domingo, 8 de dezembro de 2013
PARA A HISTÓRIA DE TIMOR LESTE – II - Casos inéditos- (1 de 6)
O envolvimento sobre Timor-Leste proporcionou-me uma dimensão inesperada. Enquanto, e por um lado, foram estabelecidos e reforçados excelentes contactos, principalmente com um diplomata superior da embaixada da Indonésia em Londres, um homem ligado ao último embaixador do seu país em Lisboa antes da rutura diplomática em 1975, por outro, novos contactos foram estabelecidos com várias individualidades portuguesas, envolvidas na questão de Timor, incluindo o último governador, o falecido major-general Lemos Pires, que me chegou a receber no seu gabinete do Estado Maior do Exército, em Lisboa. Foi neste período, que, com certa surpresa, fui contactado, em Londres, por duas pessoas completamente diferentes: Um dos diretores da companhia petrolífera, Unocal Indonesia, Ltd, que por razões de confidencialidade é conveniente manter no anonimato, limitar-se-à, simplesmente, às iniciais do seu nome, L.G.W. Exagerando a minha influência, considerou-a erradamente suficiente, com a Resistência timorense, veio ter comigo à então sede da BBC, em Bush House. Começando por esclarecer que a empresa que representava, depois das bem sucedidas prospeções em Timor Gap, estava convicto da existência de petróleo na zona centro-leste de Timor-Leste, em que predominava a Resistência. Nesta, que era uma fase inicial, foi claro no objetivo: que a Resistência autorizasse, ou, pelo menos, não resistisse, aos trabalhos de prospeção, pelo que seria compensada. Achando, a princípio, este episódio caricato, mudei de ideias, e interpretei-o com a requerida seriedade, por vários e importantes fatores que me foram mais tarde revelados.
A outra, foi de natureza política. Tratava-se de uma alta e prestigiosa figura política, infelizmente já falecida, muito chegada ao então Presidente Ramalho Eanes, que veio propositadamente a Londres para falar comigo. Sem saber porquê, mas possivelmente ao que pensaram ter contactos privilegiados com personalidades indonésias, o que era verdade, o objetivo da visita era saber se haveria a possibilidade de "testar" as “águas indonésias” sobre um encontro, ao mais alto nível, entre os dois países. A iniciativa tinha como objetivo, um encontro de Chefes de Estado. Como era inevitável, seriam necessários contactos preparatórios sobre a viabilidade de um encontro desta natureza. Caso os meus contactos achassem mérito na possibilidade desse encontro, que se realizaria num país neutro a acordar mutuamente, as negociações preparatórias seriam conduzidas, garantiu essa importante personalidade, sob a responsabilidade, nada mais nada menos que o falecido Coronel Melo Antunes. Embora, com algumas reservas, mormente sobre a aceitação por parte da Indonésia, transmiti esta importante mensagem. O alto contacto indonésio, ouviu, com certa surpresa, e até desconfiança, dando a impressão de estar a ser vítima de qualquer "jogada". Mas, devido à confiança mútua e ao adiantamento de mais pormenores, o que deu reforço à proposta, estava garantida a credibilidade. Dias depois recebi a resposta: "embora tratando-se de uma aliciante e interessante proposta, o presidente Suhearto considera ser ainda cedo para um encontro, ao mais alto nível, entre os dois países". Que se saiba, não se fizeram, posteriormente, tentativas semelhantes, antes do abandono de Timor-Leste pelas forças e autoridades indonésias, em Dezembro de 1999, e a consequente independência.
A seguir: Envolvimento do magnate e multimilionário australiano Kerry Packer? (parte I)
sábado, 23 de novembro de 2013
BBC - A NOVA BROADCASTING HOUSE
Em termos logísticos a BBC, essa famosa emissora britânica, atravessa uma nova e total remodelação. Da original Broadcasting House, em Portland Place (nas proximidades de Oxford Circus), cuja invulgar fachada se assemelha a uma nau, aos vários e dispersos edifícios, alguns deles vizinhos, hoje hotéis , ou até a sede do Consulado de Portugal, todos eles que eu próprio frequentei, quer em cursos ou questões de serviço, outros, como Television Centre, o famoso complexo situado em White City (zona oriental de Londres), ou o enorme edifício a norte do último, como o Serviço Mundial sediado em Bush House (Aldwych), desde a sua inauguração, no início dos anos 40, encontram-se agora reunidos num só complexo, chamado Nova Broadcasting House, ou seja, uma vasta extensão do primitivo edifício original.
