quinta-feira, 10 de maio de 2012
O OUTRO DESCONHECIDO E ASSUSTADOR SALDO DE 2011
O somatório de desastres, principalmente cheias ou secas quase bíblicas, que têm assolado o nosso pobre Planeta, do Oriente a Ocidente, do Norte a Sul, com o consequente arrebatar de vítimas, não pode – nem deve – ser descurado! As já esquecidas cheias do Bangladeche e do Paquistão, em 2010, ou as mais recentes, quer durante 2011, mas especialmente – tanto nas Filipinas, na Austrália, como na costa oeste, ou ainda os fortes e inéditos nevões do estados centrais dos Estados Unidos da América (EUA), estes, felizmente, sem acarretar grande número de vítimas, ou ainda as enxurradas tanto do Rio de Janeiro como as do Estado de Minas Gerais, no Brasil, todas já este ano, em que as anterior, além das habitações, em sua maioria casebres das pobres favelas, provocaram grande número de vítimas. Insisto. Nunca fui, nem serei, profeta da desgraça, já que tantas vicissitudes abundam quer nos ecrãs das nossas televisões quer na maioria dos jornais diários! Chamo, porém, a atenção, indago-me a mim próprio, o porquê de tantos e quase consecutivos males, excluindo os terramotos, os maremotos, ou como modernamente se lhe chamam, tsunames! Como não sou cientista, deixo as respostas mais adequadas a quem de direito! O que, porém, não posso deixar de referir, baseado na lista de atrocidades naturais que ocorreram por este nosso mundo fora, é a página consagrada pela revista TIME, de 26 de dezembro de 2011 a 2 de janeiro de 2012. Por considerá-la inédita e importante, para quem não assina ou lê esta conceituada revista, aqui fica uma resenha.
Num círculo dividido em quatro partes, e tendo como núcleo o título “FORÇAS DA NATUREZA tanto da terra, do ar, do fogo ou da água, a verdascada sofrida pelo mundo em 2011”. Se em termos de furacões, tornados ou ciclones tropicais que assolaram as Caraíbas e a costa oeste dos EUA, excluindo o número de vítimas mortais, aponta a revista, os danos materiais foram orçados em mais de 12 mil milhões de euros! Em termos de cheias, na Austrália, Brasil, Canadá, EUA e Tailândia, e de secas no leste de África, se faz o modesto cômputo financeiro de 50 mil milhões de euros, o pior, foram as consequências – pelo menos 800 pessoas morreram nas cheias do Rio de Janeiro, as maiores da história do país, 6.300 voos cancelados, na Tailândia 2.9 milhões de pessoas foram afetadas e, na totalidade, três milhões e 725 mil quilómetros quadrados atingidos e destruídos pelas cheias, enquanto as secas africanas, que afetaram 2.3 milhões de km2, puseram em risco as vidas de 13.3 milhões de pessoas. E, se aos fogos, principalmente na Austrália, México, Canadá, estados do Arizona, Florida, Texas e Nevada, estes quatro nos EUA, enquanto 391.600 hectares de terreno, muito dele produtivo e com cereais destruídos, além da destruição do precioso ecossistema, 1.703 lares foram destruídos e dezenas de milhar de pessoas evacuadas. E, finalmente, no tocante a terramotos de grande envergadura, que ocorreram, em sua maioria, nos Estados de Oklahoma e Virgínia (EUA), e em países como a Turquia, Indonésia, Quirguistão, Espanha, Birmânia, Japão e Nova Zelândia, só em termos de vítimas humanas, o cômputo global foi de 28.220 pessoas. Como a BBC televisão, (notável pelos seus extraordinários documentários sobre a natureza, nomeadamente o mais recente, COLD PLANET (O FRIO PLANETA), transmitido no Reino Unido, em dezembro último), claramente focou muitas das alterações climatéricas, se não as principais, devem-se ao crescente e inédito degelo dos polos – Norte e Sul – e, principalmente, à invulgar subida das temperaturas e o crescente degelo das permaglaze, ou seja as camadas eternas de gelo, com as imediatas consequências de climas mais quentes e consequentes cheias. Mais recentemente, no nosso país, as danificantes secas e, na Inglaterra, o antecipado verão de duas semanas durante o fim de março, cientificamente mencionado como o mês mais quente do último século no Hemisfério Norte, são mais do que a confirmação de que a alteração do Clima Global é mais do que realidade! Confirma, assim, as previsões dos cientistas, na conferência a que assisti, há 15 anos, nas proximidades de Londres, que “dentro de 20 anos” os verdejantes e luxuriantes jardins ingleses passariam, apenas, a plantas de caráter alpino! Entretanto, e segundo o último relatório da maior seguradora mundial, a Lloyds de Londres, o ano de 2011 foi o de maiores prejuízos de sempre, em que teve de desembolsar 15 mil milhões e meio de euros! Custos a pagar por todos nós em maiores prémios e mais caros produtos!
