segunda-feira, 7 de outubro de 2013
SINGELA HOMENAGEM AOS ABNEGADOS HERÓIS
Foi preciso a inglória morte de oito “soldados da paz”, quatro deles na até há pouco frondosa Serra do Caramulo, (com 15.000 hectares ardidos, durante 15 infernais dias), apenas este ano, mas 214 na História Nacional de tão generosa e valente Instituição, para se reconhecer quão preciosa e GENEROSA é. Sem desprimor para os profissionais, cuja competência e atividade é o cimento da profissão, são os Bombeiros Voluntários, particularmente jovens, que constituem a seiva de tão prestimosa vocação. Particularmente no nosso país, em que o voluntariado dos soldados da paz é tradicional. Antiga vocação que remonta ao período dos faraós, os romanos seguiram a tradição, mas não inicialmente em fins sociais. No nosso país os bombeiros tiveram início em 1395, em Lisboa, por Carta Régia do D. João I.
Compete, e depende dos especialistas, as consequências e ilações, certamente muitas, provavelmente da morte dos jovens bombeiros voluntários, como uma Kátia de Alcabideche, um Bernardo do Estoril ou de um Daniel, o último a sucumbir. Embora, segundo noticias, a intempada morte dos primeiros se tivesse ficado a dever a circunstâncias imprevistas, como a súbita viragem, do vento, possivelmente, neste e noutros domínios de prevenção haja lições a tirar. Não é este o espaço, nem o seu autor é especialista no assunto, para se pronunciar. Porém, face ao lamentável e desolador espetáculo anual que assola não apenas a beleza e riqueza florestal do nosso pequeno país, mas pior, a desnecessária morte de valentes e generosos Kátias e Danieis, há que, radical e urgentemente se fazer um profundo estudo sobre tão importante questão. Embora, felizmente, a floresta ardida rapidamente rejuvenesça, mas não o seu habitat, o mesmo não sucede quer com as desnecessárias vidas perdidas dos bombeiros como a rica biodiversidade, assim como os prejuízos, mas especialmente os psicológicos das populações afetadas, jamais podem ser recuperados. Desde, e principalmente a ordenação das florestas, que segundo os próprios bombeiros, as do Estado são as mais prevaricadoras, como quer melhor treino e equipamento adequado das Corporações dos Bombeiros, ao civismo das populações, particularmente dos incautos, já que os pirómanos, por questões psicológicas são dificilmente tratáveis, especialmente em classes menos afluentes, exige-se- urge-se - um estudo rigorosíssimo!
A valentia, a generosidade, a abnegação dos Bombeiros, que agradeço e presto a minha modesta homenagem, BEM O MERECEM, especialmente quando no exercício de tão arriscada missão, as suas vidas são as primeiras a estar em jogo. Não mais desnecessárias mortes de Kátias e de outros jovens lutadores, já que é inaceitável o desperdício de 214 HEROIS que sacrificaram as suas vidas pelos nossos bens e bem-estar. .
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Bombeiros: vigilantes e abnegados heróis
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
A Síria e o tal “Relacionamento especial”
A recente derrota do Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, na Câmara dos Comuns, sobre a sua determinação (juntamente à dos EUA) em intervir belicamente na Síria a pretexto do alegado ataque governamental de armas químiicas ao seu próprio povo, prontificou várias questões e deflagrou outras. A nível interno, primeiro, a posição e autoridade do chefe do governo, cuja derrota debilitou ainda mais a sua já questionável autoridade partidária. Segundo, a moral ou justificação da intervenção militar em países soberanos, quando, em semelhantes casos de chacina despótica, como da Somália (2007), Uganda (1984), (particularmente esta de que resultou a morte de milhões de inocentes civis), da atual e semelhante chacina no Congo, da qual ainda se desconhecem números, ou até mesmo, este mais radical, o caso da Coreia do Norte, NADA FOI FEITO! Terceiro, se tal desfecho porá em causa o chamado “Relacionamento Especial”, com os EUA. E, a nível externo, tal como é atribuído a um porta-voz do Presidente Vladimir Putin, da Federação Russa a alegada “pequenez” e “reduziada influência mundial” do Reino Unido.
