujo segundo mandato até 2014, vai ser inaugurado na próxima segunda-feira, 1 de Fevereiro; José Luis Rodriguez Zapatero, como primeiro-ministro da Presidência Espanhola, até finais de Junho; Catherine Ashton, antiga Comissária Britânica do Comércio e Alta Representante da Política Externa, ou Chefe da Diplomacia da UE, cargo mais conhecido pela designação de Serviço Europeu de Acção Externa, (SEAE), posto que, à semelhança do Presidente do Conselho, foi também criado pelo Tratado de Lisboa.
Como as presidências rotativas detinham o Poder exclusivo total da UE, durante todos os semestres, condicionado à cimeira de encerramento e à aprovação pelo Conselho de Chefes de Estado e Primeiros-Ministros, do Programa final, que passaria ao Cânone Legal, da UE agora, sob o novo Tratado, embora se mantenham as decisões executivas, a GRANDE alteração é a redução dos poderes do país rotativo em exercício, limitada apenas a Assuntos Gerais, Finanças, Agricultura. Outra inovação, envolve o Parlamento Europeu, com maiores poderes e a quem compete a importante palavra final. Neste enquadramento, cabe à Espanha, como o primeiro pais-cobaia do novo sistema, o verdadeiro teste da tão apregoada EFICIÊNCIA. Porém, como apontava o matutno francês Le Figaro (01/01/10), baseado numa análise da eminente Fundação Robert-Schuman “a representação externa da União estará longe de uma unificação completa pelo que corre riscos de cacofonia”, devido, como se sabe, à já conhecida experiência dos interesses nacionais dos 27, que nem sempre coincidem com os desejáveis interesses comuns da UE. E, neste contexto, pergunta-se: como é que se portarão tanto o Presidente francês, Nicolas Sarkozy como a “Chanceler” alemã, Angela Merkel, que até aqui eram conhecidas sonoras porta-vozes da UE? Não! Garantiram, tanto Van Rompuy, como Zapatero, no dia oito deste mês, em Madrid, segundo o El Pais, a Europa, por necessidade de sobrevivência “deve dotar-se de um sistema reforçado de coordenação”. Em todo este contexto, uma nova incógnita: que papel e influência em apregoadas reformas terá certamente o novo e determinado primeiro-ministro britânico, David Cameron, depois da esperada vitória eleitoral a partir de Maio próximo, bem como, a possível acção do grupo terrorista ETA?
No Comunicado Conjunto, assinado tanto por Herman Van Rompuy como por José Luis Rodriguez Zapatero, foi assinalado que “como presidentes do Conselho Europeu e do Governo da Presidência rotativa, queremos que a aplicação fundacional do Tratado de Lisboa seja o mais diligente e rigorosa possível. Com plena lealdade e espírito de co-operação, iremos impulsionar a consolidação da nova ordem institucional da União no sentido de resolver os problemas concretos que a todos nós preocupa”. Prometendo trabalhar de mãos dadas, a expectativa é saber se assim vai suceder, a partir da Cimeira Inicial de Chefes de Estado, em Bruxelas, no próximo dia 11 do mês que vem, que além dos urgentes assuntos económicos abordará, igualmente, os problemas climáticos. Embora hajam interesses comuns, nomeadamente a Crise Económica Europeia, os problemas nacionais da Espanha, com um primeiro-ministro acossado por enormes pressões, as maiores desde que assumiu o Poder, em 2004 - económicos e de desemprego - os mais elevados de sempre, 3 milhões, 923 mil e 603, em toda a UE, com a excepçâo da Lituânia, e com um eleitorado – 87% dos sondados (El Mundo 05/01/'10) - insatisfeito com a sua acção, obviamente é o primeiro interessado em fazer deste primeiro teste, e semestre inicial, o mais bem sucedido possível, como, aliás, apontava o matutino espanhol El Mundo (05/01/10), em que o principal desafio da presidência espanhola é “sem dúvida, a profunda crise de que padece o Continente”, (…) “que exige de Zapatero, como ele próprio prometeu, medidas e estratégias coordenadoras prioritárias para se saír da recessão e voltar a gerar postos de trabalho”, embora, como também o articulista salienta, a credibilidade de Zapatero, tanto em relação à situação do país, como às medidas por ele até aqui tomadas, não lhe sejam favoráveis. Para além deste objectivo prioritário da Agenda, acordada com o Presidente Van Rompuy, com base na Estratégia de Crescimento e Emprego, rasgada pela Presidência Portuguesa na Agenda de Lisboa, constam, nomeadamente: plena aplicação funcional, o mais “diligente e rigorosa possível” do Tratado de Lisboa, com maior ênfase aos direitos humanos e maior destaque ao papel e influência da UE no mundo inteiro. Outra proposta, esta sobre a necessidade de mais poderes económicos para a UE, com compromissos obrigatórios e sanções para quem não os cumpra, poderá ser muito controversa. Além destes, a Espanha propõe, e aqui poderá estar em choque com Catherine Ashton, pois são exclusivo do seu novo domínio, mini-cimeiras - Latino-Americana, visando a aproximação com Cuba, e Mediterrânica, visando a activação do Plano de Paz Israelo-Palestiniano. Entretanto, os primeiros passos foram já iniciados pela Espanha que convocou, no passado dia 5 deste mês, a reunião dos chamados “sábios”, no Palácio de Moncloa, em Madrid. Além de José Luís Zapatero estiveram presentes Jacques Delors, o mais notável ex-presidente da Comissão Europeia, o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzalez, o ex-comissário europeu da Economia Pedro Solbes e a actual ministra da Economia do governo espanhol, Elena Salgado. Dentre as medidas tomadas, constou o impulsionamento de uma política económica comum que fortaleça a posição e influência da EU no mundo. Defenderam a coordenação de medidas de aprofundamento do mercado interno europeu em domínios como a investigação e desenvolvimento ou o sector energético, mas também debateram a coordenação das políticas fiscais, assim como a reforma e aproximação da supervisão financeira europeia.
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
O recente mandato de captura emitido por um tribunal da jurisdição de Westminster (Londres), contra a antiga primeira ministra e ministra dos negócios estrangeiros de Israel, Tzipi Livni, e actual dirigente do principal partido da oposição, o maioritário Kadima, embora a obrigasse a anular a programada participação numa conferência, na capital britânica, faz ressuscitar acção idêntica, principalmente emitida nos tribunais continentais europeus, contra o antigo primeiro-ministro israelita Ariel Sharon, acusado de crimes de guerra. Em relação à Grã-Bretanha, o mandato de captura a um dirigente político israelita, é o primeiro, o que, portanto, não surpreende o embaraço que provocou ao ministério britânico dos negócios estrangeiros e os esperados protestos por parte de Israel. O que os observadores não esperavam eram os termos utilizados. Porém, em Setembro passado, um advogado simpatizante pela causa palestiniana, invocando a “jurisdição universal”, tentou apresentar um mandato de captura contra Ehud Barak, o actual ministro de defesa de Israel. Mas devido à sua posição de membro do gabinete daquele país, invocou imunidade diplomática, pelo que viu gorados os seus intentos. Como Livni já não goza da mesma protecção, encontra-se numa posição mais vulnerável. Comentando a tentativa de que foi alvo, afirmou que “não tenho nenhum problema pelo facto do mundo pretender julgar Israel. O que não posso aceitar é que soldados das Forças de Defesa de Israel sejam comparados a terroristas”. Recorde-se que em 2005, o general na reforma, Doron Almog, foi obrigado a regressar a Israel sem ter saído do seu avião, no aeroporto de Londres (Heathrow), devido ao facto de um aviso de amigo impediu que fosse detido devido ao seu envolvimento num dos bombardeamentos da Faixa de Gaza em que matou 14 pessoas. Recorde-se, porém, que na totalidade, os ataques aquela região resultaram em 1400 mortos (segundo os palestinianos), mas apenas 1000, estimado pelos israelitas, em que estes sofreram apenas 13 baixas mortais. E os ataques e mortes, embora esporádicos, continuam!