quinta-feira, 26 de abril de 2012
REENCONTRAR LEONARDO DA VINCI
Tenho afirmado várias vezes, com a compreensível autoridade de quase 50 anos de vivência, que, sem exagero, Londres é um dos maiores centros de cultura mundiais. Com inúmeras atrações simultâneas, independentemente dos seus bem recheados e extraordinariamente documentados museus e galerias de arte, a capital britânica é um irresistível íman. Mais uma vez, como as longas filas atestam, e a esgotada lotação até ao seu anunciado encerramento de 5 de Fevereiro, a nova exibição na Galeria Nacional, sobre Leonardo da Vinci se provas fossem necessárias, o comprovam. Tenho assistido a várias exposições em Londres sobre tão controverso, mas sublime artista. Nunca, porém, uma como esta, intitulada LEONARDO DA VINCI PINTOR NA CORTE DE MILÃO.
Ao pintor são atribuídas 20 pinturas, das quais apenas 15 sobrevivem, nove delas presentes em Londres, para deleite daqueles que se deram ao luxo de as ver nesta exposição, algumas delas nunca vistas na capital britânicas. Foi um compreensível privilégio de constatar a revolução artística introduzida por Da Vinci e comparar vários dos seus trabalhos, como é o caso das suas duas obras A Virgem das Rochas, pela primeira vez expostas ao público numa só exposição. Ambas produzidas durante o período de 18 anos, período reconhecido como o mais profícuo do artista como pintor, passado na corte de Ludovico Maria Sforza (1452-1508), também apelidado de “Mouro”, devido às suas feições, em Milão. Estes dois trabalhos, o primeiro cedido exclusivamente para esta mostra pelo Museu do Louvre (mas nunca a celebérrima Mona Lisa, ciosa do seu lugar!), contrasta com o segundo, propriedade da Galeria Nacional, apropriadamente colocados frente a frente. Embora a composição artística e a textura de ambos seja idêntica, a grande diferença está no detalhe que é profundamente diferente, refletindo alterações de direção significativas do pintor a partir de 1490. Além disso, neste segundo trabalho, estudos recentes e à base de técnicas de infravermelho, revelaram a obsessão de Da Vinci pela perfeição, mostrando várias figuras da Virgem no trabalho original, o que era dantes desconhecido. Esta exposição teve, igualmente, a atração de nela estarem presentes, além das muitas gravuras e ensaios do artista, nomeadamente em estudos de fisionomia . Estas de cavalos, cedidas pela Coleção Real e outros belos trabalhos de autoria de associados e condiscípulos de Da Vinci, como Francesco Napoletano, Marco d'Oggiono e Ambrogio de Predis, igualmente presentes, como verdadeira e adicional raridade, encontravam-se obras do artista provenientes de vários países e origens. Este, o caso do incompleto retrato de São Jerónimo (1488-90), em profunda meditação, propriedade do Museu do Vaticano, Retrato de Cecília Gallerani, (1489-90) uma das amantes de Ludovico Sforza, também conhecido por (“Lady com um Arminho”), proveniente da Fundação Czartoryski, de Cracóvia (Polónia), Retrato de uma Mulher (“A Bela Ferronière”) - 1493-4 - também cedido pelo Museu do Louvre, mas acima de tudo a inédita e recentemente descoberta dos últimos cem anos, e quase totalmente restaurada imagem de Cristo, pelos técnicos da Galeria Nacional, Cristo, o Salvador do Mundo (1499), propriedade anónima privada. Nesta invulgar exposição, esqueçamo-nos das importantes facetas de arquiteto, inventor, cientista, filósofo ou músico, em que Leonardo igualmente se notabilizou, mas no artista, nesse iconoclasta que o grande historiador de arte, Giorgio Vasari (1511-154), classificou de “vanguardista e notável pela potente e audaciosa forma