quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
David Cameron e a União Europeia
Finalmente, a tão especulada e ansiada proclamação do primeiro-ministro britânico foi revelada na passada quarta-feira 23. Nada de novo em relação às especulações e, até, bem preparadas fugas de informação. O chefe da coligação no Poder, tal como se previa, revelou duas premissas da sua política: Continuar como membro de uma União, dependendo de reformas …que o satisfaçam, ou, como ele insiste, “os interesses nacionais”, baseadas na devolução de poderes de Bruxelas para Westminster, nomeadamente em termos de justiça, agricultur, finanças e assuntos laborais, continuando apenas como membro do Mercado Único. Caso contrário, e aqui o ultimato, a realização de um referendo até 2017, sobre o tão autoproclamado direito do eleitorado britânico, favorito chavão da sua cada vez mais vociferante ala eurocética. Esclareça-se, porém, que dada a clara oposição do seu parceiro do Governo, os Liberais-Democratas, em relação â intenção exarada nesta sua proclamação, trata-se, apenas de uma posição e intenção do Partido Conservador, como ele próprio fez questão de apontar, CASO O SEU PARTIDO GANHE AS ELEIÇÕES DE 2015! Ou seja, maioritariamente e sem necessidade de recorrer a coligações!
Fazendo questão de, no seu discurso, apontar os sacrifícios, contributo do seu país, antigos dirigentes e parceiros europeus a favor de uma Europa livre e em paz; vencido o Nazismo, obtida a paz entre velhos inimigos e construída uma Europa pacífica. Concretizada esta missão, salientou Cameron, a próxima etapa é a prosperidade. Mas a que preço? . Embora apontando que os desafios da União vêm de fora e não de dentro, particularmente das “emergentes economias do leste e do sul” Por isso, “para nós, a União Europeia é o meio para um fim – prosperidade, estabilidade, ancora de liberdade e democracia, tanto dentro como para além das suas fronteiras – e não apenas um fim.” Para Cameron, enquanto outros países não têm problemas” e, principalmente, “o hiato, recentemente cada vez maior, entre a EU e os seus cidadãos (…) o que significa falta de responsabilidade e consentimento democráticos”. Sustenta David Cameron que caso estes três pilares do desafio não forem devidamente enfrentados, correr-se-á o risco de uma falhada Europa e a possibilidade do povo britânico se dirigir para a saída. Este, portanto, o DILEMA!
Para o recém-reeleito Presidente Barack Obama, invulgarmente meticuloso na não interferência em assuntos internos de países amigos, esta posição de Cameron quanto a uma eventual saída da EU, não passa de um enorme risco. Risco não apenas para o futuro do Reino Unido (RU), mas pior, para as relações britânico-americanas em que o seu país se considera reforçado com o RU como e Não, membro da EU. Esta, igualmente, a posição tanto dos parceiros sociais e comerciais britânicos como de várias individualidades de gabarito da vida britânica que, publicamente, em carta aberta, publicaram no matutino The Guardian, na quarta-feira da semana passada. Começando por apontar que quando no seio da EU estão a ser feitos esforços especiais de reforma, “a sugestão de uma retirada do Reino Unido não é apenas irrealista, como provocará a instabilidade e a incerteza no mundo dos negócios, no investimento e no povo britânico em geral”. Isso significa, continuam os peticionários, que tanto os “investidores globais, como os nossos parceiros membros da EU, querem ver a Grã-Bretanha envolvida no núcleo do maior mercado comum mundial, sentada à mesa a influenciar as decisões que determinem o futuro e o bem-estar da economia europeia, da qual o RU é parte [integrante]”. Perante este, um dos maiores desafios jamais enfrentados pelo primeiro-ministro britânico, os comentadores políticos salientam que, clara e concretamente, Cameron não apenas finalmente se verga à vociferante, cética e potente ala antieuropeia do seu partido, mas fá-lo, também, devido à crescente perda de votos contra o seu ascendente adversário da direita, o Partido Independente do Reino Unido (UKIP), que advoga – e insiste -.na retirada do RU da EU.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Sir Isaac Newton e a Fatídica Maçã