Embora o primeiro-ministro daquele país, Binyamin Netanyahu, tivesse classificado a acção de “absurda”, o seu embaixador em Londres, Ron Prosor, foi muito mais além. Numa atitude interpretada como antidiplomática e arrogante, exigiu que "o governo britânico tem de assumir uma firme posição contra os seus tribunais se tornarem num parque de recreio dos extremistas contra Israel.“ Esta atitude por parte de um diplomata, que beneficia de plenos direitos das suas funções, demonstra não só uma intolerável intervenção na justiça de um Estado soberano, quando, pior, parece desconhecer a longa tradição da separação entre o poder jurídico e o governo que predomina no Reino Unido..
Já é notória a arrogância de Israel. Sempre que é criticado pelas suas desmedidas acções, o que tem vindo a acontecer com frequência: há três anos no Líbano e em Dezembro de 2008 na Faixa de Gaza. E as críticas acentuam-se, particularmente agora, segundo um relatório de autoria de 16 organizações humanitárias, incluindo as prestigiosas Oxfam e Amnistia Internacional. Aponta o documento, intitulado “Falando de Gaza: não há reconstrução, não há recuperação, nem tão pouco mais desculpas” estas influentes entidades dizem que “Israel, com o seu actual bloqueio (à Faixa de Gaza, que dura desde o ataque), está a castigar toda a população ali residente pelos actos de uns poucos (Hamas).” Este castigo é mais do que evidente quando, segundo fontes fidedignas das Nações Unidas, além de Israel impedir a entrada de obras primas para a reconstrução da destruição por ele provocada, como cimento e aço, raciona produtos alimentícios e medicamentos, sem os quais a pobre e sediada população não pode sobreviver. Noutras palavras: o controlo por parte de Israel é completo! Mas que dizer ainda tanto do escândalo, recentemente admitido pelas entidades israelitas de que, durante os anos 90, aos cadáveres dos palestinianos mortos eram retirados orgãos sem a autorização ou sem que as famílias das vítimas tivessem sido informadas, como da anunciada intenção de Israel em demolir 600 habitações de palestinianos, na velha zona (árabe) de Jerusalém, para erguer prédios israelitas. Enquanto o primeiro – inaceitável e indesculpável - caso, denunciado por um jornalista sueco, e admitido pelas autoridades israelitas; no segundo, a denúncia partiu do comissário do partido presidencial Fatah, Hatem Abdul-Qader, ambos conhecidos no fim do ano.Tudo isto, brada aos céus! Até quando? Até quando? Pergunta o mundo, apoiado pelos antigos profetas Jeremias e Isaías, que há muito semelhantemente clamaram em relação ao sofrimento de Israel!
Embora o primeiro-ministro daquele país, Binyamin Netanyahu, tivesse classificado a acção de “absurda”, o seu embaixador em Londres, Ron Prosor, foi muito mais além. Numa atitude interpretada como antidiplomática e arrogante, exigiu que "o governo britânico tem de assumir uma firme posição contra os seus tribunais se tornarem num parque de recreio dos extremistas contra Israel.“ Esta atitude por parte de um diplomata, que beneficia de plenos direitos das suas funções, demonstra não só uma intolerável intervenção na justiça de um Estado soberano, quando, pior, parece desconhecer a longa tradição da separação entre o poder jurídico e o governo que predomina no Reino Unido..
Já é notória a arrogância de Israel. Sempre que é criticado pelas suas desmedidas acções, o que tem vindo a acontecer com frequência: há três anos no Líbano e em Dezembro de 2008 na Faixa de Gaza. E as críticas acentuam-se, particularmente agora, segundo um relatório de autoria de 16 organizações humanitárias, incluindo as prestigiosas Oxfam e Amnistia Internacional. Aponta o documento, intitulado “Falando de Gaza: não há reconstrução, não há recuperação, nem tão pouco mais desculpas” estas influentes entidades dizem que “Israel, com o seu actual bloqueio (à Faixa de Gaza, que dura desde o ataque), está a castigar toda a população ali residente pelos actos de uns poucos (Hamas).” Este castigo é mais do que evidente quando, segundo fontes fidedignas das Nações Unidas, além de Israel impedir a entrada de obras primas para a reconstrução da destruição por ele provocada, como cimento e aço, raciona produtos alimentícios e medicamentos, sem os quais a pobre e sediada população não pode sobreviver. Noutras palavras: o controlo por parte de Israel é completo! Mas que dizer ainda tanto do escândalo, recentemente admitido pelas entidades israelitas de que, durante os anos 90, aos cadáveres dos palestinianos mortos eram retirados orgãos sem a autorização ou sem que as famílias das vítimas tivessem sido informadas, como da anunciada intenção de Israel em demolir 600 habitações de palestinianos, na velha zona (árabe) de Jerusalém, para erguer prédios israelitas. Enquanto o primeiro – inaceitável e indesculpável - caso, denunciado por um jornalista sueco, e admitido pelas autoridades israelitas; no segundo, a denúncia partiu do comissário do partido presidencial Fatah, Hatem Abdul-Qader, ambos conhecidos no fim do ano.Tudo isto, brada aos céus! Até quando? Até quando? Pergunta o mundo, apoiado pelos antigos profetas Jeremias e Isaías, que há muito semelhantemente clamaram em relação ao sofrimento de Israel!
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O NATAL NA EUROPA
O Natal dos nossos dias, cada vez mais assediado pelos interesses comerciais, está longe – e que saudades!! - dos tempos de antanho, em que a época natalícia era aguardada, particularmente pela miudagem, com a expectativa dos tão ansiados presentes e da chegada do tão ocupado Pai Natal, recebido por inúmeros sapatinhos! O presépio, uma das tradições Portuguesas, embora ainda seguidas, é acompanhado pela agora praticamente obrigatória árvore do Natal, tradição particularmente importada da Alemanha. Um dos fascinantes livros sobre esta época festiva, que jamais li, aliás obra da amiga de longa data, e colega da BBC, Edite Vieira Phillips, intitulado Natal na Europa (*), é mais do que revelador e, portanto, particularmente recomendado. Recheado de curiosidades, mas, acima de tudo, receitas natalícias, embora pequeno, é um GRANDE livro!
Com os agradecimentos à Edite, é na sua obra que baseio a minha divagação. Nos países cristãos, as tradições, e até a data festiva, variam. Na Arménia, por exemplo, o primero país europeu a adoptar o Cristianismo, a nível oficial, o dia de Natal é celebrado a 6 de Janeiro, a data comemorada até à decisão de Roma, em 336 AD, para a actual, 25 de Dezembro. E, em relação a datas, a religiosamente ortodoxa Grécia, (agora a lutar contra a pior prenda do Natal – a sua séria situação económica!), a data de 6, mas do mês de Dezembro, dia de São Nicolau, padroeiro dos pescadores, com os barcos engalanados, é quando as comemorações natalícias começam a ser celebradas. Porém, os presentes, esses, vêm mais tarde, no dia 1 de Janeiro, em que se celebra São Basílio.
Entretanto, na Bélgica, particularmente em Liége, a data é comemorada por procissões de velas, seguidas da bênção aos animais, enquanto na vizinha Holanda, o dia grande, à semelhança da Grécia e da Arménia, é 6 de Dezembro, dia de São Nicolau, em que as crianças são contempladas com os tradicionais presentes. O mesmo, aliás, acontece na Húngria. Na nossa vizinha Espanha, a quadra natalícia começa a ser oficialmente celebrada, dois dias depois, portanto a partir do dia 8, prolongado-se até 6 de Janeiro, Dia dos Reis, o dia das oferendas. Outra tradição, esta na passagem do ano, em que se comem 12 bagos de uva, uma a uma, ao som das badaladas da meia noite, augúrio de boa sorte nos também correspondentes 12 meses que se seguem. Na Itália, pratica-se o jejum que precede o Natal, em que na isenção da carne, predomina o peixe, ou melhor, o tradicional prato de enguias fritas, na véspera. Mais a norte, na fria Europa, tanto na Finlândia, terra do Pai Natal e da sua lendária Lapland, dominada pelos elces, como na vizinha Suécia, o Natal chega também cedo, com iníco a 13 de Dezembro, dia de Santa Lúcia, prolongado-se até ao Dia de Reis. Porém, aqui, um curioso pormenor, em preparação a tão festiva data, a população preocupa-se na cuidadosa limpeza das suas casas, em que, igualmente, os vizinhos lituânios seguem com toda a religiosidade, celebrando particularmente a consoada, no dia 24, com um jantar em homenagem aos Apóstolos, portanto com 12 pratos diferentes, mas sem carne. Enquanto isso, seguindo a boa e tradicional limpeza dos lares, como se vê, preocupação dos escandinavos, os noruegueses, ocupam-se, igualmente, na confecção da cerveja caseira, baseada numa receita antiga. Porém, na Inglaterra, o Natal, comemorado em todo o país com o engalanamento dos templos, a época é festivamente celebrada: nas ruas com cânticos e hinos, particularmente em Londres, junto à enorme árvore de Natal, na Praça de Trafalgar, tradicional dádiva da cidade de Oslo; nos lares, a reunião da família, em que, independentemente da distância, se reune nesta época do ano, à volta da mesa dominada pelo perú recheado, pelos bolinhos, decorações e tradicionais bombinhas.
