SAUDEMOS A LIBERTAÇÃO da laureada Nobel, Aung San Suu Kyi (pronuncie-se Ong San Sú Xí), detida, desde 1988, em prisão ou prisão domiciliária, 15 dos últimos 21 anos. Porém, um aviso: não a confundamos com a libertação de Nelson Mandela nem, tão pouco, no contexto da África do Sul. A que é considerada “mãe do nosso país” pelas dezenas de milhar de adeptos que a aclamaram, e que, segundo o veterano jornalista da BBC, John Simpson, 70% do país está com ela, as suas primeiras palavras de exortação foram “unidos para atingirmos o nosso objectivo”, pelo que “não devemos perder a esperança”! Esperança, é, portanto, a mensagem! Porém, permanece a incógnita: abertura do regime? Possíveis e limitadas negociações com a libertada dirigente? Perante o longo historial do opressivo regime, a opinião diverge. Uns, mantém que a libertação de Suu Kyi não passa de um acto de relações públicas para agradar aos amigos asiáticos da ASEAN, nomeadamente Singapura e a Indonésia! Por isso, não se confunda por acto de desejada democracia quando a preocupação do regime foi previamente reforçar a sua posição! Depois das chamadas “eleições” gerais, realizadas a 7 do mês passado, preparou-se bem o terreno seleccionando os seus acólitos e, antes, reforçar a sua posição com a revisão da Constituição de 2008 que concede 25% dos 440 deputados e 224 senadores, às Tatmadaw (Forças Armadas), com a alegada vitória de 80%, numa fraca frequência às urnas, e muitos que o fizeram, não foi de livre vontade, está garantida a continuação do regime numa pretensa e alegada reforma democrática, quando ainda 2,200 presos políticos permanecem nas prisões e milhares de refugiados se encontram deslocados na vizinha Tailândia.! Porém, e segundo o já citado John Simpson, “trata-se de uma grande decisão e desafio para o regime militar, com possíveis consequências de uma desejada abertura e possível diálogo”. Só o tempo o dirá! Entretanto, como desejável pano de fundo histórico, tentemos penetrar no denso véu de um dos mais obscuros, secretivos, pobres, corruptos (penúltimo lugar da tabela internacional da Transparency International), mas mais militarizado país do Mundo, incluindo as bem especuladas possibilidades de poderio nuclear!
A Birmânia, que o poderoso e brutal regime militar, insiste em baptizar Myanmar., país pobre, não necessariamente pela falta de recursos naturais, mas extremamente rica em ouro e outros minerais, madeiras preciosas, petróleo, gás e ópio, cuja população, sem direito à terra, embora com a superfície de 678,500 km2, fazendo dele o 40º mais vasto país do Mundo, depende da agricultura, é um país detentor de uma história milenar belicista, monárquica, até 1885, forjada com a conquista de vários reinos, finalmente unificados, e profundamente imbuída pelo Budismo, que em 1960 foi reconhecido como religião nacional. De passado belicoso, particularmente em relação à vizinha Tailândia, cuja capital, então Ayutthaya, (ainda nome pela qual os birmaneses classificam a Tailândia) foi três vezes destruída (1564, 1569 e 1767), a Birmânia, antiga colónia britânica desde 1885 até 1948, é formada por 135 etnias, sendo a bangladeshi a mais predominante, mas não reconhecida pelo actual regime. País cioso das suas tradições, enraizadas por um budismo extremamente anti-colonial, geograficamente estratégico, cuja Baía de Bengala é ciosamente disputada pelas emergentes potências, India e China, para esta particularmente por ser a maior e mais importante via de transporte petrolífero, salvo os primeiros 14 anos de governo civil, cedo caíu em poder dos militares, primeiro em 1962, excepto o breve interregno de 1958-60. Administrativa e politicamente separada da Índia, em 1937, e ocupada pelos Japoneses em 1942, durante o consulado civil, em que se distinguiria a chefia de Aung San – 1911-1947- (pai de Aung San Suu Kyi), a quem se devem tanto as negociações da independência, com o primeiro-ministro britânico, Clement Atlee, em 27 de Janeiro de 1947, como a formação da moderna Birmânia, este altamente respeitado estadista, particularmente pelas etnias, a quem convenceu a adesão a uma Birmânia Federada, seria assassinado, juntamente com vários membros do seu gabinete, em 19 de Julho de 1947. Com as primeiras eleições em 1960, mas que depois de crises étnicas, o primeiro golpe militar ocorreria em 1962. Com o segundo golpe militar, em 1988, surgiu à ribalta política a filha, Suu Kyi, por casualidade de passagem pela Birmânia, para cuidar da mãe, uma vez que, como residente e casada na Inglaterra com um professor de Oxford, que morreu de cancro em 1999, e proibido de visitar a mulher, Suu Kyi, com o sangue do pai a fervilhar, particularmente depois do levantamento popular de 1988, em que os militares mataram brutalmente cerca de 10 mil pessoas, não se pôde conter, permanecendo no país à frente do partido, Liga Nacional para a Democracia, ganhando as eleições realizadas em 1990. Adversária a abater, ou melhor, a controlar, foi detida em regime de residência vigiada.
Porém, a mais notável revolta popular, esta oriunda dos clérigos budistas, e intitulada “Revolta do Safrão”, devido à cor dos trajos dos monjes, surgiu em 2007, debelada com a mesma represália e brutalidade anteriores. Regime imposto a ferro e fogo à população, particularmente apoiado pela China, que além de vizinha é a sua maior parceira comercial, embora largamente ostracizado pelo Ocidente, aderiu à ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), em Julho de 1997. Subjugada, a pobre população seria vítima, no ano seguinte, pelo desasrre provocado pelo ciclone Nargys que matou mais de 138 mil pessoas, mas que afectou 1,5 milhões em que a maioria perdeu os seus lares.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Funerais e Cemitérios
O funeral, não religioso, no ano passado, do saudoso e altamente talentoso Raul Solnado, e a lamentável ausência de uma devida elegia fúnebre, independentemente, claro, da manifesta e vasta voluntariedade pública, que lhe rendeu prestimosa e mui justifica homeagem, chocou-me e prontificou-me salientar o importante contraste entre a corrente tradição Católica e Portuguesa e a Protestante e Britânica. Na nossa tradição, os funerais são caracterizados pela sobriedade e despedida dos defuntos, envolvendo, geralmente, a longa vigília que antecede o enterro. Esta, igualmente, a tradição Católica, principalmente nos países latinos. Longe, porém, - e felizmente - vai a prática do tradicional luto e da negridão que tal sentimento acarretava, geralmente entre as mulheres viúvas e familiares mais directos! Semelhante situação, a prontificar sentimentos lúguebres, são os nossos cemitérios, particularmente os da província. Lembro-me, em particular, nos meus tempos de infância, o sentimento, misto de temor e solidão, quando passava pelo cemitério de Tonda, minha terra-natal, agravados, em dias de vento, pelo lúguebre sibilar dos altos ciprestes.