O pai da Teoria da Relatividade, Sir Isaac Newton, notável físico e matemático, e não só, nasceu prematuramente de uma família de agricultores no lugarejo de Woolsthorpe, condado de Lincolnshire (centro leste da Inglaterra), a 25 de Dezembro de 1642, cujo pai, do mesmo nome, morrera três meses antes. A debilidade do bebé levou a preocupada mãe, que não esperava que o recém-nascido durasse mais de um dia e, muito menos, os seus longos 84 anos de vida, levou-o a uma parteira local. De novo casada, com o rico sacerdote Barnabas Smith, o casal mudou-se para outra paróquia vizinha, sendo difícil ao filho adaptar-se. Criança só e mui introspetiva, não podendo suportar o padastro, optou pelo apoio da avó. Volvidos nove anos Smith morreria e, pouco depois, ver-se-ia órfão também da mãe, cabendo à avó concluír a tarefa iniciada pela filha ao preparar o neto para administrar a fortuna familiar. Provando ser um fracasso pelo desinteresse desmontrado, quer pela terra quer pelo cuidar dos animais, ingressou na escola vizinha de Grantham (também terra natal de Margaret Thatcher), onde foi notado como dedicado e inteligente aluno, particularmente na execução de bonecos mecânicos e outros utensílios domésticos como cadeiras! Com as portas abertas para o ensino superior, transitou, em 1661, para a Universidade de Cambridge (Trinity College), onde, devido à predominante vaga científica da época como os astrónomos Copérnico e Kepler, que desenvolveram o sistema heliocêntrico do Universo; Galileu, a quem se deve a proposta das fundações da nova mecânica à base do princípio da inércia e, Descartes, que havia formulado a nova concepção da natureza como intrincada máquina impessoal e inerte.
Cambridge tornou-se numa fortaleza da até então passada moda do Aristotelianismo, geocentrado numa percepção do universo em termos naturais de qualidade em vez de quantidade. Obviamente o ávido Newton seria influenciado por tão fortes e atraentes forças dedicando-se à física e ciências naturais, e embora concluísse o curso, o seu interesse e vocação académica, seriam, porém, interrompidas devido à nova vaga de Peste Bubónica, em 1665, que igualmente assolaria a cidade, dizimando vastas figuras académicas da época, obrigando-o a regressar à sua terra natal. Foi ali que num dos muitos momentos de isolamento e meditação, questionando muitos dos parâmetros e teorias absorvidas em Cambridge que, junto da janela, virada para o jardim e, ao olhar para a vizinha frondosa macieira (que ainda existe!), viu caír uma maçã, espicaçando-lhe a curiosidade e fazendo do local ponto obrigatório de meditação e exploração do fenómeno da gravitação universal, de que resultaria a sua versão simplificada em prospeto, De Motu, publicada em 1684, de onde partiria a Filosofia dos Princípios Naturais, abaixo citada, em que é definida como “cada partícula da matéria no universo atrai outra partícula com a força cuja direção é a da linha que une as duas e cuja magnitude é diretamente o produto das massas e inversamente o quadrado da distância de cada uma delas”. Antes, porém, ao ser eleito, em 1672, “Fellow” da Sociedade Real, distinção rara na época, publicou a sua Nova Teoria Sobre a Luz e a Cor, tema em que, igualmente, se notabilizou, nomeadamente na ótica. A sua descoberta da composição da luz branca, integrada no fenómeno da cor, na ciência da luz, lançou as fundações da física moderna da ótica. Outra invenção em mecânica que a Newton se deve, são as Três Leis da Moção, igualmente os princípios da física moderna, de onde resulta a formulação da Lei Universal de Gravitação. A este génio, se ficaria igualmente a dever a descoberta do cálculo infinitesimal refletido noutra sua obra, tornada clássica, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica (Filosofia dos Princípios Naturais da Matemática), em 1687, reconhecida como uma das mais importantes obras da história da ciência moderna, catapulcando-o para o cume da fama do maior cientista nacional e Presidente da Sociedade Real, assim como famoso no mundo científico internacional.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Breve Sumário do ano agora findo