Obviamente, a “aventura” no Iraque, pesou forte na decisão dos deputados, confirmado por uma sondagem posterior, em que 71% dos entrevistados também se opôs a uma participação armada. . Deu, porém, lugar a um precedente: a primeira derrota de um chefe do governo numa das maiores decisões – intervenção militar – num país estrangeiro. Contudo, ao dizer não, abandonando o seu mais direto aliado, os EUA, tratou-se da segunda vez, depois da Guerra do Vietname, em que o então Primeiro-Ministro. Harold Wilson, recusou qualquer envolvimento. Porém, e devido ao reatamento e invulgar estreitamento de relações entre os dois países, particularmente até e depois da discutida intervenção no Iraque, desta vez, levanta-se a questão, particularmente importante para os Conservadores, sobre as consequências que a decisão parlamentar provocaria ao chamado “Relacionamento Especial” entre os dois países, de que tanto, particularmente os britânicos, falam e insistem preservar.
Iniciado por Winston Churchill e Theodore Roosevelt, quando o Reino Unido debelitado, estoicamente se debatia, contra as forças Nazis e o povo americano se recusava, oficialmente, a intervir (se bem que, em privado, Roosevelt fornecia navios e material bélico pesado), o seu Presidente, face à situação real e aos insistentes apelos do seu amigo deste lado do Atlântico, torneou a situação envolvendo, DIRETA e EFICAZMENTE o seu Povo, do qual resultou a vitória e o fim de Hitler. Fora, assim, iniciado o “Relacionamento Especial” que teve igualmente como importante arquiteto o influente ministro, Dean Acheson. Para os americanos, porém, embora reconheçam os britânicos aliados mais diretos, como para a maioria dos políticos atuais, de “especial” o relacionamento só existe quando lhes interessa. Afinal, atual e particularmente à crescente influência da China, nomeadamente na esfera asiática, faz concentrar as suas atenções não na velha Europa, mas na distante e mais inquietante região do Sol Nascente. Os britânicos, embora não queiram admitir ser nostálgicos, fortemente cimentados nas tradições, para eles, o “Relacionamento Especial” que em tempos de paz, embora durante a “Guerra Fria”, foi particularmente reforçado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, tem de ser mantido, mesmo que simbolicamente. A lição mais imediata, aprendida do inesperado “não” parlamentar britânico, pelo seu velho aliado foi o reconhecimento da real impotência pessoal dos chefes de governo ou de Estado, passando controversas “batatas quentes” aos seus Parlamentos ou Congressos. Entretanto, surge o cada vez mais arrogante e autocrático Presidente Putin, aliado do regime sírio, a denegrir a influência atual do país que mais ajudou o seu durante a II Guerra Mundial, apelidando-o de “pequeno” e sem “influência mundial”. Ironicamente, com a sua proposta de rendição das armas químicas por parte da Síria, aos cuidados da ONU, talvez a ele se fique a dever uma nova e indesejável intervenção externa no conturbado Oriente Próximo.
sábado, 7 de setembro de 2013
DIVAGAÇÕES DE UMA NOITE DE VERÃO?
Hábitos, tradições e culturas são características idiossincráticas dos povos. E a melhor forma de as distinguir é a vivência e identificação. E, quando delas se é parte histórica, trata-se de um bónus adicional.
Uma das primeiras observações com a cultura e práticas britânicas, ocorrida há mais de meio século, esta em termos académicos, foi a ênfase na opinião do aluno e da sua argumentação sobre um determinado tema, em vez da do tutor, que se limitava a ouvir e, quando necessário, opinar e, a segunda, o planeamento.este, algo estranho para quem vinha de uma cultura de “última da hora” ou do habitual “em cima do joelho”. Outra, o muitas vezes desnecessário, e até vulgar pedido de desculpa. Porém, a que mais me impressionou foi, e é, a fidelidade na resposta a um contacto por correspondência. Que diferença entre, diria, o nosso MAU HÁBITO! Infelizmente, no nosso país, é raríssimo receber-se resposta (agora felizmente em contactos oficiais PRÁTICA CORRENTE e, até, com relativa rapidez!), mesmo quando em casos de simples cortesia (e tenho inúmeros), em que a simples receção, ou prova de boas maneiras - o agradecimento - são os GRANDES AUSENTES!
