quinta-feira, 9 de maio de 2013
O MISTICISMO DOS VULCÕES
Para os Romanos, Vulcão, o deus do fogo, assistido pelo seu sacerdote Flamen, atraía os fieis no seu dia áureo do Festival Volcanalia, efetuado a 23 da agosto, em que o brindavam com pequenos peixes a fim de serem protegidos pelas devassadoras chamas. Para os Indonésios, em cujas 13,677 ilhas (6,000 das quais desabitadas), numa superfície de 1,904,570km2, situadas numa das mais violentas zonas tetónicas, semeadas por 129 poderosos vulcões, dos quais Krakatoa ou Krakatau em bahasa (língua oficial indonésia), a leste de Java, é o mais potente e destruidor, e cuja explosão de agosto de 1883 destruíu 2/3 da ilha, matando aproximadamente 40 mil pessoas, a magia dos vulcões domina-os. Só nesta ilha, a segunda maior do país, com 120 milhões de habitantes, predominam mais de 30 vulcões ativos, a quem se deve a morte de mais de 140 mil pessoas, nos últimos 500 anos! O país, cujo mote é Bhinneka tunggal ika - unidade na adversidade – traduzido por 300 etnias com mais de 700 idiomas e dialetos, dominado por seis grandes religiões oficialmente reconhecidas pelo governo, e da qual a mais preponderate é o islamismo, seguida do catolicismo, protestantismo, induísmo budismo e confucionismo, não obstante a sua religiosidade, é profundamente dominado pelo animismo. Só assim se explica, não obstante o seu devastador e mortífero historial, a magia dos vulcões, em que o do Monte Merapi, (que significa Montanha de Fogo), na zona centro-oriental de Java, a 30km norte da cidade de Yogiakarta, de meio milhão de habitantes, é o mais notável. Mas não único! O misticismo dos vulcões por parte da população indonésia, incluindo a própria classe política é tal que os dirigentes islâmicos, preocupados pelos seus efeitos, lutam estoicamente contra semelhante tendência! A estas devoradoras bocas em chamas afluem, anualmente, milhões de súbditos que as alimentam principalmente de cabritos, dinheiro e aves de toda a sorte. Ao vulcão do Monte Merapi, que igualmente conta com o chamado “Guardador” ou, digamos Sacerdote, de nome Mbah Marijan, realizam-se procissões por ele guiadas, cujos participantes, cheios de oferendas procuram aplacar. Ironicamente mais: a dádiva de uma vida melhor! O charme de Merapi, que na sua erupção de 1930 matou 1200 pessoas, é tal, que nas suas frondosas escarpas de 3000 metros de altura abundam, aninham-se aldeias cujos habitantes procuram a sua proteção! O maior cúmulo, a outro vulcão, este situado perto do Lago Toba, a norte da Ilha Sumatra, junto do qual está instalado um heliporto para os helicópteros dos ricos visitantes, um candidato à vice-presidência foi suplicar aos espíritos de tão poderoso vulcão que o ajudasse a ganhar as eleições. Porém, a potente boca de fogo não o ouviu, pois não as ganhou. Outras importantes figuras políticas recorrem ao beneplácito do guardador de Merapi, Mbah Marijan! Quem, porém, por alegado misticismo, uma vez que afirma que os vulcões “são cadeiras dos deuses” é o empresário Satria Naradha, tipo Berlusconi, pois possui a principal emissora de televisão e o principal diário de Bali, que se aproveita do desenvolvimento do turismo e afluência aos vulcões com a construção de uma vasta rede de templos hidus através da Indonésia!
Desde há muito que os vulcões, muito relacionados com as placas tetónicas, são parte importante da mitologia de muitos povos, habituados a viver junto das devoradoras crateras. A ciência que estuda estes fenómenos, a vulcanologia, porém, só em 1768 começou a estudar o que até então era vulgarmente classificado como “montanhas a arder”. Porém o registo gráfico da primeira erupção vulcânica está patente num mural neolítico, de 7000 AC, nas caves de Çatal Hoyuk, Anatólia, Turquia. Atualmente os geologistas concordam que o vulcanismo é um processo profundo resultante da evolução termal dos corpos planetários. O calor não escapa facilmente de vastos corpos como a Terra por processos condutores de radiação. Em seu lugar é transferido do interior da Terra, largamente por convecção, ou seja a fusão da crosta e da mantra terrestres numa força ascensional da magma projectando-a à superfìcie. Portanto, os vulcões são o sinal da superfície deste processo termal. Das suas raízes, nas profundezas da Terra, resulta o enorme e poderoso vómito na atmosfera.