Como tudo em jornalismo, em que no princípio dum novo ano não se resiste ao inventário do período transato, em que se virou mais outra folha do Livro da História, sucumbo ao mesmo hábito. Porém, no que toca ao nosso país, deixo o assunto à imprensa nacional, pelo que concentrar-me-ei no não menos importante cenário internacional, e a começar pelos fenómenos naturais. Enquanto, no início do ano, as secas, que tanto preocuparam os agricultores do nosso país, o auge atingiu principalmente os Estados Unidos da América, verdadeiro celeiro mundial, em que foram assunto de enorme preocupação sobre as eventuais consequências que teriam nos preços de bens essenciais como o pão em que, pela primeira vez, o influente mercado Futures negociou o alqueire do milho a 8 dólares (12 euros), o resto do ano surpreendeu pela abundância das chuvas e, principalmente também nos EUA, os costumeiros tufões anuais em que, desta vez, com o Furacão Sandy a inundar Nova Iorque provocando 200 mortes, milhares de milhões de euros em danos e a paralisação daquela influente urbe foi notícia. O ano, naquele imenso país, terminou com intensos nevões, particularmente nos invulgares estados do médio oeste, provocando pelo menos seis mortes e milhares de casas sem eletricidade. (Outro inaceitável e incompreensível desastre foi a matança de 20 crianças e seis professoras que as tentaram proteger de um tresloucado indivíduo, munido de armas semiautomáticas na escola infantil de Newtown, no estado de Connecticut).
Menor, mas igualmente danosa situação ocorreu na Inglaterra. Depois das companhias das águas porem restrições ao uso daquele precioso líquido, eis que, pouco depois, são contrariadas devido ao inesperado rompimento dos céus com a generosidade precipitária que inundou uma boa parte do território, especialmente a sacrificada e vasta zona do sudoeste do país, cujos bens as companhias de seguro recusam proteger.
Portugal, além dos habituais e incompreensíveis devastadores incêndios, principalmente na Madeira e no Algarve, foi a vez dos invulgares e localizados prejudiciais tornados nas zonas de Torres Novas e Castelo Branco assim como as devastadoras cheias na Ilha da Madeira.
No domínio político, o ditador sírio, Bashar al Assad, com o apoio tanto da China como da Rússia contínua com a destruição do seu país. Bashar, na sua demente pretensão da continuidade do seu regime despótico insiste na devastação e na destruição das suas belas e milenares estruturas com consequentes mortes de inúmeros cidadãos e multidão de pobres refugiados. Enquanto isso, com a vitória dos palestinianos numa reconhecida presença de estatuto de Observador nas Nações Unidas, idêntica à do Vaticano, o regime opressor de Israel, ignorando os débeis apelos internacionais, aumenta as suas ambições territoriais com a ampliação e anexação de território árabe na construção de aldeamentos judaicos. No seu vizinho Egipto, na sequência da chamada “primavera árabe”, é democraticamente eleito o seu primeiro presidente, Muhammad Morsi, que pouco depois invoca pretensões faraónicas de plenos poderes, baseado na necessidade de uma nova constituição, cujas pretensões, reconhecidamente de cariz totalitário, e, possivelmente islâmico ortodoxo, são fortemente resistidas. E, se no Oriente Médio, o problema chamado Irão, nomeadamente as suas pretensões ao fabrico de armas nucleares continua em efusão com a possibilidade de um ataque por parte de Israel, com o beneplácito dos EUA, no continente africano e na República do Congo em particular, predominou a sua vulnerabilidade em relação a países vizinhos como o Uganda, cujas forças alegadamente rebeldes ocuparam a importante cidade de Goma, na fronteira leste do país.