como retrata a natureza”. Da pequena aldeia de Vinci, da qual se serviu do nome, o irrequieto e inconstante filho bastardo do notário Ser Piero e da aldeã Caterina, nascido a 15 de Abril de 1452 e discípulo de Verrochio, embora já famoso, encontrou, como pintor, na Corte de Ludovico Sforza, a sua consagração e aclamação como bem o demonstrou esta notável e rara exposição da Galeria Nacional de Londres. De salientar ainda a notícia recente de que teria sido encontrada outra pintura perdida de da Vinci – A Batalha de Anglari - detetada por detrás de uma outra de autoria de Giorgio Vasari, a Batalha de Marciano, que se encontra no Palácio Vecchio, em Veneza. Se assim for, subitamente da Vinci e as suas obras, parecem estar a surgir em catadupas.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
HIPERTENSÃO ARTERIAL PULMONAR (HAP) – O que é e como se trata
1. Ocorre quando há uma pressão sanguínea anormalmente elevada nas artérias que levam o sangue do coração (ventrículo direito) para os pulmões. Doença rara e fatal que ocorre em crianças, adultos jovens e com uma discreta predominância no sexo feminino. Doença descoberta por Ernest von Romberg, em 1891, e à qual foi prestada particular atenção no 3º Simpósio anual, em Veneza, em 2003.
2. Como se desenvolve? A pressão sanguínea nas artérias pulmonares pode estar elevada por muitas razões. Em algumas situações, nenhuma causa para tal aumento é encontrada. Quando isto ocorre, chamamos tal acontecimento de Hipertensão Pulmonar Primária. Nesta doença, normalmente, o que ocorre é uma alteração na parte interna dos vasos sanguíneos inferiores dos pulmões, que, ao contrarírem, dificulta a passagem do sangue e faz com que o coração tenha mais trabalho para levar este até os pulmões. Com isso, a pressão nos vasos pulmonares torna-se elevada. A causa destas alterações nestes vasos sanguíneos é desconhecida.
3. Quais são os sinais e sintomas? A dispneia é o principal sintoma da hipertensão pulmonar, ocorrendo, a principio, com esforço e, mais adiante, em repouso. A dor torácica subesternal também é comum, afetando 25 a 50% dos pacientes. Os outros sinais e sintomas incluem:
Encurtamento gradual da respiração que pode piorar com exercícios; dor ou desconforto torácico: Fadiga; Inchaço nas pernas; Tosse persistente; Palpitações (sensação do batimento forte ou anormal do coração); Cianose (tom azulado da pele, principalmente nas mãos, pés e face); Tontura e Desmaio (síncope)
4. Como fazer o diagnóstico clínico? Doença incurável, fatal, de mau prognóstico, não transmissível, quando diagnosticada, mas não medicamentada (o que é altamente dispendiosa), o período de longevidade é de 2,5 anos. Normalmente, a primeira pista para o diagnóstico desta doença é uma radiografia do tórax ou um eletrocardiograma que sugira uma hipertrofia do ventrículo direito (aumento do músculo do coração que bombeia o sangue para os pulmões). A ecocardiografia (uma ecografia do coração) pode sugerir a doença e é útil no acompanhamento e na determinação da resposta deste ao tratament bem como tomografias, mas melhor ainda, angiogramas. (cateter). Mais comummente a pessoa, no início, se queixa de cansaço fácil e desconforto torácico. Através destas alterações narradas pelo paciente e do exame físico alterado, poderá o médico suspeitar da doença, devendo solicitar exames complementares. A determinação direta da pressão circulatória pulmonar quando se coloca um cateter (tubo que entra por um vaso sanguíneo, passa pelo coração e chega até os pulmões) no coração continua sendo o padrão-ouro, ou seja, o melhor exame para confirmar a doença.
