sábado, 1 de março de 2014

SER OU NÃO SER: EIS A (VELHA) QUESTÃO!

Que a Grã-Bretanha é atualmente uma ilha, todos nós sabemos. Porém, devido às jamais vistas cheias que recentemente a têm assolado, foi transformada em várias ilhas! Que o diga a vasta região do sudoeste da Inglaterra, o condado de Somerset, um dos mais afetados, que segundo imagens de satélite, entre dezembro e fevereiro ficou multiplicada em várias ilhas, isolando comunidades e famílias, não falando em quintas, cujos proprietários, muitos deles donos de vastas manadas de gado, conseguindo salvá-las em sua maioria, viram-se obrigados a vendê-las a preço reduzido devido à impossibilidade de abrigo. Com o mês de janeiro a atingir níveis de pluviosidade jamais registados, particularmente na Inglaterra, e além de Somerset, igualmente a atingir a bacia do Tamisa, com níveis de quatro metros de altura, embora esta zona sofra de regulares cheias, as deste ano ultrapassaram as que ocorreram há 50 anos atrás, tanto em níveis de prejuízo como de mortes. Felizmente que não coincidiram com as chamadas Marés da Primavera, em que vagas originárias no Mar do Norte, portanto na zona leste, se refletem na bacia do Tamisa, que não obstante a gigantesca Barreira, situada em Woolwich (perto de Greenwich), aliada às atuais cheias, provenientes da nascente, poderiam resultar num extraordinário desastre e completa inundação da zona central da capital. Com danos ainda incalculáveis, que o primeiro-ministro garante serem totalmente cobertos, o que não revela é de onde vem o dinheiro (sem dúvida boa parte de Bruxelas, que os eurocéticos evitam admitir), reabre-se o debate sobre as origens desta catástrofe, se, ou não, resultante de alterações climatéricas e particularmente dos efeitos de estufa. Para a fina flor dos cientistas mundiais, 363 deles, não há dúvida! A corrobora-los, bastam os vastos exemplos acima apontados, mas não só. Globalmente, em termos recentes,: os maiores fogos resultantes das mais elevadas temperaturas de sempre na Austrália; as mais baixas temperaturas de sempre no leste e centro do maior país poluidor do mundo – EUA. A contrastar, e a coincidir, as maiores secas, que ultrapassam a memória, no seu extremo ocidental Estado da Califórnia. E, mais perto de nós, além da enorme destruição e elevados prejuízos do nosso litoral, neve em meados de fevereiro, no mui nosso vizinho e desbravado pelo fogo, Caramulo! Só é cego quem insiste em não ver! Tudo isto se deve ao homo sapien sapiens que depois de viver da caça inventou a agricultura, e, em 15 mil anos de sofreguidão depende – e não dispensa – combustíveis fósseis, os maiores contribuidores do dióxido de carbono (CO2), o principal causador do aquecimento global e dos consequentes efeitos atmosféricos. Apenas em 300 anos. desde a 1ª. Revolução Industrial, de 280 ppm (medida convencional de concentração de CO2 por milhão), em meros 50 anos atingiram 328 ppm em 2008, e o aumento de 0.5o C da temperatura, com a projeção, segundo o painel científico das Nações Unidas, IPCC, de 5oC até 2100. Poderá parecer pouco preocupante, mas suficiente para provocar incalculável desequilíbrio do nosso já vulnerável Planeta, Além dos sinais acima apontados, acrescente-se o derretimento dos gelos polares, que só nos últimos 30 anos atingiram proporções inéditas, cujos efeitos imediatos, mas especialmente futuros, se refletem no aumento dos níveis das águas oceânicas, provocando maiores cheias, submersão dos países mais baixos, especialmente do Pacífico. e que. devido ao seu arrefecimento põem igualmente em risco a benéfica Corrente do Golfo que tanto influencia e ameniza o clima da zona do Atlântico Norte ! Afirmei o indesmentível: que a Grã-Bretanha é uma ilha. Porém, se recuarmos relativamente pouco tempo no vasto espaço geológico, e a uns meros 40 milhões de anos, quando a Terra existe há 4.600 mil milhões, a região estava ligada ao Continente! E, recuando um quíntuplo mais, ou seja, 220 milhões de anos, situava-se a 12o de latitude sul, portanto muito perto do equador, cuja vegetação era obviamente tropical. Aliás, nestas vagarias de tempo e de espaço, há apenas 18 milhões de anos, o sul da Inglaterra estava apenas a 100 km das enormes e espessas camadas de gelo que engolfavam a que atualmente se designa por Grã-Bretanha. Portanto, e como as grandes alterações climatéricas, ou Idades do Gelo, ocorrem em cada 100 milhões de anos, e embora durante os últimos 10,000 anos prevaleça o clima ameno de um Período Interglacial, está-se definitivamente a caminho da próxima fase gelada.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

PARA A HISTÓRIA DE TIMOR LESTE – IV - Casos Inéditos (3 de 6)

Envolvimento do magnate e multimilionário australiano Kerry Packer? (parte II e conclusão) Quanto às dúvidas de Stone, sobre a misteriosa ideia de ser acompanhado pelo patrão, é importante ouvi-lo novamente: "Porque é que Kerry insistiu em ir? A resposta superficial seria de mera aventura, mas por aquilo que passarei a expor, estou convencido de ter sido por razões muito mais profundas que esta." Depois de descrever que no dia seguinte, Kerry Packer, ordenou a ida de um velho barco capturado pelos australianos aos japoneses durante a II Grande Guerra, o Konpiramaru No. 15, acto que Gerald Stone classificou de "Kerry se assemelhar a um Gulliver preso numa casa de bonecas liliputiana" (da história de Alice no País das Maravilhas), "Kerry chegou com uma enorme quantidade de bagagem, na realidade mais indicada para o convés superior do Titanic, incluindo uma vasta coleção de espingardas de caça de animais de grande porte, que faziam parte da sua enorme coleção particular, um barco de borracha Zodiac, equipado com motor, bem como caixas e caixas do seu refrigerante favorito, Fanta. Mas a sua mais valiosa peça, era o seu guarda costas, de origem Portuguesa, Manuel. Soube que Manuel foi comando duro nas forças militares Portuguesas em Angola. A sua experiência militar e o conhecimento da língua dos nativos timorenses, constituíam uma valiosa adição. Mas o que mais me preocupava era as armas de Kerry, a quem pedi para serem deixadas no barco, ou, então, que evitasse transportar no grupo em que tanto eu ou Brian (Peters) – um dos jornalistas assassinados - nos encontrássemos..." Outra preocupação de Stone, como ele próprio o admitiu, era o facto de que, "por muito estranho que pareça, Kerry, que é conhecido pelas suas fortes opiniões em quase qualquer assunto, não me deu nenhuma sobre Timor (Leste), nem tão pouco se incomodou em saber as minhas intenções sobre a minha reportagem..." A facilidade com que o patrão obteve a autorização, por parte dos indonésios ancorados ao largo de Dili, também surpreendeu Stone, que, a certo passo, diz que "assim que lentamente navegámos para assentar âncora de madrugada, deparámos com a fantasmagórica e acinzentada presença da fragata indonésia Monginsidi. Receando que teria instruções quer de Jacarta quer de Canberra para proibirem a nossa missão, não houve qualquer tentativa até em reconhecer a nossa presença. Dois dias depois estávamos a filmar a saída de um enorme contingente de fortemente armados fuzileiros navais numa praia de Dili, com a missão de observar e proteger a evacuação do pessoal diplomático da embaixada indonésia...." Por tudo isto e muito mais, abundantemente documentado, Hugh Dawson, depois de afirmar ao autor que Gerald Stone sabia muito mais do que revelou, tanto a nível pessoal, como do próprio patrão em relação à presença de ambos nessa intrigante data da invasão, o conhecido investigador insiste, que com base em documentação governamental, o governo australiano da época se basofiava de que a sua diplomacia tinha desempenhado importante papel em reprimir os indonésios de uma invasão em larga escala, em Agosto de 1975, "a chegada de Kerry Packer e a sua equipa a Dili, a 29 de Agosto de 1975 desempenhou papel significativo na decisão do Presidente Suharto em adiar uma invasão em grande escala." (*) (*) Em 31 de Outubro de 2005, a Comissão da ONU, conhecida pelo acrónimo CAVR, apresentou as conclusões do seu estudo ao então Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão sobre a violência das forças indonésias ao serem forçadas a abandonar Timor-Leste depois de ser obtida a independência, em 1999.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Envolvimento do magnate e multimilionário australiano Kerry Packer? (parte I)