Outros importantes acontecimentos, eleitorais ou pretensamente ditos, ocorreram, no primeiro caso, nos EUA, com a reeleição do Presidente Barack Obama a braços com a crise financeira do seu país, tentativamente resolvida no dealbar do ano. E, se na Rússia, ninguém duvidava da vitória, falseada ou não, e fortemente contestada pelas forças populares, Vladimir Putin, mais uma vez trocou o lugar de primeiro ministro com Alexander Medveded, para Presidente, confirmando-se também na China a cedência do posto da chefia do Partido Comunista e à frente do governo, ao delfim Xi Jinping e. no Japão, viu-se o regresso do líder do Partido Liberal Democrata, Shinzo Abe, ao posto de primeiro-ministro quando o primeiro, de apenas um ano, foi considerado como desastroso.
O Brasil, tradicional, tal como no nosso país, pela lentidão ou adiamento da justiça, neste caso ao mais alto nível, notabilizou-se pela condenação dos principais intérpretes do famoso “Caso Mensalão”, atual e ironicamente transformado em jogo da populaça.
E, na Europa, com acentuadas crises quer na Espanha, na Grécia e na Irlanda (que neste primeiro semestre ocupa a Presid^dencia da UE), assim como no nosso país; na França verificou-se a deposição de Nicholas Sarkozi, com a vitória de François Hollande. Na Europa foi também a vez de inúmeras cimeiras e do continuado adiamento das desejadas soluções no seio da União Europeia. Tudo isto à espera de uma certa vitória da chanceler Merkel e do possível desejado desbloqueamento dos constantes e irritantes adiamentos. Novas oportunidades para maiores poderes do Banco Central Europeu e a desejável solução da crise do Euro? Esta a incógnita de 2013!
Entretanto, os MELHORES VOTOS DE UM RAZOAVELMENTE FELIZ ANO NOVO A TODOS QUE ME LEEM, ASSIM COMO ÀS SUAS FAMÍLIAS
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Estranha história de Natal
Neste natal, certamente haverá ricos, no nosso cada vez mais pobre país, que procurarão oferecer os mais belos objetos da moda. Vaidade das vaidades, como dizia Salomão, esse ilusório prazer de se ostentar objetos altamente dispendiosos, no primeiro caso malas de pele de crocodilo, ou casacos de pele e, noutro ainda, este de tapetes, as vistosas peles de tigres! O mesmo acontece noutras partes do mundo, em que predominam objetos ou obras em marfim ou a maníaca ideia de que certos animais, como os rinocerontes e os tigres, são portadores de qualidades afrodisíacas. Nesse prazer, ou melhor, nesse desvario, residem os maiores culpados da devastação dos animais selvagens e da extinção de belas espécies em algumas regiões e a sua ameaça noutras! Este monstruoso crime agravado pela avareza, ou, em muitos casos, necessidade de populações pobres, principalmente da África central e de zonas rurais da Índia, ou ainda de Moçambique, leva à destruição principalmente desses belos e inteligentes paquidermes e felinos superiores. Num só ano, como foi o caso de 2011, 25.000 elefantes foram dizimados para a extração dos dentes, devido à cobiça do marfim. O maior crime, porém, ocorreu em janeiro deste ano, em que uma centena de cavaleiros, munidos de metralhadoras e de granadas de propulsão, oriundos do Chade, surgiram no vizinho Camarões, a Norte, destruindo centenas de elefantes, famílias inteiras - filhos, mães, pais, avós e - no Parque Natural de Bouba Ndjidah, ato semelhante no ataque de 2006, efetuado no Parque Nacional de Zakouma, também no mesmo país. Não obstante a proibição global contra o comércio do marfim, adotada em 1989, a devastação, o horrendo crime da matança dos elefantes, continua. No caso dos tigres, particularmente a raça predominante de Bengal em que não obstante as 23 reservas de habitat desses belos animais, espalhadas pelo país, mas isoladas e cada vez mais em risco devido ao desenvolvimento da Índia, como a construção de barragens e crescentes necessidades dos agricultores por terras aráveis, o tigre é vítima de crescentes níveis de extinção, quando as suas peles são pagas, principalmente em Nova Iorque, a 10 mil dólares (7.500 euros) cada, montante para um aldeão indiano a significar uma vida inteira regradada!
