sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Estranha história de Natal

Neste natal, certamente haverá ricos, no nosso cada vez mais pobre país, que procurarão oferecer os mais belos objetos da moda. Vaidade das vaidades, como dizia Salomão, esse ilusório prazer de se ostentar objetos altamente dispendiosos, no primeiro caso malas de pele de crocodilo, ou casacos de pele e, noutro ainda, este de tapetes, as vistosas peles de tigres! O mesmo acontece noutras partes do mundo, em que predominam objetos ou obras em marfim ou a maníaca ideia de que certos animais, como os rinocerontes e os tigres, são portadores de qualidades afrodisíacas. Nesse prazer, ou melhor, nesse desvario, residem os maiores culpados da devastação dos animais selvagens e da extinção de belas espécies em algumas regiões e a sua ameaça noutras! Este monstruoso crime agravado pela avareza, ou, em muitos casos, necessidade de populações pobres, principalmente da África central e de zonas rurais da Índia, ou ainda de Moçambique, leva à destruição principalmente desses belos e inteligentes paquidermes e felinos superiores. Num só ano, como foi o caso de 2011, 25.000 elefantes foram dizimados para a extração dos dentes, devido à cobiça do marfim. O maior crime, porém, ocorreu em janeiro deste ano, em que uma centena de cavaleiros, munidos de metralhadoras e de granadas de propulsão, oriundos do Chade, surgiram no vizinho Camarões, a Norte, destruindo centenas de elefantes, famílias inteiras - filhos, mães, pais, avós e - no Parque Natural de Bouba Ndjidah, ato semelhante no ataque de 2006, efetuado no Parque Nacional de Zakouma, também no mesmo país. Não obstante a proibição global contra o comércio do marfim, adotada em 1989, a devastação, o horrendo crime da matança dos elefantes, continua. No caso dos tigres, particularmente a raça predominante de Bengal em que não obstante as 23 reservas de habitat desses belos animais, espalhadas pelo país, mas isoladas e cada vez mais em risco devido ao desenvolvimento da Índia, como a construção de barragens e crescentes necessidades dos agricultores por terras aráveis, o tigre é vítima de crescentes níveis de extinção, quando as suas peles são pagas, principalmente em Nova Iorque, a 10 mil dólares (7.500 euros) cada, montante para um aldeão indiano a significar uma vida inteira regradada! Com a China, como a maior culpada, que defende a importação do marfim, e certos componentes de animais, como os rinocerontes, cujos órgãos afirmam exercer efeitos afrodisíacos compreensivelmente a preços astronómicos. O mesmo acontece, como alegada medida de proteção da sua multisecular arte, de onde saem objetos de inegável extraordinária beleza, esta sua atitude não tem desculpa. Faz lembrar o comportamento dos vizinhos japoneses que defendem a caça e abate das baleias por razões científicas, quando os seus ávidos cidadãos as devoram na sua tradicional culinária! Quanto a rinocerontes, em que tanto o Vietname como a Indonésia já não têm nenhum destes potentes animais, os que restam no vasto e belo Parque Krugger, na África do Sul, não obstante os enormes esforços dos seus guardas, um por dia é abatido, especialmente por indivíduos provenientes do vizinho Moçambique. Devido à frequência da prática deste crime, que tanto enriquece as pobres populações fronteiriças, as autoridades sulafricanas têm ordem para matar os assaltantes, pelo que é normal que muitos deles, em sua maioria jovens, o que regressa às suas aldeias não são os preciosos produtos dos rinocerontes ilegalmente abatidos, mas os seus próprios corpos em caixões, enviados como exemplo. QUE AOS ANIMAIS, MUITOS DELES NOSSOS AMIGOS, E QUE TANTO GOSTAMOS DE VER NOS ÉCRANS DAS NOSSAS TELEVISÕES OU ATÉ NO JARDIM ZOOLÓGICO, DEDIQUEMOS TAMBÉM NESTE NATAL UM CARINHO MUITO ESPECIAL. E aqueles ou aquelas que por mera vaidade procurem ostentar produtos ou artigos que provocam a sua morte e extinção, PENSEM MAIS DO QUE DUAS VEZES! BOM NATAL e MELHOR ANO NOVO PARA TODOS QUE ME LÊEM ASSIM COMO SUAS ESTIMADAS FAMÍLIAS!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A IMPRENSA BRITÂNICA SOB HISTÓRICO MICROSCÓPIO