FELIZ NATAL CAROS LEITORES E SUAS FAMÍLIAS
(*) Edição Feitoria dos Livros ´
Com os agradecimentos à Edite, é na sua obra que baseio a minha divagação. Nos países cristãos, as tradições, e até a data festiva, variam. Na Arménia, por exemplo, o primero país europeu a adoptar o Cristianismo, a nível oficial, o dia de Natal é celebrado a 6 de Janeiro, a data comemorada até à decisão de Roma, em 336 AD, para a actual, 25 de Dezembro. E, em relação a datas, a religiosamente ortodoxa Grécia, (agora a lutar contra a pior prenda do Natal – a sua séria situação económica!), a data de 6, mas do mês de Dezembro, dia de São Nicolau, padroeiro dos pescadores, com os barcos engalanados, é quando as comemorações natalícias começam a ser celebradas. Porém, os presentes, esses, vêm mais tarde, no dia 1 de Janeiro, em que se celebra São Basílio.
Entretanto, na Bélgica, particularmente em Liége, a data é comemorada por procissões de velas, seguidas da bênção aos animais, enquanto na vizinha Holanda, o dia grande, à semelhança da Grécia e da Arménia, é 6 de Dezembro, dia de São Nicolau, em que as crianças são contempladas com os tradicionais presentes. O mesmo, aliás, acontece na Húngria. Na nossa vizinha Espanha, a quadra natalícia começa a ser oficialmente celebrada, dois dias depois, portanto a partir do dia 8, prolongado-se até 6 de Janeiro, Dia dos Reis, o dia das oferendas. Outra tradição, esta na passagem do ano, em que se comem 12 bagos de uva, uma a uma, ao som das badaladas da meia noite, augúrio de boa sorte nos também correspondentes 12 meses que se seguem. Na Itália, pratica-se o jejum que precede o Natal, em que na isenção da carne, predomina o peixe, ou melhor, o tradicional prato de enguias fritas, na véspera. Mais a norte, na fria Europa, tanto na Finlândia, terra do Pai Natal e da sua lendária Lapland, dominada pelos elces, como na vizinha Suécia, o Natal chega também cedo, com iníco a 13 de Dezembro, dia de Santa Lúcia, prolongado-se até ao Dia de Reis. Porém, aqui, um curioso pormenor, em preparação a tão festiva data, a população preocupa-se na cuidadosa limpeza das suas casas, em que, igualmente, os vizinhos lituânios seguem com toda a religiosidade, celebrando particularmente a consoada, no dia 24, com um jantar em homenagem aos Apóstolos, portanto com 12 pratos diferentes, mas sem carne. Enquanto isso, seguindo a boa e tradicional limpeza dos lares, como se vê, preocupação dos escandinavos, os noruegueses, ocupam-se, igualmente, na confecção da cerveja caseira, baseada numa receita antiga. Porém, na Inglaterra, o Natal, comemorado em todo o país com o engalanamento dos templos, a época é festivamente celebrada: nas ruas com cânticos e hinos, particularmente em Londres, junto à enorme árvore de Natal, na Praça de Trafalgar, tradicional dádiva da cidade de Oslo; nos lares, a reunião da família, em que, independentemente da distância, se reune nesta época do ano, à volta da mesa dominada pelo perú recheado, pelos bolinhos, decorações e tradicionais bombinhas.
FELIZ NATAL CAROS LEITORES E SUAS FAMÍLIAS
(*) Edição Feitoria dos Livros ´
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
COPENHAGA - HEROIS E VILÕES
Como se antecipava, foi adiado o Acordo Vinculativo em troca de um político., apenas designado por Acordo de Copenhaga. Herois? Se os houve, entre os 197 delegados, quem, apontado como tal, principalmente pelo matutino britânico The Independent, foi o primeiro-ministro Gordon Brown. Salienta este periódico que embora ele não tenha conseguido selar o acordo, “evitou a catástrofe” de um possível fracasso. E esclarece que “trabalhando esforçadamente (nos dois dias que antecipou a chegada dos restantes dirigentes), “por vezes desde manhã cedo até às 3 da manhã do dia seguinte, tentando obter um acordo, foi um verdadeiro engenheiro-construtor de pontes e particularmente aceite entre os dirigentes africanos pelo seu historial no perdão da dívida aos países pobres e artífice da crise financeira”. Além disso, acrescenta o The Independent, a ele igualmente se deve a iniciativa, considerava então ambiciosa, do fundo de 100 biliões de dólares/ano para compensar os países pobres.
Efectivamente, tanto ao primeiro-ministro britânico, bem como a sua bem estruturada equipa, chefiada pelo igualmente incansável ministro da energia, Ed Milliband, deve ser outorgado enorme mérito pelo gorado sucesso de Copenhaga. Porém, quem manifestou idêntico espírito combativo, embora numa visita-relâmpago, mas de tempo prolongado, foi o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), o recém laureado Nobel, Barack Obama, que, convocando os dirigentes dos, como ele, representantes dos principais países poluidores, China e Índia (incluindo os da África do Sul e do Brasil), salvou a Conferência, com o que por ele foi classificado de “significativa concretização sem precedentes”, mas reconhecida insuficiente para combater os problemas ao combate do Aquecimento Global. E, tal como o secretário-geral das Ñações Unidas se referiiria no encerramento, embora não o resultado ideal, “o príncipio de um acordo”. Quem é apontado como vilão é o dirigente chinês, Hu Jintao, que resistiu ao máximo a qualquer tentativa de acordo vinculativo, sob o pretexto de que prejudicaria o desenvolvimento do seu país.
Este resultado, baseado em promessas, portanto não vinculativo, principalmente nas taxas máximas de emissão de carbono CO2, evidentemente não pode satisfazer, pelo que, não surpreende ser classificado como desapontador. Porém, dirigentes de países afectados, como as Maldivas, o Presidente, Mohamed Nasheed, entrevistado pela BBC-Televisão, considerou-se satisfeito. Satisfeito, igualmente, é o raporteur do Conselho Europeu e antigo vice.primeiro-ministro e ministro do ambiente, John Prescott, que afirmou, também à BBC-TV, que o pior inimigo foi a elevada expectativa. E esclareceu que, enquanto em Quioto estiveram presentes apenas 90 representantes, em Copenhaga compareceram 197, dentre os quais chefes de estado e primeiros-ministros. Além disso, enquanto Quioto serviu de plataforma, Copenhaga foi mais além, tanto em termos de debate sobre as verdadeiras questões como de veredas e pontes a construír, cujos pilares serão definidos daqui a seis meses, na conferência da União Europeia, mencionada pelo Presidente Sarkozy, da França, e, finalizadas no fim do próximo ano, no México.
Efectivamente, tanto ao primeiro-ministro britânico, bem como a sua bem estruturada equipa, chefiada pelo igualmente incansável ministro da energia, Ed Milliband, deve ser outorgado enorme mérito pelo gorado sucesso de Copenhaga. Porém, quem manifestou idêntico espírito combativo, embora numa visita-relâmpago, mas de tempo prolongado, foi o Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), o recém laureado Nobel, Barack Obama, que, convocando os dirigentes dos, como ele, representantes dos principais países poluidores, China e Índia (incluindo os da África do Sul e do Brasil), salvou a Conferência, com o que por ele foi classificado de “significativa concretização sem precedentes”, mas reconhecida insuficiente para combater os problemas ao combate do Aquecimento Global. E, tal como o secretário-geral das Ñações Unidas se referiiria no encerramento, embora não o resultado ideal, “o príncipio de um acordo”. Quem é apontado como vilão é o dirigente chinês, Hu Jintao, que resistiu ao máximo a qualquer tentativa de acordo vinculativo, sob o pretexto de que prejudicaria o desenvolvimento do seu país.