Com a China, como a maior culpada, que defende a importação do marfim, e certos componentes de animais, como os rinocerontes, cujos órgãos afirmam exercer efeitos afrodisíacos compreensivelmente a preços astronómicos. O mesmo acontece, como alegada medida de proteção da sua multisecular arte, de onde saem objetos de inegável extraordinária beleza, esta sua atitude não tem desculpa. Faz lembrar o comportamento dos vizinhos japoneses que defendem a caça e abate das baleias por razões científicas, quando os seus ávidos cidadãos as devoram na sua tradicional culinária! Quanto a rinocerontes, em que tanto o Vietname como a Indonésia já não têm nenhum destes potentes animais, os que restam no vasto e belo Parque Krugger, na África do Sul, não obstante os enormes esforços dos seus guardas, um por dia é abatido, especialmente por indivíduos provenientes do vizinho Moçambique. Devido à frequência da prática deste crime, que tanto enriquece as pobres populações fronteiriças, as autoridades sulafricanas têm ordem para matar os assaltantes, pelo que é normal que muitos deles, em sua maioria jovens, o que regressa às suas aldeias não são os preciosos produtos dos rinocerontes ilegalmente abatidos, mas os seus próprios corpos em caixões, enviados como exemplo. QUE AOS ANIMAIS, MUITOS DELES NOSSOS AMIGOS, E QUE TANTO GOSTAMOS DE VER NOS ÉCRANS DAS NOSSAS TELEVISÕES OU ATÉ NO JARDIM ZOOLÓGICO, DEDIQUEMOS TAMBÉM NESTE NATAL UM CARINHO MUITO ESPECIAL. E aqueles ou aquelas que por mera vaidade procurem ostentar produtos ou artigos que provocam a sua morte e extinção, PENSEM MAIS DO QUE DUAS VEZES!
BOM NATAL e MELHOR ANO NOVO PARA TODOS QUE ME LÊEM ASSIM COMO SUAS ESTIMADAS FAMÍLIAS!
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Proteção de animais em vias de extinção
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
A IMPRENSA BRITÂNICA SOB HISTÓRICO MICROSCÓPIO
Volvidos 317 anos e 30 de três revisões de autocontrolo, a imprensa britânica foi foco do maior e mais intenso escrutínio da sua história. Após o escândalo das escutas ilegais, em sua maioria a cargo do mais tarde defunto News of The World a mais de 500 pessoas, incluindo algumas das mais célebres figuras da vida artística, como o ator cinematográfico, Hugh Grant, mas não só, nomeadamente Kate McCann, mãe da pequenita Maddie que desapareceu no Algarve, cujo diário foi publicado sem a sua autorização e acusações de que o casal tinha escondido o corpo da menina desaparecida no congelador ou a indevida acusação do professor Christopher Jefferies da morte de uma mulher em Bristol, a série culminou com a intervenção ilegal no telemóvel da pequena Milly Dowler que tinha desaparecido quando regressava do colégio e cujo corpo foi encontrado morto nas proximidades da sua residência em Walton on Thames (a sul de Londres). Os intrusos conseguiram mandar supostas mensagens aos pais da jovem a fim de lhes dar a impressão que estava viva e assim poderem perpetuar e sensacionalizar a sua indevida reportagem. Este, o caso mais mediático que revoltou todo o país e levou o primeiro-ministro, David Cameron, a decretar a realização de um inquérito judicial a cargo de um decano da mais alta instância, o Juiz Lorde Leveson.