Fontes: Agradecimentos a: Enciclopaedia Britannica, Wikipedia e National Geographic (edição britânica, janeiro de 2008)
terça-feira, 30 de abril de 2013
A “DAMA DE FERRO” QUE CONHECI E OBSERVEI
Não foi a tão solicitada e longamente esperada entrevista por ela concedida, permitindo-me estar junto dela, que mudou a minha opinião acerca da agora falecida baronesa e então primeira-ministra, Margaret Thatcher. Recebendo-me no seu bem arrumado escritório em Downing Street, nos idos meados de 1980, objetiva e incisiva, as suas primeiras palavras foram de simpatia pelo nosso país, o que, aliás, era hábito por parte de muitas outras figuras políticas que entrevistei e com quem contactei. Esclarecendo que dispunha de pouco tempo, pelo que pedia desculpa, num timbre de voz tão característico, mas sempre afável, de porte distinto e senhoril, na minha frente se “dama de ferro” existia, essa imaginária couraça teria sido guardada em qualquer outro sítio. Faz-me lembrar Isabel II, cuja imagem oficial, séria e sisuda, em privado é a pessoa mais jovial, descontraída e risonha. Agora partida, com toda a pompa, em que a Inglaterra tanto se preza e bem sabe, relembremos o seu legado.
Para muitas então mães e agora avós, Margaret Thatcher foi odiada quando ministra da educação no governo (1970-1974) de “Sir” Edward Heath em que decidiu retirar o alimento básico, o leite, a crianças de escolas primárias, pelo que veio a ser conhecida, em vez de Thatcher, “Snatcher” (ladra). Prelúdio do que viria a demonstrar quando primeira-ministra principalmente na destruição do até então precioso Sistema Social. Mas não só. Lembro-me, e vivi profundamente o drama da greve dos mineiros em que a então conhecida e mui detestada “Maggi”, como era conhecida, demonstrou ser uma verdadeira “dama de ferro”, destruindo a rica e vasta indústria carbonífera do país. Pior. Com ela muitas comunidades mineiras espalhadas pelo país, mas principalmente no País de Gales, no nordeste e centro da Inglaterra. Consciente do paroquialismo dos colegas britânicos e da enorme propaganda a favor do governo numa clara guerra que a primeira-ministra não queria – nem devia – perder, desloquei-me e convivi com a comunidade mineira do Pais de Gales e da zona de Darby (centro da Inglaterra) que antes me haviam tratado como especial anfitrião ao ponto de com eles conviver nas entranhas das minas onde labutavam, pelo menos a centena e meia de metros de profundidade. A dureza da polícia, não local, mas recrutada de várias partes do país foi notória, transformando por completo a boa imagem que se tinha dos até então afáveis “Bobbies”, como familiarmente eram chamados. A contrastar, na defesa do seu ganha-pão, mas mais. do próprio tecido social, tão caraterístico da comunidade mineira, os mineiros resistiam, dependendo das dádivas provenientes de todo o país cuja população com eles se solidarizava. Estes, dois dos mais notáveis episódios da sua governação. Outros houve, porém, não menos importantes, que sumarizo: 1) Aumento da pobreza e a crescente divisão entre o rico e o pobre. 2) Dividiu e revoltou o País; 3) Esbanjou a riqueza do petróleo e gás do Mar do Norte; 4) Provocou a maior recessão e o mais elevado nível de desemprego; 5) De-socializou o País e deu início à erosão do Estado Social; 6) Destruiu a multisecular independência das autarquias a favor da centralização. Quanto a mérito, destaco: A nível interno: 1) “Democratizou” e empolgou o mundo financeiro da “City”; 2) Reformou a dependência do país ´da anquilosante indústria pesada; 3) Pôs cobro à anarquia e ao baronismo sindicalistas. (Quem diz isto é um antigo e primeiro dirigente em década e meia e Presidente não britânico do influente Sindicato Nacional de Radiodifusão!) e, finalmente, na minha opinião, devolveu à Nação a perdida identidade BRITÂNICA, embora com algum e condenável xenofobismo, notabilizando-se particularmente na Guerra das Falklands/Malvnas. Mérito ou Demérito, com as privatizações, como a criticou uma das mais e influentes figuras do Partido Conservador e igualmente ex-Primeiro-ministro, Harold McMillan, por ter vendido “a prata da casa”. A nível internacional: 1) Prestigiou o País e, 2) juntamente com Ronald Reagan, apoiando Mikhail Gorbatchev, pôs cobro à Guerra Fria. Mas, a nível europeu, provocou divisões, chocou os “young turks” do seu partido, dando lugar à maior vaga eurocética britânica
domingo, 14 de abril de 2013
ESQUEÇA-SE A CRISE, Habemos Thatcher!