5. Tratamento (em pesquisa contínua), mas segundo o tratamento pessoal (por parte da melhor equipa médica da especialidade do Hospital Royal Free de Hampsted (Londres): Vasodilatadores - oxigénio medicinal (permanente), Sildenafil (Viagra), excelente inibidor fosodiesterase, além da disfunção erétil, warfarin e barbitúricos. Como última instância, mas raramente, transplante dos pulmões.
6. Bibliografia: Wikipédia; Diagnóstico, Avaliação e Terapêutica da Hipertensão Pulmonar (Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Coordenador Jorge Ilha Guimarães); Understanding Pulmonary Hipertension, por Iain Armstrong (edição da Pulmonary Hipertension Association – PHA). Os interessados, podem contactar a equipa médica e especializada nesta matéria – Pulmonary Hypertension Nurses – 0044 207 830 2326. Para maiores informações, contacte-se, igualmente, a PHA – www. phassociation.uk.com
NOTA: Embora a informação acima seja correta, DEVE SER UNICAMENTE TRATADA COMO GUIA GENÉRICO. CONSULTE O SEU MÉDICO!
quinta-feira, 5 de abril de 2012
“O HOMEM MISTÉRIO”
Não é meu hábito falar de mim próprio. Modéstia? Talvez. Atributos, pelo menos por parte daqueles que têm feito o favor de com eles me distinguir, quando tornados públicos, geralmente me embaraçam. Desta vez, porém, e sobre a minha vida privada, peço desculpa ao/à amável leitor/a, abro uma exceção. Não para angariar simpatias. Longe disso! Apenas como desabafo! Sempre me considerei uma pessoa privilegiada e, em muitos aspetos, completa. Feliz, pela família que tenho – mulher, filha e genro, invulgarmente dedicados; netas que amam o país da mãe e dos avós, e, nele se sentem como seu; riqueza de experiências e de amizades ao longo de uma, que sempre considerei inesperada longevidade. Porém, porém, subitamente essa galopante locomotiva chamada vida, que me levou a percorrer e admirar tão maravilhosos cenários, colher amigos, e viver inesquecíveis experiências, conheceu nova e abrupta etapa. Depois de vários sinais, ao longo dos últimos cinco anos, alguns dos quais severos, em sua maioria de caráter cardíaco e diabético, principalmente nos últimos três anos, em que fui submetido a cada vez mais sofisticados e caríssimos testes. Tudo isso, possível, devido a um extraordinário Serviço Nacional de Saúde, verdadeira e rara pérola deste país de adoção. Porém, e quando tentava terminar o meu manuscrito sobre Timor-Leste, em que ultimamente tenho estado empenhado, subitamente, fui obrigado a recorrer aos serviços de emergência do meu hospital local – o magnífico Royal Free, de Hampstead, precisamente aquele que o destino levaria para tratamento, e infelizmente morte, da Dra. Luísa Guterres, esposa do então primeiro-ministro, Engº. António Guterres. Devido ao meu historial clínico até então não identificado, o dedicado médico de serviço, Dr. McKay, sempre comigo