Numa verdadeira maratona judicial, que durou 17 meses, em que depuseram mais de 500 testemunhas, incluindo o próprio primeiro-ministro, o seu vice, o líder da principal oposição - Partido Trabalhista - Ed Miliband, ministros, comissários e chefes da polícia, jornalistas e proprietários da imprensa, como o magnate Rupert Murdoch, figuras célebres da vida artística britânica, nomeadamente Hugh Grant e ainda os pais da vítima, Milly Dowler, como o casal McCann e muitas outras individualidades, o relatório final, composto por quatro maciços volumes de quase 2000 páginas, foi divulgado na passada quinta-feira. Se a especulação que antecedeu tão ansiado momento atingiu o auge, colocando o primeiro-ministro em foco quanto à aceitação das conclusões, as revelações mais intensificaram o debate. Em menos de duas horas, perante uma repleta Câmara dos Comuns, David Cameron, que recebera 24 horas antes o tão ansiado relatório, embora felicitando o seu autor e lamentando as vítimas, imediatamente provocou polémica ao confirmar as suspeições de que seria contrário a qualquer lei que condicionasse a liberdade da imprensa, na base de dificuldades legais. A sua posição imediatamente o desligou do seu vice de coligação, Nick Clegg, que embora contemplando algumas dificuldades legais, favorece medidas apoiadas por legislação, provocando uma dissensão cujas consequências serão conhecidas nas próximas semanas. E, como se esperava, com o apoio e o clamor da adoção de medidas imediatas de TODO o Relatório por parte da Ed Miliband, nos dois esteios democráticos, as revoltadas vítimas encontraram o ansiado apoio negado pelo primeiro-ministro. Lorde Leveson que considerou a imprensa como um dos principais pilares da democracia, foi o primeiro também a criticar frontalmente os inaceitáveis abusos dos seus transgressores, assim como o seu chegado relacionamento às mais altas figuras políticas do dia. A sua crítica atingiu também a polícia, na averiguação dos vários casos, embora a isentasse de corrupção. A fim de preservar tão importante suporte e evitar abusos que o danifiquem, propôs alterações como: um novo, mas voluntário Regulador, constituído por novos elementos eleitos por uma entidade independente e chefiado por apenas um Diretor (de um dos principais títulos atuais), mas excluindo qualquer membro do governo; julgar e decidir disputas; elaborar um novo código de conduta para os jornalistas, respeitando o direito da privacidade e maior exatidão; poder de investigar e decidir o tamanho e a colocação do pedido de desculpa; direito na aplicação de coimas com base em 1% do total das receitas do título transgressor, até ao máximo de um milhão de libras (1 milhão e 200 mil euros). Finalmente, o novo Regulador deve ter o apoio da lei que force os incooperantes a participar, e, neste caso, sujeito ao atual regulador da Televisão, OFCOM. Documento inédito e Histórico, segundo o The Guardian “o que ao relatório de Leveson faltou em termos literários e de elegância foi compensado em detalhe e clareza. À partida, deve ser dito que se trata de um imensamente sério, bem argumentado e vasto documento (…) que o primeiro-ministro (,,,) deve estudar cuidadosamente antes de descontar as suas partes mais significativas. E a imprensa tratá-lo com respeito – e não com menos humildade”.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
NOVA CRISE NA BBC
Para quem, como eu, serviu, durante 30 profícuos anos, tão eminente Emissora é trágico, neste seu 90º aniversário, ver tão conceituado nome nas manchetes dos media mundiais, incluindo os da nossa e tão criticado nos media britânicos. Mas não só. Também por alguns dos seus próprios e prestigiados funcionários! Dentre eles o veterano renomado jornalista John Simpson que afirmou esta ser a maior crise da BBC dos últimos 50 anos.