O Reino Unido, ou melhor, a Inglaterra vive dias memoráveis. Na desesperada ausência de boas novas em relação à economia, o Governo procura minimizá-la invocando o que une a Inglaterra e os ingleses: homenagear, com pompa e cerimónia, os seus líderes, especialmente na sua morte. Neste caso, o falecimento da Baronesa Thatcher, cujas exéquias são celebradas na quarta-feira 17, na Catedral de São Paulo, em Londres. Antecipadas por desfile, em que, pelo menos 700 militares das várias forças armadas vão fazer-lhe as devidas honras. Pedido da falecida como testemunho e gratidão pela sua enorme participação e sacrifício na Guerra das Falklands/Malvinas, dentre os milhares de convidados, em sua maioria chefes de estado e de gabinete atuais e antigos, contam-se a Rainha Isabel II e o marido, Príncipe Filipe numa rara presença e honra prestada a uma antiga chefe de gabinete apenas concedida no funeral de
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Margaret Thatcher, a pessoa que entrevistei.
Artigo longo, mas creio valer a pena, parte do meu manuscrito POR TERRAS DE SUA MAJESTADE:
Margaret Thatcher (1927-2013): a redentora?
Retomando o tema da crise de identidade que o país atravessava, principalmente a partir da década de 70, Margaret Thatcher, foi a pessoa mais indicada e que habilmente se aproveitou dessa circunstância. Começando por apelar ao inglesismo dos eleitores, o estilo de liderança da que foi apelidada, no estrangeiro, de "dama de ferro" (*) (*+) mas, para os ingleses, o epíteto menos
dignificante de "filha do merceeiro", devido ao facto do pai ter tido as origens de pequeno comerciante, na localidade de Grantham, no condado de Lincolnshire, no centro-leste da Inglaterra, o seu inegável patriotismo, ou para os seus muitos críticos de "inglesismo" xenófobo, teve grande apelo, ao ponto de ser considerada como a líder com o dom de unir um tão dividido e então desiludido país.
(*) O coronel Russo, Yury Gravilov, que na altura escrevia para o jornal do exército Red Star revelou, pela primeira vez, ao semanário britânico The Mail on Sunday (25 de fevereiro de 2007, pág. 48) que por iniciativa própria apelidou a então estadista britânica, em 24 de janeiro de 1976, com tão famoso epíteto, baseado no dirigente alemão e chanceler "de ferro" Otto von Bismarck.
(*+) Também ”transportada” para o cinema, interpretada pela artista Merryl Streep, que teve estreia mundial, em janeiro de 2012, cuja interpretação lhe valeu um Oscar, em 26/02/12 e uma estatueta BAFTA ,em 12 de fevereiro de 2012, pela Academia Britânica do Cinema e da Televisão, ambos os prémios como “melhor atriz”.
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Mulher dinâmica e autocrática, são inúmeros os ditos que se teciam em relação ao seu mais do que visível estilo dominante, tanto em termos maritais como, e muito particularmente, governamentais. No domínio marital, foi com base nas afirmações dela que os satiristas faziam,
normalmente, chacota. Caso mais típico, foi o programa da televisão, Spitting Image [correspondente e que deu origem à popular Contra-informação da RTP]. Enquanto o marido, Denis Thatcher, falecido em outubro de 2003, pessoa afluente e que fez a fortuna devido ao seu envolvimento com uma companhia americana de petróleo, lavava a louça acompanhado de uma
garrafa de gin, Margaret Thatcher, "comandava" a situação de mala na mão, principalmente nas reuniões de Conselho de Ministros! A confirmar o seu xenofobismo, como teve de recorrer a amas suecas, para cuidar dos filhos gémeos - Mark e Carol - muitas vezes comentava que tinha de ir depressa para casa porque receava que os filhos viessem a aprender inglês com sotaque sueco!