No início de Setembro de 2001 começaram a surgir aparentemente bem fundamentadas teorias, que o falecido (27/12/05) magnata australiano da comunicação social e multimilionário Kerry Packer, teria estado envolvido numa derradeira tentativa, por parte do governo australiano, em evitar a invasão indonésia. Segundo o investigador britânico, Hugh Dawson, a quem muito se deve a denúncia das forças indonésias na morte dos jornalistas britânicos e autralianos (a quem se dedicada artigo especial a seguir), com base nas revelações feitas pelo jornalista australiano, Gerald Stone (colega do assassinado Brian Peters), no seu livro Compulsive Viewing (edição da Penguin Books - Australia), a viagem e chegada do seu patrão e proprietário, (entre outros, da estação televisora australiana Channel Nine), Kerry Packer, a Dili, a 29 de Agosto de 1975, sempre envolta em mistério, teria estado relacionada com a missão secreta, ao serviço do governo australiano da época, chefiado por Gough Whitlam, em dissuadir o exército invasor, no terreno, das suas intenções. Aponta Hugh Dawson, nesta sua interessante tese, em conversa com o autor e, mais tarde, apoiada em convincente documentação a que o autor teve acesso, que, como competente e comprovadamente experiente jornalista, Gerald Stone interrogou-se várias vezes sobre a verdadeira razão da companhia e presença de Kerry Packer. Aparentemente, sustenta Hugh Dawson, tudo resultou da própria decisão de Gerald Stone, na altura diretor da Redação do Channel Nine, em chefiar tão arriscada reportagem. Aqui, disse Hugh Dawson, "um homem tão bem posicionado nos meios governamentais como Kerry Packer, certamente que sabia da invasão e, até, da data aproximada em que teria lugar. Daí, o seu invulgar e inusitado interesse." Com base na documentação a que o autor teve acesso, passa-se a palavra a Gerald Stone: "Decidi, pessoalmente, fazer a reportagem. Como era o único jornalista, tanto em Sidney como em Melbourne, com experiência da cobertura de guerras, como aconteceu no Vietname, e como uma missão desta natureza em Timor Leste apresentava-se muito arriscada para mandar qualquer outro jornalista sem experiência da cobertura de guerras, a questão era agora justificar as despesas da deslocação. Por isso, precisava da autorização de Kerry (Packer). Quando lhe expliquei o meu plano, a sua resposta foi instantânea - 'Perfeitamente, mas na condição de eu ir contigo'. O coração caíu-me aos pés, devido ao inesperado peso da responsabilidade e da proteção ao meu próprio patrão, numa missão tão arriscada como esta. Mas, como sabia, não valia a pena apresentar argumentos em contrário..."

domingo, 19 de janeiro de 2014

ADEUS REINO UNIDO, BENVINDA ESCÓCIA INDEPENDENTE?

Daqui a alguns meses, mais precisamente em setembro, a Escócia poderá voltar a ser independente e o até lá Reino Unido, desunido, possivelmente para sempre! Pelo menos é que as sondagens atuais apontam. O prometido referendo decidirá o novo futuro da Escócia. Aliás, não se trata do primeiro, mas o último, este prometido pelo atual governo minoritário daquela nação, o Partido Nacionalista Escocês (SNP, sigla britânica), chefiado pelo seu primeiro-ministro, Alex Salmon, quando há três anos ganhou as eleições. Antes da chamada União, ou seja a formação da Grã-Bretanha com a integração da Escócia, por lei votada no Parlamento de Westminster, em 1707, existia, apenas, a união entre o País de Gales e a Inglaterra, em vigor esde 1543. Como diz a Profª Linda Colley, na sua obra BRITONS - Forging the Nation 1707-1837, pág. 12 (Edição PIMLICO), não se tratou de uma união política, nem tão-pouco forjada em afeto, mas, prova de "um ato de imperialismo cultural e político forçado nos indefesos Escoceses pelos seus vizinhos mais poderosos do Sul”. Com longo e turbulento historial entre os dois países, a primeira e última ipso facto independência, ocorreu com a chamada Declaração de Arbroath, feita na abadia daquela cidade do condado de Angus, no litoral centro-oeste, após a retumbante vitória de Robert, o Bruce sobre os seus históricos e poderosos inimigos ingleses, em Bannockburn, em 1314. Porém, depois da decisão do Rei James VI, após a abdicação da mais tarde infeliz mãe, Mary, em 1567, que também foi rainha da França, embora proclamado rei, só assumiu o Trono em 1583, favorecer a união com a Inglaterra, inglória ambição da desditosa mãe, unindo os dois reinos em 1603, após o longo reinado de Isabel I, sob o título de James I. Contudo, a União, como se mencionou anteriormente, só foi sancionada pelo Parlamento em 1707. Muito contestada pelos escoceses. a derradeira tentativa, foi a do tido como herói, Bonny"Charles (Príncipe Charles Edward-Stuart), na Batalha de Culloden, no norte da Escócia (nas proximidades do aeroporto de Inverness), em 1746, em que saiu derrotado e humilhado. Neste breve, mas sangrento encontro, frente às forças governamentais, comandadas pelo Duque de Cumberland, de que lhe valeu o título de Carrasco, conseguiu escapar.. Para salvar a pele, disfarçou-se de criada, e, durante cinco meses foi protegido pelos ciosos habitantes da Alta Escócia, ou "Highlanders", que nunca o traíram, conseguindo escapar para França, onde chegou, em setembro de 1846. O cenário da sangrenta batalha, assinalado por um pequeno marco, é agora belo terreno do hotel Culloden, propriedade do simpático casal Marjorie e Ian McKenzie, onde esteve brevemente hospedado o então presidente Dr. Mário Soares, quando em 1 e 2 de Maio de 1993, acompanhado da esposa, visitou a Escócia, que pessoalmente acompanhei, e em que fui o único jornalista nacional presente. Por amabilidade do Presidente fui integrado na comitiva, seguindo-se a inglória “caça” à famosa “Nessie”, que depois de longamente procurada, no famoso e vasto Lago Ness, de que se diz ser habitante, não se dignou mostrar a cara a tão prestigiado visitante. O próximo referendo, aliás o terceiro, poderá decidir o regresso à tão ambicionada independência e a criação de um novo Estado membro da Commonwealth, disposto a optar pela libra esterlina, que, a suceder, nenhum primeiro-ministro britânico no Poder gostaria de ser conhecido. Porém, a ambicionada vitória do SNP poderá não se concretizar, caso os eleitores escoceses (os ingleses estão excluídos) conhecidos pela sua preocupação de carácter económico, particularmente após a recente crise financeira de que o país acaba de sair, venha a ditar a decisão final, preferindo optar pela contínua segurança económica, sacrificando idealismos do, que a incerta promessa de um futuro melhor. ~

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A CORRIDA PARA O ÁRTICO

A recente detenção, por parte da Federação Russa, de 30 ativistas da Greenpeace, que depois de dois meses de prisão em condições inaceitáveis, devido aos protestos mundiais (infelizmente pouco noticiado no nosso país) viu-se obrigada a libertá-los, alertou a opinião pública mundial para a Questão doÁrtico. Digo questão, devido ao facto da ação, por parte da Rússia, na exploração mineral e e de petróleo naquela vasta região por parte da sua principal multinacional, Gazprom. A Federação Russa, aliás o principal país do chamado Conselho do Árctico, que além dela fazem parte outros 7 países (Canadá, Dinamarca, Groenlànndia/Ilhas Faraó, Finlàndia, Islàndia, Noriuega e Suécia), assim como a população nativa, os chamados Inuits foi um dos primeiros membros a manifestar o seu ativo interesse em tão vasta e inóspita região, colocando, em 2005, uma bandeira de titânico nas profundezas marítimas. Aliás, o Presidente Vladimir Putin tinha já declarado publicamente o predominante nteresse do seu país no Árctico. É importante recordar que os vikingos foram os primeiros europeus a colonizar a vasta região, a começar pela Groenlândia, no século X. Como se sabe esta vasta região autónoma é soberania da Dinamarca, que, no entanto, em 2008 votou por alargada independência. Mais irónico é o facto de que o influente matemático e geógrafo inglês, John Dee, a quem se deve a cunhagem do título de Império Britânico, já no século XVI invocava o Ártico como para do império de Isabel I. Recentemente a ação da Rússia, como o primeiro país a efectuar prospeções na região, o que levou a Greenpeace a manifestar-se contra tais intenções, foi surpreendida pela dureza das forças especiais russas, que além de invadirem apoderaram-se, em águas internacionais, do navio daquela organizaçãao e detidos os 30 manifestantes, inicialmente radicados nos frios e desolados calabouços de Murmansk, a dura ação russa bem demonstra as suas intenções de soberania na vasta fatia que abarca 120o de laatutude do hemisfério norte. Além da vasta e inexplorada riqueza marítima do Árctico, tanto e termos de petróleo e gás, mas principalmente de minérios, devido aos efeitos de estufa, aquela vasta e gélida região, de 30 milhões de Km2 e escassamente habitada por 4 milhões, tem vindo assustadoramente a derreter desde há 30 anos, mas amsi acentuadamemnte a partir de 2005, permitindo, agora, a passagem de navios mercantes de pequena e média dimenssão, embora no verão, na chamada Passagem do Noroeste, reduzindo as viagens para o Oriente, principalmente o Japáo, em apenas 15 dias, quando normalmente levam 22 pelo Canal do Suez e 29 pelo Cabo da Boa Esperança. Consciente desta adicional e enorme vantagem estratégica, a Russia ciosamente procura assinalar a sua soberania. Aliás, um dos países, como é o caso de Singapura, previndo a ameaça que tal rota pode trazer para a sua riqueza marítima, é um dos que mais se esforça para partilhar de tão imporyante vantagem, Como o conseguirá, é cedo +ara prever. Tudo iso demonstra a importância do Ártico nos anos vindouros. A tragédia, como já vem sendo hábito, é a predominância impeialística da Rússia, colocando em desvantagem a diferente e variada população nativa que, pssivelmente, será destituída de qualquer vantagem

domingo, 8 de dezembro de 2013

PARA A HISTÓRIA DE TIMOR LESTE – II - Casos inéditos- (1 de 6)