Que contraste, tanto com os funerais como com os cemitérios britânicos! Se, no primeiro caso, os funerais são geralmente actos de homenagem e, até de louvor, permeados por compreensível satisfação pela vida do defunto, em que, além de hinos ou músicas preferidas pelo homenageado, não falta a tradicional elegia, em que se recordam eventos e qualidades do visado, segue-se a tradicional festa familiar, em que no meio de bebidas e iguarias se conhecem novas pessoas e se iniciam novas amizades. Por seu lado, os cemitérios britânicos, os mais antigos ainda ligados aos templos das paróquias, são caracterizados por jardins, com as sepulturas, em que não faltam as tradicionais placas de pedra, umas com sentida homenagem, outras até humorísticas e ainda aqueloutras a relatar e reflectir características pessoais do defundo. Neste contexto, uma das tradições das escolas britânicas é os alunos visitarem os cemitérios, não como meio de reflexão, mas de estudo e compilação das inscrições mais sugestivas! Dentre os cemitérios britânicos que se podem considerar excepção a esta regra, é o de Highgate, a noroeste de Londres. Nesta secular e famosa necrópole, onde estão sepultadas figuras notabilíssimas da vida britânica e até internacional, como é o caso de Karl Marx, salientam-se belos e caríssimos monumentos arquitectónicos, muitos deles semelhantes aos mais ricos mausoleus que se encontram em alguns dos nossos cemitérios. Não surpreende, o enorme interessante dos visitantes a tão venerado recinto. Por isso, as visitas são restrictas, pelo que só dependem de marcação prévia. Embora predomine a tendência das cremagens, sempre acompanhadas das práticas antes descritas, aumenta o inevitável dilema dos espaços, dos cemitérios antigos, particularmente no centro, ou na periferia das grandes cidades, como é o caso de Londres, em que os custos de manutenção são enormes. Não surpreende a compreensível polémica quando as câmaras procuram desfazer-se destes indesejáveis custos, particularmente nos cemitérios praticamente abandonados pelas famílias dos sepultados. E, como não é hábito as trasladações, como acontece em Portugal, em que normalmente dez anos depois se transferem as ossadas, o problema agrava-se. Ainda recentemente, a controvérsia atingiu o rubro quando a câmara de Westminster, no centro de Londres, vendeu dois grandes cemitérios a empresas privadas, apenas por um euro cada!
Que contraste, tanto com os funerais como com os cemitérios britânicos! Se, no primeiro caso, os funerais são geralmente actos de homenagem e, até de louvor, permeados por compreensível satisfação pela vida do defunto, em que, além de hinos ou músicas preferidas pelo homenageado, não falta a tradicional elegia, em que se recordam eventos e qualidades do visado, segue-se a tradicional festa familiar, em que no meio de bebidas e iguarias se conhecem novas pessoas e se iniciam novas amizades. Por seu lado, os cemitérios britânicos, os mais antigos ainda ligados aos templos das paróquias, são caracterizados por jardins, com as sepulturas, em que não faltam as tradicionais placas de pedra, umas com sentida homenagem, outras até humorísticas e ainda aqueloutras a relatar e reflectir características pessoais do defundo. Neste contexto, uma das tradições das escolas britânicas é os alunos visitarem os cemitérios, não como meio de reflexão, mas de estudo e compilação das inscrições mais sugestivas! Dentre os cemitérios britânicos que se podem considerar excepção a esta regra, é o de Highgate, a noroeste de Londres. Nesta secular e famosa necrópole, onde estão sepultadas figuras notabilíssimas da vida britânica e até internacional, como é o caso de Karl Marx, salientam-se belos e caríssimos monumentos arquitectónicos, muitos deles semelhantes aos mais ricos mausoleus que se encontram em alguns dos nossos cemitérios. Não surpreende, o enorme interessante dos visitantes a tão venerado recinto. Por isso, as visitas são restrictas, pelo que só dependem de marcação prévia. Embora predomine a tendência das cremagens, sempre acompanhadas das práticas antes descritas, aumenta o inevitável dilema dos espaços, dos cemitérios antigos, particularmente no centro, ou na periferia das grandes cidades, como é o caso de Londres, em que os custos de manutenção são enormes. Não surpreende a compreensível polémica quando as câmaras procuram desfazer-se destes indesejáveis custos, particularmente nos cemitérios praticamente abandonados pelas famílias dos sepultados. E, como não é hábito as trasladações, como acontece em Portugal, em que normalmente dez anos depois se transferem as ossadas, o problema agrava-se. Ainda recentemente, a controvérsia atingiu o rubro quando a câmara de Westminster, no centro de Londres, vendeu dois grandes cemitérios a empresas privadas, apenas por um euro cada!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A MEMORÁVEL ÉPOCA DOS ANOS 60
Evoco este tema não pelo simples facto da famosa e inebriante Carnaby Street ser alvo, este ano, de justficada efeméride - o seu cinquentenário! Não! Recordo, mui justificadamente, uma época sui generis, que classifico de preciosa dádiva a um sedioso de História e Cultura de que me considero privilegiada testemuha ocular e altamente beneficiada. Não foi, quando apenas cheguei, determinado a beneficiar da experiência e notoriedade da BBC, mas vingar nessa grande Casa-Escola, cheia de homens notáveis pelos seus feitos e actuação durante a II Grande Guerra, mais notáveis ainda pela sua comprovada modéstia, pois deles nunca directamente ouvi o que fizeram, ou a sua indesmentível valentia e arrojo, mais tarde ouvido ou aprendido por outras fontes, mas ainda outras extraordinárias experiências, que indelevelmente me marcariam. Não, não me refiro apenas ao constante som dos sucessos dos Beatles, com o Yellow Submarine, o primeiro dos quais faria o meu baptismo musical de tão falado e admirado conjunto, a ecoar nos meus ouvidos, mas ao todo envolvente freneticismo, particularamente de uma juventude sequiosa e determinada a ensinar aos pobres pais e avós, testemunhas e vítimas, tanto na alma como no sangue, de uma guerra de onde procuraram escapar com vida e que, contrariamente aqueles, agora com empregos e dinheiro era senhora de si própria, essa juventude, reinava, sem barreiras!