Como a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra britânica, e a primeira governante a manter-se no posto depois de três bem sucedidos embates eleitorais sucessivos, especialmente num partido de grandes tradições aristocráticas e historicamente dominado pelos homens, só uma mulher - a primeira mulher também a ocupar semelhante cargo na Europa. Elevada a baronesa, com o título de "Lady" Thatcher de Kesteven, atingiu o pináculo da política "Tory" [título atribuído aos Conservadores] (*). Pessoa habituada à controvérsia, na vida política, Margaret Thatcher começou a ser notada – e detestada - principalmente pelas mães das crianças, quando, como Ministra da Educação, entre 1970 e 1974, no governo do que viria a ser "Sir" Edward Heath (1916-2004), aboliu o leite gratuito que era distribuído às crianças, nas escolas primárias. Porém, a maior surpresa da sua carreira surgiria quando em 1975, depois da derrota governamental de Heath, desafiou o seu colega na liderança do partido, conquistando o posto, que passou a ocupar a 5 de fevereiro de 1975. Foi a partir desta altura e rodeando-se de grandes pensadores da direita, como o que veio a sucedê-la no posto ministerial que ocupara sob Heath, nomeadamente o falecido "Sir" Keith [Sinjohn] Joseph (1918-1994) e Airey Neave [que foi assassinado em 30 de março de 1979, pelo grupo terrorista norte-irlandês INLA, que colocou uma bomba no automóvel que se encontrava estacionado no parque da Câmara dos Comuns] e, com a assistência do então emergente Instituto Adam Smith, sob a direção do seu fundador, Dr. Marsden Pirie, preparou-se habilmente para o governo, cujo posto de primeiro-ministro ocupou em 1979. Campeã da simplificação e da redução do papel do governo, uma das principais ideologias da extrema direita Conservadora, mas centralista da gema, dedicou-se inteiramente ao monetarismo e à doutrina advogada pelo Professor americano e Prémio Nobel de Economia, Milton Friedman (1912-2006) (+), como espinha dorsal da política económica do seu mandato. A Margaret Thatcher, porém - e justiça lhe seja feita - devem-se, especialmente, três importantes e até então muito necessárias reformas, que nenhum governo trabalhista antes dela conseguiu, embora a custo de elevadas taxas de desemprego: transformação de uma predominante anquilosada e incompetitiva indústria pesada, especialmente no norte da Inglaterra, e na zona de Glásgua, na Escócia, para a indústria eletrónica e ligeira (1), bem como o sector de serviços; cobro ao predomínio e, em alguns casos nepotismo sindical; política de privatizações, em que foi copiada no mundo inteiro, e ao desenvolvimento do mundo bancário e financeiro, geralmente designado na Grã-Bretanha de puramente, "City", em que se seguiu o encorajamento e a promoção da aquisição das ações por parte do público, que enquanto em 1979 existiam apenas 3 milhões de acionistas, em 1987 triplicou para 9 milhões, o que justificou o título de "democracia do capitalismo", em que se notabilizaram tanto a British Telecom (telefones) como
(*) O termo "Tory", embora originalmente com conotações pejorativas, relacionadas com os ladrões de gado irlandeses foi atribuído aos políticos que se começaram a notabilizar no termo do reinado de Carlos II. Porém, a sua origem pode ser traçada, 25 anos antes, aos realistas que se opuseram a Carlos I. O partido, teve origem em 1681, dando lugar, depois da fusão com os "Whiggs" e Unionistas, ao atual Partido Conservador, em 1886. (Vide An Appettite for POWER A History of the Conservative Party Since 1830, págs. 16 e 22) (Edição de HarperCollins)
(+) O ministro das finanças do governo de Bill Clinton e professor de economia da Universidade de Harvard, Lawrence Summers,
afirmou na revista The Time (25 de dezembro 2006-1 de janeiro 2007) que "se Keynes foi o economista mais influente da primeira metade do século XX, Milton Friedman foi o mais notável da segunda".
(1) Em finais de de 2011 a indústria manufaturadora britânica estava reduzida a 2.5 milhões de trabalhadores
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a Companhia do Gás (British Gas), até então confinada a instituições financeiras. Mas a ela também se devem pelo menos dois dos piores males da sociedade britânica: o inaceitável alargamento do fosso entre o rico e o pobre e o até então inédito crescente egoísmo da geração do seu período de governo, incluindo a que lhe foi atribuída falta de respeito pela autoridade por parte da juventude no decurso dos seus 18 anos de mandato (*).
O aumento da pobreza - um dos maiores “legados” de Thatcher
No primeiro caso, como se cita na obra Inequality in the UK, (Oxford University Press, 1997) "...nos anos 60 aos meados de 70, a taxa da pobreza era relativamente estável. Porém, nos finais de 70 e de 80, a situação tornou-se claramente diferente, com a taxa da pobreza (HBAI) a subir vertiginosamente, na fase final do período..." e no estudo "Tackling Poverty and Extending Opportunity" do Ministério Britânico das Finanças (29 de março de 1999), em que se revela que 12 milhões de cidadãos britânicos, então cerca de um quarto da população nacional, vivia em estado de pobreza, apontam-se, igualmente, outros aspetos marcantes.