O envolvimento sobre Timor-Leste proporcionou-me uma dimensão inesperada. Enquanto, e por um lado, foram estabelecidos e reforçados excelentes contactos, principalmente com um diplomata superior da embaixada da Indonésia em Londres, um homem ligado ao último embaixador do seu país em Lisboa antes da rutura diplomática em 1975, por outro, novos contactos foram estabelecidos com várias individualidades portuguesas, envolvidas na questão de Timor, incluindo o último governador, o falecido major-general Lemos Pires, que me chegou a receber no seu gabinete do Estado Maior do Exército, em Lisboa. Foi neste período, que, com certa surpresa, fui contactado, em Londres, por duas pessoas completamente diferentes: Um dos diretores da companhia petrolífera, Unocal Indonesia, Ltd, que por razões de confidencialidade é conveniente manter no anonimato, limitar-se-à, simplesmente, às iniciais do seu nome, L.G.W. Exagerando a minha influência, considerou-a erradamente suficiente, com a Resistência timorense, veio ter comigo à então sede da BBC, em Bush House. Começando por esclarecer que a empresa que representava, depois das bem sucedidas prospeções em Timor Gap, estava convicto da existência de petróleo na zona centro-leste de Timor-Leste, em que predominava a Resistência. Nesta, que era uma fase inicial, foi claro no objetivo: que a Resistência autorizasse, ou, pelo menos, não resistisse, aos trabalhos de prospeção, pelo que seria compensada. Achando, a princípio, este episódio caricato, mudei de ideias, e interpretei-o com a requerida seriedade, por vários e importantes fatores que me foram mais tarde revelados. A outra, foi de natureza política. Tratava-se de uma alta e prestigiosa figura política, infelizmente já falecida, muito chegada ao então Presidente Ramalho Eanes, que veio propositadamente a Londres para falar comigo. Sem saber porquê, mas possivelmente ao que pensaram ter contactos privilegiados com personalidades indonésias, o que era verdade, o objetivo da visita era saber se haveria a possibilidade de "testar" as “águas indonésias” sobre um encontro, ao mais alto nível, entre os dois países. A iniciativa tinha como objetivo, um encontro de Chefes de Estado. Como era inevitável, seriam necessários contactos preparatórios sobre a viabilidade de um encontro desta natureza. Caso os meus contactos achassem mérito na possibilidade desse encontro, que se realizaria num país neutro a acordar mutuamente, as negociações preparatórias seriam conduzidas, garantiu essa importante personalidade, sob a responsabilidade, nada mais nada menos que o falecido Coronel Melo Antunes. Embora, com algumas reservas, mormente sobre a aceitação por parte da Indonésia, transmiti esta importante mensagem. O alto contacto indonésio, ouviu, com certa surpresa, e até desconfiança, dando a impressão de estar a ser vítima de qualquer "jogada". Mas, devido à confiança mútua e ao adiantamento de mais pormenores, o que deu reforço à proposta, estava garantida a credibilidade. Dias depois recebi a resposta: "embora tratando-se de uma aliciante e interessante proposta, o presidente Suhearto considera ser ainda cedo para um encontro, ao mais alto nível, entre os dois países". Que se saiba, não se fizeram, posteriormente, tentativas semelhantes, antes do abandono de Timor-Leste pelas forças e autoridades indonésias, em Dezembro de 1999, e a consequente independência. A seguir: Envolvimento do magnate e multimilionário australiano Kerry Packer? (parte I)

sábado, 23 de novembro de 2013

BBC - A NOVA BROADCASTING HOUSE

Em termos logísticos a BBC, essa famosa emissora britânica, atravessa uma nova e total remodelação. Da original Broadcasting House, em Portland Place (nas proximidades de Oxford Circus), cuja invulgar fachada se assemelha a uma nau, aos vários e dispersos edifícios, alguns deles vizinhos, hoje hotéis , ou até a sede do Consulado de Portugal, todos eles que eu próprio frequentei, quer em cursos ou questões de serviço, outros, como Television Centre, o famoso complexo situado em White City (zona oriental de Londres), ou o enorme edifício a norte do último, como o Serviço Mundial sediado em Bush House (Aldwych), desde a sua inauguração, no início dos anos 40, encontram-se agora reunidos num só complexo, chamado Nova Broadcasting House, ou seja, uma vasta extensão do primitivo edifício original. Como tive o raro privilégio, a convite do atual Diretor Geral da BBC, Lorde Tony Hall, de visitar o novo complexo, dou aqui um pálido resumo deste vasto e extraordinariamente inovador complexo, verdadeiro exemplo das últimas e mais avançadas tecnologias e extraordinárias condições de trabalho para os cinco mil funcionários que nele trabalham. Para quem, durante 30 anos, trabalhou no Serviço Mundial, em Bush House, embora em boas condições para a época e, subitamente é lançado no novo complexo, tem a sensação de estar noutro e mui distante planeta. A nova extensão, em forma de alargada ferradura, dispõe de um vasto átrio exterior, em cujo solo se depara com centenas de nomes de capitais mundiais, incluindo Lisboa, onde, igualmente, abundam dispositivos de som em que se podem ouvir transmissões nas mais variadas línguas. Á noite, à semelhança da fachada, que à superfície tem nove andares (mas na totalidade 13 incluindo as caves), a partir das 22 horas, vastos holofotes inundam todo o local. No interior e a nível da superfície, pode-se admirar, no piso imediatamente inferior, o enorme Departamento de Notícias, onde trabalham 1100 jornalistas. Se no centro e à esquerda são profissionais especialmente ocupados da informação nacional, na extrema direita, situam-se os jornalistas dedicados à informação internacional. Enquanto isso, mas não visível, e por debaixo do varandim, encontra-se o vasto estúdio do noticiário News24, ou seja da Informação contínua, obviamente visível do próprio Centro de Informação. E, a confirmar a sua invejável e ciosamente defendida posição de Entidade Pública, a BBC encoraja o público em geral a ter acesso, no vasto recinto de entrada, à esquerda, em que se pode tomar um chá ou um café, e de onde se pode admirar o vasto Centro de Informação. Entretanto, nos vários e diversos pisos, especialmente superiores (obviamente vedados ao público em geral por questões de segurança e dispondo de dispositivos de proteção) encontram-se os estúdios das múltiplas emissoras de rádio e, no 4o e 5o pisos, os serviços internacionais, quer de rádio quer de televisão (neste caso o Serviço Árabe e Iraniano). Além de locais específicos para reuniões de trabalho, todos os pisos dispõem de locais de convívio e de kitchenettes a proporcionar breves momentos de relaxamento. Que invejável! Enquanto isso, nas caves 1, 2 e 3, situam-se os vários estúdios, em sua maioria de programas noticiosos, enquanto os de entretenimento são transmitidos ou gravados dos estúdios de Elstree (a cerca de 40km norte de Londres).