Este resultado, baseado em promessas, portanto não vinculativo, principalmente nas taxas máximas de emissão de carbono CO2, evidentemente não pode satisfazer, pelo que, não surpreende ser classificado como desapontador. Porém, dirigentes de países afectados, como as Maldivas, o Presidente, Mohamed Nasheed, entrevistado pela BBC-Televisão, considerou-se satisfeito. Satisfeito, igualmente, é o raporteur do Conselho Europeu e antigo vice.primeiro-ministro e ministro do ambiente, John Prescott, que afirmou, também à BBC-TV, que o pior inimigo foi a elevada expectativa. E esclareceu que, enquanto em Quioto estiveram presentes apenas 90 representantes, em Copenhaga compareceram 197, dentre os quais chefes de estado e primeiros-ministros. Além disso, enquanto Quioto serviu de plataforma, Copenhaga foi mais além, tanto em termos de debate sobre as verdadeiras questões como de veredas e pontes a construír, cujos pilares serão definidos daqui a seis meses, na conferência da União Europeia, mencionada pelo Presidente Sarkozy, da França, e, finalizadas no fim do próximo ano, no México.
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Aquecimento Global- Cimeira de Copenhaga
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Embora tenham sido grandes as expectativas sobre os resultados finais da Conferência de Copenhaga, de 7 a 15 deste mês, em relação a um novo tratado, que substitua o de Quioto, sobre os problemas do Aquecimento Global, e que termina em 2012, à medida em que se aproxima, prevalece o realismo imposto pelas enormes dificuldades do desejável e urgente acordo, ao ponto de, a fim de se evitar um MAU ACORDO, como a ausência de firmes garantias sobre taxas globais, mínimas e máximas de dióxido de carbono (CO2), como ficou decidido na Conferência Asiática, realizada em Singapura, a 14 de Novembro, fala-se da possibilidade de adiamento por um ano. Obviamente, as atenções – e dificuldades - concentram-se em três dos maiores poluidores mundiais: Estados Unidos da América (EUA), China e Índia. O objectivo – e enorme desafio de Copenhaga– é acordar-se em compromissos vinculativos, primeiro em taxas de redução de dióxido carbono CO2, segundo em datas-limite e, terceiro, honestidade no cumprimento e observância do Acordo. Como se sabe, os problemas são anormes. O Reino Unido, é um dos países que comanda a necessidade de um acordo fiável e transparente. Por isso, dá o exemplo e compromete-se que até ao ano 2020 reduzirá 1/3 das emissões e até 2050 80%.
Em relação aos EUA, embora a boa-vontade e determinação do Presidente Barack Obama, em reparar o lamentável curso do seu antecessor, nesta importante matéria, seja, por enquanto, entravada por um Congresso renitente e lento em corresponder-lhe, particularmente devido aos interesses individuais dos Estados representados pelos seus membros, alguns dos quais, dependentes de indústrias altamente poluentes, que resistem à desejada mudança, por outro, está a compreensível renitência por parte dos países em vias de desenvolvimento, nomeadamente a China, a Índia e o Brasil, que insistem não dever travar o seu desenvolvimento. Por outro, porque é imprescindível apresentar compensações, que orçam em cerca 100 biliões de dólares por ano, aos países que subscrevam as requeridas e aprovadas taxas, até ao ano de 2020, como foi debatido na última Cimeira de Bruxelas, em 30 de Outubro passado, na corrente contenção económica é um fardo pouco encorajador. Outro fardo, foi apontado pelo Banco Mundial em relação à contenção das cheias. Segundo aquela organização, o apoio aos países subdesenvolvidos mais vulneráveis, como o Bangladesh e as Malvinas, o custo previsto é entre 80 e 120 biliões de euros.
A contrastar com a incerteza da adopção das medidas ideais, predominam as realidades globais, como aponta a recente edição, da Oxford University Press, Economia e Política da Alteração Climática (The Economics and Politics of Climte Change). Baseada nas mais recentes investigações pelos cientistas mais notáveis da matéria, salienta que “Enquanto a ciência sobre alterações climatéricas, e a evidência empírica aumentam, a consequente resposta em termos de políticas de contenção até agora pouco impacto tiveram no aumento das emissões. A concentração de 400 partes por milhão (ppm), de dióxido de carbono, equivalente a CO2, será brevemente atingida (o nível da pré Rveolução Industrial ituava-se em 273ppm)”. (Cap. 2, pág. 9).
Neste indesejável cenário, e, em termos práticos, temos as tempestades tanto nas Filipinas como nas ilhas de Samoa, bem como noutras ilhas do Pacífico, nomeadamente as Maldivas, cujo Presidente, Mohamed Nasheed, a tomar ousadas providências de deslocação total a fim de evitar que a população do seu país (arquipélago de 1,192 pequenas ilhas), seja engolfada pelo crescente nível das águas do Oceano Indico, como é ainda o caso do Bangladesh. As Ilhas Marshall, também no Pacífico, são outro exemplo de constantes inundações como a revista francesa Paris-Match recentemente anunciou e ilustrou. Entretanto, com as calotas milenares do Árctico e do Antárctico a derreterem-se, o que acontece pela primeira vez, aumenta o volume de água e, portanto, a subida do nível oceânico, como é também o caso de Moçambique (vide notícia do Diário Económico de 4 p.passado, em que se noticia a subida das águas do mar numa costa de 2.700 km. Além das inevitáveis cheias, com o volume de águas geladas, ameaça as correntes temperadas do Norte do Atlântico, como o Golfo do México (Gulf Stream) e, consequentemente, alterações climatéricas, particularmente no Hemisfério Norte. A contrastar, regiões como o Estado da Califórnia e a enorme bacia Murray-Darling, no sul da Austrália, bem como vastas regiões da África, como a Etiópia e o Quénia, ou ainda a extensa região agrícola do Estado de Maharashtra (sul da Índia), só para mencionarmos os principais, sofrem de enorme escassês de água, com consequente prejuízo para a agricultura e a inevitável deslocação de populações famintas. Estes, os contrastes resultante do Aquecimento Global, também conhecido por Aquecimento de Estufa.
Actualmente o nível do mar tem subido a uma média de três milímetros por ano. Os estudos do Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas (IPPC) da ONU, - entidade responsável pelas observações climáticas do mundo inteiro - prevêem um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros até 2100, não tendo em conta o comportamento futuro das calotas polares (bases permanentemente geladas) da Antárctida e da Gronelândia. Obviamente um dos problemas considerados foi o aumento da temperatura. Salienta o estudo que durante o último século aumentou 0.6º. Além disso, até 2100, e na pior das hipóteses, atingirá cerca de mais de 6 graus que a temperatura actual, o que significa, como apontaram recentemente os cientistas americanos do Instituto de Oceanografia Scripps, na Califórnia, publicado no dia 17 de Novembro de 2008, na Nature Geoscience. Com base no artigo em epígrafe, enquanto anteriormente evidência sobre as alterações das temperaturas tanto no Árctico como no Antárctico não podiam ser directamente atribuídas à influência humana, estes cientistas concluíram que “os nossos resultados demonstram que a actividade humana provocou já influência significativa no aquecimento de ambas as regiões polares, com particular impacto na biologia, comunidades indígenas, calotas polares, bem como nos níveis globais.” Neste artigo, estes cientistas apontam e confirmam, os já acima citados estudos do IPPC, ou seja até 2100, prevê-se um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros. No caso do nosso país, como apontou recentemente ao Jornal de Notícias, o Director do Instituto de Meteorologia Nacional, Dr. Adérito Serrão, as temperaturas médias no nosso país, têm aumentado significativamente desde 1930 – 1,2º . Adianta, contudo, que até ao fim do século poderão agravar-se para 8,6º!
Esta, a evidência e inevitabilidade, que os 730 delegados (entre os quais 50 chefes de Estado), de cerca de 200 países, que se encontram reunidos no Centro Bella, em Copenhague.