O choque, ou melhor, a ansiedade, a sede, de alguém que sempre se deleitou na descoberta instigada por dois notáveis mestres, um, que lançou as sementes na Escola Primária, em Tonda, o inesquecível Prof. Fontes e, outro mais tarde, num colégio lisboeta, Dr. Santos Alves, que mais tarde me enriqueceu como amigo, teria na Grã-Bretanha desses notáveis tempos, novo – e vasto – alfobre de conhecimento e EXPERIÊNCIA! Mais notável ainda, por não me considerar estrangeiro, embora não correspondido pela, por eles esperada, naturalização! Além de ser BENEFICIADO tive, igualmente, a ENORME HONRA de SER e FAZER HISTÓRIA, graças à límgua de que muito me orguilho, em inumeráveis actividades diplomáticas, ao seviço do país de acolhimento! Mas divago, Voltemos à nobre época dos anos 60. Como dizia um dos meus notáveis e brilhantes Mestres, o extraordinário historiador, Professor Dr. Arthur Marwick, na sua inesquecível obra, The Sixties (Os Anos Sessenta), trata-se de um período, que classicamente antecedeu essa década e se prolongou na seguinte, e deve-se a um conjunto de factores que a formaram. Se a proliferação das revistas mais acessíveis, como a explosão de livros baratos, devido à iniciativa, até então inédita, da editora Penguin, tiveram um bom quinhão, peças teatrais como Look Back in Anger (O Tepo e a Ira), também adaptada ao cinema com o título Paixão Proíbida, dirigida pelo cineasta britânico Tony Richardson (1958) de autoria do dramaturgo britânico John Osborne, que justificava e favorecia a rebeldia, filmes como Um Lugar na Alta Roda (Room at The Top) - dirigido pelo também cineasta britânico Jack Clayton – 1959 - e a decisão do tribunal em autorizar a publicação da controversa obra do romancista D.H.Lawrence, O amante de Lady Chatterley, tiveram muito a ver com a revolução cultural que se caracterizou pelos "anos sessenta" e que o então famoso jornalista da BBC, Kenneth Allsop, classificou de "Década dos Furiosos", na sua obra do mesmo nome (The Angry Decade). Uma época particularmente notável para a sociedade britânica em que em 1965 viu a abolição da pena de morte, em 1967 a legalização do aborto, interpretada como a liberalização da mulher, no mesmo ano a homosexualidade foi despenalizada, no ano seguinte disse-se adeus à censura e, em 1969, a alteração da lei facilitou o divórcio. Época da revolucionária e inicialente escandalosa mini-saia, lançada pela ousada e atrevida Mary Quant; período em que a conservadoríssima BBC, ao lançar e corresponder à nascente música pop ousadamente fundou a estação Rádio UM, completamente dedicada à emergente e dominante musica, que o Daily Mail da época se insurgiu e classificou de “éscandalosa música de lata”! Esta, em suma, a época descrita, com admiração e horror, por dois jornalistas europeus diferentes. Para o Le Monde, no artigo Chronique des Annés Soixante, de autoria de Michel Winock "Se a bandeira de um país merece ser desfraldada em representação dos anos 60, esse bastião é o inglês. Essa Inglaterra que os continentais imaginam ser restricta e controlada pelos príncipios victorianos, foi o exemplo à juventude do mundo inteiro"; e para o jornalista italiano de Epoca, num misto de resignação e de admiração expressou-se da seguinte forma: "Cinco milhões de jovens ingleses de idade inferior a 21 anos subverteram todos os costumes e tradições da sociedade Britânica. Destruíram as barreiras da língua e da classe. Vestiram-se, fizeram barulho e rebelaram-se contra os regulamentos que governam a reticência e a modéstia acerca do sexo. O que é que pretendem? Nada, excepto viver desta maneira."
O choque, ou melhor, a ansiedade, a sede, de alguém que sempre se deleitou na descoberta instigada por dois notáveis mestres, um, que lançou as sementes na Escola Primária, em Tonda, o inesquecível Prof. Fontes e, outro mais tarde, num colégio lisboeta, Dr. Santos Alves, que mais tarde me enriqueceu como amigo, teria na Grã-Bretanha desses notáveis tempos, novo – e vasto – alfobre de conhecimento e EXPERIÊNCIA! Mais notável ainda, por não me considerar estrangeiro, embora não correspondido pela, por eles esperada, naturalização! Além de ser BENEFICIADO tive, igualmente, a ENORME HONRA de SER e FAZER HISTÓRIA, graças à límgua de que muito me orguilho, em inumeráveis actividades diplomáticas, ao seviço do país de acolhimento! Mas divago, Voltemos à nobre época dos anos 60. Como dizia um dos meus notáveis e brilhantes Mestres, o extraordinário historiador, Professor Dr. Arthur Marwick, na sua inesquecível obra, The Sixties (Os Anos Sessenta), trata-se de um período, que classicamente antecedeu essa década e se prolongou na seguinte, e deve-se a um conjunto de factores que a formaram. Se a proliferação das revistas mais acessíveis, como a explosão de livros baratos, devido à iniciativa, até então inédita, da editora Penguin, tiveram um bom quinhão, peças teatrais como Look Back in Anger (O Tepo e a Ira), também adaptada ao cinema com o título Paixão Proíbida, dirigida pelo cineasta britânico Tony Richardson (1958) de autoria do dramaturgo britânico John Osborne, que justificava e favorecia a rebeldia, filmes como Um Lugar na Alta Roda (Room at The Top) - dirigido pelo também cineasta britânico Jack Clayton – 1959 - e a decisão do tribunal em autorizar a publicação da controversa obra do romancista D.H.Lawrence, O amante de Lady Chatterley, tiveram muito a ver com a revolução cultural que se caracterizou pelos "anos sessenta" e que o então famoso jornalista da BBC, Kenneth Allsop, classificou de "Década dos Furiosos", na sua obra do mesmo nome (The Angry Decade). Uma época particularmente notável para a sociedade britânica em que em 1965 viu a abolição da pena de morte, em 1967 a legalização do aborto, interpretada como a liberalização da mulher, no mesmo ano a homosexualidade foi despenalizada, no ano seguinte disse-se adeus à censura e, em 1969, a alteração da lei facilitou o divórcio. Época da revolucionária e inicialente escandalosa mini-saia, lançada pela ousada e atrevida Mary Quant; período em que a conservadoríssima BBC, ao lançar e corresponder à nascente música pop ousadamente fundou a estação Rádio UM, completamente dedicada à emergente e dominante musica, que o Daily Mail da época se insurgiu e classificou de “éscandalosa música de lata”! Esta, em suma, a época descrita, com admiração e horror, por dois jornalistas europeus diferentes. Para o Le Monde, no artigo Chronique des Annés Soixante, de autoria de Michel Winock "Se a bandeira de um país merece ser desfraldada em representação dos anos 60, esse bastião é o inglês. Essa Inglaterra que os continentais imaginam ser restricta e controlada pelos príncipios victorianos, foi o exemplo à juventude do mundo inteiro"; e para o jornalista italiano de Epoca, num misto de resignação e de admiração expressou-se da seguinte forma: "Cinco milhões de jovens ingleses de idade inferior a 21 anos subverteram todos os costumes e tradições da sociedade Britânica. Destruíram as barreiras da língua e da classe. Vestiram-se, fizeram barulho e rebelaram-se contra os regulamentos que governam a reticência e a modéstia acerca do sexo. O que é que pretendem? Nada, excepto viver desta maneira."
