terça-feira, 14 de agosto de 2012
"Dadores" de esperma, nova fonte de fortuna e...de problemas
Não foi a notícia do EXPRESSO (10 de abril passado), baseada no diário britânico The Daily Mail, sobre cientista britânico Bertold Wiesner, que terá doado o seu próprio esperma, durante 20 anos, estimando-se que seja pai biológico de cerca de 600 filhos, que deu origem a este importante controverso tema. Porém, a provar-se, o que já não é possível, devido à sua morte em 1972, este insólito caso, embora muitos dos seus filhos o confirmem, prontifica-nos a analisar o que está a ser um grande negócio, mas verdadeiro ninho de problemas, nos Estados Unidos da América (EUA).
Com os seus inúmeros bancos de esperma, em que o Cryobank, da Califórnia, é o maior do mundo
e que só em 2011 cujas vendas atingiram a astronómica verba de 35 milhões de euros, excluindo
claro outros três dominantes, que segundo o canal televisivo daquele país ABC News, controlam
65% do mercado global só dos EUA, capitalizando cerca de 150 milhões de euros, o esperma é
exportado para, pelo menos, 60 países. A razão, deve-se ao facto, primeiro do enorme número
mundial de casais inférteis, que segundo a organização Mundial de Saúde, só em 2006 em todo o
mundo havia entre 60 e 80 milhões de casais inférteis e, segundo, às leis dos vários países que regulamentam e, nalguns, proíbem tal negócio. Desde que o par britânico de cientistas - Profs. Robert Edwards e Patrick Steptoe descobriram e desenvolveram o seu sistema de concepção “in vítreo”, de que a primeira bebé proveta foi Louise Brown, no já distante 25 de julho de 1978, no então District General Hospital de Oldham, (actualmente Royal Oldham), na Grande Manchester, estes pioneiros dariam nova esperança a muitos casais inférteis. Porém, e sem que tivessem culpa,
dariam igualmente lugar a um verdadeiro quebra-cabeças. Se em termos de “dadores”,
principalmente nos EUA, embora e, em princípio, estejam limitados a 25 ou 30, com a proliferação de “bancos” e a falta de controlo entre eles, os “dadores” podem fazer na média 45 mil euros por ano. A questão, a grande questão, é o anonimato. Se bem que a maioria dos “bancos”, principalmente pelo compreensível interesse dos clientes, em procurarem o mais possível a origem do esperma, têm de ser seletivos, quando procuram evitar doenças, nomeadamente as de natureza sexual transmissora, regra geral procuram adequada informação familiar, que geralmente cobre três
gerações. Outro requisito seguido pelos “bancos” os dadores são identificados pela altura, aparência e formação académica. Compreende-se que um dador com um doutorado, pode ganhar cerca de 750 euros por ejaculação. Embora nos EUA a lei não proíba o anonimato, isso não aconteceu no Reino Unido, que em 2004 a proibiu, o que obviamente, se refletiu na drástica quebra do número de dadores. O mesmo sucedeu tanto no Canadá como na Austrália, países que dependem da importação do esperma, principalmente dos EUA, estimada em mais de 90%. E, se o anonimato não existe,
abre-se a catadupa de problemas legais e medicinais. Em relação ao primeiro caso, poderá uma criança, resultante de um destes dadores de esperma, num país diferente da origem do “dador” invocar direitos paternais ou,
pior, direitos a sustento bem como de bens ou até invocar direitos de cidadania? E, que dizer, quando adultos, quiserem procurar saber as suas origens? Estes, alguns dos
importantes pontos a considerar num comércio que embora procure explorar a infertilidade, obviamente cria enormes problemas. Este, como aponta a revista TIME (16 de abril), que detalhadamente analisa tão importante assunto, não ser problema para um dos “dadores”, Ben Seisler, americano de 34 anos de idade que depois de garantir poder ser pai de, pelo menos 140 filhos, em 2005 procurou identificar alguns dos seus herdeiros. Deparando com Shari Ann, no Quebeque (Canadá), a cujos filhos gémeos (nomes permanecem no anonimato) foi apresentado como amigo da mãe desde então permanecem como amigos trocando correspondência regularmente. Porém, agora casado, cessou com tal prática, particularmente quando revelou o seu
passado de “dador”, naturalmente ficou estupefacta! Por tudo isto compreende-se – e exigem-se – leis controladoras, o que, possivelmente se concretizarão.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
A Magna Carta
A Magna Carta, cujo título original em Inglês é Grande Carta Inglesa, esse documento medieval tão citado mundialmente como origem da Democracia, particularmente britânica, divulgado em 1215, pelo Rei John, e, reeditada, com adições, em 1216, 1217 e, finalmente a vigorar a partir de 1225, portanto prestes a serem celebrados os seus octocentenários, é um documento de contrastes. Os direitos e privilégios nela exarados não resultaram da magnânima generosidade do rei João, mas foram-lhe forçados principalmente por uma revoltada nobreza e clero, procurando evitar uma guerra civil. Desse documento inédito, restam apenas quatro preciosos exemplares originais: dois, um em cada nas catedrais de Salisbury (sudoeste) e Lincoln (centro-leste da Inglaterra) e outros dois no Museu Britânico, em Londres.