A divisão entre o rico e o pobre alargou-se "substancialmente" depois de 1977, situando-se numa diferença de 30%. Salienta ainda o estudo, que os autores afirmam ter sido o maior do género, que
as raízes da pobreza não foram súbitas na classe etária adulta, mas que predominavam desde a infância. Outro facto revelador é que, por haver, nessa altura, mais crianças entre famílias pobres, prejudicou tanto a educação como a oportunidade em singrar na vida. Foi esta situação, que levou o governo dito "Novo Labour", de Tony Blair, em setembro de 1999, a lançar um plano para, significativamente, reduzir a taxa de pobreza, pelo menos dentro de cinco anos. Mas no meio deste período e, não obstante o lançamento do salário mínimo de 3 libras e 60p por hora [posterior e regularmente atualizado], segundo a fundação Joseph Rowntree, a quem se deve o estudo Monitoring Poverty and Social Exclusion 1999 (Estudo da Pobreza e da Exclusão Social), dois anos e meio depois de um governo trabalhista, no fim de 1999, 14 milhões de pessoas viviam abaixo das
taxas médias de pobreza oficiais, incluindo 4.4 milhões de crianças. (+) Este facto, mereceu a admissão de Guy Palmer, diretor adjunto do New Policy Institute, entidade de estudos políticos muito perto da esfera do governo de Tony Blair [no Poder até outubro de 2007], citado pelo matutino The Daily Telegraph, de 8 de dezembro de 1999, "embora haja áreas em que se nota melhoria, não existe um padrão genérico. O que é visível, porém, são as desigualdades tanto no domínio da saúde como da educação, que estão a piorar." Segundo a já citada reputada e independente Fundação Joseph Rowntree, no seu estudo, intitulado Poverty and wealth across Britain 1968 to 2005 (Pobreza e Riqueza na Grã-Bretanha 1968 a 2005), publicado em julho de 2007, em resumo, afirma: a) desde 1970, a média por área da pobreza e riqueza na Grã-Bretanha alterou significantemente. Na realidade está-se a regressar aos níveis de desigualdade na riqueza e na pobreza verificados há mais de 40 anos; b) Nos últimos 15 anos aumentou o número de lares pobres, mas verificou-se menor número de muito pobre; c) As áreas ricas tornaram-se desproporcionalmente mais ricas, aumentando a polarização entre o rico e o pobre e em algumas cidades mais de metade dos lares situam-se no limite mínimo da pobreza; d) Enquanto aumentaram os grupos de pobreza urbana os lares mais abastados passaram a concentrar-se nas periferias das cidades, nomeadamente em Londres; e) Os lares ricos e pobres tornaram-se mais geograficamente segregados do resto da sociedade e f) A média dos lares, nem pobres nem ricos, tem diminuído em número e gradualmente desaparecido de Londres e da região sudeste.
(*) Esta acusação foi feita em abril de 2006 por Brian Garvey, presidente de um dos dois maiores sindicatos de professores, NASUWT, ao afirmar "que não preciso de me desculpar ao adicionar o meu nome à longa lista de pessoas que acham que Margaret Thatcher prejudicou mais a sociedade em que vivemos do que qualquer outra pessoa dos últimos tempos...uma vez que ela encorajou e destruiu, mais do que ninguém, as estruturas sociais, contribuindo ainda para a crescente falta de respeito por parte dos alunos nas classes das escolas do país”. (The Independent 13 de abril de 2006)
(+) Segundo o The Institute of Fiscal Studies, a percentagem projetada das crianças a viver em absoluta e relativa pobreza, em 2020-2021, e entre 23 e 24% respetivamente. Portanto muito aquem do objetivo do governo, estabelecido por lei, de 5 e 10% (The Independent , 8 de maio de 2012)
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Foi, igualmente, o xenofobia e anti-europeísmo de Thatcher que contribuiu para a radicalização dos "turcos" conservadores e o agudizar da xenofobia, assim como o degladiar no seio do partido que não só levaram à humilhante deposição da então primeira-ministra, em novembro de 1990, como contribuíram para o vexame eleitoral de 8 de maio de 1997, do seu sucessor, John Major, imposto por Tony Blair, pondo termo a 13 anos de afastamento do poder devido às várias vitórias eleitorais dos Conservadores. Com a vitória de Tony Blair e a emergência do chamado “Novo Labour”, até maio de 2010, com a derrota deste, e já com Gordon Brown como seu sucessor, mas também batido, surgiu, pela segunda vez em setenta anos, a coligação entre Conservadores e Liberais Democratas, liderada pelo Conservador David Cameron com Nick Clegg como seu vice.