Como tive o raro privilégio, a convite do atual Diretor Geral da BBC, Lorde Tony Hall, de visitar o novo complexo, dou aqui um pálido resumo deste vasto e extraordinariamente inovador complexo, verdadeiro exemplo das últimas e mais avançadas tecnologias e extraordinárias condições de trabalho para os cinco mil funcionários que nele trabalham. Para quem, durante 30 anos, trabalhou no Serviço Mundial, em Bush House, embora em boas condições para a época e, subitamente é lançado no novo complexo, tem a sensação de estar noutro e mui distante planeta.
A nova extensão, em forma de alargada ferradura, dispõe de um vasto átrio exterior, em cujo solo se depara com centenas de nomes de capitais mundiais, incluindo Lisboa, onde, igualmente, abundam dispositivos de som em que se podem ouvir transmissões nas mais variadas línguas. Á noite, à semelhança da fachada, que à superfície tem nove andares (mas na totalidade 13 incluindo as caves), a partir das 22 horas, vastos holofotes inundam todo o local. No interior e a nível da superfície, pode-se admirar, no piso imediatamente inferior, o enorme Departamento de Notícias, onde trabalham 1100 jornalistas. Se no centro e à esquerda são profissionais especialmente ocupados da informação nacional, na extrema direita, situam-se os jornalistas dedicados à informação internacional. Enquanto isso, mas não visível, e por debaixo do varandim, encontra-se o vasto estúdio do noticiário News24, ou seja da Informação contínua, obviamente visível do próprio Centro de Informação. E, a confirmar a sua invejável e ciosamente defendida posição de Entidade Pública, a BBC encoraja o público em geral a ter acesso, no vasto recinto de entrada, à esquerda, em que se pode tomar um chá ou um café, e de onde se pode admirar o vasto Centro de Informação. Entretanto, nos vários e diversos pisos, especialmente superiores (obviamente vedados ao público em geral por questões de segurança e dispondo de dispositivos de proteção) encontram-se os estúdios das múltiplas emissoras de rádio e, no 4o e 5o pisos, os serviços internacionais, quer de rádio quer de televisão (neste caso o Serviço Árabe e Iraniano). Além de locais específicos para reuniões de trabalho, todos os pisos dispõem de locais de convívio e de kitchenettes a proporcionar breves momentos de relaxamento. Que invejável! Enquanto isso, nas caves 1, 2 e 3, situam-se os vários estúdios, em sua maioria de programas noticiosos, enquanto os de entretenimento são transmitidos ou gravados dos estúdios de Elstree (a cerca de 40km norte de Londres).
sábado, 9 de novembro de 2013
PARA A HISTÓRIA DE TIMOR LESTE - Introdução
Esclarecimento: Timor-Leste foi um dos capítulos importantes da atividade jornalística do autor, com vários artigos, sobre assuntos inéditos, publicados no Jornal de Notícias. Por serem, como julgo, do interesse geral do(a) leitor(a), particularmente os mais jovens, aos leitores deste blogue é dada a honra de conhecerem o que modesta e virtualmente constituem importantes documentos.
NOTA: Devido à sua extensão, são divididos em seis distintos artigos (excluindo o atual). Os temas aqui dedicados a Timor-Leste são extratos dos manuscritos do autor, POR TERRAS DE SUA MAJESTADE e TIMOR-LESTE, DÍVIDA POR SALDAR, que atualmente se encontram no prelo.