Volvidos 317 anos e 30 de três revisões de autocontrolo, a imprensa britânica foi foco do maior e mais intenso escrutínio da sua história. Após o escândalo das escutas ilegais, em sua maioria a cargo do mais tarde defunto News of The World a mais de 500 pessoas, incluindo algumas das mais célebres figuras da vida artística, como o ator cinematográfico, Hugh Grant, mas não só, nomeadamente Kate McCann, mãe da pequenita Maddie que desapareceu no Algarve, cujo diário foi publicado sem a sua autorização e acusações de que o casal tinha escondido o corpo da menina desaparecida no congelador ou a indevida acusação do professor Christopher Jefferies da morte de uma mulher em Bristol, a série culminou com a intervenção ilegal no telemóvel da pequena Milly Dowler que tinha desaparecido quando regressava do colégio e cujo corpo foi encontrado morto nas proximidades da sua residência em Walton on Thames (a sul de Londres). Os intrusos conseguiram mandar supostas mensagens aos pais da jovem a fim de lhes dar a impressão que estava viva e assim poderem perpetuar e sensacionalizar a sua indevida reportagem. Este, o caso mais mediático que revoltou todo o país e levou o primeiro-ministro, David Cameron, a decretar a realização de um inquérito judicial a cargo de um decano da mais alta instância, o Juiz Lorde Leveson. Numa verdadeira maratona judicial, que durou 17 meses, em que depuseram mais de 500 testemunhas, incluindo o próprio primeiro-ministro, o seu vice, o líder da principal oposição - Partido Trabalhista - Ed Miliband, ministros, comissários e chefes da polícia, jornalistas e proprietários da imprensa, como o magnate Rupert Murdoch, figuras célebres da vida artística britânica, nomeadamente Hugh Grant e ainda os pais da vítima, Milly Dowler, como o casal McCann e muitas outras individualidades, o relatório final, composto por quatro maciços volumes de quase 2000 páginas, foi divulgado na passada quinta-feira. Se a especulação que antecedeu tão ansiado momento atingiu o auge, colocando o primeiro-ministro em foco quanto à aceitação das conclusões, as revelações mais intensificaram o debate. Em menos de duas horas, perante uma repleta Câmara dos Comuns, David Cameron, que recebera 24 horas antes o tão ansiado relatório, embora felicitando o seu autor e lamentando as vítimas, imediatamente provocou polémica ao confirmar as suspeições de que seria contrário a qualquer lei que condicionasse a liberdade da imprensa, na base de dificuldades legais. A sua posição imediatamente o desligou do seu vice de coligação, Nick Clegg, que embora contemplando algumas dificuldades legais, favorece medidas apoiadas por legislação, provocando uma dissensão cujas consequências serão conhecidas nas próximas semanas. E, como se esperava, com o apoio e o clamor da adoção de medidas imediatas de TODO o Relatório por parte da Ed Miliband, nos dois esteios democráticos, as revoltadas vítimas encontraram o ansiado apoio negado pelo primeiro-ministro. Lorde Leveson que considerou a imprensa como um dos principais pilares da democracia, foi o primeiro também a criticar frontalmente os inaceitáveis abusos dos seus transgressores, assim como o seu chegado relacionamento às mais altas figuras políticas do dia. A sua crítica atingiu também a polícia, na averiguação dos vários casos, embora a isentasse de corrupção. A fim de preservar tão importante suporte e evitar abusos que o danifiquem, propôs alterações como: um novo, mas voluntário Regulador, constituído por novos elementos eleitos por uma entidade independente e chefiado por apenas um Diretor (de um dos principais títulos atuais), mas excluindo qualquer membro do governo; julgar e decidir disputas; elaborar um novo código de conduta para os jornalistas, respeitando o direito da privacidade e maior exatidão; poder de investigar e decidir o tamanho e a colocação do pedido de desculpa; direito na aplicação de coimas com base em 1% do total das receitas do título transgressor, até ao máximo de um milhão de libras (1 milhão e 200 mil euros). Finalmente, o novo Regulador deve ter o apoio da lei que force os incooperantes a participar, e, neste caso, sujeito ao atual regulador da Televisão, OFCOM. Documento inédito e Histórico, segundo o The Guardian “o que ao relatório de Leveson faltou em termos literários e de elegância foi compensado em detalhe e clareza. À partida, deve ser dito que se trata de um imensamente sério, bem argumentado e vasto documento (…) que o primeiro-ministro (,,,) deve estudar cuidadosamente antes de descontar as suas partes mais significativas. E a imprensa tratá-lo com respeito – e não com menos humildade”.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