Ideia do Arcebispo Stephen Langton, em 1213, a fim de aplacar os revoltados barões face às pretensões reais do excessivo aumento dos impostos feudais quando, composta por 63 cláusulas, foi apresentada ao monarca, este viu-se forçado a sancioná-la e proclamá-la a 19 de Junho de 1215, em Runnymede, belo prado verdejante nas vizinhanças de Windsor (a 30km oeste de Londres) onde se encontra um marco comemorativo. Começando por reafirmar os direitos da Igreja e cláusulas de proteção ao infringimento das regras feudais, como eventuais excessos solicitados pelo Rei, sem o consentimento do seu mordomo superior em assuntos fiscais, até intenções dolosas e extorsão por parte dos emissários reais e ainda a proibição da detenção, imprisionamento e punição dos homens livres (mas ignorando por completo os vilões e escravos que constituiam a maioria da população), salvo em condenação justa pelos seus pares ou pelas leis do Reino, bem como garantias e privilégios tanto a Londres como a outras cidades. Com o desaparecimento gradual do feudalismo, atingida a dinastia Tudor (Século XV), a Magna Carta caíu praticamente em desuso. Atingiu, porém, novo ritmo no século XVII, desta vez parlamentar, em que foi reinterpretada e dada uma nova e mais importante dimensão democrática. Tida como símbolo e grito de batalha contra a opressão, ao longo dos séculos foi frequentemente invocada sempre que as liberdades individuais se encontravam ameaçadas. Este, particularmente o caso da Inglaterra em que tanto a Petição de Direito, em 1620, bem como a Lei de Habeas Corpus, em 1679, deram lugar, baseadas na cláusula 39 da Carta, em que se afirma “nenhum homem livre será imprisionado ou desapossado (dos seus bens) excepto quando julgado pelos seus pares ou pela lei do Reino”. Porém, o maior impacto da Carta, foi na elaboração da Constituição dos Estados Unidos da América, em que predominam ideias e até frases diretamente da Magna Carta. A ideia da Magna Carta, aliás, não era nova. Anteriores monarcas, também normandos, como Henry I, Stephen e Henry II emitiram-nas, geralmente com promessas ou concessões aos seus barões. Mas não se tratava de concessões nem de promessas, mas apenas frases generalizadas. Porém, no século XII, com o aumento gradual das administrações, a influência dos barões enfraqueceu em relação à Coroa. A situação complicou-se devido à necessidade de aumentos de impostos, particularmente para a Terceira Cruzada e para o pagamento do resgate de Ricardo I, após a sua captura pelo Imperador da Santa Sé, Henrique VI. A posição do Rei João, mais enfraquecida ficou, devido à pretensão ao trono de um seu rival e o ataque ao Ducado da Normandia, que veio a perder em 1204. Sem um mal nem dois, veio o terceiro: a disputa com o Papa Inocêncio III, que chegou a excomungar o rei por este insistir em não nomear um arcebispo para Cantuária, afim de arrecadar os proventos para si próprio. Mais tarde, porém, foram feitas as pazes tornando-se suzerano do Pontífice com o arcebispo Stephen Langton, finalmente, à cabeça do arcebispado de Cantuária. Desiludido por nunca ter reganho o império de Angevin (de que faziam parte as atuais Normandia e Bretanha), morre de febre e desinteria, aos 49 anos de idade, no forte do bispo de Lincoln (centro-leste da Inglaterra atual). Porém os restos mortais deste único rei da dinastia normanda, nascido e morto na Inglaterra, encontram-se na catedral de Worcester (centro-oeste da Inglaterra).
quinta-feira, 14 de junho de 2012
RUPERT MURDOCH - HEARST RESSUSCITADO? (II-Conclusão) Fim de um império?