Em toda esta incerteza e compromissos altamente insatisfatórios, talvez que, como afirmou James Hansen, um dos mais eminentes estudiosos do clima e o homem que alertou para os perigos das alterações climáticas muito anos antes de Al Gore abrir os olhos ao mundo com o seu documentário “Uma Verdade Inconveniente”, ao falar ao “The Guardian” nas vésperas da cimeira de Copenhaga, diz que é preferível que a cimeira redunde em fracasso, dado que o ponto de partida é profundamente defeituoso. Mais valia começar tudo do zero, argumenta.
Em relação aos EUA, embora a boa-vontade e determinação do Presidente Barack Obama, em reparar o lamentável curso do seu antecessor, nesta importante matéria, seja, por enquanto, entravada por um Congresso renitente e lento em corresponder-lhe, particularmente devido aos interesses individuais dos Estados representados pelos seus membros, alguns dos quais, dependentes de indústrias altamente poluentes, que resistem à desejada mudança, por outro, está a compreensível renitência por parte dos países em vias de desenvolvimento, nomeadamente a China, a Índia e o Brasil, que insistem não dever travar o seu desenvolvimento. Por outro, porque é imprescindível apresentar compensações, que orçam em cerca 100 biliões de dólares por ano, aos países que subscrevam as requeridas e aprovadas taxas, até ao ano de 2020, como foi debatido na última Cimeira de Bruxelas, em 30 de Outubro passado, na corrente contenção económica é um fardo pouco encorajador. Outro fardo, foi apontado pelo Banco Mundial em relação à contenção das cheias. Segundo aquela organização, o apoio aos países subdesenvolvidos mais vulneráveis, como o Bangladesh e as Malvinas, o custo previsto é entre 80 e 120 biliões de euros.
A contrastar com a incerteza da adopção das medidas ideais, predominam as realidades globais, como aponta a recente edição, da Oxford University Press, Economia e Política da Alteração Climática (The Economics and Politics of Climte Change). Baseada nas mais recentes investigações pelos cientistas mais notáveis da matéria, salienta que “Enquanto a ciência sobre alterações climatéricas, e a evidência empírica aumentam, a consequente resposta em termos de políticas de contenção até agora pouco impacto tiveram no aumento das emissões. A concentração de 400 partes por milhão (ppm), de dióxido de carbono, equivalente a CO2, será brevemente atingida (o nível da pré Rveolução Industrial ituava-se em 273ppm)”. (Cap. 2, pág. 9).
Neste indesejável cenário, e, em termos práticos, temos as tempestades tanto nas Filipinas como nas ilhas de Samoa, bem como noutras ilhas do Pacífico, nomeadamente as Maldivas, cujo Presidente, Mohamed Nasheed, a tomar ousadas providências de deslocação total a fim de evitar que a população do seu país (arquipélago de 1,192 pequenas ilhas), seja engolfada pelo crescente nível das águas do Oceano Indico, como é ainda o caso do Bangladesh. As Ilhas Marshall, também no Pacífico, são outro exemplo de constantes inundações como a revista francesa Paris-Match recentemente anunciou e ilustrou. Entretanto, com as calotas milenares do Árctico e do Antárctico a derreterem-se, o que acontece pela primeira vez, aumenta o volume de água e, portanto, a subida do nível oceânico, como é também o caso de Moçambique (vide notícia do Diário Económico de 4 p.passado, em que se noticia a subida das águas do mar numa costa de 2.700 km. Além das inevitáveis cheias, com o volume de águas geladas, ameaça as correntes temperadas do Norte do Atlântico, como o Golfo do México (Gulf Stream) e, consequentemente, alterações climatéricas, particularmente no Hemisfério Norte. A contrastar, regiões como o Estado da Califórnia e a enorme bacia Murray-Darling, no sul da Austrália, bem como vastas regiões da África, como a Etiópia e o Quénia, ou ainda a extensa região agrícola do Estado de Maharashtra (sul da Índia), só para mencionarmos os principais, sofrem de enorme escassês de água, com consequente prejuízo para a agricultura e a inevitável deslocação de populações famintas. Estes, os contrastes resultante do Aquecimento Global, também conhecido por Aquecimento de Estufa.
Actualmente o nível do mar tem subido a uma média de três milímetros por ano. Os estudos do Painel Intergovernamental de Alterações Climáticas (IPPC) da ONU, - entidade responsável pelas observações climáticas do mundo inteiro - prevêem um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros até 2100, não tendo em conta o comportamento futuro das calotas polares (bases permanentemente geladas) da Antárctida e da Gronelândia. Obviamente um dos problemas considerados foi o aumento da temperatura. Salienta o estudo que durante o último século aumentou 0.6º. Além disso, até 2100, e na pior das hipóteses, atingirá cerca de mais de 6 graus que a temperatura actual, o que significa, como apontaram recentemente os cientistas americanos do Instituto de Oceanografia Scripps, na Califórnia, publicado no dia 17 de Novembro de 2008, na Nature Geoscience. Com base no artigo em epígrafe, enquanto anteriormente evidência sobre as alterações das temperaturas tanto no Árctico como no Antárctico não podiam ser directamente atribuídas à influência humana, estes cientistas concluíram que “os nossos resultados demonstram que a actividade humana provocou já influência significativa no aquecimento de ambas as regiões polares, com particular impacto na biologia, comunidades indígenas, calotas polares, bem como nos níveis globais.” Neste artigo, estes cientistas apontam e confirmam, os já acima citados estudos do IPPC, ou seja até 2100, prevê-se um aumento do nível do mar de 18 a 59 centímetros. No caso do nosso país, como apontou recentemente ao Jornal de Notícias, o Director do Instituto de Meteorologia Nacional, Dr. Adérito Serrão, as temperaturas médias no nosso país, têm aumentado significativamente desde 1930 – 1,2º . Adianta, contudo, que até ao fim do século poderão agravar-se para 8,6º!
Esta, a evidência e inevitabilidade, que os 730 delegados (entre os quais 50 chefes de Estado), de cerca de 200 países, que se encontram reunidos no Centro Bella, em Copenhague.
Em toda esta incerteza e compromissos altamente insatisfatórios, talvez que, como afirmou James Hansen, um dos mais eminentes estudiosos do clima e o homem que alertou para os perigos das alterações climáticas muito anos antes de Al Gore abrir os olhos ao mundo com o seu documentário “Uma Verdade Inconveniente”, ao falar ao “The Guardian” nas vésperas da cimeira de Copenhaga, diz que é preferível que a cimeira redunde em fracasso, dado que o ponto de partida é profundamente defeituoso. Mais valia começar tudo do zero, argumenta.
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Aquecimento Global- Cimeira de Copenhaga
terça-feira, 17 de novembro de 2009
O Culto dos Animais no Antigo Egipto
Quem, como o autor, tem tido a ventura de dispender inúmeras horas nessa Catedral da Cultura como é o Museu Britânico, jamais se cansa! Por isso, e sempre que possível, não páro de a visitar. Fascinado pela história do Egipto antigo, aos enormes e replectos salões daquela civilização, fui “morador” daquela secção, durante duas escassas semanas! No estudo que ali efectuei, há cerca de 15 anos, o tema foi a mumificação e a prática fúnebre dos faraós e do seu povo. Porém, ao pretender inculcar semelhante conhecimento, e ao visitar a secção com a minha neta mais velha, Rebecca, fiquei desiludido pela sua relutância em interessar-se em múmias e morte!
A arte fúnebre do antigo Egipto tem muito para revelar, não apenas sobre os seres humanos, mas também sobre os animais.
O maior achado, foi feito por um camponês, em 1888, quando cavava junto à aldeia de Istabl Antar (margem oriental do Nilo, entre o Vale dos Reis e o Delta). Aturdido, deparou não com uma enorme vala comum de ossadas ou múmias humanas, mas pilhas e pilhas – milhares!! - de gatos embalsamados. Como se pode depreender por este achado, os egípcios antigos, tinham grande amor pelos seus “pets”, além, claro, de adorar muitos outros animais, como veremos adiante. O pior, foi a falta de sensibilidade demonstrada pelos seus sucessores, que, descaradamente, despacharam, enchendo navios, com semelhante acaso para fertilizar os campos britânicos.