quinta-feira, 24 de junho de 2010
AS SANGRENTAS CHAGAS DA IRLANDA DO NORTE
AS SANGRENTAS CHAGAS DA IRLANDA DO NORTE
Nos 45 anos de vivência no Reino Unido, a maioria dos quais intensamente absorvidos na observação, mas acima de tudo, na interpretação e transmissão dos factos, quer por via radiofónica quer escrita, ou até através da imagem, a Irlanda do Norte e as suas, mui britânica e eufemisticamente cognominadas “troubles” (agitações ou preturbações), ocuparam e impressionaram não o jornalista, mas o preocupado ser humano durante ltrês décadas. As notícias, corroboradas pelas várias visitas aos pontos fulcrais das lutas intestinas e das múltiplas conversas tanto com militares como, e principalmente habitantes, dominaram o nosso intenso trabalho jornalístico. Na nossa retina e mente, porém, a imagem de um audacioso homem, um ousado pacificador pároco, então Dr- Edward Daly e actualmente bispo de Derry, de lenço branco na mão, seguido de um grupo de homens que transportava um jovem ensanguentado e exchangue no frio e fatídico domingo, 30 de Janeiro de 1972, na segunda principal cidade norte-irlandesa, a noroeste de Belfast, Londonderry (para os britânicos, mas que os norte-irlandeses insistem chamar apenas Derry), por ser prelúdio do sangrento episódio que ficaria conhecido por “Bloody Sunday” (Domingo Sangrento), jamais se esvaírá. Embora a chacina, em que pereceram 13 pessoas, sete das quais jovens de 17 anos, morrendo outro, dos ferimentos, poucos dias depois, e 27 feridos, provocada pelos tiros dos comandos britânicos ali estacionados, não fosse a maior dos sangrentos 30 anos de história daquele belo território, ela deu lugar ao virar de uma negra página e à abertura do trágico e sangrento capítulo que se seguiria, desmembrando por completo duas comunidades. Se prelúdio do maior e longo sangrento historial, “Blood Sunday” daria lugar ao maior e mais intenso recrutamento do até ali praticamente adormecido IRA, ou PIRA (Exército Provisional Republicano Irlandês), como preferem chamar na Irlanda do Norte. Da que fora a apenas, e até ao bairro de Bogside, pacífica manifestação organizada pelo Gupo de Direitos Civis, composta por entre 5,000 e 20,000 pessoas, a pretexto de que tiros teriam sido disparados pelos manifestantes, as três dezenas de militares, por ordem do imediato comandante, coronel Derek Wilford, mas contrariando ordens superiores anteriores, decidiu atirar sobre os desarmados manifestantes, dando lugar a um dos piores capítulos da história militar britânica.
A chacina teria repecursões imediatas, provocando o que seria o primeiro processo investigativo judicial liderado pelo Juiz Supremo, Lorde Widgery. Porém, ao ser divulgado, em 1972, defendeu os comandos e culpou os manifestantes, que afirmou serem “terroristas armados” provocando enorme clamor e revolta em toda a população católica, principal e compreensivelmente entre as famílias das vítimas que o classificaram de “enorme afronta”. Perante os enormes protestos, e contrariamente à oposição, principalmente dos militares, o então primeiro-ministro, Tony Blair, um dos principais mentores do Processo de Paz, foi corajoso ao decretar novo e mais completo inquérito judicial que teve início em 1988 sob a tutela de Lorde Saville. E inicialmente orçamentado em 15 milhões de euros, para ser apresentado dois anos depois, porém, volvidos mais dez, as tão detalhadas conclusões, em que foram ouvidas cerca de 2,500 testemunhas, incluindo 245 militares,505 civis, 33 chefes da polícia, figuras políticas, peritos forenses, jornalistas, sacerdotes, membros do IRA, incluino o actual vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e na altura segundo comandante do IRA em Derry, também participante na manifestação, Martin McGuinness, resultando em 160 volumes de minuciosa evidência, 30 milhões de palavras, 13 volumes de fotografias, 121 gravações sonoras e 10 de vídeo, pelo astronómico custo total de aproximadamente 300 milhões de euros, Porém o relatório final principal foi sintetizado em 5,000 palavras, compreendendo 10 volumes de sólida evidência exonerando as vítimas do que classificou “injustificado” e “injustificável disparo”, fazendo questão de esclarecer que foram alvejadas pelas costas, acusando os militares por tão inaceitável chacina.
Como seria de esperar, as famílias das vítimas exultaram ao terem conhecimento do resumo final de tão longa espera, particularmente pela evidência da inocência dos seus ente-queridos, uma das suas longas reivindicações. Mas não só, ao ouvirem e verem, no vasto écran, junto ao local em que milhares se concentraram, precisamente na Praça do Guildhall, onde a fatídica manifestação deveria terminar, para celebrar tão memorável evento, o primeiro-ministro, David Cameron, na Câmara dos Comuns, solenemente, admitir a culpabilidade dos militares, pedir desculpa e concluír que o “que aconteceu no Domingo Sangreto foi injustificável e errado”, irromperam em aplauso com lágrimas à mistura! Resta saber se, como Tony Blair anunciou, ao determinar novo inquérito em 1988, com a Irlanda do Norte e gozar desde 1998, tão almejada e necessária paz, depois de morte de mais de 10,000 pessoas, em sua maioria civis, incluindo militares e polícias, se “o doloroso capítulo está para sempre encerrado”. Só o futuro, possivelmente próximo, o dirá. Enquanto há famílias que clamam pelo julgamento e condenação dos militares, principalmente o soldado, cuja identidade permanece oculta e apenas classificado por “F”, a quem é atribuído o assassinato de seis manifestantes, para os políticos, a decisão compete exclusivamente ao Promotor Público, que, aliás, afirma estar a considerar o assunto. Por enquanto, um dado promissor: a comunidade protestante, também uma das grandes vítimas, na pessoa do influente deputado, Gregory Campbell, aponta “esqueça-se o passado e olhemos para o futuro”!
Nos 45 anos de vivência no Reino Unido, a maioria dos quais intensamente absorvidos na observação, mas acima de tudo, na interpretação e transmissão dos factos, quer por via radiofónica quer escrita, ou até através da imagem, a Irlanda do Norte e as suas, mui britânica e eufemisticamente cognominadas “troubles” (agitações ou preturbações), ocuparam e impressionaram não o jornalista, mas o preocupado ser humano durante ltrês décadas. As notícias, corroboradas pelas várias visitas aos pontos fulcrais das lutas intestinas e das múltiplas conversas tanto com militares como, e principalmente habitantes, dominaram o nosso intenso trabalho jornalístico. Na nossa retina e mente, porém, a imagem de um audacioso homem, um ousado pacificador pároco, então Dr- Edward Daly e actualmente bispo de Derry, de lenço branco na mão, seguido de um grupo de homens que transportava um jovem ensanguentado e exchangue no frio e fatídico domingo, 30 de Janeiro de 1972, na segunda principal cidade norte-irlandesa, a noroeste de Belfast, Londonderry (para os britânicos, mas que os norte-irlandeses insistem chamar apenas Derry), por ser prelúdio do sangrento episódio que ficaria conhecido por “Bloody Sunday” (Domingo Sangrento), jamais se esvaírá. Embora a chacina, em que pereceram 13 pessoas, sete das quais jovens de 17 anos, morrendo outro, dos ferimentos, poucos dias depois, e 27 feridos, provocada pelos tiros dos comandos britânicos ali estacionados, não fosse a maior dos sangrentos 30 anos de história daquele belo território, ela deu lugar ao virar de uma negra página e à abertura do trágico e sangrento capítulo que se seguiria, desmembrando por completo duas comunidades. Se prelúdio do maior e longo sangrento historial, “Blood Sunday” daria lugar ao maior e mais intenso recrutamento do até ali praticamente adormecido IRA, ou PIRA (Exército Provisional Republicano Irlandês), como preferem chamar na Irlanda do Norte. Da que fora a apenas, e até ao bairro de Bogside, pacífica manifestação organizada pelo Gupo de Direitos Civis, composta por entre 5,000 e 20,000 pessoas, a pretexto de que tiros teriam sido disparados pelos manifestantes, as três dezenas de militares, por ordem do imediato comandante, coronel Derek Wilford, mas contrariando ordens superiores anteriores, decidiu atirar sobre os desarmados manifestantes, dando lugar a um dos piores capítulos da história militar britânica.