sábado, 9 de novembro de 2013

PARA A HISTÓRIA DE TIMOR LESTE - Introdução

Esclarecimento: Timor-Leste foi um dos capítulos importantes da atividade jornalística do autor, com vários artigos, sobre assuntos inéditos, publicados no Jornal de Notícias. Por serem, como julgo, do interesse geral do(a) leitor(a), particularmente os mais jovens, aos leitores deste blogue é dada a honra de conhecerem o que modesta e virtualmente constituem importantes documentos. NOTA: Devido à sua extensão, são divididos em seis distintos artigos (excluindo o atual). Os temas aqui dedicados a Timor-Leste são extratos dos manuscritos do autor, POR TERRAS DE SUA MAJESTADE e TIMOR-LESTE, DÍVIDA POR SALDAR, que atualmente se encontram no prelo. Ainda que acompanhasse a tragédia de Timor-Leste, primeiro a nível da BBC, (organização que tive a honra de servir durante 30 anos) que ao ter conhecimento de que os guerrilheiros ouviam e gravavam as transmissões daquela notável emissora em língua portuguesa, às quatro horas da manhã (hora local). para serem religiosamente ouvidas, mais tarde, em conjunto, a Secção Portuguesa remodelou-as dando maior ênfase a assuntos daquele território. Na sua qualidade de correspondente, o autor só se ocuparia do assunto caso houvesse algo a noticiar a partir de Londres. Aliás, havia muito, mas mais do interesse e envolvimento britânicos, especialmente em termos de grupos de direitos humanos, como a Organização de Direitos Humanos Tapol, que acompanhava e fazia campanha a favor de Timor-Leste bem como a Amnistia Internacional. (A estas, e muitas outras personalidades, algumas delas importantes na vida política britânica, como, mas muito especialmente, a milhares de anónimos, na opinião do articulista, se deve o sucesso da Luta para a deejada e dificilmente conseguida Independência). Recorde-se que como a Inglaterra, e Londres em particular, foi foco de grandes acontecimentos sobre Timor-Leste, tanto por parte dos grupos de direitos humanos, como as já referidas Tapol e a Amnistia Internacional, assim como a nível empresarial como governamental (venda de armamento à Indonésia), eram abundantes as notícias sobre Timor-Leste. A situação, porém, mudou. Em Abril de 1983, o autor recebeu um telefonema no seu escritório, precisamente da secretária da Tapol, Carmel Budiardjo, em que literalmente pedia ajuda. Tratava-se da súbita chegada de um ex combatente timorense, que, desafiando as autoridades indonésias decidiu falar, pelo que precisava de alguém que falasse Português, para a tradução. Antevendo a importância da informação, principalmente, quando até então, raros eram os refugiados, que ainda tinham familiares em Timor-Leste e estavam dispostos a falar, imediatamente o autor se disponibilizou. Foi um prazer em conhecer, mas especialmente ouvir, durante 72 horas, praticamente a fio, o jovem heroi, Gregório Henrique (Neobere, nome de guerra) que descreveu pormenorizadamente os horrores da luta, as vicissitudes da população, a valentia dos integrantes da resistência, a solidariedade dos jovens e o indispensável apoio da Igreja local. No encontro, participou também Carmel Budiardjo, que estando bem dentro do assunto não só fazia as perguntas, como procurava também esclarecimentos e a confirmação de notícias que até então eram apenas conhecidas oral e vagamente. Com um raro manancial de evidência como este, em que pela primeira vez foram dados pormenores sobre os chamados "cercos das pernas" em que a população civil foi obrigada a andar e a encurralar os concidadãos patriotas, participando, assim nos cercos militares, foi escrita a primeira série de três longos artigos, intitulados "A Realidade de Timor-Leste" (25,26,27 de Maio de 1983), publicados numa só semana. Como resultado, não só o JN como o seu correspondente em Londres, receberam consideráveis elogios por este trabalho, incluindo os de um encontro, com o Dr. Jaime Gama, então ministro dos negócios estrangeiros, chegando a classificar o autor um perito nesta matéria, o que claramente não era. A estes, seguiu-se uma longa série temática de reportagens sobre Timor-Leste, nomeadamente "A Indonésia Desmascarada" (30, 31/7/83), "Povo Agrilhoado Mas Não Vencido" (9,10,11,12,23/1/84), "Tragédia de um Povo Que Teima em Ser Livre" (30/4/, 1,3, 4, 5/84) e a primeira entrevista dada a um órgão português da comunicação social pelo ex diplomata australiano e último cônsul geral da Austrália em Timor-Leste, até 1975, James Dunn, autor da memorável obra "Timor- a people betrayed", (Timor - Um Povo Traído) aquando da sua passagem por Londres, em 22/3/84. A premiar a luta deste grande campeão da causa do povo timorense, que já em 2001 fora distinguido com a Ordem da Austrália, o então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, agraciou-o com a Ordem do Infante, em 22 de Maio de 2002, durante a sua visita oficial à Austrália e depois de ter assistido às cerimónias da independência de Timor-Leste, dois dias antes. Foi este envolvimento, que segundo o já citado Dr. Jaime Gama, lhe foi "sempre muito útil e que servia de base aos arquivos", do seu ministério. O problema, porém, era a dificuldade de informação de dentro do território, uma vez que os ocupantes indonésios não deixavam saír ninguém de Timor-Leste, situação que mudou com a visita do já referido e antigo lutador timorense.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

MAIS OUTRO SOLENE AVISO A INCORRIGÍVEIS SURDOS.

O influente e conceituado Painel Intergovernamental sobre a Alteração Climática da ONU (sigla inglesa IPCCA), divulgou, em finais do mês passado, em Estocolmo, Suécia, o seu Quinto Relatório, aliás escassamente mencionado nestas nossas bandas! Dificílima e complicada obra elaborada por 259 dos mais prestigiados peritos da especialidade, incluindo o nosso Dr. Pedro Viterbo, provenientes de 30 países e dos quais também Portugal, trata-se do mais POTENTE e SOLENE AVISO sobre a situação atual do nosso Planeta, resultante da ação ou contribuição humana. que vai servir de tema.e escrutíneo na Cimeira, a realizar em Paris em 2015. Uma geração, ou várias gerações dependente(s) dos altamente prejudiciais combustíveis fósseis, em que o carvão, enorme emissor do pernicioso poluente CO2, em que a gasolina (cujo automóvel não dispensamos) é outra culpada, aliado à deflorestação de indispensáveis e preciosos pulmões ambientais como a Amazónia (e acrescento, a Indonésia e Madagáscar), aponta o relatório, têm sido os provocadores do aquecimento global das superfícies terrestres, dos oceanos e da atmosfera. Como resultado, e em relação ao nosso país, quer em termos de níveis das águas oceânicas, que poderão subir um metro até 2100, com o seu vasto litoral e muitas praias, ou em termos de aumento de clima, com as vagas de calor (que tanto contribuíram para os muitos incêndios deste ano no nosso país), uma primavera antecipada, com eventuais reduções dos níveis de precipitação e os consequentes danos para a nossa agricultura, o cômputo será de 12% na redução do PIB. Se o aumento dos níveis da água do mar se vão dever ao derretimento gradual das camadas até aqui eternas dos gelos do Árctico e da Antárctica, mas principal e assustadoramente do primeiro, já visíveis no aumento das águas oceânicas, com consequentes danos da sua acidificação, que atingiram os níveis mais elevados dos últimos 300 milhões de anos, mas não só, provocando a destruição, em mais de metade dos precioso corais, que, a manterem-se ao acelerado nível dos últimos 60 anos, estão em risco de desaparecer antes do fim deste século. Têm sido vários os avisos, muitos deles solenes, nos últimos anos, em relação ao estado e futuro próximo do nosso Planeta. Porém, face aos ouvidos dos surdos e hesitantes políticos, mas não só, incluindo nós próprios, que receando as inevitáveis consequências de maior moderação da nossa qualidade de vida, e, em particular, aos fortes lóbis das energias fósseis, cujos países delas dependentes temem o seu futuro económico, assim como de uma sociedade, como a Americana, a maior poluente do mundo, recusam, todas, aceitar a realidade. Como os efeitos climatéricos, devido à sua lentidão, normalmente, em alguns casos, levam centenas e outros milhares de anos a produzir os seus efeitos, a questão, a GRANDE QUESTÃO, é saber o LEGADO que deixamos às futuras gerações. Se os perniciosos efeitos são oriundos da primeira Revolução Industrial, iniciada no Reino Unido, e seguida pela Alemanha e França, a partir dos anos 50, e nomeadamente no ano de 1998, o mais quente a nível global, a partir daí os efeitos de estufa têm sido galopantes, com o aumento de cerca de 2oC, com a perspetiva de se chegar, possivelmente, a 4,9o ou até mais, no fim do século. Na realidade, em termos de níveis da época pré industrial, prevê-se o aumento de temperatura de 3 ou 4oC, o que significa níveis jamais alcançados desde a evolução do homem moderno, há 250,000 anos. Partindo do abate das florestas e do derretimento das camadas geladas eternas dos Pólos, se com o desaparecimento gradual anual de idêntico espaço de quase metade do nosso país com o primeiro, morre um dos principais pulmões geradores da indispensável fotosíntese, cientificamente apelidada de “tanque absorvidor” de gases CO2,: em relação à segunda desaparece o importante factor refletor de raios de onda curta, ou albedo, a partir da Terra, que, para manter o seu necessário equilíbrio não deve prejudicar os seus 69% de absorção da energia solar de que depende toda a vida terrestre. Aponta um dos mais prestigiosos cientistas desta matéria, Lord Stern, ouvido em Londres por este colaborador do JT, que “no decorrer dos últimos 3 ou 10 milhões de anos jamais atingimos o aumento de 3oC ou 4oC. É mais do que evidente tratar-se de uma experiência verdadeiramente invulgar”. Adiantou ainda que “um caso desta natureza significa uma alteração profunda do nosso atual sistema de vida e a eventualidade de centenas de milhar, ou possivelmente milhares de milhões de pessoas, terem de sre deslocadas, provocando óbvios conflitos.” .

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

SINGELA HOMENAGEM AOS ABNEGADOS HERÓIS

Foi preciso a inglória morte de oito “soldados da paz”, quatro deles na até há pouco frondosa Serra do Caramulo, (com 15.000 hectares ardidos, durante 15 infernais dias), apenas este ano, mas 214 na História Nacional de tão generosa e valente Instituição, para se reconhecer quão preciosa e GENEROSA é. Sem desprimor para os profissionais, cuja competência e atividade é o cimento da profissão, são os Bombeiros Voluntários, particularmente jovens, que constituem a seiva de tão prestimosa vocação. Particularmente no nosso país, em que o voluntariado dos soldados da paz é tradicional. Antiga vocação que remonta ao período dos faraós, os romanos seguiram a tradição, mas não inicialmente em fins sociais. No nosso país os bombeiros tiveram início em 1395, em Lisboa, por Carta Régia do D. João I. Compete, e depende dos especialistas, as consequências e ilações, certamente muitas, provavelmente da morte dos jovens bombeiros voluntários, como uma Kátia de Alcabideche, um Bernardo do Estoril ou de um Daniel, o último a sucumbir. Embora, segundo noticias, a intempada morte dos primeiros se tivesse ficado a dever a circunstâncias imprevistas, como a súbita viragem, do vento, possivelmente, neste e noutros domínios de prevenção haja lições a tirar. Não é este o espaço, nem o seu autor é especialista no assunto, para se pronunciar. Porém, face ao lamentável e desolador espetáculo anual que assola não apenas a beleza e riqueza florestal do nosso pequeno país, mas pior, a desnecessária morte de valentes e generosos Kátias e Danieis, há que, radical e urgentemente se fazer um profundo estudo sobre tão importante questão. Embora, felizmente, a floresta ardida rapidamente rejuvenesça, mas não o seu habitat, o mesmo não sucede quer com as desnecessárias vidas perdidas dos bombeiros como a rica biodiversidade, assim como os prejuízos, mas especialmente os psicológicos das populações afetadas, jamais podem ser recuperados. Desde, e principalmente a ordenação das florestas, que segundo os próprios bombeiros, as do Estado são as mais prevaricadoras, como quer melhor treino e equipamento adequado das Corporações dos Bombeiros, ao civismo das populações, particularmente dos incautos, já que os pirómanos, por questões psicológicas são dificilmente tratáveis, especialmente em classes menos afluentes, exige-se- urge-se - um estudo rigorosíssimo! A valentia, a generosidade, a abnegação dos Bombeiros, que agradeço e presto a minha modesta homenagem, BEM O MERECEM, especialmente quando no exercício de tão arriscada missão, as suas vidas são as primeiras a estar em jogo. Não mais desnecessárias mortes de Kátias e de outros jovens lutadores, já que é inaceitável o desperdício de 214 HEROIS que sacrificaram as suas vidas pelos nossos bens e bem-estar. .