Ainda que acompanhasse a tragédia de Timor-Leste, primeiro a nível da BBC, (organização que tive a honra de servir durante 30 anos) que ao ter conhecimento de que os guerrilheiros ouviam e gravavam as transmissões daquela notável emissora em língua portuguesa, às quatro horas da manhã (hora local). para serem religiosamente ouvidas, mais tarde, em conjunto, a Secção Portuguesa remodelou-as dando maior ênfase a assuntos daquele território. Na sua qualidade de correspondente, o autor só se ocuparia do assunto caso houvesse algo a noticiar a partir de Londres. Aliás, havia muito, mas mais do interesse e envolvimento britânicos, especialmente em termos de grupos de direitos humanos, como a Organização de Direitos Humanos Tapol, que acompanhava e fazia campanha a favor de Timor-Leste bem como a Amnistia Internacional. (A estas, e muitas outras personalidades, algumas delas importantes na vida política britânica, como, mas muito especialmente, a milhares de anónimos, na opinião do articulista, se deve o sucesso da Luta para a deejada e dificilmente conseguida Independência).
Recorde-se que como a Inglaterra, e Londres em particular, foi foco de grandes acontecimentos sobre Timor-Leste, tanto por parte dos grupos de direitos humanos, como as já referidas Tapol e a Amnistia Internacional, assim como a nível empresarial como governamental (venda de armamento à Indonésia), eram abundantes as notícias sobre Timor-Leste. A situação, porém, mudou. Em Abril de 1983, o autor recebeu um telefonema no seu escritório, precisamente da secretária da Tapol, Carmel Budiardjo, em que literalmente pedia ajuda. Tratava-se da súbita chegada de um ex combatente timorense, que, desafiando as autoridades indonésias decidiu falar, pelo que precisava de alguém que falasse Português, para a tradução. Antevendo a importância da informação, principalmente, quando até então, raros eram os refugiados, que ainda tinham familiares em Timor-Leste e estavam dispostos a falar, imediatamente o autor se disponibilizou. Foi um prazer em conhecer, mas especialmente ouvir, durante 72 horas, praticamente a fio, o jovem heroi, Gregório Henrique (Neobere, nome de guerra) que descreveu pormenorizadamente os horrores da luta, as vicissitudes da população, a valentia dos integrantes da resistência, a solidariedade dos jovens e o indispensável apoio da Igreja local. No encontro, participou também Carmel Budiardjo, que estando bem dentro do assunto não só fazia as perguntas, como procurava também esclarecimentos e a confirmação de notícias que até então eram apenas conhecidas oral e vagamente.
Com um raro manancial de evidência como este, em que pela primeira vez foram dados pormenores sobre os chamados "cercos das pernas" em que a população civil foi obrigada a andar e a encurralar os concidadãos patriotas, participando, assim nos cercos militares, foi escrita a primeira série de três longos artigos, intitulados "A Realidade de Timor-Leste" (25,26,27 de Maio de 1983), publicados numa só semana. Como resultado, não só o JN como o seu correspondente em Londres, receberam consideráveis elogios por este trabalho, incluindo os de um encontro, com o Dr. Jaime Gama, então ministro dos negócios estrangeiros, chegando a classificar o autor um perito nesta matéria, o que claramente não era. A estes, seguiu-se uma longa série temática de reportagens sobre Timor-Leste, nomeadamente "A Indonésia Desmascarada" (30, 31/7/83), "Povo Agrilhoado Mas Não Vencido" (9,10,11,12,23/1/84), "Tragédia de um Povo Que Teima em Ser Livre" (30/4/, 1,3, 4, 5/84) e a primeira entrevista dada a um órgão português da comunicação social pelo ex diplomata australiano e último cônsul geral da Austrália em Timor-Leste, até 1975, James Dunn, autor da memorável obra "Timor- a people betrayed", (Timor - Um Povo Traído) aquando da sua passagem por Londres, em 22/3/84. A premiar a luta deste grande campeão da causa do povo timorense, que já em 2001 fora distinguido com a Ordem da Austrália, o então Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, agraciou-o com a Ordem do Infante, em 22 de Maio de 2002, durante a sua visita oficial à Austrália e depois de ter assistido às cerimónias da independência de Timor-Leste, dois dias antes. Foi este envolvimento, que segundo o já citado Dr. Jaime Gama, lhe foi "sempre muito útil e que servia de base aos arquivos", do seu ministério. O problema, porém, era a dificuldade de informação de dentro do território, uma vez que os ocupantes indonésios não deixavam saír ninguém de Timor-Leste, situação que mudou com a visita do já referido e antigo lutador timorense.