NOVA CRISE NA BBC

Para quem, como eu, serviu, durante 30 profícuos anos, tão eminente Emissora é trágico, neste seu 90º aniversário, ver tão conceituado nome nas manchetes dos media mundiais, incluindo os da nossa e tão criticado nos media britânicos. Mas não só. Também por alguns dos seus próprios e prestigiados funcionários! Dentre eles o veterano renomado jornalista John Simpson que afirmou esta ser a maior crise da BBC dos últimos 50 anos. Subitamente, e depois da transmissão de um programa televisivo pela emissora britânica ITV1, em outubro último, em que denunciava o famoso apresentador da televisão, Jimmy Savile, que morrera aos 84 anos de idade, em outubro de 2011, de múltiplos e alegados crimes de pedofilia, alguns deles alegadamente praticados a raparigas jovens nos camarins da BBC Televisão, em White City (a oeste de Londres nos anos 70 e 80, depois da gravação de programas por ele apresentados. O caso, porém, não ficou por aqui. Um dos seus mais populares programas de investigação, Newsnight, apresentado no canal da BBC2, havia investigado e entrevistado alegadas vítimas do apresentador, com o intuito de o transmitir em dezembro do ano passado, ou seja, um mês depois da morte do apresentador. O programa, porém, não foi transmitido por alegada decisão editorial com base na necessidade de mais confirmações por parte da Polícia. A decisão, foi, todavia, posta em dúvida, alegando-se que a razão principal ficar-se-ia a dever ao facto de colidir com um outro, este a elogiar a vida do visado, a ser transmitido, como realmente foi, durante o Natal do ano passado. Assunto que está a ser investigado por uma entidade independente que esteve ligada à concorrente, Sky News. Enquanto decorria esta e outra investigação, esta última a concentrar-se nas alegações de abusos sexuais praticados nas instalações da BBC, a cargo de uma ex e conceituada juíza, surge outro e inesperado escândalo – a transmissão, no programa Newsnight, de uma reportagem denunciadora de uma alta personalidade política relacionada com o partido Conservador. Embora não nomeando o visado, uma alegada vítima, nele entrevistada, afirmava ter sido violada, quando garoto, numa instituição juvenil no País de Gales. Com o firme desmentido do alegado visado, aliás, mais tarde confirmado pela falsa vítima, na base de confusão de identidade, obviamente, Newsnight, e a BBC voltariam a ser foco de compreensíveis e violentos ataques. Desta vez, porém, as atenções concentraram-se no recém nomeado diretor-geral da BBC, George Entwistle, devido à sua dupla capacidade de editor-em-chefe da Corporação. Sem ter sido previamente consultado sobre tão importante denúncia, por alegadas e deficientes estruturas editoriais, perante tão enorme clamor nacional, decidiu assumir a responsabilidade, demitindo-se, o que aconteceu 54 dias depois da sua investidura e de quase 30 anos de carreira na BBC. O mais irónico, foi George Entwistle ter sido um dos mais brilhantes jornalistas encarregados do programa Newsnight. Precisamente aquele que o levou à demissão! A trama, não ficou por aqui. Como resultado outros conceituados jornalistas da BBC, uns foram suspensos e outro demitido. Esta nova crise surgiu quando a BBC se recompunha de uma outra, esta relacionada com o Iraque e o ex primeiro-ministro Tony Blair, em particular – o também célebre caso Hutton, que envolveu um inquérito judicial chefiado pelo juiz de que teve o seu nome – Lorde Hutton, em 2003. Em causa, a notícia divulgada pela BBC-Rádio 4 em que atribuía ao então primeiro-ministro a manipulação da informação do relatório de autoria dos Serviços Secretos Britânicos de que o então dirigente iraquiano, Saddam Hussein teria armas de destruição maciça que poderiam despoletar em apenas 45 minutos. Pressuposto da intervenção militar no Iraque. Com a decisão de Lorde Hutton, da infundada alegação, resultou uma das até então mais sérias crises da BBC, provocando a demissão tanto do jornalista iniciador da notícia, Andrew Gilligan, como do diretor-geral, o popular e eficiente Greg Dyke, e ainda o Presidente da Corporação, Gavyn Davies. Com esta segunda crise, a questão que abalou os sólidos alicerces de uma das mais conceituadas instituições britânicas, é o futuro da BBC, cuja estrutura hierárquica, nomeadamente editorial, começa a ser enfrentada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