Porém, quando, por circunstâncias, ocasionais ou inerentes a cargos ocupados, somos parte, e, em alguns casos, iniciamos hábitos, costumes ou normas, mais tarde adotados a nível nacional, compreende-se a satisfação pessoal. Estes, particularmente quando, a título voluntário, ocupei funções sindicais na BBC, notável instituição que profissionalmente me formou e servi durante 30 inesquecíveis anos. Casos pioneiros, que, iniciados nessa Corporação, se tornaram em PRÁTICA NACIONAL! A primeira, quando pouco se falava ainda do assunto, em princípio devido à exiguidade dos então estúdios, refrear-se o uso do fumar durante as transmissões. Prática que depois se estendeu aos refeitórios, em que inicialmente foi dedicado um espaço para fumadores que, mais tarde, foi abolido, inclusivamente no interior dos edifícios, concedendo-se alguns minutos de ponto para os fumadores inveterados. Prática que, anos mais tarde, transformada em lei, se consolidou a nível nacional e nos transportes. Seguiu-se a segurança, especialmente devido à possibilidade dos anunciados ataques do IRA (que, não obstante publicamente anunciadas ameaças, nunca ocorreram a instalações da BBC). Ironicamente, e quando, inicialmente, propus identificação própria dos funcionários e registo de visitantes, recusados devido a alegados custos, quando, poucos anos depois, um dos estúdios foi invadido por adeptos do Partido Nacional Galês (Plaid Cymru - pronuncie-se Pláid Cúmrí), em que foi solicitada a minha mediação, em protesto. por parte daquele partido à, para eles, indevida promoção do galês em emissoras nacionais naquele país, em desprimor às transmissões em línguas vernáculas como era o caso do Serviço Mundial da BBC. Prática atualmente generalizada em todo o país. Finalmente, o processo, inicialmente modesto, da emancipação feminina, ou melhor, o aumento da quota de profissionais femininos em jornalismo, até então defensivo reduto masculino e apenas reservado a secretárias. Ironicamente, anos mais tarde, e quando achei pôr termo a 13 anos de chefia sindical voluntária, o primeiro não britânico a ocupar o cargo, mas eleito, do Serviço Mundial, dei lugar, primeiro a uma Presidente, seguida por outra, esta Portuguesa, que imediatamente fizeram campanha para o Movimento Lésbico, então obscorecido (mas mais tarde prevalecente na Corporação). Fazer parte da História, ser-se pioneiro, talvez por acidente, do que atualmente é apenas hábito corrente e, quando esse intérprete não é cidadão desse Povo e Cultura, mas PORTUGUÊS, ou melhor, Tondelense, é uma realidade! Não uma divagação de uma noite de verão!
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
O GEORGE DE CAMBRIDGE
Cambridge lendária cidade universitária, situada no centro-leste da Inglaterra, tem um novo George. Ainda não aluno, pois conta apenas poucas semanas de vida, além de privilegiado cidadão de tão vetusta a académica cidade, será também um dia o sétimo soberano do país e da vasta Commonwealth. Nascido às 16:24 de 22 de julho de 2013, o novo George Alexander Louis, filho de Kate Middleton e do comandante de helicópteros de salvamento, William Windsor, é o novo aluno em potencial aluno de tão importante Centro de Saber, que entre os seus lauréis conta com elevado número de laureados Nobel. Possuidor de excelentes pulmões, tal como o pai afirmou, que, comummente traduzido significa exercer ótimas qualidades vocais, indispensáveis para um potencial orador, tal como o nome, parece honrar e traduzir as milenares tradições das origens académicas de Cambridge.