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
MAIS OUTRO SOLENE AVISO A INCORRIGÍVEIS SURDOS.
O influente e conceituado Painel Intergovernamental sobre a Alteração Climática da ONU (sigla inglesa IPCCA), divulgou, em finais do mês passado, em Estocolmo, Suécia, o seu Quinto Relatório, aliás escassamente mencionado nestas nossas bandas! Dificílima e complicada obra elaborada por 259 dos mais prestigiados peritos da especialidade, incluindo o nosso Dr. Pedro Viterbo, provenientes de 30 países e dos quais também Portugal, trata-se do mais POTENTE e SOLENE AVISO sobre a situação atual do nosso Planeta, resultante da ação ou contribuição humana. que vai servir de tema.e escrutíneo na Cimeira, a realizar em Paris em 2015.
Uma geração, ou várias gerações dependente(s) dos altamente prejudiciais combustíveis fósseis, em que o carvão, enorme emissor do pernicioso poluente CO2, em que a gasolina (cujo automóvel não dispensamos) é outra culpada, aliado à deflorestação de indispensáveis e preciosos pulmões ambientais como a Amazónia (e acrescento, a Indonésia e Madagáscar), aponta o relatório, têm sido os provocadores do aquecimento global das superfícies terrestres, dos oceanos e da atmosfera. Como resultado, e em relação ao nosso país, quer em termos de níveis das águas oceânicas, que poderão subir um metro até 2100, com o seu vasto litoral e muitas praias, ou em termos de aumento de clima, com as vagas de calor (que tanto contribuíram para os muitos incêndios deste ano no nosso país), uma primavera antecipada, com eventuais reduções dos níveis de precipitação e os consequentes danos para a nossa agricultura, o cômputo será de 12% na redução do PIB. Se o aumento dos níveis da água do mar se vão dever ao derretimento gradual das camadas até aqui eternas dos gelos do Árctico e da Antárctica, mas principal e assustadoramente do primeiro, já visíveis no aumento das águas oceânicas, com consequentes danos da sua acidificação, que atingiram os níveis mais elevados dos últimos 300 milhões de anos, mas não só, provocando a destruição, em mais de metade dos precioso corais, que, a manterem-se ao acelerado nível dos últimos 60 anos, estão em risco de desaparecer antes do fim deste século.
Têm sido vários os avisos, muitos deles solenes, nos últimos anos, em relação ao estado e futuro próximo do nosso Planeta. Porém, face aos ouvidos dos surdos e hesitantes políticos, mas não só, incluindo nós próprios, que receando as inevitáveis consequências de maior moderação da nossa qualidade de vida, e, em particular, aos fortes lóbis das energias fósseis, cujos países delas dependentes temem o seu futuro económico, assim como de uma sociedade, como a Americana, a maior poluente do mundo, recusam, todas, aceitar a realidade.
Como os efeitos climatéricos, devido à sua lentidão, normalmente, em alguns casos, levam centenas e outros milhares de anos a produzir os seus efeitos, a questão, a GRANDE QUESTÃO, é saber o LEGADO que deixamos às futuras gerações. Se os perniciosos efeitos são oriundos da primeira Revolução Industrial, iniciada no Reino Unido, e seguida pela Alemanha e França, a partir dos anos 50, e nomeadamente no ano de 1998, o mais quente a nível global, a partir daí os efeitos de estufa têm sido galopantes, com o aumento de cerca de 2oC, com a perspetiva de se chegar, possivelmente, a 4,9o ou até mais, no fim do século. Na realidade, em termos de níveis da época pré industrial, prevê-se o aumento de temperatura de 3 ou 4oC, o que significa níveis jamais alcançados desde a evolução do homem moderno, há 250,000 anos.