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

A Síria e o tal “Relacionamento especial”

A recente derrota do Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, na Câmara dos Comuns, sobre a sua determinação (juntamente à dos EUA) em intervir belicamente na Síria a pretexto do alegado ataque governamental de armas químiicas ao seu próprio povo, prontificou várias questões e deflagrou outras. A nível interno, primeiro, a posição e autoridade do chefe do governo, cuja derrota debilitou ainda mais a sua já questionável autoridade partidária. Segundo, a moral ou justificação da intervenção militar em países soberanos, quando, em semelhantes casos de chacina despótica, como da Somália (2007), Uganda (1984), (particularmente esta de que resultou a morte de milhões de inocentes civis), da atual e semelhante chacina no Congo, da qual ainda se desconhecem números, ou até mesmo, este mais radical, o caso da Coreia do Norte, NADA FOI FEITO! Terceiro, se tal desfecho porá em causa o chamado “Relacionamento Especial”, com os EUA. E, a nível externo, tal como é atribuído a um porta-voz do Presidente Vladimir Putin, da Federação Russa a alegada “pequenez” e “reduziada influência mundial” do Reino Unido. Obviamente, a “aventura” no Iraque, pesou forte na decisão dos deputados, confirmado por uma sondagem posterior, em que 71% dos entrevistados também se opôs a uma participação armada. . Deu, porém, lugar a um precedente: a primeira derrota de um chefe do governo numa das maiores decisões – intervenção militar – num país estrangeiro. Contudo, ao dizer não, abandonando o seu mais direto aliado, os EUA, tratou-se da segunda vez, depois da Guerra do Vietname, em que o então Primeiro-Ministro. Harold Wilson, recusou qualquer envolvimento. Porém, e devido ao reatamento e invulgar estreitamento de relações entre os dois países, particularmente até e depois da discutida intervenção no Iraque, desta vez, levanta-se a questão, particularmente importante para os Conservadores, sobre as consequências que a decisão parlamentar provocaria ao chamado “Relacionamento Especial” entre os dois países, de que tanto, particularmente os britânicos, falam e insistem preservar. Iniciado por Winston Churchill e Theodore Roosevelt, quando o Reino Unido debelitado, estoicamente se debatia, contra as forças Nazis e o povo americano se recusava, oficialmente, a intervir (se bem que, em privado, Roosevelt fornecia navios e material bélico pesado), o seu Presidente, face à situação real e aos insistentes apelos do seu amigo deste lado do Atlântico, torneou a situação envolvendo, DIRETA e EFICAZMENTE o seu Povo, do qual resultou a vitória e o fim de Hitler. Fora, assim, iniciado o “Relacionamento Especial” que teve igualmente como importante arquiteto o influente ministro, Dean Acheson. Para os americanos, porém, embora reconheçam os britânicos aliados mais diretos, como para a maioria dos políticos atuais, de “especial” o relacionamento só existe quando lhes interessa. Afinal, atual e particularmente à crescente influência da China, nomeadamente na esfera asiática, faz concentrar as suas atenções não na velha Europa, mas na distante e mais inquietante região do Sol Nascente. Os britânicos, embora não queiram admitir ser nostálgicos, fortemente cimentados nas tradições, para eles, o “Relacionamento Especial” que em tempos de paz, embora durante a “Guerra Fria”, foi particularmente reforçado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, tem de ser mantido, mesmo que simbolicamente. A lição mais imediata, aprendida do inesperado “não” parlamentar britânico, pelo seu velho aliado foi o reconhecimento da real impotência pessoal dos chefes de governo ou de Estado, passando controversas “batatas quentes” aos seus Parlamentos ou Congressos. Entretanto, surge o cada vez mais arrogante e autocrático Presidente Putin, aliado do regime sírio, a denegrir a influência atual do país que mais ajudou o seu durante a II Guerra Mundial, apelidando-o de “pequeno” e sem “influência mundial”. Ironicamente, com a sua proposta de rendição das armas químicas por parte da Síria, aos cuidados da ONU, talvez a ele se fique a dever uma nova e indesejável intervenção externa no conturbado Oriente Próximo.

sábado, 7 de setembro de 2013

DIVAGAÇÕES DE UMA NOITE DE VERÃO?

Hábitos, tradições e culturas são características idiossincráticas dos povos. E a melhor forma de as distinguir é a vivência e identificação. E, quando delas se é parte histórica, trata-se de um bónus adicional. Uma das primeiras observações com a cultura e práticas britânicas, ocorrida há mais de meio século, esta em termos académicos, foi a ênfase na opinião do aluno e da sua argumentação sobre um determinado tema, em vez da do tutor, que se limitava a ouvir e, quando necessário, opinar e, a segunda, o planeamento.este, algo estranho para quem vinha de uma cultura de “última da hora” ou do habitual “em cima do joelho”. Outra, o muitas vezes desnecessário, e até vulgar pedido de desculpa. Porém, a que mais me impressionou foi, e é, a fidelidade na resposta a um contacto por correspondência. Que diferença entre, diria, o nosso MAU HÁBITO! Infelizmente, no nosso país, é raríssimo receber-se resposta (agora felizmente em contactos oficiais PRÁTICA CORRENTE e, até, com relativa rapidez!), mesmo quando em casos de simples cortesia (e tenho inúmeros), em que a simples receção, ou prova de boas maneiras - o agradecimento - são os GRANDES AUSENTES! Porém, quando, por circunstâncias, ocasionais ou inerentes a cargos ocupados, somos parte, e, em alguns casos, iniciamos hábitos, costumes ou normas, mais tarde adotados a nível nacional, compreende-se a satisfação pessoal. Estes, particularmente quando, a título voluntário, ocupei funções sindicais na BBC, notável instituição que profissionalmente me formou e servi durante 30 inesquecíveis anos. Casos pioneiros, que, iniciados nessa Corporação, se tornaram em PRÁTICA NACIONAL! A primeira, quando pouco se falava ainda do assunto, em princípio devido à exiguidade dos então estúdios, refrear-se o uso do fumar durante as transmissões. Prática que depois se estendeu aos refeitórios, em que inicialmente foi dedicado um espaço para fumadores que, mais tarde, foi abolido, inclusivamente no interior dos edifícios, concedendo-se alguns minutos de ponto para os fumadores inveterados. Prática que, anos mais tarde, transformada em lei, se consolidou a nível nacional e nos transportes. Seguiu-se a segurança, especialmente devido à possibilidade dos anunciados ataques do IRA (que, não obstante publicamente anunciadas ameaças, nunca ocorreram a instalações da BBC). Ironicamente, e quando, inicialmente, propus identificação própria dos funcionários e registo de visitantes, recusados devido a alegados custos, quando, poucos anos depois, um dos estúdios foi invadido por adeptos do Partido Nacional Galês (Plaid Cymru - pronuncie-se Pláid Cúmrí), em que foi solicitada a minha mediação, em protesto. por parte daquele partido à, para eles, indevida promoção do galês em emissoras nacionais naquele país, em desprimor às transmissões em línguas vernáculas como era o caso do Serviço Mundial da BBC. Prática atualmente generalizada em todo o país. Finalmente, o processo, inicialmente modesto, da emancipação feminina, ou melhor, o aumento da quota de profissionais femininos em jornalismo, até então defensivo reduto masculino e apenas reservado a secretárias. Ironicamente, anos mais tarde, e quando achei pôr termo a 13 anos de chefia sindical voluntária, o primeiro não britânico a ocupar o cargo, mas eleito, do Serviço Mundial, dei lugar, primeiro a uma Presidente, seguida por outra, esta Portuguesa, que imediatamente fizeram campanha para o Movimento Lésbico, então obscorecido (mas mais tarde prevalecente na Corporação). Fazer parte da História, ser-se pioneiro, talvez por acidente, do que atualmente é apenas hábito corrente e, quando esse intérprete não é cidadão desse Povo e Cultura, mas PORTUGUÊS, ou melhor, Tondelense, é uma realidade! Não uma divagação de uma noite de verão!