A chacina teria repecursões imediatas, provocando o que seria o primeiro processo investigativo judicial liderado pelo Juiz Supremo, Lorde Widgery. Porém, ao ser divulgado, em 1972, defendeu os comandos e culpou os manifestantes, que afirmou serem “terroristas armados” provocando enorme clamor e revolta em toda a população católica, principal e compreensivelmente entre as famílias das vítimas que o classificaram de “enorme afronta”. Perante os enormes protestos, e contrariamente à oposição, principalmente dos militares, o então primeiro-ministro, Tony Blair, um dos principais mentores do Processo de Paz, foi corajoso ao decretar novo e mais completo inquérito judicial que teve início em 1988 sob a tutela de Lorde Saville. E inicialmente orçamentado em 15 milhões de euros, para ser apresentado dois anos depois, porém, volvidos mais dez, as tão detalhadas conclusões, em que foram ouvidas cerca de 2,500 testemunhas, incluindo 245 militares,505 civis, 33 chefes da polícia, figuras políticas, peritos forenses, jornalistas, sacerdotes, membros do IRA, incluino o actual vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e na altura segundo comandante do IRA em Derry, também participante na manifestação, Martin McGuinness, resultando em 160 volumes de minuciosa evidência, 30 milhões de palavras, 13 volumes de fotografias, 121 gravações sonoras e 10 de vídeo, pelo astronómico custo total de aproximadamente 300 milhões de euros, Porém o relatório final principal foi sintetizado em 5,000 palavras, compreendendo 10 volumes de sólida evidência exonerando as vítimas do que classificou “injustificado” e “injustificável disparo”, fazendo questão de esclarecer que foram alvejadas pelas costas, acusando os militares por tão inaceitável chacina.
Como seria de esperar, as famílias das vítimas exultaram ao terem conhecimento do resumo final de tão longa espera, particularmente pela evidência da inocência dos seus ente-queridos, uma das suas longas reivindicações. Mas não só, ao ouvirem e verem, no vasto écran, junto ao local em que milhares se concentraram, precisamente na Praça do Guildhall, onde a fatídica manifestação deveria terminar, para celebrar tão memorável evento, o primeiro-ministro, David Cameron, na Câmara dos Comuns, solenemente, admitir a culpabilidade dos militares, pedir desculpa e concluír que o “que aconteceu no Domingo Sangreto foi injustificável e errado”, irromperam em aplauso com lágrimas à mistura! Resta saber se, como Tony Blair anunciou, ao determinar novo inquérito em 1988, com a Irlanda do Norte e gozar desde 1998, tão almejada e necessária paz, depois de morte de mais de 10,000 pessoas, em sua maioria civis, incluindo militares e polícias, se “o doloroso capítulo está para sempre encerrado”. Só o futuro, possivelmente próximo, o dirá. Enquanto há famílias que clamam pelo julgamento e condenação dos militares, principalmente o soldado, cuja identidade permanece oculta e apenas classificado por “F”, a quem é atribuído o assassinato de seis manifestantes, para os políticos, a decisão compete exclusivamente ao Promotor Público, que, aliás, afirma estar a considerar o assunto. Por enquanto, um dado promissor: a comunidade protestante, também uma das grandes vítimas, na pessoa do influente deputado, Gregory Campbell, aponta “esqueça-se o passado e olhemos para o futuro”!
sexta-feira, 18 de junho de 2010
OS INESCRUTÁVEIS MISTÉRIOS DA MENTE HUMANA
O condado de Cumbria (noroeste da Inglaterra), bela zona rural, igualmente famosa pelos seus lagos, com cenários que inspiraram pintores, e onde residiu, como também inspiraram, o célebre poeta britânico William Wordsworth (1770-1850), foi cenário manchado pelo taxista de 52 anos de idade, Derrick Bird. Munido de uma pistola e espingarda, da janela do seu carro, chacinou 12 pessoas na fatídica manhã de quarta-feira 2, deste mês. Em apenas uma hora matou 10, e feriu 25, 11 das quais hospitalizadas, algumas em estado grave, em trinta localidades, pondo, três horas e meia depois, finalmente, termo à vida, no mais ermo dos locais. Este acontecimento, numa região normalmente bucólica, compreensivelmente abalou não apenas uma comunidade, mas todo o país e prontificou as mais recônditas questões. De novo, crimes e criminosos em massa como este, prontificam a questão do nosso título! Porém, e por muito que o tentemos jamais obteremos a resposta adequada!
Mal o primeiro assasinato, o irmão gémeo, David, que ocorreu pouco depois das 0830, em Frizington, cinco outras premeditadas vítimas se seguiram, incluindo o advogado da família, Kevin Commons, e colegas taxistas, que atingiu no local habitual de Duke Street, na cidade de Whitehaven. Embora alvejando três, apenas matou dois, Darren Rewcastle e Darren Pears. Dali, desvairado, percorreu as estreitas estradas rurais do condado, num perímetro de 100km, matando, durante três horas, quem encontrava ou quem lhe dava na real gana, inclusive, um pobre ciclista reformado, nos seus exercícios diários, ou a infeliz senhora que, no passeio, se dirigia para visitar a irmã ou ainda o lavrador jogador-amador de râguebi que se encontrava no seu terreno. Embora a polícia procure as respostas para tão hediondo acto, particularmente quando Bird era tido como uma pessoa absolutamente normal e sossegada, e haja indícios tanto de disputas familiares de heranças, como acossado, e em vias de ser detido, por evasão fiscal, nada mais resta que o lamentável e negro registo de tresloucados na história britânica. Desde Jack - o Estripador, devido à forma bárbara, mas profissional, em como se desfazia das suas vítimas, pelo menos seis, e todas prostitutas, no bairro de Whitechapel (leste de Londres), entre Agosto e Novembro de 1888, e crime idêntico por parte de Peter Sutcliffe, ao matar 13 prostitutas, pelo que lhe valeu o nome de “Ripper de Yorkshire”, e a pena de prisão perpétua no Tribunal Central de Old Bailey, em Londres, em 1981; em Maio de 2010, a mesma cidade seria cenário de nova reincidência, desta vez, com a morte de três mulheres da mesma profissão, cujos corpos de duas ainda não foram encontrados, em que Stephen Griffiths, que se doutorava em Criminologia na Universidade de Sheffield, foi descoberto e acusado. Estas serializações de crimes, embora raras, sucederam-se às chacinas de Hungerford (Oxfordshire), em 1987, em que Michael Ryan matou 16 pessoas ao acaso nas ruas da vila, bem como em Dunblane (Escócia), numa escola da cidade, onde o que fora chefe dos escuteiros, Thomas Hamilton, em 13 de Março de 1996, matou 16 crianças e uma professora. Qualquer destes assassinos em massa evadiu-se à justiça matando-se a si próprios. Semelhante sorte teve o chamado “Dr. Morte”, o médico Harold Shipman, que, na prisão, e em vésperas do início do julgamento, apareceu enforcado na manhã de 13 de Janeiro de 2004, também um dia antes de fazer 58 anos e se encontrava detido no que poderia dar em pena de prisão perpétua, pela morte de 15 pacientes seus, todas senhoras, com injecções de diamorfina. Mas, segundo peritos em lentos e longos estudos, teria na realidade morto, pelo menos 215 pessoas, durante os 30 anos, em que exerceu clínica geral, principalmente em Hyde, na zona da Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra. Antes, porém, há a assinalar o criminoso John Haigh, a quem foi atribuída a morte de nove mulheres ricas. Depois de beber o seu sangue cortou os corpos aos bocados decompondo-os em ácido. Foi enforcado em 1949. Seguiu-se-lhe o antigo polícia, John Reginald Christie a quem foi atribuída a morte de seis mulheres, em Londres, que depois de violar e estrangular escondeu os corpos debaixo do sobrado da sua residência, sendo enforcado em 1953. Aos namorados Ian Brady e Myra Hindley, deve-se a morte de, pelo menos, cinco crianças, em Oldham (Lancashire), entre 1963 e 1965, ao casal Fred e Rosemary West, o assassinato de 12 jovens, incluindo a filha, em Gloucester (oeste da Inglaterra) entre 1971 3 início de 1990. Ao funcionário público Dennis Nielsen, embora condenado em 1983 pela morte de seis homens homosexuais, suspeita-se que tenha degolado pelo menos 15 nas suas residências de Muswell Hill e Cricklewood (norte de Londres), durante a década de 70, de cujos corpos se desfez, quer guardando-os debaixo do sobrado quer cortando-os. Tanto este como o casal West foram condenados a prisão perpétua, embora Fred West se tenha suicidado na prisão.