Partindo do abate das florestas e do derretimento das camadas geladas eternas dos Pólos, se com o desaparecimento gradual anual de idêntico espaço de quase metade do nosso país com o primeiro, morre um dos principais pulmões geradores da indispensável fotosíntese, cientificamente apelidada de “tanque absorvidor” de gases CO2,: em relação à segunda desaparece o importante factor refletor de raios de onda curta, ou albedo, a partir da Terra, que, para manter o seu necessário equilíbrio não deve prejudicar os seus 69% de absorção da energia solar de que depende toda a vida terrestre. Aponta um dos mais prestigiosos cientistas desta matéria, Lord Stern, ouvido em Londres por este colaborador do JT, que “no decorrer dos últimos 3 ou 10 milhões de anos jamais atingimos o aumento de 3oC ou 4oC. É mais do que evidente tratar-se de uma experiência verdadeiramente invulgar”. Adiantou ainda que “um caso desta natureza significa uma alteração profunda do nosso atual sistema de vida e a eventualidade de centenas de milhar, ou possivelmente milhares de milhões de pessoas, terem de sre deslocadas, provocando óbvios conflitos.” .
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
SINGELA HOMENAGEM AOS ABNEGADOS HERÓIS
Foi preciso a inglória morte de oito “soldados da paz”, quatro deles na até há pouco frondosa Serra do Caramulo, (com 15.000 hectares ardidos, durante 15 infernais dias), apenas este ano, mas 214 na História Nacional de tão generosa e valente Instituição, para se reconhecer quão preciosa e GENEROSA é. Sem desprimor para os profissionais, cuja competência e atividade é o cimento da profissão, são os Bombeiros Voluntários, particularmente jovens, que constituem a seiva de tão prestimosa vocação. Particularmente no nosso país, em que o voluntariado dos soldados da paz é tradicional. Antiga vocação que remonta ao período dos faraós, os romanos seguiram a tradição, mas não inicialmente em fins sociais. No nosso país os bombeiros tiveram início em 1395, em Lisboa, por Carta Régia do D. João I.
Compete, e depende dos especialistas, as consequências e ilações, certamente muitas, provavelmente da morte dos jovens bombeiros voluntários, como uma Kátia de Alcabideche, um Bernardo do Estoril ou de um Daniel, o último a sucumbir. Embora, segundo noticias, a intempada morte dos primeiros se tivesse ficado a dever a circunstâncias imprevistas, como a súbita viragem, do vento, possivelmente, neste e noutros domínios de prevenção haja lições a tirar. Não é este o espaço, nem o seu autor é especialista no assunto, para se pronunciar. Porém, face ao lamentável e desolador espetáculo anual que assola não apenas a beleza e riqueza florestal do nosso pequeno país, mas pior, a desnecessária morte de valentes e generosos Kátias e Danieis, há que, radical e urgentemente se fazer um profundo estudo sobre tão importante questão. Embora, felizmente, a floresta ardida rapidamente rejuvenesça, mas não o seu habitat, o mesmo não sucede quer com as desnecessárias vidas perdidas dos bombeiros como a rica biodiversidade, assim como os prejuízos, mas especialmente os psicológicos das populações afetadas, jamais podem ser recuperados. Desde, e principalmente a ordenação das florestas, que segundo os próprios bombeiros, as do Estado são as mais prevaricadoras, como quer melhor treino e equipamento adequado das Corporações dos Bombeiros, ao civismo das populações, particularmente dos incautos, já que os pirómanos, por questões psicológicas são dificilmente tratáveis, especialmente em classes menos afluentes, exige-se- urge-se - um estudo rigorosíssimo!
A valentia, a generosidade, a abnegação dos Bombeiros, que agradeço e presto a minha modesta homenagem, BEM O MERECEM, especialmente quando no exercício de tão arriscada missão, as suas vidas são as primeiras a estar em jogo. Não mais desnecessárias mortes de Kátias e de outros jovens lutadores, já que é inaceitável o desperdício de 214 HEROIS que sacrificaram as suas vidas pelos nossos bens e bem-estar. .