desde a minha entrada, naquela sexta-feira 16, do mês passado, como bom escocês e com inusitado humor, começou por me classificar de “O Homem Mistério”, devido ao meu desconhecido diagnóstico. Com ele, começaria a longa maratona na tentativa de, finalmente, se desvendar essa nebulosa incógnita. Transferido para uma enfermaria isolada, de quarto só, do 10º andar e, beneficiando de uma bela vista da “aldeia” de Hampstead, de tão boas memórias, desde que ali tive o meu primeiro apartamento, há quase 50 anos atrás, fui enfrentado por uma equipa de médico-cientistas. De imediato, fui informado, que o meu problema respiratório dependia de dois importantes órgãos – coração e pulmões. A questão era saber o problema entre ambos. Já detentor de um “stem”, ou seja uma bomba para dilatar o ventrículo direito, que, quando colocada, há cinco anos, me surpreendeu devido à inesperada blocagem de 15 milímetros de comprimentos e cinco de largura, sem que jamais tivesse tido, ou, pelo menos, numa atividade intensa, reconhecido quaisquer sintomas. Informado que o meu diagnóstico inicial estava relacionado com o tabaco, mais surpreendido fiquei uma vez que nunca fui fumador! Da teoria havia que passar-se à ação, pelo que fui submetido a um angiograma ao coração e este, como muitos outros testes e TACs, mais uma vez, negativo. Os pulmões seguir-se-iam. Com mais outro angiograma, finalmente, foi detetado o mal. Como se previa, o problema estava na circulação sanguínea, ou seja, a contração das artérias, entre o coração e os pulmões e, vice-versa. Estava, finalmente, desvendado o mistério à custa de três semanas de internamento. O meu misterioso mal, segundo os médicos, uma doença por eles considerada rara e fatal, é chamada Hipertensão Pulmonar, mas, felizmente, não contagiosa. Como tratamento básico, além de vários medicamentos, destaca-se Viagra, no meu caso também eficiente na dilatação das artérias, bem como, e especialmente, oxigénio. De pessoa altamente ativa e independente, no caso do segundo, passo a estar condicionado à extensão da tubagem, que limita os meus movimentos, passando a recluso e a dependente quase de tudo e de todos! Felizmente de mente sã, vivo no oásis da meu escritório e este meu computador, que rasga a vasta janela do mundo exterior. Aquele mundo que perdi, incluindo a viagem marcada para julho para a minha amada Cascais! Ah, se em termos de custo anual o meu tratamento anda à volta de 40 mil euros, o diagnóstico, estadia hospitalar e tratamento andaram à volta de 400 e 500 mil euros. Tudo isto, carinhosamente assistido por pessoal dedicado. Sem pagar um único cêntimo, independentemente, claro, dos impostos até aqui incorridos! Aviso e exortação: Jovens – gozem, mas não esbanjem o melhor que têm - a saúde! Entretanto, e a TODO/AS - A MELHOR PÁSCOA, cheia de alegria, saúde e FELICIDADE!