A
machadada a tão portentoso império, pelo menos no Reino Unido,
poderá ter sido dada, com a publicação do relatório da Comissão
Parlamentar de Cultura Desporto e Media, resultante de cinco anos de
investigações, no dia 1 de maio último, em que a mesma declarou
Murdoch “impróprio para gerir uma empresa”, independentemente do
império que construiu. O pior, porém, foi os seus executivos,
incluindo o filho e ex Diretor da News International, James Murdoch,
serem também acusados de mentir ao Parlamento, nos vários
inquéritos em que tomaram parte e, em que Rupert Murdoch, que a eles
resistiu, numa das sessões do ano passado, à qual não pôde
evitar sobre pena de prisão, perante a qual ter admitido ser “o
pior e mais humilde dia da minha vida”
Humildade,
porém, não é o que o novo e alto denunciador livro Dial
M for Murdoch (Ligue-se
M para Murdoch), - de autoria do deputado Tom Watson e do jornalista
Martin Hickman, da editora ALLEN LANE – 2012 - termo geralmente
conotado com crime, revela. Este revelador e altamente denunciador
documento, em que um dos autores, Tom Watson, foi vítima, bem
descreve a senda de abusos, implicando a detenção de 36 jornalistas
dois dos quais – o veterano Clive Goodman e Gleen Mulcaire, que já
cumpriram penas de prisão - mas especialmente de intromissão e
desregradas escutas ilegais de, pelo menos, 4.332 pessoas, muitas
delas célebres, como o ator Hugh Grant e os próprios príncipes
William e Harry a fim de ilegalmente obter notícias sensacionais
sobre as suas vidas privadas, publicadas no altamente profícuo e
multissecular NOTW. Não apenas isso, o pior foi o conluio com
algumas das mais elevadas e diversas esferas da Metropolitan Police,
vulgo Scotland Yard, a cujos agentes principais pagava elevadas
somas, permitindo o seu silêncio e inação, provocando, direta ou
indiretamente, a resignação de nada mais nada menos que três dos
mais altos dignitários da Scotland Yard! Não é de surpreender que
o principal jornalista denunciador do Caso Watergate, Carl Bernstein,
em artigo publicado na revista Newsweek,
afirmasse
que o caso das escutas ilegais só deveriam surpreender apenas
aqueles que ignoraram a “perniciosa
influência de Murdoch no jornalismo”.
E adianta: “muitos
de nós pestanejaram com certo gozo obsceno sem considerar a enorme
corrupção do jornalismo e política da Cultura de Murdoch em ambos
os lados do Atlântico...” O
corolário da saga agora chamada Murdoch, que está longe do seu
termo, tanto mais que também no mês passado foi formalmente acusada
uma das suas mais influentes jornalistas, e até que chegou a ser
Presidente da News International, Rebekah Brooks, bem como o marido e
assistente redatorial, por interferência no decurso da justiça . O
mesmo aconteceu com o seu ex colega, diretor do NOTW e Diretor de
Informação de David Cameron, Andrews Coulson., Independentemente de
outros três processos judiciais em curso, pelo menos três, contra
o Império Murdoch, culmina com outra vasta investigação, esta
liderada pelo Juiz de Suprema Instância, Juiz Lorde Brian Leveson.
Tudo isto, resultante das sucessivas tentativas de negação e
ocultação das infrações de escutas ilegais, embora reveladas em
2006. O mérito, coube ao matutino The
Guardian, que
divulgou
a
interferência e manipulação de alegadas mensagens, atribuídas à
raptada e morta, jovem Milly Dowler, em 2002. Estas, com o objetivo
de alimentar o sensacionalismo noticioso do NOTW, em que este
semanário inventou “conversas” e mensagens de telemóvel,
atribuídas à desditosa e bem morta filha, para convencer os pais da
jovem que ainda estava viva! Este, o potente tiro saído pela
culatra, que obviamente despertou e revoltou a opinião pública
britânica, que obrigaria Murdoch a encerrar definitivamente o
desacreditado multissecular e altamente lucrativo semanário News
of The World e
a oferta de cerca de três milhões de euros de compensação à
família da jovem Milly Dowler, assim como a organizações de
caridade, em que muitas, inicialmente, se recusaram a aceitar..
TRISTE E NOJENTO CAPÍTULO PARA A LONGA E LOUVÁVEL TRADIÇÃO DA
IMPRENSA BRITÂNICA!
quinta-feira, 31 de maio de 2012
RUPERT MURDOCH - Hearst Ressuscitado?