QUEM SÃO OS SALAFIS?

Nesta que é uma importante fase de ressurgimento islâmico, principalmente depois do ataque do Al Qaida aos USA, em 2009, e da retaliação destes, primeiro ao Afeganistão e, depois ao Iraque, os muçulmanos começaram a recrutar adeptos e a intensificar a sua ação em todas as partes do mundo, graças, principalmente, aos enormes fundos proporcionados quer pela Arábia Saudita, como pelo Qatar. Foi o que aconteceu com os Salafis, principalmente durante a ocupação soviética do Afeganistão em que ali afluíram. Até então obscuro e até chacoteado movimento fundamentalista, particularmente conhecido pela mera distribuição de folhetos junto às mesquitas e festivais islâmicos e conhecido especialmente pelos seus controversos costumes, radicados ao período original de Maomé e, daí, o nome salafi, que significa “os predecessores”. Oriundos dos Sunni, que juntamente aos Shiitas, constituem os dois principais troncos do islamismo, o Salafismo, que não passava de uma filosofia, uma forma de vida, portanto sem qualquer liderança hierárquica, pelo que os seus aderentes não seguem, nem obedecem a uma simples figura, mas dependem e confiam nos escolásticos, antigos e modernos sobre a sua conduta. Para os Salafis, a vida é demasiado séria, pelo que não há lugar para o que consideram frivolidades, como a mais do que comum música, o cinema, a televisão ou a maioria de quaisquer diversões, como é o caso das civilizações ocidentais. O seu lema é o regresso às raízes e à emulação da austera piedade do Profeta Maomé e aos seus primitivos seguidores. Até recentemente, os Salafis não estavam muito interessados em política ou em qualquer forma de governo, democrático ou ditatorial, uma vez que, para eles, Deus, ou Alá é soberano. Porém, devido à acção e radicalização de um dos seus principais membros, Ben Laden, o movimento assumiu nova posição, mas pior, violência. A mais notável ação de terrorismo, encetada por Salafis, ou melhor, pelo seu braço, Ansar al-Sharia, foi o ataque e morte do embaixador americano, J. Christopher Stevens, assim como três dos seus acompanhantes, no consulado americano de Bengazi, na Líbia, no início de setembro de 2012. A sua agressividade repetiu-se no Paquistão, no dia 21 do mesmo mês, declarado feriado oficial para dia de protesto, encorajando motins que levaram à morte pelo menos 25 pessoas. A notória radicalização foi o objetivo dos Salafis que levou virtualmente todo o Paquistão a um espetro político de vários graus para a direita. Mas não apenas. Na decorrente e trágica convulsão da Síria, com Salafis a emergir de todos os cantos do mundo muçulmano, dão nova dimensão à luta contra Bashar al Assad, caracterizada por um novo factor - o sectarismo. Este fenómeno, provocou um verdadeiro terramoto em todo o mundo islâmico ao ponto do próprio presidente tunisino, o liberal Moncef Marzouki, declarar que “estamos a lidar com um grande perigo, uma verdadeira ameaça”. Na realidade, acrescenta que o “Salafismo é como um cancro. Quanto mais retardarmos, mais extremamente difícil será curá-lo”. Aponta a revista TIME (8 de outubro de 2012), que “se os governos democraticamente eleitos do Egito, Líbia, Tunísia e Iémen representam o florir da Primavera Árabe, os recém e afirmativos Salafis são ervas daninhas a dominar o terreno fertilizado pela livre expressão, mas pobremente cuidado por fracos governos.” Por isso, alerta para o facto de que, embora muitas capitais do Ocidente estejam de sobreaviso, isso não chega. Se o seu alastramento não for devidamente atacado, os “Salafis, ao forçarem este tipo de islamismo, puritano e intolerante (…) sufocarão o despertar das novas democracias…”! O melhor e mais recente exemplo é a súbita quase ocupação de metade de um dos mais liberais estados e centro de cultura africanos – o Mali.