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Bombeiros: vigilantes e abnegados heróis
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
A Síria e o tal “Relacionamento especial”
A recente derrota do Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, na Câmara dos Comuns, sobre a sua determinação (juntamente à dos EUA) em intervir belicamente na Síria a pretexto do alegado ataque governamental de armas químiicas ao seu próprio povo, prontificou várias questões e deflagrou outras. A nível interno, primeiro, a posição e autoridade do chefe do governo, cuja derrota debilitou ainda mais a sua já questionável autoridade partidária. Segundo, a moral ou justificação da intervenção militar em países soberanos, quando, em semelhantes casos de chacina despótica, como da Somália (2007), Uganda (1984), (particularmente esta de que resultou a morte de milhões de inocentes civis), da atual e semelhante chacina no Congo, da qual ainda se desconhecem números, ou até mesmo, este mais radical, o caso da Coreia do Norte, NADA FOI FEITO! Terceiro, se tal desfecho porá em causa o chamado “Relacionamento Especial”, com os EUA. E, a nível externo, tal como é atribuído a um porta-voz do Presidente Vladimir Putin, da Federação Russa a alegada “pequenez” e “reduziada influência mundial” do Reino Unido.
Obviamente, a “aventura” no Iraque, pesou forte na decisão dos deputados, confirmado por uma sondagem posterior, em que 71% dos entrevistados também se opôs a uma participação armada. . Deu, porém, lugar a um precedente: a primeira derrota de um chefe do governo numa das maiores decisões – intervenção militar – num país estrangeiro. Contudo, ao dizer não, abandonando o seu mais direto aliado, os EUA, tratou-se da segunda vez, depois da Guerra do Vietname, em que o então Primeiro-Ministro. Harold Wilson, recusou qualquer envolvimento. Porém, e devido ao reatamento e invulgar estreitamento de relações entre os dois países, particularmente até e depois da discutida intervenção no Iraque, desta vez, levanta-se a questão, particularmente importante para os Conservadores, sobre as consequências que a decisão parlamentar provocaria ao chamado “Relacionamento Especial” entre os dois países, de que tanto, particularmente os britânicos, falam e insistem preservar.
Iniciado por Winston Churchill e Theodore Roosevelt, quando o Reino Unido debelitado, estoicamente se debatia, contra as forças Nazis e o povo americano se recusava, oficialmente, a intervir (se bem que, em privado, Roosevelt fornecia navios e material bélico pesado), o seu Presidente, face à situação real e aos insistentes apelos do seu amigo deste lado do Atlântico, torneou a situação envolvendo, DIRETA e EFICAZMENTE o seu Povo, do qual resultou a vitória e o fim de Hitler. Fora, assim, iniciado o “Relacionamento Especial” que teve igualmente como importante arquiteto o influente ministro, Dean Acheson. Para os americanos, porém, embora reconheçam os britânicos aliados mais diretos, como para a maioria dos políticos atuais, de “especial” o relacionamento só existe quando lhes interessa. Afinal, atual e particularmente à crescente influência da China, nomeadamente na esfera asiática, faz concentrar as suas atenções não na velha Europa, mas na distante e mais inquietante região do Sol Nascente. Os britânicos, embora não queiram admitir ser nostálgicos, fortemente cimentados nas tradições, para eles, o “Relacionamento Especial” que em tempos de paz, embora durante a “Guerra Fria”, foi particularmente reforçado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, tem de ser mantido, mesmo que simbolicamente. A lição mais imediata, aprendida do inesperado “não” parlamentar britânico, pelo seu velho aliado foi o reconhecimento da real impotência pessoal dos chefes de governo ou de Estado, passando controversas “batatas quentes” aos seus Parlamentos ou Congressos. Entretanto, surge o cada vez mais arrogante e autocrático Presidente Putin, aliado do regime sírio, a denegrir a influência atual do país que mais ajudou o seu durante a II Guerra Mundial, apelidando-o de “pequeno” e sem “influência mundial”. Ironicamente, com a sua proposta de rendição das armas químicas por parte da Síria, aos cuidados da ONU, talvez a ele se fique a dever uma nova e indesejável intervenção externa no conturbado Oriente Próximo.
sábado, 7 de setembro de 2013
DIVAGAÇÕES DE UMA NOITE DE VERÃO?