quinta-feira, 28 de março de 2013
A MISTERIOSA CAHOKIA
CAHOKIA, cujo significado original é Ganso Bravo, é atualmente um dos maiores centros arqueológicos americanos, e um dos mais antigos centros habitacionais dos primitivos habitantes americanos. Compreensivelmente, a despertar o interesse mundial sobre a sua origem e história, penetremos no seu profundo mistério, à semelhança das Civilizações Inca e Maia, particularmente em relação ao seu desaparecimento. Classificada pela UNESCO de Património Mundial, em 1982, foi ali que o famoso chefe índio, Pontiac, encontrou a morte, a 20 de abril de 1769. Originalmente situada nas margens superiores do Rio Mississípi, frente ao Estado de Missouri (St. Louis) e, mais precisamente no sudoeste do atual Estado de Illinois, do qual a famosa Chicago é hoje símbolo, o acampamento original de Cahokia ocupava a superfície de 13km2. Porém, na mais vasta região do atual Estado de Illinois, predominavam várias tribos, qualquer delas da origem Algonquian. Enquanto a norte dominavam os Kickapoo, Sac, e Fox, na zona do Lago Michigan predominavam os Potawatomi, Ottawa e Ojibwa (Chippewa), os Kkaskaska, Illinois e Peoria habitavam as planícies centrais e, a sul, os Cahokia e Tamaroa. Centro vibrante, muito antes da chegada de Colombo, a sua origem remonta ao ano 8000AC, florescendo até a 1350AD com a população de 20,000 habitantes. Tido como o mais vasto centro pré-histórico da América, a norte do México, foi também considerado como centro da cultura do Médio Mississípi, essa vasta região agrícola, que a beneficiar das águas do extenso e poderoso rio, abrange doze Estados, incluindo, parcialmente, mais três.
Por iniciativa de missionários do Quebeque, o nome de Cahokia, foi, mais tarde, ressuscitado. Situada a norte desta vasta região, no século XVII, assumiu o nome atual, tornando-se, igualmente, no primeiro e influente posto colonial europeu do novo continente, inicialmente habitado por colonos franceses. Capturada por George Rogers Clark para os americanos, em 4 de julho de 1778, dois anos depois deu lugar ao Condado de St. Clair, de que se destaca a construção da Mansão Jarrot, completa em 1810 e reconhecida em 2001 como monumento nacional. A nordeste da cidade, nas proximidades de Collinsville, situa-se a zona em que se encontravam os resquícios da civilização da Cahokia original, por meio de enormes e vastos montículos artificiais, que no período áureo totalizaram 120, o maior dos quais da altura de um prédio de 12 andares, com 660,000m3 de volume de terreno! Gradualmente demolidos, ação correspondente ao sentimento nacional anti índio, e transformados em terrenos agrícolas, atualmente resta apenas um, compreensivelmente atração de cada vez maior número de turistas. Porém, segundo estudos provenientes das escavações em curso, a Cahokia original, foi notável centro comunitário, definida por zonas administrativas e cerimoniais, em que predominavam complexos de elite, bairros residenciais e até periféricos, todos a obedecer a uma orientação cardeal precisa. Dominada por uma enorme praça central, com cerca de 16 hectares, incluindo o montículo na forma de pirâmide, designado Montículo dos Monges, a celebrar os religiosas que habitavam à sua sombra, foi construído entre 900 e 1200. As escavações igualmente revelaram o martírio de seres humanos e que a cidade exercia relações comerciais com povos distantes, nomeadamente do .Golfo do México, a sul e da Cordilheira dos Apalaches, a leste. Civilização avançada como esta desafia a noção dos Europeus. O seu desenvolvimento, obviamente levanta profundas questões, qualquer delas ainda sem resposta. Sem evidência da existência de escrita ou documentos que possam conduzir a uma pista, o mistério adensa-se. Foi Cahokia um Império, como as civilizações da Mesoamérica, a sudeste? Uma pertinente pergunta. Um desafio!