Lembremo-nos de que a Universidade de Cambridge, deve a sua origem à revolta de professores e alunos aquando da condenação a enforcamento do aluno criminoso e colegas de alojamento, que abandonando a Universidade de Oxford muitos deles ali se radicaram dando origem à fundação da Universidade de Cambridge pelo que se orgulha de uma tradição liberal, com raízes profundas na música, principalmente coral e medieval (caso do Trinity College). Embora tivesse sido fundada em 1209, em 1226 teve o primeiro Reitor, reconhecido tanto pelo Rei como pelo Papa, mas só em 1284 é que viu o seu primeiro "college", Peterhouse. As lutas e provocações por parte dos educandos levaram à destruição das escrituras e alvarás universitários, provocando também a morte de vários estudantes. Dos sérios distúrbios só o “Colegge” Corpus Christi, fundado em 1352, demonstrando invulgar espírito de mediação, permaneceu incólume devido ao notável pacifismo e exemplo demonstrados. Aliás, pautada pelo seu puritanismo e em sequência aos incidentes, o Corpus Christi, proibiu os seus alunos a participar em peças teatrais, que na altura eram predominantes no meio académico e que, mais tarde, seria enorme alfobre de talento como se pode constatar no século XX, nomeadamente John Cleese, um dos fundadores da celebérrima série televisiva Monty Python Flying Circus. Exemplo idêntico, este em termos de organização de peças teatrais, foi seguido pelo “Colegge” Emmanuel, fundado em 1584. Este negro capítulo, levou o Reitor da Universidade, Lorde Burghley (William Cecil), também ministro das finanças, a decretar, em 1585, normas severas, incluindo o envergar obrigatório de uniforme. Mas, quase dois séculos mais tarde, em 1776, o recruta que viria a ser famoso anti esclavagista, William Wilberforce, notaria, dececionado, que a devassidão entre os alunos era predominante: "bebem imenso ... pelo que fiquei chocado com a sua conduta" Outro contemporâneo apontava que "era escandalosa a ignorância da ordem e da disciplina na Universidade". Não surpreende que a partir do século XIX, Cambridge libertou-se dos atavios religiosos, como, por exemplo, exames de religião como prova obrigatória de admissão e começou a abrir o currículo às Ciências Naturais (1851), à Engenharia (1894) e à Matemática. Foi também neste período que graças ao Girton “College”, foram admitidas alunas (1869), o que constituiu uma verdadeira revolução no ensino superior para a época.
Se a Universidade de Cambridge se orgulha de muitos laureados Nobel, em que se destacam, pela sua importância, Ernest Rutherford (mais tarde Lorde), inventor da separação do átomo em 1932, como os Drs. James Watson e Francis Crick, que juntamente ao Prof. Maurice Wilkins, este do King''s College de Londres, descobriram a origem da vida, o ADN (ácido dióxidoribonucleico), em 1953, para ser igualmente fiel à irreverência de que a origem de Cambridge é timbre, nela, além de atores, foram também formados célebres jornalistas e escritores igualmente irreverentes, como é o caso do já citado John [Marwood] Cleese e de David [Paradine] Frost. Fiel à tradição, ou seja, depois do diretor da cátedra de matemática, Charles Babbage, ter inventado, em 1833, a "máquina analítica" tida como a precursora dos computadores, Cambridge é conhecida como verdadeiro Centro Científico, em que a informática desempenha papel importante. É esta Cambridge que, agora, passa a contar com um George, este Real e o terceiro na linha da sucessão ao Trono..
sábado, 27 de julho de 2013
O Milagre chamado Mary Rose
Como ilha, e, no passado, possuidora da maior frota naval mundial, à semelhança das potentes locomotivas, os ingleses são fanáticos pelos navios e particularmente pelas histórias de naufrágios. (Talvez que, por isso, na língua inglesa, locomotivas e navios, sejam definidos pelo sexo feminino!) Foi o que sucedeu com o Mary Rose, um vaso de guerra do século XVI, a maravilha da frota Tudor, que o rei Henrique VIII, compreensivelmente desolado, viu inesperadamente afundar-se, ao largo da costa de Portsmouth (sul da Inglaterra), quando desfraldava contra a frota de guerra francesa. Portsmouth, onde a partir da II Guerra Mundial se encontra a célebre base naval, e onde, no sobranceiro palacete de Southwick tiveram lugar os secretíssimos estudos e preparação do famoso Dia D, que deu início ao princípio do fim do Regime Nazi.