Nessa era de há 5,000 anos atrás, as famílias abastadas eram conhecidas pelo tipo de animais de estimação que possuíam. E, como a Eternidade era para eles uma certeza, tal como o embalsamento dos seus corpos, ao ressuscitarem, contavam ver também os seus queridos “pets”. Outros, até, tinham a preocupação de se fazer acompanhar de mantimentos, nomeadamente a melhor carne, suculentos patos, gansos e pombos, bem preservados em sal, secos e cuidadosamente embalados em panos de linho, para a longa jornada! Comenta uma cientista egípcia, que “embora iguarias nem sempre à mesa, quando em vida, o importante é não faltarem na eternidade”!
A tradição conheceu particular ênfase em 2950 AC, em que os soberanos da 1ª Dinastia eram sepultados, em Abidos (sul de Istbar Antar), acompanhados de cães, leões e burros. Mas a venerada cidade de Mêmfis, perto do Cairo, capital durante a maior parte do Reino Antigo, ocupando a superfície de cerca de 40 km e, com a população de 250.000 pessoas, foi notável pelo número de mausuleus dedicados a animais considerados sagrados. O mais notável era o do touro Apis, um dos mais venerados da época.
Símbolo de poder e virilidade, o Apis era um animal muito ligado ao poderio real. Parte animal, parte deus, foi distinguido para veneração devido às suas características sui generis: triângulo branco na testa, padrões esbranquiçados na forma de asas nas homoplatas e nas ancas, silhueta de um escaravelho na língua e pelo duplo na extremidade da cauda. Em vida, este animal gozava de especial residência num pomposo santuário, aos cuidados de atentos e solícitos sacerdotes, adornado de ouro e jóias e adorado por multidões de fiéis. Ao morrer, cria-se que a sua essência divina passava para outro touro, dando início à procura de um novo sucessor. Depois de mumificado, era transportado para o templo e colocado numa cama de esmerado trivertino. A mumificação levava pelo menos 70 dias: 40 para a secagem completa da humidade do corpo e 30 para a colocação das ligaduras.
No dia do funeral, dia de luto nacional, os residentes, desfilando ao longo do trajecto, clamavam e choravam até ao mausoleu, agora descoberto em Serapeum, no nocrotério do deserto de Saqquara, nas proximidades de Memfis.
Animais diferentes eram adorados nos seus locais de culto. Touros em Armant e Heliopolis, peixes em Esna, carneiros, na Ilha dos Elefantes e crocodilos em Kom Ombo (todos no extremo sul do Reino). Segundo egiptólogos, o hábito da adoração dos animais surgiu no início da Civilização Egípcia, graças às chuvas intensas desse período, abundância e posperidade a preservar pelos deuses, o que não sucede actualmente. Compreende-se porque nessas épocas remotas, no verdejante dos campos proliferavam e pastavam os animais que a população associou a diversos deuses.
A arte fúnebre do antigo Egipto tem muito para revelar, não apenas sobre os seres humanos, mas também sobre os animais.
O maior achado, foi feito por um camponês, em 1888, quando cavava junto à aldeia de Istabl Antar (margem oriental do Nilo, entre o Vale dos Reis e o Delta). Aturdido, deparou não com uma enorme vala comum de ossadas ou múmias humanas, mas pilhas e pilhas – milhares!! - de gatos embalsamados. Como se pode depreender por este achado, os egípcios antigos, tinham grande amor pelos seus “pets”, além, claro, de adorar muitos outros animais, como veremos adiante. O pior, foi a falta de sensibilidade demonstrada pelos seus sucessores, que, descaradamente, despacharam, enchendo navios, com semelhante acaso para fertilizar os campos britânicos.
Nessa era de há 5,000 anos atrás, as famílias abastadas eram conhecidas pelo tipo de animais de estimação que possuíam. E, como a Eternidade era para eles uma certeza, tal como o embalsamento dos seus corpos, ao ressuscitarem, contavam ver também os seus queridos “pets”. Outros, até, tinham a preocupação de se fazer acompanhar de mantimentos, nomeadamente a melhor carne, suculentos patos, gansos e pombos, bem preservados em sal, secos e cuidadosamente embalados em panos de linho, para a longa jornada! Comenta uma cientista egípcia, que “embora iguarias nem sempre à mesa, quando em vida, o importante é não faltarem na eternidade”!
A tradição conheceu particular ênfase em 2950 AC, em que os soberanos da 1ª Dinastia eram sepultados, em Abidos (sul de Istbar Antar), acompanhados de cães, leões e burros. Mas a venerada cidade de Mêmfis, perto do Cairo, capital durante a maior parte do Reino Antigo, ocupando a superfície de cerca de 40 km e, com a população de 250.000 pessoas, foi notável pelo número de mausuleus dedicados a animais considerados sagrados. O mais notável era o do touro Apis, um dos mais venerados da época.
Símbolo de poder e virilidade, o Apis era um animal muito ligado ao poderio real. Parte animal, parte deus, foi distinguido para veneração devido às suas características sui generis: triângulo branco na testa, padrões esbranquiçados na forma de asas nas homoplatas e nas ancas, silhueta de um escaravelho na língua e pelo duplo na extremidade da cauda. Em vida, este animal gozava de especial residência num pomposo santuário, aos cuidados de atentos e solícitos sacerdotes, adornado de ouro e jóias e adorado por multidões de fiéis. Ao morrer, cria-se que a sua essência divina passava para outro touro, dando início à procura de um novo sucessor. Depois de mumificado, era transportado para o templo e colocado numa cama de esmerado trivertino. A mumificação levava pelo menos 70 dias: 40 para a secagem completa da humidade do corpo e 30 para a colocação das ligaduras.
No dia do funeral, dia de luto nacional, os residentes, desfilando ao longo do trajecto, clamavam e choravam até ao mausoleu, agora descoberto em Serapeum, no nocrotério do deserto de Saqquara, nas proximidades de Memfis.
Animais diferentes eram adorados nos seus locais de culto. Touros em Armant e Heliopolis, peixes em Esna, carneiros, na Ilha dos Elefantes e crocodilos em Kom Ombo (todos no extremo sul do Reino). Segundo egiptólogos, o hábito da adoração dos animais surgiu no início da Civilização Egípcia, graças às chuvas intensas desse período, abundância e posperidade a preservar pelos deuses, o que não sucede actualmente. Compreende-se porque nessas épocas remotas, no verdejante dos campos proliferavam e pastavam os animais que a população associou a diversos deuses.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
A Tragédia de Samoa
Sábado, 3 de Outubro de 2009
Contrastes do vasto Oceano Pacífico (Sul) – as ilhas de Anuca e da Páscoa
Com a tragédia da Samoa nas parangonas internacionais e cujo rescaldo, pelo menos em número de vidas ainda por averiguar, debrucemo-nos no Pacífico. O Oceano Pacífico, um dos mais vastos e profundos mares do Sistema Terrestre, é semeado por 22.000 ilhas que se caracterizam pelo seu invulgar beleza, mas enorme isolamento. O contraste entre elas não podia ser maior. Concentremo-nos, apenas em duas – a minúscula Anuta (parte do arquipélago-estado das Ilhas de Salomão), e o vasto arquipélago conhecido por Ilha da Páscoa.
A primeira, caracterizada pela comunidade e unidade dos seus escassos 250 habitantes, numa superfície de apenas 400 metros de largura, praticamente circular, dominada pela colina Maunga Hill, de 65 metros de altura, no norte da ilha. Situada no sudeste do arquipélago e a cerca de 450 km leste da ilha de Santa Cruz, a vizinha ilha fica a cerca de 130km.
Os seus habitantes, praticamente descendentes, da mesma raíz e etnia polinésia (a contrastar com os conterrâneos das Ilhas de Salomão, que são melanésios), formam a família ideal e até única no mundo inteiro. Tanto a escassa superfície como, mas muito principalmente, os reduzidos recursos, constituem a razão principal da sua unidade e existência. Cultivando os seus páteos com esmero e o exíguo espaço com diligência em agricultura rotativa, responsabilidade de cada família, não só para sustento próprio, como para a comunidade em geral, dependem dos escassos frutos e raízes, nomeadamente taro, fruto raro e delicado encontrado só na ilha, bananas, papaia e mandioca, bem como, mas muito principalmente, da abundante pesca. Porém, e graças à abundância de coco, dele depende como bebida e, da fibra, preparam refeições, enquanto a casca serve de copos e as folhas de telhas e também para a confecção de cestos. Afectados por tempestades constantes, nomeadamente ciclones como o Zoe, que assolou a ilha em 2003 e destruíu praticamente toda a produçã, compreende-se a filosofia predominante que é o partilhar dos haveres pessoais, acto chamado Aropa, símbolo de preocupação e compaixão por todos e cada um.