Fontes: Agradecimento a National Geographic (edição em inglês), Janeiro de 2011, pág. 126
sexta-feira, 15 de março de 2013
CRISES
Muito se tem comentado, e continuará a comentar-se sobre CRISE. Esta no singular, particularmente em relação ao nosso país e à Europa. A ela, adiciono uma outra e, neste caso, CRISES, no plural. Refiro-me, em particular à outra crise: a da Igreja Católico-Romana. E aqui não considero apenas a eventual decisão que teria levado à renúncia de Bento XVI, atualmente caso de grande especulação e até revolta, como foi o caso do sacerdote italiano,Andrea Maggi, de Liguria (no litoral noroeste da Itália), que rasgando a foto de Bento XVI o associou ao comandante do naufragado Costa Concordia, em Giglio, levando a Igreja contra as rochas. Mas à que alastra, em relação a uma boa parte do comportamento do clero, particularmente o superior. Por isso, além da crise da Europa, em que a sede da Curia Romana se insere, temos a crise da própria Igreja Católico-Romana, e, portanto, CRISES.
Em relação à última, enquanto a falta de transparência, as acusações de intrigas, lutas de proveito próprio e de senioridade na hierarquia da Curia, assunto que o ex-mordomo de Bento XVI justifica em ter sonegado para revelar e denunciar, assim como alegada a noticiada lavagem de dinheiro pelo banco do Vaticano, isto a nível interno; no exterior, depois do inaceitável escândalo de pedofilia cometido por membros do clero que lavrou desde os Estados Unidos, à Europa (envolvendo vários países), notabilizando-se particularmente na República da Irlanda, rebentou também há poucas semanas na Escócia, que justificadamente levou à demissão do Cardeal Keith O’Brien. Sobre a falta de transparência, particularmente em relação à razão e timing da renúncia de Bento XVI, debruçou-se, recentemente, e muito bem, o conhecido cronista do Diário de Notícias, Ferreira Fernandes (DN 05/03/13, ‘Cum clave’ ‘Ma non troppo’). No seu bem conhecido estilo, este jornalista cita a insistência na procura da verdade por duas destacadas figuras eclesiásticas católico-romanas,, os cardeais D. Geraldo Majella Aguelo, de Salvador da Baía (Brasil) e D. Wilfred Napier de Durban (África do Sul). Segundo Ferreira Fernandes, sustentam ambos que, existindo o tal relatório alegadamente apresentado a Bento XVI e que o teria levado à renúncia, obviamente QUEREM – e DEVEM - SABER O SEU CONTEÚDO. E se estas altas instâncias da hierarquia católica publicamente se pronunciam, o que dirá o bilião ou mais de fiéis em todo o mundo? Aceitar, ou melhor, engolir, o que se lhe dita como credo ou alegada presunção de fé? Além disso, que dizer do escândalo da pedofilia? Certos, igualmente membros da alta hierarquia católica, perante tal crise desculpam-na afirmando ser o clero humano, e consequentemente sujeito a inerentes erros pelo que devem ser desculpados. Perante tal situação a conhecida afirmação “Faz o que digo e não o que faço”, é descaradamente invocada por quem não quer reconhecer nem o voto sacerdotal, mas pior, a CONFIANÇA que neles é depositada pelos fiéis, quando é notória – e
GRAVE – a evidência.
Muitos há, incluindo-me eu próprio, que procurando melhor obedecer e servir Deus, se dececionaram pelos atos daqueles que dizem oficialmente servi-lo. Obviamente não me refiro à maioria, cujo exemplo, por ser notável, aplaudo. Porém, quando o comportamento, altamente condenável, vem do topo, está-se perante uma ENORME CRISE. E, se recorrermos à História, embora haja atos que devem ser interpretados no seu próprio contexto, crises, ou melhor, TRAGÉDIAS de alegada Fé como as Cruzadas e, dentre estas, a que dizimou os Albigenses do sudoeste da França, os exemplos são miríade, a contrastar com a pureza dos Evangelhos, assim como de Cristo. Não sou ateu, mas olhando para o exemplo e prática de certos religiosos, prefiro não ser adepto de nenhuma religião, procurando a máxima que se sempre me orientou na vida – servir a sociedade e o ser humano que responsavelmente se integram na sociedade de que fazemos parte. E, voltando à crise europeia, mas particularmente no contexto da eleição de um novo Papa, quão errados estão aqueles que advogam a continuidade de um Sumo Pontífice europeu, como é o caso de outro conhecido comentador do mesmo matutino, Vasco Graça Moura, na sua crónica de 06/03/13, intitulada ‘A Europa e o Papa’. Com a eleição de um cardeal argentino, o que aconteceu pela primeira vez também proveniente da América Latina, agora Papa Francisco I, pergunto: Com uma Europa e a Igreja Católica em crise, que mal houve eleger-se um Papa com a experiência e visão de qualquer outro continente, capaz, como se deseja, de debelar a Crise? Devido à enorme responsabilidade e à consequente necessidade de reforma, NELE RECAI UMA ENORME RESPONSABILIDADE. PORTANTO, ESTA, A OPORTUNIDADE IDEAL. OXALÁ QUE NÃO SE PERCA!
sexta-feira, 1 de março de 2013
O BENFAZEJO (?) SOL
Diz a Ciência que do Sol depende toda a vida, animal e vegetal. Particularmente para nós, Portugueses, esse tão familiar astro, tão procurado e benfazejo nas praias, mas cada vez mais conscientes dos seus perniciosos efeitos, graças às crescentes descobertas científicas, é mais perigoso do que os nossos antepassados - e muitos de nós - pensavam.