Toda esta negra lista prontifica as habituais questões, “porquê, porquê?” Questões que os psicólogos não se cansam de esmiuçar, embora, cientifíca e historicamente todos saibamos que o Homem, do Reino Animal, é o que mais mata o seu semelhante, quer a nível individual quer colectivamente em guerras. Inescrutáveis mistérios da mente humana!
Mal o primeiro assasinato, o irmão gémeo, David, que ocorreu pouco depois das 0830, em Frizington, cinco outras premeditadas vítimas se seguiram, incluindo o advogado da família, Kevin Commons, e colegas taxistas, que atingiu no local habitual de Duke Street, na cidade de Whitehaven. Embora alvejando três, apenas matou dois, Darren Rewcastle e Darren Pears. Dali, desvairado, percorreu as estreitas estradas rurais do condado, num perímetro de 100km, matando, durante três horas, quem encontrava ou quem lhe dava na real gana, inclusive, um pobre ciclista reformado, nos seus exercícios diários, ou a infeliz senhora que, no passeio, se dirigia para visitar a irmã ou ainda o lavrador jogador-amador de râguebi que se encontrava no seu terreno. Embora a polícia procure as respostas para tão hediondo acto, particularmente quando Bird era tido como uma pessoa absolutamente normal e sossegada, e haja indícios tanto de disputas familiares de heranças, como acossado, e em vias de ser detido, por evasão fiscal, nada mais resta que o lamentável e negro registo de tresloucados na história britânica. Desde Jack - o Estripador, devido à forma bárbara, mas profissional, em como se desfazia das suas vítimas, pelo menos seis, e todas prostitutas, no bairro de Whitechapel (leste de Londres), entre Agosto e Novembro de 1888, e crime idêntico por parte de Peter Sutcliffe, ao matar 13 prostitutas, pelo que lhe valeu o nome de “Ripper de Yorkshire”, e a pena de prisão perpétua no Tribunal Central de Old Bailey, em Londres, em 1981; em Maio de 2010, a mesma cidade seria cenário de nova reincidência, desta vez, com a morte de três mulheres da mesma profissão, cujos corpos de duas ainda não foram encontrados, em que Stephen Griffiths, que se doutorava em Criminologia na Universidade de Sheffield, foi descoberto e acusado. Estas serializações de crimes, embora raras, sucederam-se às chacinas de Hungerford (Oxfordshire), em 1987, em que Michael Ryan matou 16 pessoas ao acaso nas ruas da vila, bem como em Dunblane (Escócia), numa escola da cidade, onde o que fora chefe dos escuteiros, Thomas Hamilton, em 13 de Março de 1996, matou 16 crianças e uma professora. Qualquer destes assassinos em massa evadiu-se à justiça matando-se a si próprios. Semelhante sorte teve o chamado “Dr. Morte”, o médico Harold Shipman, que, na prisão, e em vésperas do início do julgamento, apareceu enforcado na manhã de 13 de Janeiro de 2004, também um dia antes de fazer 58 anos e se encontrava detido no que poderia dar em pena de prisão perpétua, pela morte de 15 pacientes seus, todas senhoras, com injecções de diamorfina. Mas, segundo peritos em lentos e longos estudos, teria na realidade morto, pelo menos 215 pessoas, durante os 30 anos, em que exerceu clínica geral, principalmente em Hyde, na zona da Grande Manchester, no noroeste da Inglaterra. Antes, porém, há a assinalar o criminoso John Haigh, a quem foi atribuída a morte de nove mulheres ricas. Depois de beber o seu sangue cortou os corpos aos bocados decompondo-os em ácido. Foi enforcado em 1949. Seguiu-se-lhe o antigo polícia, John Reginald Christie a quem foi atribuída a morte de seis mulheres, em Londres, que depois de violar e estrangular escondeu os corpos debaixo do sobrado da sua residência, sendo enforcado em 1953. Aos namorados Ian Brady e Myra Hindley, deve-se a morte de, pelo menos, cinco crianças, em Oldham (Lancashire), entre 1963 e 1965, ao casal Fred e Rosemary West, o assassinato de 12 jovens, incluindo a filha, em Gloucester (oeste da Inglaterra) entre 1971 3 início de 1990. Ao funcionário público Dennis Nielsen, embora condenado em 1983 pela morte de seis homens homosexuais, suspeita-se que tenha degolado pelo menos 15 nas suas residências de Muswell Hill e Cricklewood (norte de Londres), durante a década de 70, de cujos corpos se desfez, quer guardando-os debaixo do sobrado quer cortando-os. Tanto este como o casal West foram condenados a prisão perpétua, embora Fred West se tenha suicidado na prisão.
Toda esta negra lista prontifica as habituais questões, “porquê, porquê?” Questões que os psicólogos não se cansam de esmiuçar, embora, cientifíca e historicamente todos saibamos que o Homem, do Reino Animal, é o que mais mata o seu semelhante, quer a nível individual quer colectivamente em guerras. Inescrutáveis mistérios da mente humana!