quinta-feira, 15 de março de 2012
LONDRES, CAPITAL DOS JOGOS OLÍMPICOS de 2012
A partir de 27 de Julho, e durante 60 dias, a capital britânica será centro das atenções desportivas mundiais com a realização dos Jogos Olímpicos e Para-olímpicos, a terceira vez na sua história. Enquanto a primeira, ocorreu em 1908, em substituição de última hora, de Roma, devido à deflagração do vulcão do Monte Vesúvio, a segunda, teve lugar em 1948, após a II Guerra Mundial, cujos restos de tão importante complexo ainda existem nas proximidades do atual estádio de Wembley (noroeste de Londres) transformados em centros comerciais. O atual Parque Olímpico, ainda uma vasta área em construção (2,5km2), quando o visitámos, como convidados, em meados de Novembro passado, situa-se no leste da capital, no baixo Lea Valley (Stratford), e nele trabalhavam 200.000 operários relacionados com 100 mil empreiteiros. A decisão da sua localização teve como objetivo transformar, regenerar e revitalizar uma vasta e antiga zona industrial da capital, particularmente ativa durante os séculos XVII e XVIII, mas há muito abandonada. Devido à contaminação dos terrenos - têxteis e petróleo - a primeira tarefa da Entidade Olímpica foi descontaminá-los e colocar subterraneamente os vários cabos de alta tensão que por ali passavam. Tarefa difícil, seguida da demolição dos inúmeros prédios e restos de linhas férreas abandonadas, esta fase ficou terminada no verão de 2008. Com a realização dos Jogos Olímpicos, o objetivo é fazer desta enorme e agora deslumbrante zona, da qual faz parte um dos maiores centros comerciais da Europa, o Westfield, inaugurado em Setembro passado, numa nova cidade do futuro dotada de magníficos meios desportivos e de conferências.
Projeto orçado em 13 biliões e 56 milhões de euros e que nos foi garantido não ser ultrapassado bem como a sua construção em dia, as suas principais atrações, terminadas quando as visitámos – a bela escultura em aço, desenho da famosa artista Anish Kapoor, o magnífico estádio, com a capacidade para 80 mil pessoas, local da abertura e encerramento, bem como das provas de atletismo que se irão repetir no campeonato do mundo da modalidade em 2017; o imponente velódromo com a capacidade para 6000 espetadores, a norte daquele; o vistoso centro aquático, a leste e vizinho do primeiro, bem como da Arena de handebol. Outras enormes atrações, a chamada Aldeia dos Atletas, também concluída, verdadeiro conjunto de vistosos e altaneiros edifícios, que depois dos Jogos passarão a residências, em sua maioria já vendidas e o ainda, na altura, não concluído - vasto Centro de Media. Além disso, do Parque faz parte uma imponente central elétrica, à base de energias renováveis, exclusiva para o fornecimento do Parque Olímpico, passando a central acessória da rede geral depois dos Jogos. A este vasto complexo, cheio de arvoredo – 4000 - especialmente plantado e já também concluído, assomarão 15 mil atletas provenientes de 205 países, sendo projetado mundialmente pelos inúmeros canais de televisão, de que a BBC terá principal ação. E, graças à vasta rede de transportes públicos (comboios da rede nacional e local, metropolitano, servidos pela magnífica e vasta estação de Stratford, assim como autocarros), espera-se a chegada de 800 mil pessoas por dia, assistidas por 70.000 voluntários e 4.500 funcionários. Tudo isto requer fortes medidas de segurança, compostas por 23.500 elementos, incluindo pessoal militar, e cujo orçamento extra é de 325.2 milhões de euros. Precauções essenciais, que estão a ser tomadas pelo governo, incluindo possíveis ataques aéreos, que incluem, caso necessário, o contra-ataque com mísseis anti-aéreos. Entretanto os jogos vão ser antecipados com um grande festival que durará 12 semanas, entre 21 de Junho e 9 de Setembro. Classificado de “espetacular”, conta com artistas de renome mundial quer do cinema, da literatura, música, teatro, moda e dança.