O mistério adensa-se, especialmente quando cientistas como Karel Schrijver, do Laboratório de Astrofísica Solar Lockheed Martin, de Palo Alto, Califórnia, afirma que “não podemos prever o que o sol poderá fazer em mais do que escassos dias”. Compreende-se o seu lamento, o pior que pode haver para um investigador. Na sua tentativa em procurar saber e “compreender em como o tempo espacial se reflete na sociedade, assim como os seus perniciosos efeitos”, os cientistas baseiam-se, apenas naqueles que já são conhecidos e nos que poderiam resultar numa catástrofe de enormes proporções, como a que foi calculada pela Academia Nacional [Americana] de Ciência. em que uma tempestade solar pode gerar consequências vinte vezes mais que o Furacão Katrina, que devastou o litoral sul da América em 2005, e que, em termos económicos, atingiu ou até ultrapassou, 2,5 mil milhões de euros. Daí a corrida científica para melhor se compreender e evitar os espetaculares danos do “vizinho” Sol, mas situado a 149,6 milhões de km de distância!
São vários os efeitos já conhecidos, embora ultramilionesimamente inofensivos. Em 1958, 100 aviões, na rota entre os Estados Unidos da América e a Europa perderam o contacto radiofónico com os postos terrestres; em 1972, um transformador, situado no Estado de British Columbia, no Canadá, explodiu. O pior, aconteceu no estado de Quebeque, no mesmo país, em 13 de março de 1989, em que todo o sistema elétrico foi neutralizado, deixando completamente aquele Estado às escuras, provocando centenas de milhões de euros de prejuízo. Outros, de menor dimensão, afetaram satélites, provocando o seu desvio de rota, e, finalmente queda, o que aconteceu em 2000 e, em 2003, além de outro apagamento do sistema elétrico sueco que afetou, igualmente, a comunicação do tráfego aéreo. Porém, a pior tempestade solar, embora sem consequências de maior no nosso planeta, foi observada pelo jovem britânico, Richard Carrington, em 1 de setembro de 1859. Face a uma tempestade destas dimensões, o grande mistério está no facto de não ter tido consequências que poderiam ser inimagináveis na Terra. Para melhor se compreender a razão destas potentes tempestades há que analisar a matéria solar. O Sol, contrariamente ao que se pode supor não é sólido, nem líquido, e, muito menos, gasoso. É composto por plasma, também chamada de “quarto estado da matéria”, resultante dos átomos, quando reduzidos a simples protons e eletrons. As partículas, semelhantes a medusas luminosas, qual mundo dinâmico maravilhoso, explodem, entrelaçando-se e deslizando, para, misteriosamente, desaparecem horas ou dias depois. Dependendo da intensidade da erupção resulta a dimensão da tempestade solar e, pior, as suas consequências. Além disso, o Sol está repleto de campos magnéticos, em sua maioria localizados no maciço interior do seu círculo, embora algumas cavidades magnéticas, espessas como a largura da Terra, surjam na superfície como manchas solares. A mover toda esta força, encontra-se a intrigante maquinaria de uma estrela excecional. - o núcleo solar. Verdadeira caldeira, a 65 milhões de graus centígrados de plasma esferóide, seis vezes mais densa que o ouro, funde, em cada segundo, 700 milhões de protons em hélio, libertando a energia de dez mil milhões de bombas de hidrogénio em todo o processo. A energia produzida pela fusão do núcleo solar é transportada para a zona de radiação, a matéria é tão pressionada, que leva 100 mil anos aos fotões a emergir na envolvente zona de convecção, ou seja 70% do exterior do centro solar. Cerca de um mês depois os fotões emergem na fotosfera, ou seja, a parte visível do Sol. Dali leva apenas oito minutos a atingir a Terra como luz solar. São deles que nos devemos abrigar o mais possível, especialmente na praia!.(Dados e agradecimento - a National Geographic - edição britânica, junho de 2012)
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