Poucos serão os que se lembrarão do magnata da imprensa americana, William Randolph Hearst (1863-1951). Porém, se se adiantar “Cidadão Kane”, essa maravilhosa película de atuação e realização de Orson Wells (1915-1985), em que o retratou, certamente que avivará muitas memórias. Personalidade definida de “proporções Shakespearianas, de obstinada determinação e de inesgotável energia”, a ele se deve a revolução dos media americanos tornando-se num dos mais potentes e igualmente perigosos magnates do sector. Empresário-mestre por excelência, bem como consumado exibicionista, os seus 28 importantes títulos, nos 19 principais centros populacionais americanos, dominavam, pelo menos um entre quatro dos leitores daquele país. Invulgar magnata, nacionalista e extremista, outro William Hearst poderá ter surgido na pessoa do australiano, naturalizado americano, [Keith] Rupert Murdoch. Filho do influente jornalista e correspondente de guerra, “sir” Keith Murdoch (1886-1952), depois de se formar em Oxford e adquirir experiência em jornalismo, junto de outro influente magnata britânico, Lorde Beaverbrook, foi diretor do seu influente Daily Express, Com a morte do pai, em 1954, regressou à Austrália, onde herdou dois dos seus importantes títulos, Sunday Mail e The News, ambos em Adelaide. Transformando o último, baseando-o em sexo e temas escandalosos, alguns da sua própria autoria, viu a circulação a escalar. O sucesso foi tal que institucionalizou outros títulos em cidades como Sidney, Perth, Brisbane e Melbourne.
Astuto, assim que Margaret Thatcher assumiu o poder, em 1979, imediatamente conquistou a sua simpatia e admiração, prestando-lhe enorme apoio, com a aquisição do antigo e moribundo The Sun, transformando-o, graças à sua indubitável magia, num poderoso título de larga circulação, revolucionando a então sonolenta e dominada indústria pelos títulos dos magnates Beaverbrook e Northcliffe. Com os conceituados e mui respeitados títulos The Times e The Sunday Times, propriedade do canadiano lorde Thompson para venda, o seu relacionamento com Thatcher contribuiu para a sua imediata aquisição, seguindo-se o igualmente influente e então prestigiado The News of the World (NOTW) , sem que houvesse qualquer inquérito anti-monopolista, geralmente requerido em casos desta natureza de detenção de vários e importantes títulos. Estava, assim, aberto o caminho para a formação da News International, que daria lugar ao império mundial hoje conhecido, News Corporation, que inclui, além da anterior, News Limited (Australia), News American Holdings Inc. que incorpora vários jornais, incluindo o prestigiado Wall Street Journal, um estúdio de cinema em Hollywood e o canal televisivo FOX, independentemente de influentes editoras, tanto nos EUA como na Grã-Bretanha, um império calculado em 70 mil milhões de euros. Influente junto das principais figuras políticas britânicas, a sua ação foi particularmente enorme com Tony Blair e, atualmente, o primeiro-ministro, David Cameron, cuja orientação política fortemente influenciou, nomeadamente em questões de política europeia. O “namoro” com Cameron, visava o apoio deste na aquisição total (ou seja os restantes 61% das ações das 39% que já possui) da potente e mui proveitosa BskyB – de que faz parte a não lucrativa Sky - que até Março passado faturou £1bl (1,2 mil milhões de euros de lucros). Compreende-se a sua influência, ao ponto de colocar um dos seus antigos diretores do (NOTW), Andy Coulson, como diretor de informação do primeiro-ministro, quando já era suspeito o seu envolvimento nas escutas ilegais no semanário que dirigiu durante quatro anos. A sua potente influência e magia, porém, chegou ao seu termo.
Continua: RUPERT MURDOCH - HEARST RESSUSCITADO? (II-Conclusão) Fim de um império?