O primeiro registo desta notável ilha remonta a 1791 e, os primeiros missionários anglicanos, chegaram em 1916. Desde então, a igreja desempenha papel importante na vida e bem-estar de Anuta, com serviços religiosos duas vezes por dia. É esta dependência e simbiose que faz com que a igreja seja a verdadeira protectora, com a invulgar responsabilidade de proteger os seus habitantes de epidemias, secas e até desastres naturais! Mas não obstante a influência cristã, que substituíu o papel dos chefes tribais, a tradição desempenha papel importante na população, que não desconta a influência dos seus chefes como líderes espirituais, de quem também depende o futuro do seu povo. Futuro, ainda arraigado em tabus e rituais, como a cabeça, que é considerada sagrada e os pés tidos como profanos. Não surpreende que quando visitam o chefe, na sua cabana, rastejam e não se põem de pé, pois caso ultrapassem a sua altura, é considerado como mau presságio. E, como acto fraternal, em vez de um beijo ou abraço, esfregam nariz com nariz, também uma saudação típica entre os polinésios, a cuja raça pertencem. Mas para o chefe o tratamento é diferente: o nariz é dirigido ao seu joelho!
Embora desde então visitada ocasionalmente por embarcações, o único e garantido contacto com o mundo exterior é o barco cargueiro proveniente de Honiara, capital do país. Mas devido às constantes intempéries que afectam a região, a regularidade destas visitas não existe.
Peritos no comportamento das marés, os pescadores são detentores de únicas técnicas de pesca para a qual construem e usam embarcações características, aliás fruto de séculos. Dependendo principalmente das estrelas, colocando a proa das embarcações em direcção de uma sucessão estelar, na rara falta delas, orientam-se também pelas núvens e pea direcção das ondas. Os pescaderes são os únicos que ganham dinheiro e o seu principal objectivo é a apanha de tubarões cujas abanas secam para consumo e vendem a carne ou às embarcações que ali arribam ou nas viagens que fazem para a capital, Honiara. Outros, ampliam os seus rendimentos, trabalhando temporariamente na capital.
ILHA DA PÁSCOA
A contrastar tanto ao tamanho, características, mas especialmente a história da ilha de Anuta, está a Ilha da Páscoa, ou Rapa Nui. Igualmente situada e sudeste do Oceano Pacífico, mas no chamado Triângulo Polinésio, esta remota ilha, de origem e geologia vulcânica é território especial do Chile, caracterizada pelas enormes estátuas megalíticas, chamadas muai, é catalogada pela ONU como Património Mundial. Com a superfície de 163,6 km2 e a população de 3791 pessoas, tem como capital Hanga Roa. Situada a 3516 km do Chile, é actualmente uma das mais isoladas ilhas habitadas. A sua história, porém, é de destruição e extirpação dos seus habitantes, que devido a rivalidades, se auto-destruíram.
Nome atribuído pelo seu descobridor, o holandês Jacob Roggeveen, quano ali abordou no Domingo de Páscoa de 1722. O nome actual polinésio de Rapa Nui, ou Rapa Grande, reflecte a preferência dos nativos primitivos, aliás confirmado pelo navegador sueco Thor Ayerdahl
A história da Ilha da Páscoa é rica e controversa, como misteriosa. Os seus habitantes primitivos enfrentaram fomes, epidemias, guerra cívil, assaltos de escravatura e colonialismo. E, a culmatar, a derrocada de ecosistema, principamente devido à deforestação.
A data dos primeiros habitantes, semelhante à das ilhas do Hawai, remonta a 300-400. Mas há discordâncias, pelo que segundo alguns historiadores, a data inicial pode situar-se a 700-800. Populada por etnia polinésia, que para ali aportou em canoas, proveniente das ilhas Marquise, a cerca de 3200km de distância, ou possivelmente das ilhas Tuamotou ou ainda de Pitcairn, a respectivamente 2600 e 2000km de distância. A provar esta hipótese, em 1999 foi feita uma reconstituição de barcos polinésios primitivos entre a Ilha de Páscoa e a de Mangareva, em 17 dias.
Segundo a lenda, registada por missionários nos anos 1860, a ilha era originalmente dominada por um sistema distinto de classe, com um ariki, ou rei, com poder absoluto, desde que os lendários Hotu Matua, inicialmente aportaram à ilha, como é evidente nas enormes e massiças estátuas erguidas e espalhadas pelo litoral, conhecidas por moai, como prova da sua crença, cultura homogénica e sistema de governo. Por razões desconhecidas, de um golpe militar, denominado matatoa, resultou um novo culto baseado no deus excepcional Makemake. A este culto, e particularmemte ao seu sacerdote Tangata Manu, é atribuída a miséria que assolou a ilha no final do século XIII e início do XIX, com a predominância da quebra do ecosistema, danificando as culturas resultando numa fome gradual que provocou doenças e a morte.
Segundo narrativas de 1722 e 1770, as estátuas – 877 na totalidade - eram a única evidência da existência daquela civilização, mas aquando da visita do Capitão Cook, em 1774, muitas delas estavam caídas, resultante das guerras intestinas, particularmente em 1830. Em 1838, a única ainda em pé, encontrava-se nas esfaldas de Rano Raraku e Hoa Hakananaiºa, em Orongo.
Uma série sucessiva de acontecimentos matou e removeu quase toda a população da Ilha, em 1860. A começar por piratas peruvianos, em Dezembro de 1862, com o objectivo de captar pessoas como escravos, estes actos continuaram durante vários meses capturando e matando cerca de 1500 homens e mulheres, cerca de metade da população. Porém, escasso número conseguiu regressar, mas devido a um ataque de varíola, que resultou numa epidemia, deu-se a devastação final da população em que algumas pessoas nem chegaram a ser sepultadas. Aquelas que resistiram, sucumbiram devido à luta entre clans rivais a fim de se apoderarem das terras e propriedades dos mortos, resultando em mais fomes e miséria. E, a agravar a periclitante situação, o primeiro missionário cristão a abordar à ilha, Eugène Eyraud, trouxe com ele a dádiva da tuberculose, em 1867, ceifando um quarto da restante população de 1200 habitantes.
A Ilha da Páscoa foi anexada pelo Chile, em 9 de Setembro de 1888, por Policarpo Toro, por Tratado de Anexação, assinado pelo governo do Chile e a população Rapanui. Até aos anos 1960 os sobreviventes estavam confinados ao acampamento de Hanga Roa, e o resto da ilha alugado à empresa Williamson-Balfour, como herdade de ovinos, até 1953. A ilha passou a ser gerida pela Marinha chilena até 1966, sendo a partir daí reaberta e ao povo Rapanui garantida a cidadania chilena. Em Julho de 2007, a reforma constitucional garantiu à ilha, juntamente às ilhas Juan Fernandez, o estatuto de Territórios Especiais. Dependendo de édito confirmação presidencial, a ilha continuará a ser governada como parte da Região de Valparaíso.
Publicada por gherkin em 1:53 0 comentários
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Contrastes do vasto Oceano Pacífico (Sul) – as ilhas de Anuca e da Páscoa
Com a tragédia da Samoa nas parangonas internacionais e cujo rescaldo, pelo menos em número de vidas ainda por averiguar, debrucemo-nos no Pacífico. O Oceano Pacífico, um dos mais vastos e profundos mares do Sistema Terrestre, é semeado por 22.000 ilhas que se caracterizam pelo seu invulgar beleza, mas enorme isolamento. O contraste entre elas não podia ser maior. Concentremo-nos, apenas em duas – a minúscula Anuta (parte do arquipélago-estado das Ilhas de Salomão), e o vasto arquipélago conhecido por Ilha da Páscoa.
A primeira, caracterizada pela comunidade e unidade dos seus escassos 250 habitantes, numa superfície de apenas 400 metros de largura, praticamente circular, dominada pela colina Maunga Hill, de 65 metros de altura, no norte da ilha. Situada no sudeste do arquipélago e a cerca de 450 km leste da ilha de Santa Cruz, a vizinha ilha fica a cerca de 130km.