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O GEORGE DE CAMBRIDGE

Cambridge lendária cidade universitária, situada no centro-leste da Inglaterra, tem um novo George. Ainda não aluno, pois conta apenas poucas semanas de vida, além de privilegiado cidadão de tão vetusta a académica cidade, será também um dia o sétimo soberano do país e da vasta Commonwealth. Nascido às 16:24 de 22 de julho de 2013, o novo George Alexander Louis, filho de Kate Middleton e do comandante de helicópteros de salvamento, William Windsor, é o novo aluno em potencial aluno de tão importante Centro de Saber, que entre os seus lauréis conta com elevado número de laureados Nobel. Possuidor de excelentes pulmões, tal como o pai afirmou, que, comummente traduzido significa exercer ótimas qualidades vocais, indispensáveis para um potencial orador, tal como o nome, parece honrar e traduzir as milenares tradições das origens académicas de Cambridge. Lembremo-nos de que a Universidade de Cambridge, deve a sua origem à revolta de professores e alunos aquando da condenação a enforcamento do aluno criminoso e colegas de alojamento, que abandonando a Universidade de Oxford muitos deles ali se radicaram dando origem à fundação da Universidade de Cambridge pelo que se orgulha de uma tradição liberal, com raízes profundas na música, principalmente coral e medieval (caso do Trinity College). Embora tivesse sido fundada em 1209, em 1226 teve o primeiro Reitor, reconhecido tanto pelo Rei como pelo Papa, mas só em 1284 é que viu o seu primeiro "college", Peterhouse. As lutas e provocações por parte dos educandos levaram à destruição das escrituras e alvarás universitários, provocando também a morte de vários estudantes. Dos sérios distúrbios só o “Colegge” Corpus Christi, fundado em 1352, demonstrando invulgar espírito de mediação, permaneceu incólume devido ao notável pacifismo e exemplo demonstrados. Aliás, pautada pelo seu puritanismo e em sequência aos incidentes, o Corpus Christi, proibiu os seus alunos a participar em peças teatrais, que na altura eram predominantes no meio académico e que, mais tarde, seria enorme alfobre de talento como se pode constatar no século XX, nomeadamente John Cleese, um dos fundadores da celebérrima série televisiva Monty Python Flying Circus. Exemplo idêntico, este em termos de organização de peças teatrais, foi seguido pelo “Colegge” Emmanuel, fundado em 1584. Este negro capítulo, levou o Reitor da Universidade, Lorde Burghley (William Cecil), também ministro das finanças, a decretar, em 1585, normas severas, incluindo o envergar obrigatório de uniforme. Mas, quase dois séculos mais tarde, em 1776, o recruta que viria a ser famoso anti esclavagista, William Wilberforce, notaria, dececionado, que a devassidão entre os alunos era predominante: "bebem imenso ... pelo que fiquei chocado com a sua conduta" Outro contemporâneo apontava que "era escandalosa a ignorância da ordem e da disciplina na Universidade". Não surpreende que a partir do século XIX, Cambridge libertou-se dos atavios religiosos, como, por exemplo, exames de religião como prova obrigatória de admissão e começou a abrir o currículo às Ciências Naturais (1851), à Engenharia (1894) e à Matemática. Foi também neste período que graças ao Girton “College”, foram admitidas alunas (1869), o que constituiu uma verdadeira revolução no ensino superior para a época. Se a Universidade de Cambridge se orgulha de muitos laureados Nobel, em que se destacam, pela sua importância, Ernest Rutherford (mais tarde Lorde), inventor da separação do átomo em 1932, como os Drs. James Watson e Francis Crick, que juntamente ao Prof. Maurice Wilkins, este do King''s College de Londres, descobriram a origem da vida, o ADN (ácido dióxidoribonucleico), em 1953, para ser igualmente fiel à irreverência de que a origem de Cambridge é timbre, nela, além de atores, foram também formados célebres jornalistas e escritores igualmente irreverentes, como é o caso do já citado John [Marwood] Cleese e de David [Paradine] Frost. Fiel à tradição, ou seja, depois do diretor da cátedra de matemática, Charles Babbage, ter inventado, em 1833, a "máquina analítica" tida como a precursora dos computadores, Cambridge é conhecida como verdadeiro Centro Científico, em que a informática desempenha papel importante. É esta Cambridge que, agora, passa a contar com um George, este Real e o terceiro na linha da sucessão ao Trono..

sábado, 27 de julho de 2013

O Milagre chamado Mary Rose

Como ilha, e, no passado, possuidora da maior frota naval mundial, à semelhança das potentes locomotivas, os ingleses são fanáticos pelos navios e particularmente pelas histórias de naufrágios. (Talvez que, por isso, na língua inglesa, locomotivas e navios, sejam definidos pelo sexo feminino!) Foi o que sucedeu com o Mary Rose, um vaso de guerra do século XVI, a maravilha da frota Tudor, que o rei Henrique VIII, compreensivelmente desolado, viu inesperadamente afundar-se, ao largo da costa de Portsmouth (sul da Inglaterra), quando desfraldava contra a frota de guerra francesa. Portsmouth, onde a partir da II Guerra Mundial se encontra a célebre base naval, e onde, no sobranceiro palacete de Southwick tiveram lugar os secretíssimos estudos e preparação do famoso Dia D, que deu início ao princípio do fim do Regime Nazi. O Mary Rose, de que Henrique VIII tanto se orgulhava, afundou-se em julho de 1545, com 500 marinheiros a bordo. Porém, o que é raro, devido à sedimentação da zona em que naufragou, verificou-se que o tão notável vaso de guerra, meio milénio depois, permanecia praticamente intocável. Graças às novas tecnologias, inicialmente aliadas ao querer de um punhado de fanáticos, que empolgou todo o país, o célebre vaso de guerra foi cuidadosamente içado, por potentes guindastes, em 11 de outubro de 1982, permanecendo conservado, desde então numa doca gigante, atmosfericamente controlada. Entretanto, e só quatro anos depois, quer tanto a pesada âncora como outros apetrechos foram igualmente içados. Foi a partir de então que teve início um dos maiores, cuidadoso e inédito esforço científico em que tomaram parte duas centenas de pessoas, incluindo muitos voluntários. Cautelosa e carinhosamente foram limpando milhares de objetos encontrados no navio. Desde canhões, apetrechos, vestuário, incluindo botas dos infelizes marinheiros, armamento, moedas de ouro, centenas de dardos, vasto número de utensílios de bordo, implementos médicos, instrumentos musicais, jogos e até, incrivelmente animais de estimação que acompunhavam a tripulação. Um vasto, precioso, variado e extraordinário achado agora transformado em justificado museu, localizado nas Docas

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O FENÓMENO DOS PROTESTOS GLOBAIS

Como se tem verificado, o enorme Brasil é o exemplo mais recente dos protestos populares, que tiveram início na Tunísia em janeiro de 2011, se seguiram no vizinho Egito, contra ditaduras há muito neles radicadas. Esta, uma, que se diria, justificada razão. Antes do Brasil, a Turquia foi, e está a ser, foco das atenções mundiais. Enquanto isso, já Portugal, Espanha e a própria França foram igualmente cenário de manifestações, algumas delas violentas. Nos países europeus, como no Brasil, nações democráticas e cujos dirigentes foram eleitos democraticamente, embora a razão inicial dos protestos tenha sido despoletada por um único motivo, rapidamente engolfou outras questões de carácter social. Se na Espanha e Portugal foram devido à crise económica, que envolveu os dois países e, na França, contra a nova lei marital do mesmo sexo, na Turquia surgiu devido à projetada transformação de um parque em complexo comercial; no Brasil, o pretexto foi o magro aumento das tarifas dos autocarros da cidade de S. Paulo, resultando, como se sabe, no espalhar dos protestos às suas cidades principais, incluindo a maior paixão daquele país, o futebol, ou melhor, as consideradas desnecessárias despesas com a construção dos novos estádios para o Mundial de Futebol de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. De assinalar que praticamente, em todas as manifestações, foi influente o papel quer das redes sociais quer da juventude, especialmente a mais formada e até abastada. Protestos e manifestações sempre existiram. Enquanto eram praticamente exclusivo de entidades sindicais ou organizações políticas e cívicas, agora passaram a um conjunto amorfo de indivíduos sem qualquer, e que até recusam liderança. Dentre os considerados protestos e manifestações clássicas, destacam-se as das desigualdades civis e raciais, oriundas dos Estados Unidos da América (EUA), com início nos meados da década de 1950, em sua maioria lideradas por Martin Luther King. A estas, seguiram-se as grandes manifestações de Seattle (na zona oriental dos EUA), em dezembro de 1989, aquando da realização do encontro ministerial anual da Organização Mundial do Comércio (sigla WTO em inglês) de cariz anticapitalista, que despoletaram idênticas e consequentes manifestações em encontros similares, quer na cimeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Génova, em 2001, de novo, em Doha, Qatar (Emirados Árabes), aquando de outro encontro ministerial do WTO, em novembro do mesmo ano e de ulteriores encontros quer por parte destas organizações quer de outras semelhantes, como o G8 (países mais ricos do mundo), como aconteceu recentemente em Enniskillen, (Irlanda do Norte). Assinalem-se outras grandes manifestações, ou ocupações, como a de Wall Street, em Nova Iorque e na Catedral de São Paulo, em Londres. Porém, tal como esta última, efetuadas na Inglaterra, a primeira contra a greve dos mineiros, no início dos anos 80, seguida, pouco depois, contra o chamado imposto “Pol Tax”, ou comunitário, promulgado pela então primeira-ministra Margaret Thatcher, em Londres, estas que foram conhecidas pela até ai ausente violência, seguiu-se a maior de sempre, nos meados dos anos 90, contra a participação britânica na Guerra do Iraque, que envolveu milhão e meio de participantes. Todas elas, organizadas e lideradas, o fenómeno das manifestações atuais é o voluntarismo e a participação popular de ideologias diferentes. E, se na Turquia, o primeiro-ministro Recep Tayip Erdogan insiste em ignorar os manifestantes, que agora imitaram a nossa chamada ºRevolução dos Cravosº que contra os fortes embates da polícia e dos seus canhões de água, assim como ataques de gás lacrimogénio ostentam cravos, no Brasil as autoridades foram forçadas a desistir do aumento das tarifas e a Presidente Dilma Rousseff, tentanto acalmar os ânimos, anuncia a realização de um Referendo de Reforma Política.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