Subitamente, e depois da transmissão de um programa televisivo pela emissora britânica ITV1, em outubro último, em que denunciava o famoso apresentador da televisão, Jimmy Savile, que morrera aos 84 anos de idade, em outubro de 2011, de múltiplos e alegados crimes de pedofilia, alguns deles alegadamente praticados a raparigas jovens nos camarins da BBC Televisão, em White City (a oeste de Londres nos anos 70 e 80, depois da gravação de programas por ele apresentados. O caso, porém, não ficou por aqui. Um dos seus mais populares programas de investigação, Newsnight, apresentado no canal da BBC2, havia investigado e entrevistado alegadas vítimas do apresentador, com o intuito de o transmitir em dezembro do ano passado, ou seja, um mês depois da morte do apresentador.
O programa, porém, não foi transmitido por alegada decisão editorial com base na necessidade de mais confirmações por parte da Polícia. A decisão, foi, todavia, posta em dúvida, alegando-se que a razão principal ficar-se-ia a dever ao facto de colidir com um outro, este a elogiar a vida do visado, a ser transmitido, como realmente foi, durante o Natal do ano passado. Assunto que está a ser investigado por uma entidade independente que esteve ligada à concorrente, Sky News. Enquanto decorria esta e outra investigação, esta última a concentrar-se nas alegações de abusos sexuais praticados nas instalações da BBC, a cargo de uma ex e conceituada juíza, surge outro e inesperado escândalo – a transmissão, no programa Newsnight, de uma reportagem denunciadora de uma alta personalidade política relacionada com o partido Conservador. Embora não nomeando o visado, uma alegada vítima, nele entrevistada, afirmava ter sido violada, quando garoto, numa instituição juvenil no País de Gales. Com o firme desmentido do alegado visado, aliás, mais tarde confirmado pela falsa vítima, na base de confusão de identidade, obviamente, Newsnight, e a BBC voltariam a ser foco de compreensíveis e violentos ataques. Desta vez, porém, as atenções concentraram-se no recém nomeado diretor-geral da BBC, George Entwistle, devido à sua dupla capacidade de editor-em-chefe da Corporação. Sem ter sido previamente consultado sobre tão importante denúncia, por alegadas e deficientes estruturas editoriais, perante tão enorme clamor nacional, decidiu assumir a responsabilidade, demitindo-se, o que aconteceu 54 dias depois da sua investidura e de quase 30 anos de carreira na BBC. O mais irónico, foi George Entwistle ter sido um dos mais brilhantes jornalistas encarregados do programa Newsnight. Precisamente aquele que o levou à demissão! A trama, não ficou por aqui. Como resultado outros conceituados jornalistas da BBC, uns foram suspensos e outro demitido.
Esta nova crise surgiu quando a BBC se recompunha de uma outra, esta relacionada com o Iraque e o ex primeiro-ministro Tony Blair, em particular – o também célebre caso Hutton, que envolveu um inquérito judicial chefiado pelo juiz de que teve o seu nome – Lorde Hutton, em 2003. Em causa, a notícia divulgada pela BBC-Rádio 4 em que atribuía ao então primeiro-ministro a manipulação da informação do relatório de autoria dos Serviços Secretos Britânicos de que o então dirigente iraquiano, Saddam Hussein teria armas de destruição maciça que poderiam despoletar em apenas 45 minutos. Pressuposto da intervenção militar no Iraque. Com a decisão de Lorde Hutton, da infundada alegação, resultou uma das até então mais sérias crises da BBC, provocando a demissão tanto do jornalista iniciador da notícia, Andrew Gilligan, como do diretor-geral, o popular e eficiente Greg Dyke, e ainda o Presidente da Corporação, Gavyn Davies. Com esta segunda crise, a questão que abalou os sólidos alicerces de uma das mais conceituadas instituições britânicas, é o futuro da BBC, cuja estrutura hierárquica, nomeadamente editorial, começa a ser enfrentada.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
QUEM SÃO OS SALAFIS?