sábado, 27 de outubro de 2012

REMAR CONTRA A MARÉ

Nos jornais diários, e não só, assim como nos telejornais das nossas televisões, abundam os clamores, os protestos, os queixumes contra a atual situação do nosso país, mas principalmente contra o Governo. Claro que as medidas tomadas pelos nossos governantes, principalmente passados, como os presentes, em que o nosso nível de vida, privilégios facilmente assumidos, foram atingidos por uma verdadeira hecatombe, principalmente no insustentável número de desempregados e consequente aumento da pobreza, justificam-no. Porém, entre os clamores, os gritos, mas pior, as malévolas e ofensivas acusações, principalmente aquelas ouvidas nas manifestações de setembro, mas pior ainda, o vaiar aos membros do governo, geralmente orquestrado por setores da nossa sociedade, sem significativa representação político-democrática, são completamente estranhas aquele “povo de brandos costumes” como o nosso País era orgulhosamente chamado. Por muita razão que haja, e que, sem dúvida, há, os protestos carregados de compreensível emocionalismo devem ser vistos e analisados de cabeça fria, e à luz da Razão. Quando um Governo, finalmente disposto a “arrumar a casa”, invulgar coragem de qualquer político, devido à enorme impopularidade que as suas necessárias medidas acarretam, embora forçado pelos nossos credores externos, de quem uma irregular normalidade depende, procura fazer o seu trabalho corrigindo hábitos que há muito deveriam ter sido combatidos, esse Executivo é incompreendido e atacado. É possível que, no apressar da eficácia dessas medidas, tenha predominado algo ideológico. O maior pecado, porém, reside na ausência da boa e necessária comunicação. Porém, e aqui, quando as notícias ainda são penosas, pode haver compreensível retraimento, o que afeta a boa e desejada comunicação. Afinal, a GRANDE QUESTÃO, que geralmente se ignora, é: POR QUE CHEGÁMOS A ESTA SITUAÇÃO? Como todos deveríamos saber. Numa economia incompetitiva como a nossa, dependente, pelo menos a partir de 1974 (e aqui lembro-me bem de uma conferência de imprensa dada pelo então Presidente General Ramalho Eanes, na nossa embaixada em Londres, quando foi assistir à Assembleia Geral da NATO, em que aproveitou, junto dos influentes dirigentes mundiais que a ela assistiram, nomeadamente o Presidente americano Jimmy Carter, para ajudarem o nosso país nas duas tão necessárias e históricas tranches financeiras), da ajuda externa, embora os preciosos fundos europeus da Estabilidade Económica não fossem devidamente aproveitados na necessária diversificação da nossa economia, qualquer menino ou menina de escola primária, ou qualquer dona de casa sabe bem o que pode suceder. O pior, e não obstante esta situação, foi viver-se, do agravado endividamento – público e privado - principalmente a partir dos anos 80 e 90, no cáustico e praticamente ignorado endividamento, encorajado por uma Banca a abarrotar de petrodólares oriundos, em sua maioria, da Arábia Saudita, facilmente embalados no velho sonho de que, um dia, se viria pagar, se é que se chegou a pensar nisso! A fatura, a inevitável fatura, teria de ser paga, pelo que os nossos credores, finalmente, bateram-nos à porta. E que forte bater, ao ponto de abalar a até aí considerada solidez dos alicerces! Portanto, por que, agora, se berra, lamenta e choraminga, acusando o Governo de ser desumano e autista? É verdade que, não apenas o nosso, mas os de economias mundiais mais fortes, como é o caso do Reino Unido, país que bem conheço, a fazer igualmente face a uma das suas maiores crises financeiras, agravado ao encerramento diário de 20 estabelecimentos por dia, incluindo famosas cadeias comerciais, optaram pelo mais fácil: não atacar, em princípio, o exagerado despesismo estatal e governativo ou a classe rica, mas o pobre e sofredor trabalhador. Porém, ao tentar reformar o que até aqui tinha sido inreformado e preparar o caminho para, finalmente, se viver PELOS NOSSOS PRÓPRIOS MEIOS, este, ou qualquer governo deveria ser compreendido e APOIADO! Afinal se nós, pelo nosso egoísmo, CRIÁMOS esta situação, NÃO DEVEM SER OS NOSSOS FILHOS, a quem deveríamos proporcionar um bom princípio de vida, a PERPETUAR – E PAGAR - A DÍVIDA POR NÓS CRIADA! Por isso, caros concidadãos ACORDAI e, finalmente, MEDITEM, afim de que o sofrimento atual não seja duradoiro!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

L U Í S A !