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OS INESCRUTÁVEIS MISTÉRIOS DA MENTE HUMANA
sexta-feira, 11 de junho de 2010
O DESPERTAR DA SONOLENTA E HISTÓRICA WOOTON BASSETT
Wooton Bassett, até há poucos anos pacata e adormecida vila saxónica, originalmente chamada Wodeton, do belo Condado de Wiltshire (sudoeste da Inglaterra), remonta a 681, mas que em 1200 foi doada ao Lorde Alan Bassett, e daí o nome, tem outro predicado histórico – o de estar ligada a uma das oito mulheres de Henrique VIII, Catherine Parr, que residiu na vizinha Mansão Vastern. Actualmente com 11.043 habitantes, Wooton Bassett conhece novo e importante predicado – a Hospitalidade e Honras Fúnebres aos Herois das Batalhas Britânicas.
Devido à sua vizinhança da Base Militar da RAF de Lyneham, também conhecida pelo aeroporto de destino e de regresso dos soldados mortos nas operações militares, primeiro no Iraque e actualmente, quase diariamente, no Afegasnistão, Wooden Bassett, assumiu nova e importante prominência e notoreidade pelas cada vez mais frequentes imagens na televisão, com a chegada dos caixões dos soldados mortos. A rua principal deste vilazinha, e os seus habitantes, fazem questão de receber e homenagear os féretros dos herois, em sua maioria jovens, caídos em combate, particularmente na região de Sangin, na província de Helmand, no sul do Afeganistão.
Tradicionalmente, a fila de carros negros, em passagem lenta, liderada por austero mestre de cerimónias, trajando negro e de alta cartola, não faltando bengala ou chapéu de chuva, pára no meio da rua da vila para receber a primeira homenagem da população civil, bem como militar, geralmente colegas, que formando ala, reconhecida e agradecida, coloca, no meio de lágrimas, uma a uma, rosas e outras flores, cobrindo totalmente os veículos. Entretanto, como cenário habitual, os transportadores de bandeiras, geralmente dos principais regimentos a que os homenageados pertenciam, baixam-nas como prova de homenagem e respeito. Wooden Bassett, faz, assim, questão de ser actualmente a primeira a homenagear os herois que regressam, sem vida, e que dali partem para os locais onde residiram com os seus ente-queridos, pais, mães, irmãos, mas especialmente esposas, agora viúvas, e seus filhos, muitos deles que nasceram sem os pais os terem conhecido em vida. Em reconhecimento a este elevado espírito de solidariedade, a 12 de Outubro de 2008 as Forças Armadas fizeram questão de desfilar pela vila a fim de agradecer aos seus habitantes tão prestimosos apoio. E, em Maio de 2009, a Royal British Legion, organização civil de beneficência a favor dos militares reformados ou mortos e suas famílias, homenagearam a vila com sentida Condecoração. Popular homenagem foi-lhe igualmente tributada em Março de 2010, por milhares de motards num desfile em que grangearam 15 mil euros para a Royal British Legion. Mas o maior tributo, partiu de Isabel II, que, embora raro, mas à semelhança de outras vilas ou cidades lhe foi outorgado o título de Real Wooton Bassett. Porém, em 2009, o grupo islâmico Islam4UK, num país democrático como aqueles que não o eram dos países de que foram oriundos, provocaram compreensível revolta do país inteiro ao insistirem numa manifestação na vila, intenção resistida pelos seus habitantes que ameaçaram desertá-la e, como sinal de protesto, levantar vedações nas ruas principais. Depois do Iraque, o Afeganistão, e principalmente Sangin, na província de Helmand, é actualmente cemitério da juventude militar britânica. Até agora, ali morreram ou mais tarde pereceram nos hospitais do país, quase 300 militares, descontando, claro, os inúmeros feridos, muitos deles graves, em sua maioria desfigurados ou sem membros - pernas e/ou braços. e que, a demonstrar contínua bravura, procuram adaptar-se à nova, mas trágica situação.
Devido à sua vizinhança da Base Militar da RAF de Lyneham, também conhecida pelo aeroporto de destino e de regresso dos soldados mortos nas operações militares, primeiro no Iraque e actualmente, quase diariamente, no Afegasnistão, Wooden Bassett, assumiu nova e importante prominência e notoreidade pelas cada vez mais frequentes imagens na televisão, com a chegada dos caixões dos soldados mortos. A rua principal deste vilazinha, e os seus habitantes, fazem questão de receber e homenagear os féretros dos herois, em sua maioria jovens, caídos em combate, particularmente na região de Sangin, na província de Helmand, no sul do Afeganistão.
Tradicionalmente, a fila de carros negros, em passagem lenta, liderada por austero mestre de cerimónias, trajando negro e de alta cartola, não faltando bengala ou chapéu de chuva, pára no meio da rua da vila para receber a primeira homenagem da população civil, bem como militar, geralmente colegas, que formando ala, reconhecida e agradecida, coloca, no meio de lágrimas, uma a uma, rosas e outras flores, cobrindo totalmente os veículos. Entretanto, como cenário habitual, os transportadores de bandeiras, geralmente dos principais regimentos a que os homenageados pertenciam, baixam-nas como prova de homenagem e respeito. Wooden Bassett, faz, assim, questão de ser actualmente a primeira a homenagear os herois que regressam, sem vida, e que dali partem para os locais onde residiram com os seus ente-queridos, pais, mães, irmãos, mas especialmente esposas, agora viúvas, e seus filhos, muitos deles que nasceram sem os pais os terem conhecido em vida. Em reconhecimento a este elevado espírito de solidariedade, a 12 de Outubro de 2008 as Forças Armadas fizeram questão de desfilar pela vila a fim de agradecer aos seus habitantes tão prestimosos apoio. E, em Maio de 2009, a Royal British Legion, organização civil de beneficência a favor dos militares reformados ou mortos e suas famílias, homenagearam a vila com sentida Condecoração. Popular homenagem foi-lhe igualmente tributada em Março de 2010, por milhares de motards num desfile em que grangearam 15 mil euros para a Royal British Legion. Mas o maior tributo, partiu de Isabel II, que, embora raro, mas à semelhança de outras vilas ou cidades lhe foi outorgado o título de Real Wooton Bassett. Porém, em 2009, o grupo islâmico Islam4UK, num país democrático como aqueles que não o eram dos países de que foram oriundos, provocaram compreensível revolta do país inteiro ao insistirem numa manifestação na vila, intenção resistida pelos seus habitantes que ameaçaram desertá-la e, como sinal de protesto, levantar vedações nas ruas principais. Depois do Iraque, o Afeganistão, e principalmente Sangin, na província de Helmand, é actualmente cemitério da juventude militar britânica. Até agora, ali morreram ou mais tarde pereceram nos hospitais do país, quase 300 militares, descontando, claro, os inúmeros feridos, muitos deles graves, em sua maioria desfigurados ou sem membros - pernas e/ou braços. e que, a demonstrar contínua bravura, procuram adaptar-se à nova, mas trágica situação.
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WOOTON BASSETT E A UERRA DO AFEGANISTÃO
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Sós ou (Mal) Acompanhados?