Nesta que é uma importante fase de ressurgimento islâmico, principalmente depois do ataque do Al Qaida aos USA, em 2009, e da retaliação destes, primeiro ao Afeganistão e, depois ao Iraque, os muçulmanos começaram a recrutar adeptos e a intensificar a sua ação em todas as partes do mundo, graças, principalmente, aos enormes fundos proporcionados quer pela Arábia Saudita, como pelo Qatar.
Foi o que aconteceu com os Salafis, principalmente durante a ocupação soviética do Afeganistão em que ali afluíram. Até então obscuro e até chacoteado movimento fundamentalista, particularmente conhecido pela mera distribuição de folhetos junto às mesquitas e festivais islâmicos e conhecido especialmente pelos seus controversos costumes, radicados ao período original de Maomé e, daí, o nome salafi, que significa “os predecessores”. Oriundos dos Sunni, que juntamente aos Shiitas, constituem os dois principais troncos do islamismo, o Salafismo, que não passava de uma filosofia, uma forma de vida, portanto sem qualquer liderança hierárquica, pelo que os seus aderentes não seguem, nem obedecem a uma simples figura, mas dependem e confiam nos escolásticos, antigos e modernos sobre a sua conduta. Para os Salafis, a vida é demasiado séria, pelo que não há lugar para o que consideram frivolidades, como a mais do que comum música, o cinema, a televisão ou a maioria de quaisquer diversões, como é o caso das civilizações ocidentais. O seu lema é o regresso às raízes e à emulação da austera piedade do Profeta Maomé e aos seus primitivos seguidores. Até recentemente, os Salafis não estavam muito interessados em política ou em qualquer forma de governo, democrático ou ditatorial, uma vez que, para eles, Deus, ou Alá é soberano. Porém, devido à acção e radicalização de um dos seus principais membros, Ben Laden, o movimento assumiu nova posição, mas pior, violência. A mais notável ação de terrorismo, encetada por Salafis, ou melhor, pelo seu braço, Ansar al-Sharia, foi o ataque e morte do embaixador americano, J. Christopher Stevens, assim como três dos seus acompanhantes, no consulado americano de Bengazi, na Líbia, no início de setembro de 2012. A sua agressividade repetiu-se no Paquistão, no dia 21 do mesmo mês, declarado feriado oficial para dia de protesto, encorajando motins que levaram à morte pelo menos 25 pessoas. A notória radicalização foi o objetivo dos Salafis que levou virtualmente todo o Paquistão a um espetro político de vários graus para a direita. Mas não apenas. Na decorrente e trágica convulsão da Síria, com Salafis a emergir de todos os cantos do mundo muçulmano, dão nova dimensão à luta contra Bashar al Assad, caracterizada por um novo factor - o sectarismo. Este fenómeno, provocou um verdadeiro terramoto em todo o mundo islâmico ao ponto do próprio presidente tunisino, o liberal Moncef Marzouki, declarar que “estamos a lidar com um grande perigo, uma verdadeira ameaça”. Na realidade, acrescenta que o “Salafismo é como um cancro. Quanto mais retardarmos, mais extremamente difícil será curá-lo”. Aponta a revista TIME (8 de outubro de 2012), que “se os governos democraticamente eleitos do Egito, Líbia, Tunísia e Iémen representam o florir da Primavera Árabe, os recém e afirmativos Salafis são ervas daninhas a dominar o terreno fertilizado pela livre expressão, mas pobremente cuidado por fracos governos.” Por isso, alerta para o facto de que, embora muitas capitais do Ocidente estejam de sobreaviso, isso não chega. Se o seu alastramento não for devidamente atacado, os “Salafis, ao forçarem este tipo de islamismo, puritano e intolerante (…) sufocarão o despertar das novas democracias…”! O melhor e mais recente exemplo é a súbita quase ocupação de metade de um dos mais liberais estados e centro de cultura africanos – o Mali.
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