LUÍSA. O teu nome, quem to deu, sabia que serias um Raio de Luz! Luz a jorrar, nas, por vezes, densas trevas de um incerto Caminho. O caminho que tens percorrido, com retas cheias de esperança e de luminosidade jorraram uma, embora fortuita felicidade e esperança. Porém, as curvas, algumas delas mais do que tortuosas, também semeadas de fortes e altaneiras ervas daninhas a prejudicar a tua visão, além dos escolhos , neles tropeçaste, caindo, exausta, deixando-te vencer. Titubeando, ergueste-te , caminhaste, para voltar a caír. Porém, não estás só. A tua LUZ, a luminosidade que do teu nome irradia, conduzir-te-à ao bom RUMO. A borrasca, por muito difícil que seja, não é perene! As ondas deste mar, que parece indomável, e por vezes por ti vistas como Adamastores acalmar-se-ão. DISSO PODES TER A CERTEZA. Garante-te AQUELE a quem atribuis ida FELICIDADE! Para isso, só TE PEDE C O R A G E M. Aquela CORAGEM QUE TENS DEMONSTRADO. Ela está em ti, em PLENA PUJANÇA! Para isso, basta CRER. LEVANTA-TE e ANDA!. Entra na nova vereda, a VEREDA DA LUZ QUE O TEU NOME IRRADIA. DEIXA, abandona DE VEZ os elusivos e tentadores elixires ou os conselhos, por muito bem intencionados que sejam, daqueles que tens procurado e pretensamente “ajudado”. O estado em que te encontras, AS LÁGRIMAS QUE VERTESTE que muito me surpreenderam e fortemente me entristeceram. Não esperava! Muitas foram as vezes que pensei em ti, da Luísa que abruptamente nos deixou, esvaiando-se na Saudade da Memória! POR ISSO TAL SITUAÇÃO, NÃO DEVE – NEM PODE – CONTINUAR! LEVANTA-TE, ÉS JOVEM, AINDA TENS RODOS DE ENERGIA, DE POTENCIALIDADE! TENS MUITO À TUA FRENTE! Lembra-te do que foste, da tua POTENCIALIDADE, do TEU SABER, DO QUE FIZESTE, DO MUITO QUE CONSEGUISTE - . Profissional e academicamente! É AÍ QUE RESIDE O POTENCIAL DO TEU NOME, QUAL VULCÃO EM PRESTES ERUPÇÃO! A adversidade, por muita que tenha sido, NÃO É duradoira! As the English say: We LOVE YOU VERY MUCH! PS Os teus fósforos podem permitir o ATEAR DA DESEJADA E HÁ MUITO PERICLITANTE CHAMA DA AMIZADE. Que essa chama, seja TRANSFORMADA EM ARDENTE CHAMA!