Na capa de um dos recentes números da conceituada revista National Geographic (edição em Inglês), perguntava-se “Estaremos sós?”. O seu interior, era complementado por extraordinárias montagens e fotos. Porém, agora, graças à avançada tecnologia, aos inúmeros satélites, mas principalmente à sofisticadíssima aparelhagem óptica, lançada a milhares de quilómetros no espaço, da possível ficção passou-se à realidade, como muito bem se aponta na referida reportagem. Nela se refere, por exemplo, que até agora os astrónomos conseguiram identificar mais de 370 classificados “exoplanetas”, ou seja, planetas fora do Sistema Solar. Em relação a Saturno, verifica-se agora que, estando à distância de 260 anos-luz da Terra, (*) encontra-se acompanhado por outro satélite quente, afastado, e rodopiando a cerca de 150 anos-luz daquele, que numa rotação nos nossos termos, de um ano, lá, dura menos de três dias! O objectivo dos cientistas, que na Lua já descobriram a existência de algo semelhante à água, é encontrar planetas idênticos à Terra. Caso concreto, é a descoberta no satélite Europa, a lua do Planeta Júpiter, quase idêntico à Terra, em termos de tamanho, conta com um vasto oceano de água, com a profundidade aproximada de 100km. A questão, a grande questão, é saber se contem suficiente oxigénio indispensável à vida. Outro enorme planeta, o já menciondo Saturno, aquele de vastos aneis, igualmente se sabe conter àgua, mas esta é gelada e que não permite qualquer qualidade de vida. A procura continua e graças aos enormes avanços da Cosmografia, muito há a percorrer, quando, apenas 11 dos 370 distantes planetas, enormes e luminosos, foram detectados pela técnica espectoscrópica Doppler.
Vejamos, portanto, a tecnologia reveladora de tais maravilhas. Ao satélite francês, COROT, por exemplo, agora na fase final de vida de três anos, deve-se a descoberta de sete exoplanetas em trânsito, um dos quais é 70% maior que a Terra. Porém, o satélite americano, Kepler, lançado a partir da base do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos da América (EUA), em 12 de Março do ano passado, é, nada mais nada menos que uma potente câmara digital de .95 de abertura e com um detector de 95 megapixeis. Obtém fotos de uma largura vastíssima, de trinta em trinta minutos, captando a luz de 100.000 estrelas, num simples trecho do firmamento, entre as brilhantes estrelas Deneb e Vega. A ele, se deve, segundo a notícia divulgada pela Sociedade Americana de Astronomia, em Washington, em 4 de Janeiro´passado, a detecção dos seus cinco primeiros planetas fora do sistema solar, com tamanhos que variam entre uma dimensão semelhante a Neptuno e uma maior que Júpiter. Chamados Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b, a sua descoberta resulta de cerca de seis semanas de recolha de dados desde que as operações científicas começaram, a 12 de Maio de 2009. No entanto, são todos demasiado quentes para conter vida, salientam os responsáveis pela missão. As temperaturas estimadas nos exo-planetas variam entre os 1200 e os 1648 graus Célsius.A estes, juntam-se aos 415 exo-planetas já detectados desde 1995, graças a outros telescópios. Aos computadores, em Terra, compete decifrar o brilho de todas as estrelas, alertando os cientistas, ao detectarem a menor cintilação que possa assinalar o trânsito de um planeta. Outro passo tecnológico, assás igualmente importante, foi a actualização, em Maio do ano passado, do Telescópio Espacial Hubble, pelos astronautas. Graças a novos e mais sofisticados mecanismos, como lentes mais potentes, além de prolongar a vida deste excepcional equipamento espacial, obtêm-se imagens mais nítidas e novas galácias. Porém, com o anunciado telescópico gigantesco, E-ELTE, de 42 metros de diâmetro de abertura, a instalar nas montanhas chilenas, aumenta a expectativa dos astrónomos. Possivelmente em saber mais sobre a Nebulosa Carina, a 7500 anos-luz da Terra e a multidão massiça de estrelas da constelação Omega Centauro, que pela primeira vez revela galácias, representadas por simples pontos de há 13.1 biliões de anos atrás, como aponta
o cientista Garth Illingworth da Universidade de Santa Cruz da Califórnia.
(*) Medida de distância astronómica igual à distância que a luz atravessa no período de um ano, ou
12km
seja, 9.463x10 , (1 pc = 3.26161.y ). A distância entre a Terra e a Lua é de 148.8 milhões de km
Vejamos, portanto, a tecnologia reveladora de tais maravilhas. Ao satélite francês, COROT, por exemplo, agora na fase final de vida de três anos, deve-se a descoberta de sete exoplanetas em trânsito, um dos quais é 70% maior que a Terra. Porém, o satélite americano, Kepler, lançado a partir da base do Cabo Canaveral, nos Estados Unidos da América (EUA), em 12 de Março do ano passado, é, nada mais nada menos que uma potente câmara digital de .95 de abertura e com um detector de 95 megapixeis. Obtém fotos de uma largura vastíssima, de trinta em trinta minutos, captando a luz de 100.000 estrelas, num simples trecho do firmamento, entre as brilhantes estrelas Deneb e Vega. A ele, se deve, segundo a notícia divulgada pela Sociedade Americana de Astronomia, em Washington, em 4 de Janeiro´passado, a detecção dos seus cinco primeiros planetas fora do sistema solar, com tamanhos que variam entre uma dimensão semelhante a Neptuno e uma maior que Júpiter. Chamados Kepler 4b, 5b, 6b, 7b e 8b, a sua descoberta resulta de cerca de seis semanas de recolha de dados desde que as operações científicas começaram, a 12 de Maio de 2009. No entanto, são todos demasiado quentes para conter vida, salientam os responsáveis pela missão. As temperaturas estimadas nos exo-planetas variam entre os 1200 e os 1648 graus Célsius.A estes, juntam-se aos 415 exo-planetas já detectados desde 1995, graças a outros telescópios. Aos computadores, em Terra, compete decifrar o brilho de todas as estrelas, alertando os cientistas, ao detectarem a menor cintilação que possa assinalar o trânsito de um planeta. Outro passo tecnológico, assás igualmente importante, foi a actualização, em Maio do ano passado, do Telescópio Espacial Hubble, pelos astronautas. Graças a novos e mais sofisticados mecanismos, como lentes mais potentes, além de prolongar a vida deste excepcional equipamento espacial, obtêm-se imagens mais nítidas e novas galácias. Porém, com o anunciado telescópico gigantesco, E-ELTE, de 42 metros de diâmetro de abertura, a instalar nas montanhas chilenas, aumenta a expectativa dos astrónomos. Possivelmente em saber mais sobre a Nebulosa Carina, a 7500 anos-luz da Terra e a multidão massiça de estrelas da constelação Omega Centauro, que pela primeira vez revela galácias, representadas por simples pontos de há 13.1 biliões de anos atrás, como aponta
o cientista Garth Illingworth da Universidade de Santa Cruz da Califórnia.
(*) Medida de distância astronómica igual à distância que a luz atravessa no período de um ano, ou
12km
seja, 9.463x10 , (1 pc = 3.26161.y ). A distância entre a Terra e a Lua é de 148.8 milhões de km
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