O Mary Rose, de que Henrique VIII tanto se orgulhava, afundou-se em julho de 1545, com 500 marinheiros a bordo. Porém, o que é raro, devido à sedimentação da zona em que naufragou, verificou-se que o tão notável vaso de guerra, meio milénio depois, permanecia praticamente intocável. Graças às novas tecnologias, inicialmente aliadas ao querer de um punhado de fanáticos, que empolgou todo o país, o célebre vaso de guerra foi cuidadosamente içado, por potentes guindastes, em 11 de outubro de 1982, permanecendo conservado, desde então numa doca gigante, atmosfericamente controlada. Entretanto, e só quatro anos depois, quer tanto a pesada âncora como outros apetrechos foram igualmente içados. Foi a partir de então que teve início um dos maiores, cuidadoso e inédito esforço científico em que tomaram parte duas centenas de pessoas, incluindo muitos voluntários. Cautelosa e carinhosamente foram limpando milhares de objetos encontrados no navio. Desde canhões, apetrechos, vestuário, incluindo botas dos infelizes marinheiros, armamento, moedas de ouro, centenas de dardos, vasto número de utensílios de bordo, implementos médicos, instrumentos musicais, jogos e até, incrivelmente animais de estimação que acompunhavam a tripulação. Um vasto, precioso, variado e extraordinário achado agora transformado em justificado museu, localizado nas Docas
quarta-feira, 17 de julho de 2013
O FENÓMENO DOS PROTESTOS GLOBAIS
Como se tem verificado, o enorme Brasil é o exemplo mais recente dos protestos populares, que tiveram início na Tunísia em janeiro de 2011, se seguiram no vizinho Egito, contra ditaduras há muito neles radicadas. Esta, uma, que se diria, justificada razão. Antes do Brasil, a Turquia foi, e está a ser, foco das atenções mundiais. Enquanto isso, já Portugal, Espanha e a própria França foram igualmente cenário de manifestações, algumas delas violentas. Nos países europeus, como no Brasil, nações democráticas e cujos dirigentes foram eleitos democraticamente, embora a razão inicial dos protestos tenha sido despoletada por um único motivo, rapidamente engolfou outras questões de carácter social. Se na Espanha e Portugal foram devido à crise económica, que envolveu os dois países e, na França, contra a nova lei marital do mesmo sexo, na Turquia surgiu devido à projetada transformação de um parque em complexo comercial; no Brasil, o pretexto foi o magro aumento das tarifas dos autocarros da cidade de S. Paulo, resultando, como se sabe, no espalhar dos protestos às suas cidades principais, incluindo a maior paixão daquele país, o futebol, ou melhor, as consideradas desnecessárias despesas com a construção dos novos estádios para o Mundial de Futebol de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016. De assinalar que praticamente, em todas as manifestações, foi influente o papel quer das redes sociais quer da juventude, especialmente a mais formada e até abastada.
Protestos e manifestações sempre existiram. Enquanto eram praticamente exclusivo de entidades sindicais ou organizações políticas e cívicas, agora passaram a um conjunto amorfo de indivíduos sem qualquer, e que até recusam liderança. Dentre os considerados protestos e manifestações clássicas, destacam-se as das desigualdades civis e raciais, oriundas dos Estados Unidos da América (EUA), com início nos meados da década de 1950, em sua maioria lideradas por Martin Luther King. A estas, seguiram-se as grandes manifestações de Seattle (na zona oriental dos EUA), em dezembro de 1989, aquando da realização do encontro ministerial anual da Organização Mundial do Comércio (sigla WTO em inglês) de cariz anticapitalista, que despoletaram idênticas e consequentes manifestações em encontros similares, quer na cimeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Génova, em 2001, de novo, em Doha, Qatar (Emirados Árabes), aquando de outro encontro ministerial do WTO, em novembro do mesmo ano e de ulteriores encontros quer por parte destas organizações quer de outras semelhantes, como o G8 (países mais ricos do mundo), como aconteceu recentemente em Enniskillen, (Irlanda do Norte). Assinalem-se outras grandes manifestações, ou ocupações, como a de Wall Street, em Nova Iorque e na Catedral de São Paulo, em Londres. Porém, tal como esta última, efetuadas na Inglaterra, a primeira contra a greve dos mineiros, no início dos anos 80, seguida, pouco depois, contra o chamado imposto “Pol Tax”, ou comunitário, promulgado pela então primeira-ministra Margaret Thatcher, em Londres, estas que foram conhecidas pela até ai ausente violência, seguiu-se a maior de sempre, nos meados dos anos 90, contra a participação britânica na Guerra do Iraque, que envolveu milhão e meio de participantes. Todas elas, organizadas e lideradas, o fenómeno das manifestações atuais é o voluntarismo e a participação popular de ideologias diferentes. E, se na Turquia, o primeiro-ministro Recep Tayip Erdogan insiste em ignorar os manifestantes, que agora imitaram a nossa chamada ºRevolução dos Cravosº que contra os fortes embates da polícia e dos seus canhões de água, assim como ataques de gás lacrimogénio ostentam cravos, no Brasil as autoridades foram forçadas a desistir do aumento das tarifas e a Presidente Dilma Rousseff, tentanto acalmar os ânimos, anuncia a realização de um Referendo de Reforma Política.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
AS INEXPLICÁVEIS MARAVILHAS DA NATUREZA
A razão das migrações dos animais e insetos, misteriosa como é, especialmente o idêntico percurso feito de geração para geração geralmente ao local de nascimento, continua a desafiar a imaginação humana. São múltiplos os exemplos de migrações quer de peixes, sendo a mais notável a do salmão (Salmo, Oncorhynchus) para a desova, mas especialmente das aves, em que se destacam os patos e gansos selvagens ou a nossa mui conhecida andorinha (Hirundo rustica) que percorrem milhares de quilómetros. E dentre os animais quadrúpedes, os mais notáveis são os wildebeests (Connochaetes taurinus) que chegam a percorrer cerca de 1.600 km, para, no vasto Parque Nacional de Serengeti (Tanzânia), serem vítimas dos ferozes crocodilos que os aguardam.