quinta-feira, 1 de março de 2012
O BRASIL REAL
Como recentemente assisti a um importante seminário de dois dias, sobre o Brasil, realizado no prestigiado King's College, aqui em Londres, e intitulado A Qualidade da Democracia no Brasil, pelas revelações que trouxe, acho dever partilhar as principais com o/a estimado/a leitor/a. Como sabemos, está a ser reconhecida a potência mundial do Brasil, particularmente integrado no grupo dos países desenvolvidos (ou, como alguns preferem, em vias de avançado desenvolvimento) chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e que segundo uma sondagem organizada por aquela vetusta instituição académica, coloca o Brasil como segunda potência mundial a seguir à China, com a Índia na peugada. Até aqui, nada de surpreendente. Porém, e segundo este revelador seminário, em que tomaram parte figuras eminentes tanto da vida académica como de outros setores, organizado pelo Ministério da Justiça brasileiro, a realidade daquele país é outra, e esta não económica. Um país, que como o próprio ministro da justiça, José Eduardo Martins Cardozo apontou, de colónia, cujos colonos atuavam apenas por interesses pessoais, adquiriu a sua independência em 1822, sob um regime monárquico, teceu o seu futuro político até à ditadura de Getúlio Vargas entre 1930 e 1945, que, no entanto, introduziu e preparou importantes reformas constitucionais, sucedendo-lhe outra ditadura, mas esta pior, militar, de 1965 a 1985, assegurava aquele político, “o Brasil é um país cheio de contradições”, mas que procura novo rumo, tentando desfazer-se das anomalias, excessos e abusos de poder, incluindo tortura e desaparecimentos ocorridos durante tão tortuoso percurso, nomeadamente durante a ditadura militar. Além disso, sofre de outros e prementes problemas que particularmente afetam a sua imagem internacional, nomeadamente a corrupção, já que a questão ecológica, com o dizimar do Amazonas, é tema, que embora mais liberto, o país ainda não se conseguiu desenvencilhar. Consciente deles., o chamado “país irmão” procura corrigi-los e libertar-se deles, sem que, contudo, como os seus dirigentes reconhecem, não ser muito fácil. Os inúmeros crimes praticados durante a ditadura militar, torturas e desaparecidos, o governo atual e o anterior de Lula, embora pressionados particularmente pelas famílias afetadas que insistiam – e insistem - na divulgação da documentação secreta particularmente relativa aos desaparecidos e ao local dos restos mortais, está a tentar solucionar o problema particularmente com a criação da Comissão da Verdade. Porém, com as pressões dos militares sobre os políticos, que para não arriscarem a sua carreira, evitam o mais possível tocar no assunto, e embora a escolha dos seus componentes esteja a cargo da Presidente Dilma Roussef, desconhece-se a eficácia de tão nobre iniciativa. Além disso, com a amnistia dos perpetradores, a situação complica-se. Neste contexto, por questões de espaço, excluímos o enorme problema chamado Caso Araguaia, no Estado do Pará, em que um grupo de jovens manifestantes comunistas foi chacinado pelos militares entre Abril de 1972 e Janeiro de 1975. E, por isso mesmo, ocupemo-nos, apenas da corrupção, tema muito levantado pelos principais oradores académicos, nomeadamente o renomado Kenneth Maxwell. Denunciada por estes, a corrupção é particularmente rampante entre a comunidade política, bem patente no facto de que o atual e ainda recente governo de Dilma Roussef é vítima do afastamento de sete ministros, e a possibilidade de oito que dentro de um ano, se viram obrigados a demitir por acusações, embora ainda não provadas, de corrupção. Aliás, este problema foi reconhecido pelos próprios representantes do Ministério da Justiça, presentes no King's, nomeadamente na área do pagamento das campanhas eleitorais, em que, como afirmaram, estão envolvidos, mas ainda não condenados, muitos deputados e alguns senadores. E, neste domínio, o consequente envolvimento e culpabilidade das empresas que para obterem os vultosos contratos se veem obrigadas a pagar “luvas”, quer alegadamente a alguns ministros, quer a governadores ou presidentes dos municípios. Porém, a vastidão do país e os costumes arraigados, prejudicam o eficiente ataque do problema. Talvez, como foi igualmente apontado por uma das palestrantes, resultantes de um estudo por ela efetuado, como o nível de corrupção, praticamente inexistente entre as poucas mulheres deputadas, de que o Brasil é o mais baixo de toda a América Latina, a solução é o aumento e o necessário recrutamento das mulheres nos órgãos governativos, em que, felizmente, Dilma Roussef pode ser exemplo.
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