quinta-feira, 17 de maio de 2012
O MAIOR FLAGELO DOS NOSSOS TEMPOS
Todos sabemos que o desemprego juvenil, devido às intoleráveis taxas, é uma das chagas, ou como já foi também apontado, “verdadeiro flagelo” nacional. Se no nosso país são intoleráveis os 14%, e que entre os mais jovens a falta de emprego ultrapassa os 35% daqueles que, entre os 15 e os 24 anos, integram a população ativa, estamos, na realidade, a falar de 156 mil entre 441 mil jovens. O único consolo, se é que isso significa algo, não se passa apenas no nosso país e, muito menos, na União Europeia (UE). Da UE, segundo dados recentes da revista TIME (Nº de 16 de Abril de 2012, págs 23-27), se a Grécia atinge os 51,1%, e a Espanha 50,5, seguida pela Itália com 31,1, a Suécia 23,5, e Reino Unido 22,4%, só a Alemanha é o país com taxas menores - 7,8%. Fora da UE, e dentre os países mais industrializados, como os Estados Unidos, com 16,5 e o Japão com 8,5%, temos o penoso cenário de uma geração em verdadeira crise. O pior é que se trata de uma classe etária com elevado índice de educação, em sua maioria até com licenciaturas ou, até, com mestrados ou doutoramentos. A tragédia, segundo a Organização Internacional de Trabalho, 75 milhões de jovens entre 15 e 24 anos, ou seja 2 em cada 5, encontram-se desempregados a nível global. E esclarece que, no contexto atual, há pouca esperança de melhoria. Segundo, Gianni Rosas, coordenador daquela organização, citado pela TIME, “estamos numa situação em que os nossos pequenos encontram-se em pior estado do que estávamos há 20 anos atrás”. Não surpreende que para o FMI, trata-se de “uma geração perdida”. A situação complica-se por vários fatores, nomeadamente, por exemplo, na Europa Ocidental, a proteção laboral, considerada excessiva torna a situação mais difícil para que os jovens encontrem emprego. Como os despedimentos de pessoal, a tempo integral, são complicados e dispendiosos, as empresas evitam recrutar pessoal novo quando funcionários com mais tempo de casa geralmente têm a prioridade. E, quando se enfrentam os despedimentos, são geralmente os jovens recém recrutados que vão para a rua. Não surpreende que tentando debelar a crise, países como o Paquistão, cujo esforço em combater a crise do emprego juvenil é semelhante ao ataque contra o terrorismo, o primeiro-ministro daquele país, Yousuf Raza Gilani diz que a sua prioridade é “lutar pela elusiva tentativa de encontrar emprego para os mais jovens”.Quando a crise e a recessão são cada vez mais profundas mais ausentes estão os indispensáveis incentivos. Neste domínio, o governo do Reino Unido, cuja juventude se manifestou recentemente numa caminhada de 450 quilómetros, semelhante à histórica "Marcha por Empregos", realizada em 1936, quando 200 homens desempregados caminharam desde Jarrow, no norte de Inglaterra, até à capital britânica para entregar uma petição a favor da criação de emprego. No final de julho foram registados 2,51 milhões de desempregados no Reino Unido, dos quais 972 mil eram menores de 25 anos. E, segundo o Instituto Nacional de Estatística britânico, dentre os desempregados licenciados, forçados a recorrer a trabalhos manuais não especializados, a taxa aumentou para 36% comparada a 27% ao período homólogo de uma década atrás! Por isso, o governo foi forçado a movimentar-se. Enquanto dera antes início a um esquema, altamente criticado, em que os jovens desempregados seriam aceites pelas empresas, por período temporário, mas sem remuneração e que, com base no seu desempenho poderiam ser recrutados, ou caso não fossem, receberiam uma recomendação que os poderia beneficiar assim que encontrassem trabalho, foi o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, que recentemente anunciou um novo esquema, válido durante três anos, orçado em 1,2 biliões de euros, de forma a reduzir o desemprego juvenil. As empresas que adirem ao esquema serão subsidiadas por cada jovem que recrutem. Esta, uma louvável tentativa de enfrentar e atacar o problema que poderia ser seguido por outros países afetados, em vez de os aconselhar a emigrar, como foi o infeliz caso dos nossos governantes. Faz-me lembrar a República da Irlanda, que nos anos 70 viu os seus jovens, aqueles que lhe poderiam ser úteis nos anos vindouros, em sua maioria alta e dispendiosamente educados no sistema nacional de ensino, emigrar para outros países como o vizinho Reino Unido, ou os Estados Unidos, de onde, com melhores condições, salários mais altos e maior capacidade de investigação, jamais regressariam..