AS INEXPLICÁVEIS MARAVILHAS DA NATUREZA

A razão das migrações dos animais e insetos, misteriosa como é, especialmente o idêntico percurso feito de geração para geração geralmente ao local de nascimento, continua a desafiar a imaginação humana. São múltiplos os exemplos de migrações quer de peixes, sendo a mais notável a do salmão (Salmo, Oncorhynchus) para a desova, mas especialmente das aves, em que se destacam os patos e gansos selvagens ou a nossa mui conhecida andorinha (Hirundo rustica) que percorrem milhares de quilómetros. E dentre os animais quadrúpedes, os mais notáveis são os wildebeests (Connochaetes taurinus) que chegam a percorrer cerca de 1.600 km, para, no vasto Parque Nacional de Serengeti (Tanzânia), serem vítimas dos ferozes crocodilos que os aguardam. Porém, uma das maravilhosas migrações é a das Borboletas Monarch (Danaus plexippus), cujos maravilhosos e coloridos insetos chegam a percorrer distâncias de 3.200 km e normalmente 130 km por dia. As migrações mais notáveis das Monarch, geralmente duas da mesma espécie, qualquer delas com inicio nas Montanhas Rocky (Canadá e Estados Unidos da América). Embora a primeira migração, efetuada do lado ocidental desta cordilheira, onde efetuam a gestação no inverno, voam, no verão, normalmente a baixa altitude, para a Califórnia (sul dos EUA), onde permanecem durante toda a temporada. Porém, a emigração mais longa, esta com início na zona ocidental da cordilheira e de outras zonas do vasto país, as chusmas destes belos insetos deslocam-se, no outono, normalmente durante 75 dias, e a alta altitude, para sul, em direção à zona vulcânica do México central, a 3.600 km de distância, voando cerca de 50 km por dia, onde permanecem durante o inverno. Durante o trajeto, bem orientado, mas sem mapas ou orientação por satélite, páram e concentram-se em várias regiões dos EUA, cujos habitantes as aguardam com coloridas receções. Audaciosa jornada, uma vez que durante o percurso têm de poisar quer em terrenos ou arvoredo geralmente afetado por perniciosos herbicidas ou em culturas genéticas, onde podem perecer. Porém, as bem sucedidas, chegam, finalmente, ao México, mais precisamente às florestas onde se erguem e abundam as atrativas e altíssimas árvores, “oyamel”, idênticas aos nossos pinheiros, do Estado de Michoacán, situadas a cerca de 3.000 metros de altitude. É no adocicado, e daí o seu nome, tronco destas árvores, e num perímetro de centenas de metros quadrados, que as coloridas monarch, monarcas para os mexicanos, ou, neste caso para nós, monárquicas, procuram e disputam refúgio. Antes, porém, e ao chegarem, principalmente à aldeia de Moihacán, a primeira e estranha etapa é ao cemitério local. Compreende-se porque os seus habitantes ansiosamente as aguardam com coloridos festivais que chegam a durar dois meses, recebendo-as em festa e ao som de bandas locais uma vez que as tratam como o espírito dos seus antepassados! Para eles, as monarcas não são belos e coloridos insetos, mas o espírito mensageiro, a alma, dos seus antepassados. Porém, este temporário habitat pode estar ameaçado. Primeiro devido à ganância dos ricos comerciantes de madeira que abatem vasto número das preciosas “oyamel”. Segundo, às agravadas condições climáticas resultantes do chamado efeito de estufa e, terceiro, aos já mencionados pesticidas e culturas genéticas, principalmente dos EUA, durante o percurso, de ida e volta, assunto que mereceu detalhado estudo e relatório por parte do Fundo Internacional e Mundial da Natureza (WWF), em 2000. Finda a permanência, as monárquicas abandonam o local, regressando, as que podem, à sua origem. Sem mapas, sem orientação baseada nas novas tecnologias, fazem a viagem de retorno neste que continua a ser um dos mais maravilhosos e indecifráveis mistérios da natureza. Fontes e agradecimentos: Understanding Environmental Issues (Compreensão de Assuntos do Meio Ambiente), Open University/Willey, Chichester, Inglaterra

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Grupo ou Fórum Bilderberg

Apelidado por muitos de altamente secreto e por outros considerado “governo da nova ordem mundial”, cujos membros efetivos, em sua maioria, são desconhecidos e daí o fundamento do fator secreto desta organização, embora o lugar nas suas conferências anuais seja mundialmente disputado, delas normalmente fazem parte os atuais e alguns antigos primeiros-ministros, como é o caso do muito nosso Dr. Francisco Pinto de Balsemão, chefes de estado, dirigentes como Henry Kissinger, altos chefes da finança, indústria, economia e das principais multinacionais, o Fórum Bilderberg cujo nome é oriundo do hotel holandês onde ocorreu a primeira reunião, em maio de 1954, teve o seu último encontro recentemente num luxuoso hotel-parque, em Watford, cidade vizinha a noroeste de Londres. Oficialmente constituído e desenvolvido por importantes figuras tanto europeias como da América do Norte conscientes da necessidade de um “estreito diálogo e esforço conjunto no sentido de se debaterem problemas comuns e de crítica importância”, este controverso Grupo reúne-se anualmente, durante três dias, no país da Comissão Rotativa, ou seja, o Executivo, que elege o seu Presidente. São estas sessões de análise em sua maioria durante as refeições, vedadas aos órgãos ocidentais da comunicação social e subordinadas ao termo jornalístico de “off the record”, ou seja, para não serem direta e publicamente citadas, que abordam e procuram criar “uma maior compreensão dos problemas e tendências [afim de] permitir maior entendimento entre as nações ocidentais…” Terminada a Guerra Fria, reza o seu Cânone “existem mais, e não menos, problemas comuns. Desde o comércio a postos de trabalho, política monetária, de investimento, desafios ecológicos aliados a tarefa da promoção da segurança internacional...” Dos seus vários encontros, em que os participantes “falam livre e abertamente sobre as suas preocupações e experiências”, esclarecem as linhas oficiais, estão excluídas resoluções, votações e comunicados, predominando, assim, o anonimato e, para muitos, a tal razão do chamado governo mundial e secreto em que dificilmente muitos dos dirigentes, que nas sessões tomam parte, deixarão de seguir e até aplicar. Por isso, permanece a incógnita se muitas das concordâncias ou decisões ali tomadas serão ou não parte das políticas postas em prática pelos governos ocidentais. Dos membros do Conselho Rotativo, eleitos durante quatro anos, como já se apontou, sai o Presidente, que juntamente ao Secretário Executivo, é responsável pelo bom funcionamento do Fórum, da realização das conferências, respetivas agendas e a seleção dos participantes em que geralmente não faltam personalidades como Bill Clinton, Tony Blair, Bushes (pai e filho), o atual primeiro-ministro britânico David Cameron, o ministro das finanças George Osborne, o já referido Kissinger e Bill Gates, as mais elevadas figuras da Comissão e Presidência da EU, dos bancos Europeu e Mundial, FMI, etc. Portanto, a elite política, da finança, da economia, e dos principais braços culturais do mundo ocidental. Segundo, igualmente, informação oficial, tanto o “pequeno” Secretariado (cujos membros são igualmente anónimos), como as conferências são custeadas por contribuições privadas, igualmente anónimas. Porém, as (avultadas) despesas dos encontros anuais recaem nos membros do Conselho Rotativo do país onde elas são efetuadas. Dentre os custos, encontra-se o “exército” da segurança privada, suplementada por destacamentos da polícia local. De salientar que durante a realização do encontro em Vouliagmeni (Grécia), em 2009, o jornalista-fotógrafo do jornal britànico The Guardian Charlie Skelton, foi duas vezes detido por apenas tirar fotos aos carros dos participantes. Segundo o jornalista Kenneth P. Vogel, é esta “lista de influentes figuras globais que captam o interesse da rede internacional de conspiradores”, que durante décadas consideram as sessões do grupo Bilderberg como “esquema corporativista-globalista”, cujas poderosas elites estão a mover o Planeta para uma oligárquica “nova ordem mundial”.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