Hábitos, tradições e culturas são características idiossincráticas dos povos. E a melhor forma de as distinguir é a vivência e identificação. E, quando delas se é parte histórica, trata-se de um bónus adicional.
Uma das primeiras observações com a cultura e práticas britânicas, ocorrida há mais de meio século, esta em termos académicos, foi a ênfase na opinião do aluno e da sua argumentação sobre um determinado tema, em vez da do tutor, que se limitava a ouvir e, quando necessário, opinar e, a segunda, o planeamento.este, algo estranho para quem vinha de uma cultura de “última da hora” ou do habitual “em cima do joelho”. Outra, o muitas vezes desnecessário, e até vulgar pedido de desculpa. Porém, a que mais me impressionou foi, e é, a fidelidade na resposta a um contacto por correspondência. Que diferença entre, diria, o nosso MAU HÁBITO! Infelizmente, no nosso país, é raríssimo receber-se resposta (agora felizmente em contactos oficiais PRÁTICA CORRENTE e, até, com relativa rapidez!), mesmo quando em casos de simples cortesia (e tenho inúmeros), em que a simples receção, ou prova de boas maneiras - o agradecimento - são os GRANDES AUSENTES!
Porém, quando, por circunstâncias, ocasionais ou inerentes a cargos ocupados, somos parte, e, em alguns casos, iniciamos hábitos, costumes ou normas, mais tarde adotados a nível nacional, compreende-se a satisfação pessoal. Estes, particularmente quando, a título voluntário, ocupei funções sindicais na BBC, notável instituição que profissionalmente me formou e servi durante 30 inesquecíveis anos. Casos pioneiros, que, iniciados nessa Corporação, se tornaram em PRÁTICA NACIONAL! A primeira, quando pouco se falava ainda do assunto, em princípio devido à exiguidade dos então estúdios, refrear-se o uso do fumar durante as transmissões. Prática que depois se estendeu aos refeitórios, em que inicialmente foi dedicado um espaço para fumadores que, mais tarde, foi abolido, inclusivamente no interior dos edifícios, concedendo-se alguns minutos de ponto para os fumadores inveterados. Prática que, anos mais tarde, transformada em lei, se consolidou a nível nacional e nos transportes. Seguiu-se a segurança, especialmente devido à possibilidade dos anunciados ataques do IRA (que, não obstante publicamente anunciadas ameaças, nunca ocorreram a instalações da BBC). Ironicamente, e quando, inicialmente, propus identificação própria dos funcionários e registo de visitantes, recusados devido a alegados custos, quando, poucos anos depois, um dos estúdios foi invadido por adeptos do Partido Nacional Galês (Plaid Cymru - pronuncie-se Pláid Cúmrí), em que foi solicitada a minha mediação, em protesto. por parte daquele partido à, para eles, indevida promoção do galês em emissoras nacionais naquele país, em desprimor às transmissões em línguas vernáculas como era o caso do Serviço Mundial da BBC. Prática atualmente generalizada em todo o país. Finalmente, o processo, inicialmente modesto, da emancipação feminina, ou melhor, o aumento da quota de profissionais femininos em jornalismo, até então defensivo reduto masculino e apenas reservado a secretárias. Ironicamente, anos mais tarde, e quando achei pôr termo a 13 anos de chefia sindical voluntária, o primeiro não britânico a ocupar o cargo, mas eleito, do Serviço Mundial, dei lugar, primeiro a uma Presidente, seguida por outra, esta Portuguesa, que imediatamente fizeram campanha para o Movimento Lésbico, então obscorecido (mas mais tarde prevalecente na Corporação). Fazer parte da História, ser-se pioneiro, talvez por acidente, do que atualmente é apenas hábito corrente e, quando esse intérprete não é cidadão desse Povo e Cultura, mas PORTUGUÊS, ou melhor, Tondelense, é uma realidade! Não uma divagação de uma noite de verão!
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