quinta-feira, 10 de maio de 2012
O OUTRO DESCONHECIDO E ASSUSTADOR SALDO DE 2011
O somatório de desastres, principalmente cheias ou secas quase bíblicas, que têm assolado o nosso pobre Planeta, do Oriente a Ocidente, do Norte a Sul, com o consequente arrebatar de vítimas, não pode – nem deve – ser descurado! As já esquecidas cheias do Bangladeche e do Paquistão, em 2010, ou as mais recentes, quer durante 2011, mas especialmente – tanto nas Filipinas, na Austrália, como na costa oeste, ou ainda os fortes e inéditos nevões do estados centrais dos Estados Unidos da América (EUA), estes, felizmente, sem acarretar grande número de vítimas, ou ainda as enxurradas tanto do Rio de Janeiro como as do Estado de Minas Gerais, no Brasil, todas já este ano, em que as anterior, além das habitações, em sua maioria casebres das pobres favelas, provocaram grande número de vítimas. Insisto. Nunca fui, nem serei, profeta da desgraça, já que tantas vicissitudes abundam quer nos ecrãs das nossas televisões quer na maioria dos jornais diários! Chamo, porém, a atenção, indago-me a mim próprio, o porquê de tantos e quase consecutivos males, excluindo os terramotos, os maremotos, ou como modernamente se lhe chamam, tsunames! Como não sou cientista, deixo as respostas mais adequadas a quem de direito! O que, porém, não posso deixar de referir, baseado na lista de atrocidades naturais que ocorreram por este nosso mundo fora, é a página consagrada pela revista TIME, de 26 de dezembro de 2011 a 2 de janeiro de 2012. Por considerá-la inédita e importante, para quem não assina ou lê esta conceituada revista, aqui fica uma resenha.
Num círculo dividido em quatro partes, e tendo como núcleo o título “FORÇAS DA NATUREZA tanto da terra, do ar, do fogo ou da água, a verdascada sofrida pelo mundo em 2011”. Se em termos de furacões, tornados ou ciclones tropicais que assolaram as Caraíbas e a costa oeste dos EUA, excluindo o número de vítimas mortais, aponta a revista, os danos materiais foram orçados em mais de 12 mil milhões de euros! Em termos de cheias, na Austrália, Brasil, Canadá, EUA e Tailândia, e de secas no leste de África, se faz o modesto cômputo financeiro de 50 mil milhões de euros, o pior, foram as consequências – pelo menos 800 pessoas morreram nas cheias do Rio de Janeiro, as maiores da história do país, 6.300 voos cancelados, na Tailândia 2.9 milhões de pessoas foram afetadas e, na totalidade, três milhões e 725 mil quilómetros quadrados atingidos e destruídos pelas cheias, enquanto as secas africanas, que afetaram 2.3 milhões de km2, puseram em risco as vidas de 13.3 milhões de pessoas. E, se aos fogos, principalmente na Austrália, México, Canadá, estados do Arizona, Florida, Texas e Nevada, estes quatro nos EUA, enquanto 391.600 hectares de terreno, muito dele produtivo e com cereais destruídos, além da destruição do precioso ecossistema, 1.703 lares foram destruídos e dezenas de milhar de pessoas evacuadas. E, finalmente, no tocante a terramotos de grande envergadura, que ocorreram, em sua maioria, nos Estados de Oklahoma e Virgínia (EUA), e em países como a Turquia, Indonésia, Quirguistão, Espanha, Birmânia, Japão e Nova Zelândia, só em termos de vítimas humanas, o cômputo global foi de 28.220 pessoas. Como a BBC televisão, (notável pelos seus extraordinários documentários sobre a natureza, nomeadamente o mais recente, COLD PLANET (O FRIO PLANETA), transmitido no Reino Unido, em dezembro último), claramente focou muitas das alterações climatéricas, se não as principais, devem-se ao crescente e inédito degelo dos polos – Norte e Sul – e, principalmente, à invulgar subida das temperaturas e o crescente degelo das permaglaze, ou seja as camadas eternas de gelo, com as imediatas consequências de climas mais quentes e consequentes cheias. Mais recentemente, no nosso país, as danificantes secas e, na Inglaterra, o antecipado verão de duas semanas durante o fim de março, cientificamente mencionado como o mês mais quente do último século no Hemisfério Norte, são mais do que a confirmação de que a alteração do Clima Global é mais do que realidade! Confirma, assim, as previsões dos cientistas, na conferência a que assisti, há 15 anos, nas proximidades de Londres, que “dentro de 20 anos” os verdejantes e luxuriantes jardins ingleses passariam, apenas, a plantas de caráter alpino! Entretanto, e segundo o último relatório da maior seguradora mundial, a Lloyds de Londres, o ano de 2011 foi o de maiores prejuízos de sempre, em que teve de desembolsar 15 mil milhões e meio de euros! Custos a pagar por todos nós em maiores prémios e mais caros produtos!
quinta-feira, 26 de abril de 2012
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