POMPEIA E HERCULANO EM LONDRES

Estas duas cidades italianas, sepultadas no primeiro século AD, quais Fénix ressuscitadas, ou parcialmente ressuscitadas, das cinzas. estão de visita a Londres numa invulgar e única exposição, no vetusto Panteão da Arte e Cultura, chamado Museu Britânico. Patente até finais de setembro, nela se podem observar, e reviver, através de 250 vívidos, empolgantes e, muitos deles chocantes documentos, o que subitamente aconteceu a partir de um meio-dia, e em apenas 24 horas, nos longínquos idos anos 97 AD (ou, como os cientistas agora afirmam, em vez de AD, BP (Before Present – Antes do Presente). Porém, quanto a mim, numa opinião puramente pessoal, embora a imprensa britânica tenha colocado esta exposição nos pináculos da fama, não atinge os níveis de outras a que assisti no mesmo Museu, nomeadamente a inolvidável do Faraó Tutankamum, realizada em 1979, ou a mais recente, de há uma década, também sobre Herculano, neste caso, o Imperador. Embora seja evidente a colaboração do Moseo Nazionale Archiologico di Napoli, sem a qual esta mostra não seria possível, nos muitos dos raros achados encontrados até ao momento, (tanto mais que as escavações, devido à exigida morosidade, ainda estão, e estarão por muitos anos, em curso), desejar-se-ia mais. Conquanto belos e descritivos frescos, estátuas de bronze quer do Imperador da época, Augustus (Lucius Maximus Maximus) e de sua bela e esbelta mulher, a Imperatriz Lívia, como outra de mármore da sacerdotisa Eumachia, mosaicos como o magnífico da Casa de Orfeu a retratar um pujante e insaciável canino, enriqueçam esta mostra, nela não faltam chocantes documentos, como a figura de dois cães petrificados ou, pior ainda, o drama, a dor de uma mãe, e marido, igualmente petrificados, a tentar agarrar e salvar os filhos quando, sucumbidos, tentavam abandonar o seu rico lar. Abundam, igualmente, utensílios de cozinha, assim como comida, ou alimentos, estes refletidos no pão da época, obviamente petrificado, ornamentos em ouro e até o abandonado boletim de nascimento de uma criança possivelmente no seu móvel de quarto. E, a refletir o intenso e súbito calor das engolfantes cinzas um chocante berço ou um banco de jardim carbonizados. O que os expositores conseguiram, tal como o tema da exposição reflete, foi retratar, quanto possível, a vida diária das duas cidades: as casas dos ricos e dos pobres, incluindo atos amorosos e até sexuais refletidos nos vários frisos presentes. Tudo isto, para mim, a lição mais chocante foi a surpresa do inesperado, prova da fragilidade humana e da sua insegurança e incerteza sobre o seu futuro. aliás muito bem traduzidos na interrogação do escritor da época. Stacius: “No futuro, assim que os campos verdejem e as devastadas plantas floresçam, será que alguém reconhecerá, que cidades, mansões e habitações foram sepultadas?” Afinal, tudo aconteceu subitamente, em apenas 24 horas. Não obstante os prévios avisos do vizinho e até então dormente vulcão do Monte Vesúvio, trepidante e ameaçador, a vida continuou como habitualmente. Num meio-dia, como outro qualquer, do longuíssimo ano de 79 AD, subitamente, do estrondo, o Vesúvio começou a vomitar chamas, enormes nuvens de cinzas, juntamente a incandescentes rochas, escurecendo tudo ao redor. A população, agora consciente, tentou fugir. Primeiro Pompeia, que em poucas horas ficou cerca de 1/3 submersa em 5 metros de altura de cinzas, sepultando 1150 pessoas, seguindo-se-lhe a vizinha, bela e luxuosa estância balnear de Herculano, ambas na Baía de Nápoles, esta última, mais pequena, afetada em 2/3 e soterrada em 20 metros de profundidade, mas com apenas 350 vítimas. As escavações, iniciadas nesta última, ocorreram em 1740 e as de Pompeia em 1748.

domingo, 12 de maio de 2013

Galardão

Ser-se celebrado e reconhecido é uma preciosa dádiva. Porém, quando esse reconhecimento é por parte de uma generosa e laboriosa, agora pujante Comunidade, composta por cerca, senão mais de meio milhão de pessoas não é apenas um privilégio, mas uma dupla responsabilidade. Foi o que me aconteceu na Gala do Jornal As Notícias realizado no sábado 11, no belo Hotel Pestana Bridge, em Londres, em que me foi outorgado o tão cobiçado e artístico Galardão. Este notável evento, iniciado há cinco anos pelo incansável fundador tanto da Gala como do jornal, Dr. João Pestana, coadjuvado por outro incansável servidor da nossa Comunidade, como é o caso de Gabriel Fernandes, Diretor do Canal das Comunidades, abrilhantado por artistas notáveis, como Fernando Pereira e dirigido por admirados apresentadores da nossa televisão, como Carlos Alberto Moniz e pela recém eleita Miss da Comunidade Portuguese no RU, Núria Cardoso, assistido por três centenas da fina flor da Comunidade Portuguesa na Inglaterra, incluindo altos representantes diplomáticos do nosso país, assim como deputados britânicos, não só demonstra a dimensão da nossa representação comunitária como a sua força em terras britânicas. Longe vão os tempos em que dificilmente se tentou formar associações em que outro incansável servidor diplomático, José da Silva Amador, também laureado, tanto se notabilizou e a quem o nosso país muito deve, mas não devidamente reconhecido. Perante esta demonstração de vontade e de unidade há que forjar a DEVIDA UNIÃO PARA DEMONSTRAR A VERDADEIRA FORÇA DO QUE SOMOS E PODEMOS COMO DIGNOS EMBAIXADORES DO NOSSO PAÍS NO REINO UNIDO (RU).

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O MISTICISMO DOS VULCÕES

Para os Romanos, Vulcão, o deus do fogo, assistido pelo seu sacerdote Flamen, atraía os fieis no seu dia áureo do Festival Volcanalia, efetuado a 23 da agosto, em que o brindavam com pequenos peixes a fim de serem protegidos pelas devassadoras chamas. Para os Indonésios, em cujas 13,677 ilhas (6,000 das quais desabitadas), numa superfície de 1,904,570km2, situadas numa das mais violentas zonas tetónicas, semeadas por 129 poderosos vulcões, dos quais Krakatoa ou Krakatau em bahasa (língua oficial indonésia), a leste de Java, é o mais potente e destruidor, e cuja explosão de agosto de 1883 destruíu 2/3 da ilha, matando aproximadamente 40 mil pessoas, a magia dos vulcões domina-os. Só nesta ilha, a segunda maior do país, com 120 milhões de habitantes, predominam mais de 30 vulcões ativos, a quem se deve a morte de mais de 140 mil pessoas, nos últimos 500 anos! O país, cujo mote é Bhinneka tunggal ika - unidade na adversidade – traduzido por 300 etnias com mais de 700 idiomas e dialetos, dominado por seis grandes religiões oficialmente reconhecidas pelo governo, e da qual a mais preponderate é o islamismo, seguida do catolicismo, protestantismo, induísmo budismo e confucionismo, não obstante a sua religiosidade, é profundamente dominado pelo animismo. Só assim se explica, não obstante o seu devastador e mortífero historial, a magia dos vulcões, em que o do Monte Merapi, (que significa Montanha de Fogo), na zona centro-oriental de Java, a 30km norte da cidade de Yogiakarta, de meio milhão de habitantes, é o mais notável. Mas não único! O misticismo dos vulcões por parte da população indonésia, incluindo a própria classe política é tal que os dirigentes islâmicos, preocupados pelos seus efeitos, lutam estoicamente contra semelhante tendência! A estas devoradoras bocas em chamas afluem, anualmente, milhões de súbditos que as alimentam principalmente de cabritos, dinheiro e aves de toda a sorte. Ao vulcão do Monte Merapi, que igualmente conta com o chamado “Guardador” ou, digamos Sacerdote, de nome Mbah Marijan, realizam-se procissões por ele guiadas, cujos participantes, cheios de oferendas procuram aplacar. Ironicamente mais: a dádiva de uma vida melhor! O charme de Merapi, que na sua erupção de 1930 matou 1200 pessoas, é tal, que nas suas frondosas escarpas de 3000 metros de altura abundam, aninham-se aldeias cujos habitantes procuram a sua proteção! O maior cúmulo, a outro vulcão, este situado perto do Lago Toba, a norte da Ilha Sumatra, junto do qual está instalado um heliporto para os helicópteros dos ricos visitantes, um candidato à vice-presidência foi suplicar aos espíritos de tão poderoso vulcão que o ajudasse a ganhar as eleições. Porém, a potente boca de fogo não o ouviu, pois não as ganhou. Outras importantes figuras políticas recorrem ao beneplácito do guardador de Merapi, Mbah Marijan! Quem, porém, por alegado misticismo, uma vez que afirma que os vulcões “são cadeiras dos deuses” é o empresário Satria Naradha, tipo Berlusconi, pois possui a principal emissora de televisão e o principal diário de Bali, que se aproveita do desenvolvimento do turismo e afluência aos vulcões com a construção de uma vasta rede de templos hidus através da Indonésia! Desde há muito que os vulcões, muito relacionados com as placas tetónicas, são parte importante da mitologia de muitos povos, habituados a viver junto das devoradoras crateras. A ciência que estuda estes fenómenos, a vulcanologia, porém, só em 1768 começou a estudar o que até então era vulgarmente classificado como “montanhas a arder”. Porém o registo gráfico da primeira erupção vulcânica está patente num mural neolítico, de 7000 AC, nas caves de Çatal Hoyuk, Anatólia, Turquia. Atualmente os geologistas concordam que o vulcanismo é um processo profundo resultante da evolução termal dos corpos planetários. O calor não escapa facilmente de vastos corpos como a Terra por processos condutores de radiação. Em seu lugar é transferido do interior da Terra, largamente por convecção, ou seja a fusão da crosta e da mantra terrestres numa força ascensional da magma projectando-a à superfìcie. Portanto, os vulcões são o sinal da superfície deste processo termal. Das suas raízes, nas profundezas da Terra, resulta o enorme e poderoso vómito na atmosfera. Fontes: Agradecimentos a: Enciclopaedia Britannica, Wikipedia e National Geographic (edição britânica, janeiro de 2008)