Porém, uma das maravilhosas migrações é a das Borboletas Monarch (Danaus plexippus), cujos maravilhosos e coloridos insetos chegam a percorrer distâncias de 3.200 km e normalmente 130 km por dia. As migrações mais notáveis das Monarch, geralmente duas da mesma espécie, qualquer delas com inicio nas Montanhas Rocky (Canadá e Estados Unidos da América). Embora a primeira migração, efetuada do lado ocidental desta cordilheira, onde efetuam a gestação no inverno, voam, no verão, normalmente a baixa altitude, para a Califórnia (sul dos EUA), onde permanecem durante toda a temporada. Porém, a emigração mais longa, esta com início na zona ocidental da cordilheira e de outras zonas do vasto país, as chusmas destes belos insetos deslocam-se, no outono, normalmente durante 75 dias, e a alta altitude, para sul, em direção à zona vulcânica do México central, a 3.600 km de distância, voando cerca de 50 km por dia, onde permanecem durante o inverno. Durante o trajeto, bem orientado, mas sem mapas ou orientação por satélite, páram e concentram-se em várias regiões dos EUA, cujos habitantes as aguardam com coloridas receções. Audaciosa jornada, uma vez que durante o percurso têm de poisar quer em terrenos ou arvoredo geralmente afetado por perniciosos herbicidas ou em culturas genéticas, onde podem perecer. Porém, as bem sucedidas, chegam, finalmente, ao México, mais precisamente às florestas onde se erguem e abundam as atrativas e altíssimas árvores, “oyamel”, idênticas aos nossos pinheiros, do Estado de Michoacán, situadas a cerca de 3.000 metros de altitude. É no adocicado, e daí o seu nome, tronco destas árvores, e num perímetro de centenas de metros quadrados, que as coloridas monarch, monarcas para os mexicanos, ou, neste caso para nós, monárquicas, procuram e disputam refúgio. Antes, porém, e ao chegarem, principalmente à aldeia de Moihacán, a primeira e estranha etapa é ao cemitério local. Compreende-se porque os seus habitantes ansiosamente as aguardam com coloridos festivais que chegam a durar dois meses, recebendo-as em festa e ao som de bandas locais uma vez que as tratam como o espírito dos seus antepassados! Para eles, as monarcas não são belos e coloridos insetos, mas o espírito mensageiro, a alma, dos seus antepassados. Porém, este temporário habitat pode estar ameaçado. Primeiro devido à ganância dos ricos comerciantes de madeira que abatem vasto número das preciosas “oyamel”. Segundo, às agravadas condições climáticas resultantes do chamado efeito de estufa e, terceiro, aos já mencionados pesticidas e culturas genéticas, principalmente dos EUA, durante o percurso, de ida e volta, assunto que mereceu detalhado estudo e relatório por parte do Fundo Internacional e Mundial da Natureza (WWF), em 2000.
Finda a permanência, as monárquicas abandonam o local, regressando, as que podem, à sua origem. Sem mapas, sem orientação baseada nas novas tecnologias, fazem a viagem de retorno neste que continua a ser um dos mais maravilhosos e indecifráveis mistérios da natureza.
Fontes e agradecimentos: Understanding Environmental Issues (Compreensão de Assuntos do Meio Ambiente), Open University/Willey, Chichester, Inglaterra
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As Monarch - Monarcas - Monárquicas/Insetos
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