Os seus habitantes, praticamente descendentes, da mesma raíz e etnia polinésia (a contrastar com os conterrâneos das Ilhas de Salomão, que são melanésios), formam a família ideal e até única no mundo inteiro. Tanto a escassa superfície como, mas muito principalmente, os reduzidos recursos, constituem a razão principal da sua unidade e existência. Cultivando os seus páteos com esmero e o exíguo espaço com diligência em agricultura rotativa, responsabilidade de cada família, não só para sustento próprio, como para a comunidade em geral, dependem dos escassos frutos e raízes, nomeadamente taro, fruto raro e delicado encontrado só na ilha, bananas, papaia e mandioca, bem como, mas muito principalmente, da abundante pesca. Porém, e graças à abundância de coco, dele depende como bebida e, da fibra, preparam refeições, enquanto a casca serve de copos e as folhas de telhas e também para a confecção de cestos. Afectados por tempestades constantes, nomeadamente ciclones como o Zoe, que assolou a ilha em 2003 e destruíu praticamente toda a produçã, compreende-se a filosofia predominante que é o partilhar dos haveres pessoais, acto chamado Aropa, símbolo de preocupação e compaixão por todos e cada um.
O primeiro registo desta notável ilha remonta a 1791 e, os primeiros missionários anglicanos, chegaram em 1916. Desde então, a igreja desempenha papel importante na vida e bem-estar de Anuta, com serviços religiosos duas vezes por dia. É esta dependência e simbiose que faz com que a igreja seja a verdadeira protectora, com a invulgar responsabilidade de proteger os seus habitantes de epidemias, secas e até desastres naturais! Mas não obstante a influência cristã, que substituíu o papel dos chefes tribais, a tradição desempenha papel importante na população, que não desconta a influência dos seus chefes como líderes espirituais, de quem também depende o futuro do seu povo. Futuro, ainda arraigado em tabus e rituais, como a cabeça, que é considerada sagrada e os pés tidos como profanos. Não surpreende que quando visitam o chefe, na sua cabana, rastejam e não se põem de pé, pois caso ultrapassem a sua altura, é considerado como mau presságio. E, como acto fraternal, em vez de um beijo ou abraço, esfregam nariz com nariz, também uma saudação típica entre os polinésios, a cuja raça pertencem. Mas para o chefe o tratamento é diferente: o nariz é dirigido ao seu joelho!
Embora desde então visitada ocasionalmente por embarcações, o único e garantido contacto com o mundo exterior é o barco cargueiro proveniente de Honiara, capital do país. Mas devido às constantes intempéries que afectam a região, a regularidade destas visitas não existe.
Peritos no comportamento das marés, os pescadores são detentores de únicas técnicas de pesca para a qual construem e usam embarcações características, aliás fruto de séculos. Dependendo principalmente das estrelas, colocando a proa das embarcações em direcção de uma sucessão estelar, na rara falta delas, orientam-se também pelas núvens e pea direcção das ondas. Os pescaderes são os únicos que ganham dinheiro e o seu principal objectivo é a apanha de tubarões cujas abanas secam para consumo e vendem a carne ou às embarcações que ali arribam ou nas viagens que fazem para a capital, Honiara. Outros, ampliam os seus rendimentos, trabalhando temporariamente na capital.
ILHA DA PÁSCOA
A contrastar tanto ao tamanho, características, mas especialmente a história da ilha de Anuta, está a Ilha da Páscoa, ou Rapa Nui. Igualmente situada e sudeste do Oceano Pacífico, mas no chamado Triângulo Polinésio, esta remota ilha, de origem e geologia vulcânica é território especial do Chile, caracterizada pelas enormes estátuas megalíticas, chamadas muai, é catalogada pela ONU como Património Mundial. Com a superfície de 163,6 km2 e a população de 3791 pessoas, tem como capital Hanga Roa. Situada a 3516 km do Chile, é actualmente uma das mais isoladas ilhas habitadas. A sua história, porém, é de destruição e extirpação dos seus habitantes, que devido a rivalidades, se auto-destruíram.
Nome atribuído pelo seu descobridor, o holandês Jacob Roggeveen, quano ali abordou no Domingo de Páscoa de 1722. O nome actual polinésio de Rapa Nui, ou Rapa Grande, reflecte a preferência dos nativos primitivos, aliás confirmado pelo navegador sueco Thor Ayerdahl
A história da Ilha da Páscoa é rica e controversa, como misteriosa. Os seus habitantes primitivos enfrentaram fomes, epidemias, guerra cívil, assaltos de escravatura e colonialismo. E, a culmatar, a derrocada de ecosistema, principamente devido à deforestação.
A data dos primeiros habitantes, semelhante à das ilhas do Hawai, remonta a 300-400. Mas há discordâncias, pelo que segundo alguns historiadores, a data inicial pode situar-se a 700-800. Populada por etnia polinésia, que para ali aportou em canoas, proveniente das ilhas Marquise, a cerca de 3200km de distância, ou possivelmente das ilhas Tuamotou ou ainda de Pitcairn, a respectivamente 2600 e 2000km de distância. A provar esta hipótese, em 1999 foi feita uma reconstituição de barcos polinésios primitivos entre a Ilha de Páscoa e a de Mangareva, em 17 dias.
Segundo a lenda, registada por missionários nos anos 1860, a ilha era originalmente dominada por um sistema distinto de classe, com um ariki, ou rei, com poder absoluto, desde que os lendários Hotu Matua, inicialmente aportaram à ilha, como é evidente nas enormes e massiças estátuas erguidas e espalhadas pelo litoral, conhecidas por moai, como prova da sua crença, cultura homogénica e sistema de governo. Por razões desconhecidas, de um golpe militar, denominado matatoa, resultou um novo culto baseado no deus excepcional Makemake. A este culto, e particularmemte ao seu sacerdote Tangata Manu, é atribuída a miséria que assolou a ilha no final do século XIII e início do XIX, com a predominância da quebra do ecosistema, danificando as culturas resultando numa fome gradual que provocou doenças e a morte.
Segundo narrativas de 1722 e 1770, as estátuas – 877 na totalidade - eram a única evidência da existência daquela civilização, mas aquando da visita do Capitão Cook, em 1774, muitas delas estavam caídas, resultante das guerras intestinas, particularmente em 1830. Em 1838, a única ainda em pé, encontrava-se nas esfaldas de Rano Raraku e Hoa Hakananaiºa, em Orongo.
Uma série sucessiva de acontecimentos matou e removeu quase toda a população da Ilha, em 1860. A começar por piratas peruvianos, em Dezembro de 1862, com o objectivo de captar pessoas como escravos, estes actos continuaram durante vários meses capturando e matando cerca de 1500 homens e mulheres, cerca de metade da população. Porém, escasso número conseguiu regressar, mas devido a um ataque de varíola, que resultou numa epidemia, deu-se a devastação final da população em que algumas pessoas nem chegaram a ser sepultadas. Aquelas que resistiram, sucumbiram devido à luta entre clans rivais a fim de se apoderarem das terras e propriedades dos mortos, resultando em mais fomes e miséria. E, a agravar a periclitante situação, o primeiro missionário cristão a abordar à ilha, Eugène Eyraud, trouxe com ele a dádiva da tuberculose, em 1867, ceifando um quarto da restante população de 1200 habitantes.
A Ilha da Páscoa foi anexada pelo Chile, em 9 de Setembro de 1888, por Policarpo Toro, por Tratado de Anexação, assinado pelo governo do Chile e a população Rapanui. Até aos anos 1960 os sobreviventes estavam confinados ao acampamento de Hanga Roa, e o resto da ilha alugado à empresa Williamson-Balfour, como herdade de ovinos, até 1953. A ilha passou a ser gerida pela Marinha chilena até 1966, sendo a partir daí reaberta e ao povo Rapanui garantida a cidadania chilena. Em Julho de 2007, a reforma constitucional garantiu à ilha, juntamente às ilhas Juan Fernandez, o estatuto de Territórios Especiais. Dependendo de édito confirmação presidencial, a ilha continuará a ser governada como parte da Região de Valparaíso.
Publicada por gherkin em 1:53 0 comentários
Etiquetas: Geografia - Anuta e Ilhas da Pascoa
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