sábado, 20 de outubro de 2012

O SEGREDO DA FELICIDADE OU O PRINCÍPIO DA INFELICIDADE

O SEGREDO DA FELICIDADE OU PRÍNCIPIO DA INFELICIDADE Para alguns o dinheiro, a riqueza, pode ser o segredo da felicidade. Porém, segundo a maioria daqueles que ganharam o Jackpot, Totobola ou Euromilhões, como aquele felizardo de Mirandela, em 13 de abril passado, e que depressa esbanjaram a fortuna, facilmente adquirida, esse não é o caso! Nem, tão-pouco isso acontece com o minúsculo país dos Himalaias – Butão - que em vez do PIB serve-se do GNH (sigla inglesa que significa Felicidade Interna Bruta – ou, neste nosso caso, FIB).Claro que nesta fase de crise parece irónico falar-se de, e muito menos, medirem-se taxas de Felicidade! Mas, caro(a) leitor(a), consigo nunca brinco! Medir taxas de felicidade, se isso é possível, é questão de interrogar tanto o governo do Butão como, mais perto, quer o cada vez mais embaraçado primeiro-ministro da Espanha,Mariano Rajoy, ou o ex Presidente Sarkozy, da França, ou, ainda, o primeiro-ministro britânico, David Camero, Como, também os dirigentes do estado americano do Maryland! Tanto o segundo como o terceiro, anunciaram recentemente essa intenção. No caso do segundo, incumbiu, em 2008, os dois laureados Nobel de Economia, Amartya Sen e Joseph Stiglitz, a apresentarem-lhe medidas gerais de satisfação. Quanto ao terceiro, a seguiu-lhe as pisadas, em novembro último, em que anunciou que o seu governo, como alternativa ao PIB, começaria a recolher elementos conducentes à taxa da felicidade, ou bem-estar nacional! Aliás, estas iniciativas, não são totalmente novas uma vez que tanto nos Estados Unidos da América, como na União Europeia, esta, com o seu Eurobarómetro, e individualmente noutros países, já se realizam Estudos Sociais. Sabemos que a Felicidade ou o Bem-estar, são relativos e intangíveis, pelo que dependem de vários fatores, principalmente amizades, relações, vida familiar, segurança financeira e, claro, país de origem, idade e sexo. Embora no Butão o rendimento per capita seja um dos mais baixos do mundo, a expetativa de vida aumentou 19 anos entre 1984 e 1998, atingindo 66 anos de idade, ou seja 30% de aumento, o que é admirável. Possivelmente, esta uma das razões de optimismo. Mas o que é a felicidade? Segundo John Ralston Saul, filósofo político canadiano, trata-se de “harmonia de interesses individuais e comunitários”. Outros cientistas, como Bereton e colegas dos Estados Unidos da América, num estudo conduzido em 2008, relativo ao ambiente, concluíram a existência de inúmeros benefícios ou prejuízos geográficos, nas taxas de felicidade das pessoas. Se a proximidade do litoral era considerada como boa, os desterros, ou lixeiras, era mau. No caso de centros de comunicação, tanto podem ser bons como maus dependendo do tipo e da proximidade quer de aeroportos, neste caso positivo, como da proximidade de grandes rodovias e distâncias, negativo. A conclusão a que chegaram foi que a geografia e o meio-ambiente são fatores sócio-económicos e sócio demográficos, tão críticos como o desemprego e o estado marital! Daqui se conclui também que o meio-ambiente resulta num importante investimento em que predominem o agradável e limpo ambiente. Consideremos ainda outros, como os que mencionámos anteriormente. Se a idade, com as suas consequências, como debelidades físicas e mentais, muitas vezes limitam as nossas capacidades, constituem fatores da taxa de felicidade, compreende-se porque noutro estudo realizado, em 2006, pelo Professor Peter Ubel e colegas, da Faculdade de Sanford da Universidade Duke, a classe etária mais feliz era a de 30 anos. O que, porém, intriga, é o facto de semelhante posição ser atribuída às pessoas de 70 anos de idade! Isto significa, segundo outro estudo efetuado pelo Ministério Britânico do Trabalho e Pensões, a tendência no país do aumento da longevidade. Aponta este estudo, que em 2080 haverá 626,900 pessoas de 100 ou mais anos, 21,000 das quais terão pelo menos 110! Quanto ao sexo, esclarece um estudo recente da revista britânica The Economist, baseado numa investigação conduzida pelo Prof. David Blanchflower, do Dartmouth College (Reino Unido) em 72 países, o sentimento de felicidade varia. Regra geral, as mulheres manifestam maior sentimento de felicidade que os homens. Porém, um quarto, é mais suscetível a depressões e neuroticismo em várias fases da vida, comparada apenas a 10% dos homens. No que se refere ao país, se os Ucranianos, de 62 anos, atingem o topo da lista do povo mais miserável, os Suíços, aos 35, são os mais felizes e, os Britânicos, mais expansivos. Mas, regra geral, a maioria dos países aponta para a taxa etária dos 40 e princípio dos 50, como a mais infeliz, sendo 46 anos a média geral global da insatisfação ou infelicidade.